sábado, 31 de agosto de 2019

A REPORTAGEM DA EXPO-BD "A PORTUGUESA"

Conforme foi anunciado e divulgado, realizou-se em Viseu, a 25 do corrente (data em que este ano se comemorou o "Dia de Viriato"), a inauguração da exposição versando "A Portuguesa", hino surgido ainda durante a Monarquia (por Henrique Lopes de Mendonça e Alfredo Keil) em forte indignação contra o Ultimato inglês de triste memória.
Foi adoptado como Hino Nacional no início da República.
A exposição, que estará patente até 19 de Setembro, tem as pranchas em tamanho original, executadas por José Pires, relativas ao álbum "A Portuguesa, História de um Hino", lançado oficialmente nesta mesma data.
Com muito e caloroso público, a sessão oficial foi aberta por Jorge Sobrado (Vereador da Cultura da C.M. de Viseu) e por Filipa Mendes (actual presidente do GICAV). Também tomou a palavra, Carlos Almeida (um dos fundadores do GICAV e que aqui é o responsável pelo sector da Banda Desenhada). Igualmente pela Câmara Municipal de Viseu, o Dr. Luís Fernandes, professor e investigador.
Da esquerda para a direita: Carlos Almeida (responsável pelo sector BD do Gicav), Jorge Sobrado (Vereador da CM Viseu), Filipa Mendes (Presidente do Gicav) e José Pires (autor homenageado).
Jorge Sobrado, no uso da palavra, perante uma boa assistência
O Vereador da Câmara de Viseu reafirmando a disponibilidade da autarquia viseense em apoiar a 9.ª Arte.
Foi então entregue a José Pires, o Troféu Anim'arte (atribuído pelo GICAV), sob bom tempo de aplausos. No final desta ​sessão de abertura, José Pires esteve a autografar muitos ​exemplares do seu álbum.
Filipa Mendes entregando o Troféu Anim'arte a José Pires.
Presenças gratas e destacáveis:
- Álvaro Azedo, Presidente da Câmara Municipal de Moura;
​- pelo CPBD (Clube Português de Banda Desenhada): Carlos ​Gonçalves, João Mimoso, Carlos Moreno, Pedro Bouça e ​Rui Domingues;
​- pelo GICAV: Luís Mendes e família, Carlos Almeida e família (donde seu filho, Dani Almeida, também desenhista), Nicole Almeida, Agostinho Pereira e Ricardo Ferreira;
- Desenhistas notáveis: Carlos Baptista Mendes (de ​Lisboa), António Lança Guerreiro (de Torres Vedras) e ​Paulo Medeiros (de Viseu);
​- o BDBD faz-se apenas representar por mim, Luiz Beira, uma vez que Carlos Rico não ​pode estar presente, mas que foi devidamente lembrado.

O Presidente da Câmara de Moura, Álvaro Azedo, mais uma vez marcou presença, reforçando, assim,
uma parceria de longa data entre a autarquia mourense e o Gicav.
Aqui o vemos na companhia de Luís Filipe Mendes (do Gicav) e de Luiz Beira (do BDBD).
Dois Carlos trocando fanzines: Carlos Gonçalves (do CPBD) e Carlos Almeida (do Gicav)
Lança Guerreiro conversando com José Pires e folheando um álbum.
Luís Filipe Mendes, Filipa Mendes, José Pires, Jorge Sobrado e Carlos Almeida,
os grandes artífices desta Festa-BD de Viseu
José Pires explicando um detalhe a Carlos Almeida
Aspecto geral da exposição
Em paralelo, também uma exposição de cartunes alusivos ao tema, onde, para além de "A Portuguesa" por Baptista Mendes e em duas pranchas, se contam trabalhos de Mara Mendes, Carlos Rico, Dani Almeida, Eugénio Silva, José Ruy, Rafael Sales, Nicole Almeida, Miguel Rebelo, Carlos Almeida, Pedro Emanuel e outros mais.
Ilustração de Eugénio Silva
Cartune de José Pires
Ilustração de José Ruy
Ilustração de João Amaral
Cartune de Daniel Almeida
Cartune de Lança Guerreiro
Cartune de Miguel Rebelo
Cartune de Carlos Rico
Foi uma bela festa, culminando com um jantar para muitos convidados.

