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quarta-feira, 11 de abril de 2018

BREVES (56)

ARTUR CORREIA HOMENAGEADO EM MOURA
Artur Correia na revista "Pica-Pau" (1955)

Relembramos que no próximo domingo, 15 de Abril, às 15:00 horas, inaugura em Moura uma exposição de trabalhos de Artur Correia, nome grande da BD nacional recentemente desaparecido, como aqui demos conta.
A exposição, organizada pela Câmara Municipal de Moura, está inserida na 38.ª edição da Feira do Livro e decorre no Parque de Feira e Exposições (pavilhão 2) daquela cidade, até 26 de Abril.
Mais do que uma exposição sobre o conjunto da obra de Artur Correia, esta mostra detém-se, maioritariamente, em material poucas vezes ou nunca antes exposto em público: esboços, ilustrações avulso, argumentos e guiões, pranchas inéditas, cartunes, projectos começados e nunca concluídos, storyboards, postais ilustrados, jogos, revistas, capas de discos, filmes de animação, cartões de Aniversário e de Natal personalizados... Enfim, um vasto e diversificado leque de trabalhos que, certamente, encantarão quem tiver a oportunidade de ir a Moura, no coração do Alentejo.
E muita gente da tribo da BD se perfila já, para marcar presença no dia 21, sábado, data da sessão de homenagem póstuma que comporta, também, o lançamento de mais um número dos "Cadernos Moura BD" (que inclui duas histórias inéditas: "Donzela que vai à Guerra" e "A Nau Catrineta").
Será, também, exposto um conjunto de testemunhos (escritos e desenhados) de colegas e amigos de Artur Correia que, dessa forma, se quiseram associar a esta homenagem.
Tudo boas razões, portanto, para uma visita a Moura, no próximo dia 21.
E porque não? 


LINHA GRÁFICA DO FESTIVAL "AMADORA BD" GERA EXPOSIÇÃO

Um dia antes, no sábado, 14 de Abril, pelas 16:00 horas, inaugura na Casa Roque Gameiro a exposição "Gente da Amadora - História e Memória Ilustradas". 
Trata-se de uma mostra sobre personagens da História da Amadora, produzida a partir das ilustrações de Nuno Saraiva que serviram de base à (muito interessante) linha gráfica da última edição do festival BD daquela cidade.
De entre as personagens representadas, destacamos as cinco ligadas ao mundo da 9.ª Arte: Stuart Carvalhais, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), José Garcês, José Ruy e Vasco Granja, todos eles moradores ou naturais da cidade.
A organização é da Câmara Municipal da Amadora e a entrada é livre.
A Casa Roque Gameiro fica na Praceta 1.º de Dezembro, n.º 2, Venteira - Amadora, e funciona todos os dias, excepto às segundas-feiras e feriados.
Contactos: 21 436 90 58 / www.cm-amadora.pt


COLECÇÃO  BONELLI
O justiceiro na linha “western”, Tex Willer, nasceu a 30 de Setembro de 1948, sob imaginação de Gian Luigi Bonelli, notável argumentista e editor italiano. Aliás, a sua obra editorial foi crescendo e continuada pelos seus familiares.
Tex é muito popular em diversos países, com Portugal incluído, havendo mesmo um clube específico e entusiasta na Anadia, graças ao empenho de José Carlos Francisco.
Neste decorrente 2018, Tex Willer celebra setenta anos. E, aproveitando a efeméride, o matutino “Público” lançou por dez semanas a “Colecção Bonelli” (às quintas-feiras), que terá início amanhã, 12 de Abril.
Nesta digna colecção constam: com dois álbuns, Tex e Dylan Dog; e, com um exemplar: Dampyr, Julia, Martin Mystère, Mister No, Dragonero e Le Storie (sem um herói específico).
Pena é que não esteja também incluído algum álbum de Zagor, que é um outro bem popular herói-série das edições Bonelli!...
Mas, a todos sem excepção, as nossas felicitações: a Tex Willer, às Edições Bonelli e ao jornal “Público” (por esta bela aposta).


SOLDADO MILHÕES, AGORA NO CINEMA
Na trágica Primeira Grande Guerra (1914-1918), donde a ainda mais trágica Batalha de La Lyz (9 de Abril de 1918), de todos os nossos aí sacrificados, o militar português que mais se notabilizou foi o destemido, astuto e corajoso Aníbal Augusto Milhais, que, pelo seu feito heróico e ainda sobre o acontecimento, um seu superior o louvou dizendo que ele não era Milhais mas sim Milhões.
Havia nascido em Murça/Valongo a 9 de Julho de 1885, foi altamente condecorado e faleceu a 30 de Junho de 1970.
Na Banda Desenhada há apenas três curtas abordagens, se bem que belas, uma por Augusto Trigo, outra por Baptista Mendes e uma terceira por Artur Correia e António Gomes Dalmeida.
Na Pintura, há um belo quadro a óleo de Carlos Alberto Santos.
Na Literatura, o livro “Aníbal Milhais - Um Herói Chamado Milhões”, sob edição Pato Lógico - Imprensa Nacional/Casa da Moeda, com texto de José Jorge Letria e capa e ilustrações de Nuno Saraiva. No Teatro, foi editada a tragicomédia em dois actos “Milhões”, de José Leon Machado, pelas Edições Vercial/Braga.
E por fim e em boa ocasião, os cineastas Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa realizaram a longa metragem “Soldado Milhões”, com os actores João Arrais (Milhões em jovem) e Miguel Borges (Milhões em adulto).
O filme tem estreia nacional a 12 de Abril. Contamos vê-lo muito em breve.
LB

domingo, 2 de abril de 2017

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (12) - O "SOLDADO MILHÕES"

