quarta-feira, 21 de novembro de 2012

ENTREVISTAS (8) - CARLOS ALBERTO

De seu nome completo, Carlos Alberto Ferreira Santos, nasceu em Lisboa, onde reside, a 18 de Julho de 1933. 
Extraordinário ilustrador e pintor, criou também um bom lote de narrativas pela Banda Desenhada e elaborou ainda várias colecções de cromos ("História de Portugal", "Trajos Típicos de Todo o Mundo",etc).
Começou a trabalhar para a publicidade e depois, estreou-se na 9.ª Arte com "O Escudo Sarraceno" para a revista "Camarada", história que ficou incompleta dado a extinção da revista.
Depois, neste campo, a sua actividade registou-se em "Mundo de Aventuras", "Pisca-Pisca", "Jornal do Cuto", "Colecção Audácia", "Mini-Época", Diário do Sul", "Almada-BD Fanzine", "Cadernos SobredaBD" e "Alentejo Popular", tendo-se editado em Espanha pela Bruguera. 
Elaborou capas famosas para a revista "Zakarella" da Portugal Press, bem como a capa para o álbum colectivo "Salúquia: a Lenda de Moura em Banda Desenhada", editado pela Câmara Municipal de Moura.
Da sua Banda Desenhada, salientam-se "Camões" (editado a preto e branco pela Agência Portuguesa de Revistas e depois, a cores, pela Asa), "O Rei de Nápoles" (no álbum colectivo "Contos das Ilhas", pela Asa), "História Maravilhosa de João dos Mares", "Ousadia Triunfante", "Tarzan e a Escrava", "O Combate de Pembe", "A Espada Nazarena", "O Santo Condestável", "Capitão Bravo", "O Infante Santo", "O Almirante das Naus da Índia","Em Busca de Provas" e "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (em oito fascículos, segundo a obra homónima de Júlio Diniz).
A sua Pintura está representada em diversos museus nacionais e estrangeiros. Foi premidado pela Academia de Marinha e homenageado nos Salões-BD de Sobreda, Moura, Lisboa, Viseu e Amadora. Devido a problemas sérios com a vista, teve de abandonar, com mágoa, a execução da Banda Desenhada, dedicando-se apenas à Pintura.
Mestre Carlos Alberto é hoje e aqui, o nosso convidado, através da breve entrevista que se segue:

BDBD - Apesar de não criar mais BD, continua a acompanhar esta Arte?
Carlos Alberto (CA) - Pois... Vou vendo e acompanhando as novidades que vão saindo. Continuo com a Pintura, já que o estado actual da minha visão não me permite continuar com a Banda Desenhada.

BDBD - Crê que as novas gerações de desenhistas estão a abranger bons valores?
CA - Pelo menos, há novos valores diferentes. Sobretudo, há novos processos que tenho apreciado com gosto e a devida curiosidade.

Capa do álbum "Camões"
BDBD - Da sua obra BD, há alguma da sua preferência?
CA - Indubitavelmente, "Camões". Foi aqui que atingi o ponto máximo do que eu, até então, conseguia dar no desenho. É natural que, se continuasse, talvez abordasse outras e novas técnicas.

BDBD - Como vê a ausência de BD na nossa grande Imprensa?
CA - Creio que há falta de sensibilidade da parte desses jornais...

BDBD - E de Cultura também?
CA - Não acuso tal... Não me atrevo... Mas, por sua vez, os nossos desenhistas deviam ter a coragem de insistir junto de quem de direito desses diários e semanários. Repare que tais periódicos se esbanjam em várias páginas sobre desporto, mormente o futebol, quando já existem tantos periódicos desportivos...

BDBD - E quanto aos nossos editores em relação à BD, qual é o seu parecer? Acha que apoiam a BD portuguesa?
CA - Acho que não. Mas, como as tiragens de cá são tão miseráveis, talvez não compense pagar bem aos nossos artistas. Quando o "Camões" saiu no "Mundo de Aventuras", havia a compensação de várias obras estrangeiras, sempre mais baratas. Na altura recebi bem, sem no entanto, ser devidamente compensando pelo trabalho que tive.