Pormenor intrigante: nenhuma das editora-BD portuguesas se fez representar.
Sem comentários!...
PARABÉNS, VISEU!


Nota: agradecemos ao fotógrafo José Machado a cedência da maior parte das fotos que ilustram este post.
LB

terça-feira, 27 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (178)

LES SPECTRES DE ROME - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin: ​argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Démarez ​e cores de Jean-Jacques Chagnaud. É o nono tomo da ​série "Alix Senator".
​Um imenso clima de pavor assola Roma, onde enigmáticos assassínios, quase em massa, são executados pela ​calada da noite. Quem são estes sanguinários predadores ​que parecem fantasmas? Há quem insinue que são os ​leprosos; há quem diga que são gente do Médio Oriente…
​Só o prepotente imperador Augusto tem outra ideia, talvez mais sensata, se bem que terrível: tudo se deve às radiações ​do venenoso oricalco que se espalharam devido à queda ​de um meteorito.
​Alix, seu filho Titus, o amigo Enak e o rei oriental Syllaios, vão tentar desvendar este sinistro mistério, com arriscada coragem, pois quem é contaminado dificilmente escapa ​à morte…


BOB MORANE, INTÉGRALE/12 - ​Edição Lombard. Autores: argumentos de Henri Vernes e ​arte gráfica de Felicisimo Coria. E Jacques Pessis, autor ​do dossiê de abertura.
​Este Integral reúne as seguintes cinco aventuras: "Les Otages de l'Ombre Jaune", "Le Tigre des Lagunes", "Le Temple des Crocodiles", "Le Masque de Jade" e "Snake".
Apenas dois reparos: em "Le Masque de Jade", o vigoroso e divertido companheiro de Morane, o escocês Bill Ballantine, não é tido nem achado. Está completamente ausente.
"Snake", é uma intrigante aventura, pesada e muito venenosa (pois lá figuram as tenebrosas serpentes cobra-coral, mamba e surucucu), mas muito mal explicada… Há deturpadas cerimónias mais ou menos de vudu em honra da deusa Cobra de Bonze, mas no final, fica-se sem se saber o que o demente Hixe iria confessar à polícia e tão pouco se define quem era mesmo a bela e perigosa haitiana Benedicité Snake, que se escapa não se sabe para onde… Voltará em episódio futuro?


O OUTRO LADO - ​Edição Asa. Autores principais: argumento de Jody Houser, traço de Stefano Martino e cores de Lauren Affe. Tradução de Luís Santos.
O adolescente Will Byers não sabe bem onde foi parar!... Está só e num "outro lado", num autêntico "mundo invertido" e assustador, que só seria visível em delírios psíquicos e em terríveis pesadelos… De resto, à sua volta, tudo é silêncio, escuro e frio. Há ainda um estranho monstro que por aí assombra cada recanto.
Will Byers quer, desesperado, tornar ao seu real ambiente, onde estão a família e os amigos. Mas como?...
Para quem gosta de histórias de terror, esta é uma obra-BD devidamente aconselhada.
LB

domingo, 25 de agosto de 2019

BREVES (73)

VISEU INAUGURA EXPOSIÇÃO E LANÇA "A PORTUGUESA" EM ÁLBUM
Hoje, dia 25, pelas 16:00 horas, inaugura no Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, em Viseu, a exposição "A Portuguesa - História de um Hino".
A mostra - constituída por dezena e meia de painéis em grande formato - é uma co-produção do Gicav (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu) e da Câmara Municipal de Moura, com o apoio da Câmara Municipal de Viseu, da ViseuMarca e do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude). 
Na mesma ocasião será lançado oficialmente o respectivo álbum (um trabalho completo - texto e desenhos - de José Pires que aguardava há alguns anos, pelo interesse de uma editora). Felizmente, o Gicav e a Câmara de Viseu reuniram esforços e avançaram para a publicação de uma obra que merecia há muito "sair da gaveta".
A exposição ficará patente até ao próximo dia 15 de Setembro.
Oportunamente publicaremos aqui no BDBD a reportagem fotográfica sobre este evento bem como a análise ao álbum na rubrica "Novidades Editorias".