Aníbal Augusto Milhais,
o "Soldado Milhões",

condecorado e ainda nas
trincheiras
Homem autenticamente honroso e honrador da coragem de ser português, Aníbal Augusto Milhais é um brilhante herói das glórias das nossa Pátria.
Nasceu a 9 de Julho de 1895, em Valongo (Murça), e faleceu nessa região, Valongo de Milhais, a 3 de Junho de 1970.
Profissionalmente era um humilde agricultor. Um invejável e respeitável agricultor, diga-se de passagem. Simples e naturalmente sem vaidades, ele foi de uma bravura incrível nas trincheiras infernais da Primeira Grande Guerra Mundial, destacando-se, para além do seu sempre corajoso espírito de valoroso soldado português, na famosa e violenta Batalha de La Lys, em 1918.
Sem medos, valente e astuto, destacou-se em acção temerária contra os seus adversários alemães, permitindo, sozinho e com a sua tão querida metralhadora, salvar os cobardolas (em fuga apavorada) soldados ingleses tendo ainda a ocasião, no meio de tal barafunda de guerra, de salvar da morte um médico escocês.
Foi nessa altura que ele, Aníbal Augusto Milhais, logo foi saudado pelo seu comandante Ferreira do Amaral que lhe disse: "Tu és Milhais, mas vales Milhões". E como MILHÕES se ficou e se celebrizou para todo o sempre!
Na sua região, Murça, existe um busto da autoria do escultor Laureano Eduardo Pinto Guedes.
O nosso Cinema, até agora, esqueceu-o imbecilmente!!!... Pela 7.ª Arte, há apenas um filme versando a nossa sacrificada participação na cruel Primeira Grande Guerra: o filme “João Ratão” (1940) pelo realizador Brum do Canto e com Óscar de Lemos, António Silva, Teresa Casal, Costinha, Manuel dos Santos Carvalho, etc. O argumento e o cenário são disso jogo de cena, mas do “Soldado Milhões”, nada feito!...
Por aqui, os nossos cineastas são amorfos e todas as nossas entidades culturais são ceguetas!... Dixit!
Em memória do exemplar e admirável “Soldado Milhões”, que nos valham os autores de outras tão dignas Artes, a saber:
Na Pintura, um valoroso quadro pelo nosso saudoso Carlos Alberto Santos (às vezes, M. Gustavo).
O Soldado Milhões, numa pintura de Carlos Alberto Santos
Na Literatura, o livro “Aníbal Milhais - Um Herói Chamado Milhões”, sob edição Pato Lógico - Imprensa Nacional/Casa da Moeda, com texto de José Jorge Letria e capa e ilustrações de Nuno Saraiva.
Capa de"Anibal Milhais - Um Herói Chamado Milhões",
por José Jorge Letria (texto) e Nuno Saraiva (desenho), Ed. Pato Lógico
E, aqui sim, pela Banda Desenhada:
Por José Garcês e A. do Carmo Reis, na “História de Portugal em BD”, a referência à Batalha de La Lys.
"História de Portugal em Banda Deenhada" (Vol. 4 - "A Revolução da Liberdade"),
por A. do Carmo Reis (texto) e José Garcês (desenho), Ed. Asa (1989)
A aplaudível versão humorística de mestre Artur Correia, “O Super-Soldado Milhões”, com texto de António Gomes de Almeida.
"O Super-Soldado Milhões", por António Gomes de Almeida (texto) e Artur Correia (desenho),
in "Super-Heróis da História de Portugal", Bertrand Editora (2004)

E, num plano mais apaixonantemente realista, as versões desenhadas por Carlos Baptista Mendes...
"O Soldado Milhões", por Carlos Baptista Mendes,
in "Portugueses na Grande Guerra (1914-1918)"Ed. Arcádia (2014)


...e Augusto Trigo / Guilhermino Pires.
"O Soldado Milhões", por Augusto Trigo (desenho). Adaptação de um texto
de Guilhermino Pires. 1.ª publicação no "Jornal do Exército" (#334 a #337 - 1988).
Reeditado no #1 dos Cadernos Moura BD (Ed. Câmara Municipal de Moura - 1999)

Pelo invejável “Soldado Milhões”, glória e aplausos aos nossos artistas da Pintura e da Banda Desenhada!
LB