BDBD - E a sua Pintura, dá-lhe para sobreviver sem crise?
CA - O que me dá a Pintura, dá-me para me aguentar com a crise, sem me desnortear... Ultimamente, trabalho com e para encomendas, sem ser via exposições.
Prancha de "O Combate de Pembe"

Zakarela - ilustração de Carlos Alberto

Cadernos Sobreda BD n.º 20, dedicado a Carlos Alberto

Prancha de "O Almirante das Naus da Índia"

Capa do Mundo de Aventuras n.º 752

domingo, 18 de novembro de 2012

NOVIDADES EDITORIAIS (19)

TRÊS  SOMBRAS - Da autoria de Cyril Pedrosa e com edição Polvo, finalmente no nosso idioma, esta magnífica obra, com cerca de trezentas páginas e, necessariamente, a preto-e-branco.
É um argumento intenso, enigmático, abafador... mas que tão belamente se desenrola com o sonho, o pesadelo, a esperança... Uma obra estranha e rara, que se procura ler de um só fôlego. E que nada nem ninguém nos perturbe durante esta leitura...
No grafismo, de notar em certas passagens, os extraordinários "jogos" do preto e do branco.
Muitos aplausos ao Cyril Pedrosa e à Polvo, que teve a ousadia de editar "Três Sombras".

L'ÉPOUVANTAIL - Traz a chancela das Éditions Casterman. Baseia-se a história num romance de Ronald Hugh Morrieson, com adaptação (argumento) de Olivier Cotte. Um assunto forte e dramático.
"L'Épouvantail " (O Espantalho), localiza-se na Nova Zelândia, num clima entre o policial e o terror. E o que melhor marca esta obra-BD, é a bela e invulgar arte gráfica de Jules Stromboni, desenhista praticamente desconhecido entre nós.
Um álbum que nos aponta para uma entusiasmante leitura.


BDJORNAL / 29 - Há muito esperado, aí está um novo "BDJornal", coordenado pelo incansável Machado Dias.
Desta vez vem muito rico no seu conteúdo, do qual salientamos a homenagem a Jean Giraud/Moebius, uma história inédita  de "Tex" pelo traço de Fabio Civitelli, as entrevistas com Filipe Melo e Juan Cavia, etc.
Porém, o que nos emocionou, foi a evocação do saudoso José Abel (1948-1993), sempre tão injustamente esquecido no universo português da Banda Desenhada. Parabéns ao João Lameiras e ao Leonardo De Sá pelos textos biográficos de que são autores.
Em situação paralela com a de José Abel, há também a do saudoso André... Talvez um dia o recordem com a mesma justiça.


TODOS POR CONTA PRÓPRIA - É a novíssima narrativa com Lucky Lukepublicada em simultâneo na versão francófona e em português (pelas edições Asa). Seguindo o herói-série criado pelo malogrado Morris, desta vez, o grafismo é de Achdé e o argumento da responsabilidade de Daniel Pennac e Tonino Benacquista.
Uma situação, quase impensável, acontece: os "tenebrosos" irmãos Dalton (Joe, William, Jack e Averell) entram num ridículo desaguisado, onde apenas três têm um ponto de acordo: estão fartos da ditadura caprichosa do mano Joe. Separam-se e, com cada um por sua conta, algum terá de provar que merece ser o novo líder do grupo.
E que faz Lucky Luke no meio desta trapalhada?... O álbum conta a história.


L'ESPRIT DE LA CITÉ - Com edição Lombard, "L'Esprit de la Cité", é o segundo (e último, pelo que cremos) tomo da série "Escobar, le Dernier Maya". Autoria: Louis.
Enigmáticos aspectos das lendas maias e situações bizarras da violência dos conquistadores espanhóis, juntam-se aqui numa série que vibra através de algumas pranchas espectaculares.
Uma série com muita força e marcantes enigmas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ENTREVISTAS (7) - CYRIL PEDROSA