UMA LIVRARIA COM "NERVO"
A inauguração de uma livraria/galeria de banda desenhada não acontece todos os dias e, por isso, é com satisfação que o BDBD anuncia a abertura da "Tinta nos Nervos", na Madragoa, em Lisboa.
Pedro Moura, Ana Ruivo, Vanessa Alfaro, Luiz Azeredo, Anabela Almeida e Frederico Duarte estão à frente deste projecto que pretende ser um pólo convergente de estilos e escolas de BD, ilustração, desenho e artes gráficas, onde haja lugar para todos os públicos e autores.
Para além do espaço loja (com venda de livros, arte original, objectos, brinquedos...), a "Tinta nos Nervos" conta com uma galeria (onde estarão patentes exposições colectivas ou individuais mais ou menos longas, intercaladas com outras mais curtas associadas a lançamentos editoriais), espaço para workshops e uma cafetaria.  
A ideia merece todo o nosso aplauso. E não temos dúvidas que a "Tinta nos Nervos" poderá tornar-se numa referência e num ponto de encontro habitual entre bedéfilos.
Contactos:
Rua da Esperança, 39, 1200-655 Lisboa  -  Telef. 213 951 179
Site: https://tintanosnervos.com/Livraria
facebook: https://www.facebook.com/TintanosNervos/


REGRESSO AOS CLÁSSICOS
A editora francesa Glénat, sempre incansável e a produzir,
acaba de lançar uma nova colecção de álbuns-BD, versando famosos clássicos da Literatura.
Agora com novas versões e novos desenhistas, os primeiros tomos são sobre os autores Walter Scott, Jules Verne, Jack London, Alexandre Dumas e Mark Twain.
Divulgaremos estas obras em "Novidades Editoriais" assim que chegarem ao nosso conhecimento.


ANIVERSÁRIOS EM SETEMBRO

Dia 02 - Leonardo De Sá e Gerrit De Jager (holandês)
Dia 04 - Lucien De Gieter (belga)
Dia 05 - Stédo (belga)
Dia 08 - Catherine Labey
Dia 09 - José Abrantes, Vicente Segrelles (espanhol) e Valentin Tánase (romeno)
Dia 13 - Luís Filipe Mendes (do GICAV)
Dia 14 - Puiu Manu (romeno)
Dia 24 - Mara Mendes
Dia 26 - Spiros Derveniotis (grego)
Dia 27 - Mathias Schulteiss (alemão) e Pol Leurs (luxemburguês)

LB/CR

terça-feira, 20 de agosto de 2019

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (16) - O HINO NACIONAL


CONTRA OS BRETÕES, MARCHAR, MARCHAR!
Ou o que fez surgir "A Portuguesa"​


Assim começa a ​HISTÓRIA:
​A 2 de Fevereiro de 1387, D. João I de Portugal matrimoniou-se ​com a dama inglesa D. Filipa de Lencastre. Foi o solenizar de ​um Tratado, reafirmando-se assim, entre D. João I de ​Portugal e Ricardo II de Inglaterra, em Windsor, depois de ​já em1373, tal ideia ter sido concertada entre D. Fernando ​I de Portugal e o príncipe inglês John de Gant.
Mais ou menos, ​tudo isto foi a génese da famosa Aliança Luso-Inglesa que ​ainda hoje, de nossa parte, servilmente e com um certo ​toque de vazio romantismo tacanho, vamos aceitando…
Casamento de D. João I com Dª Filipa de Lencastre, em 1387
​Deste enlace, da inglesa Filipa e do português João, nasceram ​nove filhos, dois dos quais morreram crianças. Dos outros, os ​cinco filhos varões - Duarte, Pedro, Henrique, João e ​Fernando - firmaram a "Ínclita Geração". Mas, daí para cá, a vetusta "aliada" Inglaterra só nos tem enganado, ​traído, roubado e apunhalado. Uma descarada canalhice!
​Já lá irei à nossa gloriosa "A Portuguesa", mas cumpre-me antes, como português, fazer um breve apanhado histórico das britânicas patifarias ao nosso País, à nossa Pátria, tanto mais que imensos compatriotas nossos tais factos talvez ainda desconheçam!... Ora, vamos lá.
Muito antes deste conveniente matrimónio anglo-português já havia em plena Idade Média, acordos de pesca, ​navegação, comércio e determinadas políticas, entre o nosso ​País (ou Reino) com a Inglaterra, a Dinamarca e a Flandres…
​A 14 de Agosto de 1385, aconteceu a gloriosa vitória de Portugal vencer Castela em Aljubarrota. Foi cá um estoiro contra o ávido Reino aqui mesmo ao lado!... Para aqui, os ​Ingleses apenas enviaram uma diminuta força de apoio de archeiros, que terão ensinado aos Portugueses a ​famosa "técnica do quadrado"...
Batalha de Aljubarrota (1385)
Algum tempo volvido, ​resultou uma das maiores crises políticas: o Reino de ​Portugal, num processo de traição e outras porcarias, caiu ​nas garras do ambicioso Reino de Castela… Já então, a ​Inglaterra, a França e a Holanda, sobretudo, não queriam ​portugueses nos seus horizontes e glórias… Pois, pois!...
​Por estes tempos, um pirata inglês (dito, corsário), o senhor Francis Drake, atacou e fez violentos estragos em terras lusas, ​sobretudo no Algarve, Cascais e Açores. Por esses tempos ainda, D. António I de Portugal, cognominado "o Rei Efémero", após a sacrificada e heróica derrota em Acântara, pediu o apoio aos Ingleses que lhe viraram as costas… e ​veio a morrer, bem infeliz, na zona de Paris, pois foi acolhido ​pela França.
Em 1640, Portugal e a Catalunha lutaram pela ​restauração dos respectivos reinos, então sob Castela. O ​astuto e muito diplomático cardeal Richelieu, então primeiro ​ministro de França, nestas rebeliões, acabou por ajudar ​Portugal. Obrigado, França! Perdoa-nos, Catalunha!... E ​por aqui, a "doce" Inglaterra não tugiu nem mugiu!...
​Quando a infanta D. Catarina (filha de D.João IV e de D. Luísa de Gusmão), por casamento, se instalou em Londres ​e para lá levou o "vício do chá", como dote matrimonial, Portugal ofereceu aos "sagrados aliados" as nossas cidades de "Além-Mar", de Tânger, Bombaim e Columbo. Isto não impediu que a ​Inglaterra deixasse de andar sempre voraz por tudo quanto ​cheirasse a Português!
​Com a "crise" napoleónica, Wellington e Beresford vieram em auxílio (?!…) de Portugal, onde se refastelaram, como se ​Lisboa fosse um bairro de Londres!... Até ousaram assassinar ​(enforcar) o grande general Gomes Freire de Andrade!...
​Outro ignóbil surripianço bretão a Portugal: as ilhas do Atlântico Sul, que embora não propriamente povoadas pelos ​portugueses, eram ainda terras nossas insulares à luz do ​Tratado de Tordesilhas (7 de Julho de 1494): Ascensão, Santa Helena, Tristão da Cunha e Gonçalo Álvares. As esquadras portuguesas escalavam-nas com frequência, sobretudo Santa Helena, cujo primeiro habitante fixo foi o soldado Fernão Lopes, e onde bem mais tarde acabou os seus dias o admirável Napoleão Bonaparte… Pois em inícios do século XIX, os hipócritas Bretões, sem dizerem água vai, ocuparam definitivamente tais ilhas!... E Portugal não reagiu!... Medo de Londres?!…
Agora, dou aqui dois convenientes saltos (lá chegarei à "Portuguesa"...) no tempo cronológico, aqui registado de um modo breve:
1 - Na Primeira Grande Guerra Mundial, enquanto as tropas Inglesas fugiam apavoradas (com "as calças nas mão"?...), bem como os poucos dos nossos, ante um feroz ataque alemão, um único português fez heroicamente frente às tropas de Berlim: o magnífico ​e ímpar "Soldado Milhões". E, nesse clima infernal, ainda ​teve o nobre gesto de salvar um médico escocês que ia ​morrendo afogado.
​2 - A 11 de Novembro de 1965, o corajoso Ian Smith proclamou unilateralmente a independência da Rodésia ​(hoje, Zimbábuè), território que tinha apoio quase total ​de abastecimento no porto da Beira (Moçambique). Londres, ​com uma esquadra sua, logo decretou o bloqueio (e provável ​desembarque de tropas) da Beira!... Não funcionou bem, pois ​logo os Franceses para aí enviaram forças navais para defender ​o território que ainda era português e, por sintonia, a Rodésia.
​Smith, para não complicar a vida a Lisboa (que discretamente o ​apoiava) optou - embora fosse bem mais caro - por se abastecer ​de quase tudo, via os portos sul-africanos de Durban e Cape Town.
​Se tiverem tempo devido, procurem saber das opiniões justas ​e sarcásticas de dois génios literários Irlandeses, George Bernard ​Shaw e Oscar Wilde, sobre os Ingleses (ou Bretões).
​Concentro-me agora no fulcro deste pertinente e histórico texto, e ​também em aplauso sentido aos nossos desenhistas em relação ao ​tema.
​Acontece que houve ​a vil jogada política em relação à tão cobiçada ​África na famosa Conferência de Berlim, que delimitou o que é ​que pertencia a quem… A França e a Alemanha, cedo aceitaram ​as propostas lusas, mas a Inglaterra…
Por esses tempos, raros e ​heróicos sertanejos se aventuraram a "conhecer" África, de ​França, Itália, Inglaterra, Portugal… Nós, aplicámo-nos em ​admiráveis odisseias, épicas e terrestres, donde alguns nomes ​mais notáveis: António Ferreira Silva Porto, Hermenegildo ​Capelo, Roberto Ivens e Alberto Serpa Pinto.
Silva Porto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo e Serpa Pinto
O mapa cor-de-rosa
Pelo lógico pensamento político euro-africano da época, a nossa ideia era ligar Angola a Moçambique, o célebre "Mapa Cor-de-Rosa", num só território luso-africano.
Teria ​sido bonito e glorioso para a respeitável lusofonia, mesmo ​que tais territórios, no futuro, dessem origem a certos e novos ​países africanos…
​Foi então que o safado (é o suave adjectivo possível) de um ambicioso e intriguista político bretão (britânico, inglês ou o raio que…), um tal de Cecil Rhodes, alucinou Londres com outra ideia: em vez do "Mapa Côr-de-Rosa" português e em ​latitude, "de Angola à Contracosta", devia a Inglaterra impor-se ​e possuir em pleno, e em longitude, o "Cape to Cairo", ou seja, ​da África do Sul ao Egipto. Que sinistro e traiçoeiro canalha!
​Então, Londres enviou um escabroso ultimato a Lisboa a 11 de ​Janeiro de 1890: Portugal, ou ocupava em pleno tal espaço ou ​a Inglaterra "tomava conta" do mesmo.
O ultimato da Inglaterra a Portugal visto pelo caricaturista Raphael Bordallo Pinheiro
Nós estávamos, económica ​e militarmente, num tempo bem infeliz e El-Rei D. Carlos cedeu às ​ameaças prepotentes da "nossa ancestral aliada" (Salvo seja!).
​E então nasceu o nosso tão belo e emotivo Hino Nacional, "A ​Portuguesa"!
O Povo Português aceitaria melhor uma desastrosa e trágica guerra contra a Inglaterra, em vez de um "acocoranço"… mas não ​houve guerra e a cambada de além Canal da Mancha, ganhou!
​Vozes (ou escritos) de notáveis ao lado do nosso Povo, como ​Guerra Junqueiro, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, bem criaram ​os seus vigorosos textos, mas de nada valeu. Portugal estava impotente!
​Valeu, sim, a parceria do poeta HENRIQUE LOPES DE MENDONÇA e do compositor ALFREDO KEIL que, num momento intenso e vibrante, criaram "A Portuguesa", o nosso Hino Nacional. No entanto, veio a acontecer uma "emenda ou alteração imperdoável" nos versos justos e de sentida revolta de Lopes de Mendonça (que até ficou proibido de frequentar a Corte): no original, não é "contra os canhões" que devemos marchar mas sim "contra os bretões". Mais uma vez, Lisboa teve medo que Londres amofinasse e uivasse!...
Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça
Ainda há um lógico e justo filme sobre todos estes aspectos, mas a nossa Banda Desenhada, na medida do possível, registou a história de "A Portuguesa" pelo menos em duas versões: uma, em duas pranchas, por CARLOS BAPTISTA MENDES... 
"A Portuguesa", por Baptista Mendes,
in "Jornal do Exército" (1972)

...e a outra, em formato álbum (com lançamento no próximo domingo, 25 de Agosto, em Viseu) por JOSÉ PIRES.
Bravo! Bravíssimo!
Capa e pranchas de "A Portuguesa: História de um Hino", por José Pires
Edição: Gicav/Câmara Municipal de Viseu (Agosto/2019)

Cá por mim (L.B.), sempre que tenha de cantar o nosso Hino utilizarei o termo original "Contra os Bretões"... E que o tão badalado "Brexit" lhes faça bom proveito!
Viva Portugal!
Luiz Beira

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (177)

ROSWELL - ​Edição Delcourt. Autores: argumento de Jean-Pierre Pécau, arte gráfica de Igor Kordey e cores de Anubis(!!).
Curiosamente, Anúbis, é um dos principais deuses da Mitologia Egípcia…
​"Roswell" é o 35.º tomo da tão apaixonante como especulativa série "L'Histoire Secrète", cuja respectiva intriga vai prosseguir…
​No início de Julho de 1947, um disco voador caiu no Novo México, perto da localidade de Roswell… e o coronel William Blanchard, da Força Aérea Norte-Americana, após investigação e actuação na zona, anunciou que havia recuperado um disco voador!... E logo nasceu (e prossegue) a balbúrdia de informações, contra-informações, atitudes ambíguas e estranhos secretismos.
Nesta obra-BD, Jean-Pierre Pécau atreve-se a ir mais longe (com a maravilhosa arte do croata Kordey), pois por aqui junta o episódio real do OVNI caído, a Mitologia Egípcia, a mal escondida e secreta Área 51, as teorias de "iluminados" escritores como Carlos Castañeda e René Guénon…
É uma intensa e maravilhosa amálgama de sedutoras teorias.
Serão mesmo só teorias?!...E o que é que os Arcontes, criados pelo deus Thot, andam a fazer e a querer lucrar nesta confusão espantosa?


O TESOURO DO CISNE NEGRO - Edição Levoir, em parceria com o diário "Público". Autores: argumento de Guillermo Corral e arte gráfica de Paco Roca, obra que recebeu em 2018, o Prémio Splash Sagunt. Este álbum pertence à série "Novela Gráfica" (5.ª fase).
Com base num escaldante processo político-jurídico entre o Reino de Espanha e os Estados Unidos da América do Norte, o romancista-argumentista Corral, logicamente, mascarou levemente alguns aspectos: a nau espanhola "Merced " (Nuestra Señora de las Mercedes) que vinha da América do Sul para Espanha, aqui chama-se "Cisne Negro"; pelos ingleses, foi criminosamente bombardeada e afundada, perto de Gibraltar, não em águas internacionais, mas portuguesas…
Depois, ávidos procuradores a abarbatadores de tesoiros de naus no fundo dos mares (norte-americanos, claro!), não pertencem à mencionada "Ithaca", mas à autêntica "Odyssey".
Pior que uma legião de "Tios Patinhas", a nada se poupam para roubar o que a outros pertence… Dólares e dólares, não é assim que tudo importa?!…
Este álbum tem um importante texto de apresentação pelo arqueólogo náutico Alexandre Monteiro.




LES MALÉFICES DE MEDÉE - ​Edição Glénat. Autores, segundo o atento e incansável projecto de Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, arte de Alexandre Jubran, cores de Scarlett Smulkowski e capa de Fred Vignaux.
Álbum da sedutora e cultural série "La Sagesse des Mythes", que ás vezes, é de tomo único (one shot), mas este é o terceiro (teoricamente o último) do episódio "Jason et la Toison d'Or".
Vamos a uma boa leitura? Cultura não ocupa lugar, mas consola muitíssimo!

LB

terça-feira, 13 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (176)

TINTIN, C'EST L'AVENTURE / 1 - ​É uma espantosa surpresa, o nascimento desta revista (assim se auto classifica) trimestral, publicada pela Geo em parceria com as Éditions Moulinsart. E justificam este aparecimento (Junho/Julho/Agosto-2019) festejando três aniversários em simultâneo: os 90 anos de Tintin, os 50 anos dos primeiros passos terrestres na Lua e os 40 anos da própria editora Geo.
Esta publicação, com mais de 160 páginas, deslumbra-nos completamente e espraia-se por diversos temas, sempre com Tintin como elo de ligação: há muita aventura, banda desenhada, fotografia, entrevistas pertinentes e elucidativas, um destac​ável desenhado por Bernard Yslaire ("Elle a Marché ​Sur la Lune"), alguns postais de Correio (também destacáveis), ​exemplos de inéditos elaborados por Hergé, etc, etc.
​Uma série de temas que se escancaram ao nosso entusiasmo, ​à nossa curiosidade e... à História. A não perder!


ORPHÉE ET EURYDICE - ​Edição Glénat. Da belíssima série "La Sagesse des Mythes", ​neste álbum constam como responsáveis: Luc Ferry ​(coordenador), Clotilde Bruneau (argumento), Diego ​Oddi (traço e "story board"), Ruby (cores) e Fred ​Vignaux (capa).
​Nesta série da Mitologia Grega, será o álbum do ​Inferno (salvo seja!), pois tem dois relatos um tanto ​consequentes, nesse ambiente escaldante nas entranhas ​da Terra, regido pelo deus Hades, irmão de Zeus.
​Mas antes da história de Orfeu e Eurídice, há outra que ​a precede, a da deusa Deméter e de sua filha Perséfona, raptada para esposa, por seu tio Hades.
Deméter, inconformada ​e qual leoa feroz a defender a filha, abre "guerra" contra os ​culpados: Zeus e Hades. Lá chegarão a um "acordo"...
​Depois, vem a tocante história de amor de Orfeu e Eurídice…
​Jovens, belos e apaixonadíssimos um pelo outro, estavam acabados de casar quando Eurídice, indo colher figos, é picada por uma serpente e daí, morre de imediato. Orfeu, que fez parte da equipa de Jasão na aventura dos Argonautas, ​é músico e poeta cantante. Com a sua voz e o dedilhar da sua ​lira, encantava e apaziguava tudo e todos. A súbita morte de ​Eurídice, deixa-o destroçado. Inconformado, consegue ir, bem ​vivo e indignado e suplicante, ao Inferno, para dialogar e pedir ​clemência a Hades e a Perséfona. Hades lá cede e permite que ​Orfeu traga Eurídice à vida e ao ar livre, com uma condição: nesse ​caminho de regresso, ele jamais deveria olhar para trás. Porém, ​quase no fim, Orfeu olhou para trás e perdeu Eurídice para ​sempre.
Na superfície, Orfeu, vive solitário e num quotidiano misterioso… Mulheres de todas as situações se oferecem a ele, ​sempre repudiadas, pois só ama e amará uma única mulher: ​Eurídice. No entanto, quase diariamente, vai recebendo e ​passando as noites com jovens homens casados e alguns ​mancebos… Daqui, a lenda dos "Mistérios Órficos", dos quais ​ninguém sabe o que eram. Inventou-se que nestes encontros, ​havia ensinamentos a esses sensuais homens, que podiam ou ​não, incluir acções sexuais de parte a parte…
​O pior, foi o rancor e a frustração das esposas e mães que se ​viram repudiadas por Orfeu! Então, ferozes e como que drogadas, ​numa noite, invadem-lhe a casa, matam-no e esquartejam-no, ​atirando ao rio os pedaços do seu corpo.
São as sacerdotisas de ​Apolo (na ilha de Lesbos) que recolhem e juntam o seu corpo ​e lhe dão a definitiva e devida sepultura.
​De resto, é bom que leiam este álbum!


RETOUR SUR ALDEBARAN / 2 - ​Edição Dargaud. Autor: Leo.
​É mais um tomo de mais um ciclo de ficção-científica, a ​que o brasileiro Leo (residente em Paris) nos transporta sideralmente.
​E confunde-nos bem nesta bela e alucinante viagem pelo futuro (haverá tal futuro?...), da Terra e Sistema Solar a outras paragens: Aldebaran, Betelgeuse, Antares… Ou ​toda a bela idealização de Leo irá acabar numa utopia ​vazia?!…
​A continuação desta imensa saga tudo virá a contar.
LB

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (38) - PHILIPPE FENECH (França)

Philippe Fenech
​Suponho que todos os nossos (do BDBD) amigos ​visitantes já repararam que, neste marcante tema, ​não foco apenas os desenhistas veteranos mas também ​os de bom valor de gerações mais novas… Tudo bem?
​Pois hoje aqui temos o francês Philippe Fenech.
​Nasceu em Montpellier a 1 de Abril de 1976.

Foi depois ​de ter lido algumas aventuras do famoso Astérix que ​decidiu tornar-se desenhista, pois tal tendência já ​fervilhava no seu sangue e no seu âmago.
​Depois de breves e soltas apostas, em 1999 conheceu o argumentista Curd Ridel, donde a primeira obra em ​parceria, a série "Tuff et Koala", até agora com três ​álbuns e especialmente mais dedicada ao público ​infantil.

​Depois, em várias vertentes, colaborou com as produções Walt Disney, em paralelo como professor de desenho e ​de cinema.
​A partir de 2003 deixa tais actividades para se dedicar, quase em absoluto, à Banda Desenhada, na linha encantadoramente ​humorística que - parece - é a que melhor sente (mas não só).
​E, por esta tão prometedora e já marcante carreira, regista-se: ​"Anatole et Compagnie", com dois tomos editados.


"Léo Passion Rugby", série iniciada em 2007 e já com três álbuns, com argumentos de Loïc Nicoloff.


Em 2010, começou a ser editada a sua série (dois tomos até agora) "Un Héros "Presque" Parfait", com textos de Mady e Ludovic Danjou. Uma diversão satírica e impagável!


​No ano seguinte, em 2011, surge a louca paródia à "Odisseia" ​de Homero, com "Ulysse!", já com dois tomos e com argumentos ​de Ludovic Danjou, Mady e do próprio Fenech. Uma ideia hilariante ​e muito louca!


​Por fim (por agora…), a sua mais do que popular série, "Mes Cop's", ​com mais de uma dezena de tomos e com argumentos de ​Christophe Cazenove.


Todavia, este talentoso e divertido desenhista, também se atreveu à linha realista… e nada mais nada menos, que ao tema ​da ficção científica (quem diria?!…). Foi para a série (apenas com ​um álbum) "L'Empire des Mecchas", sob argumento de Téhy.

​Desafio: vamos ler e descobrir este jovem talento francês?

LB