Existia, desde 1982, o Salão-BD da Sobreda (concelho de Almada), que se iniciou humildemente, mas com todo o entusiasmo. O seu carola fundador, cedo fez nascer o GBS-Grupo Bedéfilo Sobredense, e tudo foi evoluindo (mas este assunto é provável tema para um futuro próximo...). Em Maio de 2006, data da última edição até agora acontecida, três artistas franceses foram convidados: Annie Goetzinger (a homenageada) e, como "convidados de honra", os luso-descendentes Cyril Pedrosa e David Cerqueira (este, numa atitude bem incorrecta, falhou). Cyril, tal como Annie, chegaram a 26 de Maio e "partiram" a 29...
Cyril Pedrosa
E como, agora e aqui, é de Cyril Pedrosa que se trata, ele logo cativou em absoluto todos os elementos da Organização (GBS e Junta de Freguesia de Sobreda), tendo deixado inapagáveis saudades.
Depois, esteve no Festival da Amadora, cremos que em 2009. E tornou em pleno e em glória ao "AmadoraBD 2012".
Já começa a dizer bem "algumas coisas" no nosso idioma. É neto de portugueses (da região da Figueira da Foz), nasceu em Poitiers a 22 de Novembro de 1972, residindo actualmente em Nantes.
A sua vinda ao Festival da Amadora deste ano, deve-se a um facto raro: dois álbuns seus foram aqui lançados em simultâneo e em edição portuguesa: "Portugal" pela Asa e "Três Sombras" pelas edições Polvo.
Na sua bibliografia contam-se diversos outros títulos, como: "Les Coeurs Solitaires", "Auto-Bio" (em dois tomos), "Ring Circus" (com 4 tomos, dos quais só o primeiro foi editado em português), "Shaolin Moussaka" (3 tomos) e a participação em colectivos como, "La Fontaine aux Fables", o erótico "Premières Fois", "Paroles de Poilus" e "Francis Cabrel". Em conclusão, ainda este ano, "Chasseurs-Cueilleurs".
E ocasionou-se a entrevista que se segue:

BDBD - Dois álbuns teus apresentados em simultâneo na mesma festa-BD. Isto não é lá muito normal, pois não?
Cyril Pedrosa (CP) - Não, não é nada normal. Foi uma sorte. Aconteceu! E deu-me muito prazer, pois até tenho muitos familiares que não falam francês e queriam conhecer/ler as minhas obras... Em especial, "Portugal", por óbvias razões.

Prancha de "Portugal"

BDBD - As tuas presenças nas festas-BD em Portugal começaram no Salão Internacional "Sobreda-BD/2006". O que guardas em ti dessa ocasião?
CP - Para mim, foi um momento muito importante na minha vida. Senti-me tal como descrevo no meu álbum "Portugal. Gostei imenso, tocou-me imenso e logo decidi que iria fazer um álbum versando a minha "descoberta", o meu verdadeiro e consciente encontro com Portugal.

BDBD - Mas a Sobreda era um pequeno Salão... Gostas destas festas pequenas ou preferes as grandes como Angoulême, Barcelona, Amadora?...
CP - Na verdade e em geral, não gosto de ir aos salões-BD. Só vou quando há algo que me entusiasma para tal. Não se trata de saber se o salão é pequeno ou grande... Eles são todos, por norma, repetitivos, e quase sempre, pouco há de novo a entusiasmar-me...

BDBD - "Três Sombras" esteve indicado para ser levado ao Cinema com actores de carne e osso, pelos norte-americanos. Esse projecto foi cancelado?
CP - Não, de princípio, não era pelos americanos, mas pelos franceses. Esse projecto foi, de facto, anulado. Surgiu depois uma produtora norte-americana que estava interessada, caso os franceses não fossem adiante... Entraram em contacto com a Delcourt, a minha editora desse álbum... Aguardo notícias, embora saiba que é sempre muito complicado adaptar a BD ao Cinema.
Prancha de "Três Sombras"
BDBD - A tua tão divertida série "Auto-Bio", vai continuar?
CP - Não...Parei. Não pensava sequer em fazer estas pranchas em álbum... Foram para a revista "Fluide Glacial"... Nessa ideia e nessa continuidade, não iria inventar nada de novo e, para não me repetir, parei.

BDBD - O teu próximo álbum, "Chasseurs-Cueilleurs", versa a solidão de alguns, mesmo quando cercados de uma multidão humana. Sentes também essa solidão?
CP - Sim, creio que como toda a gente. Não é bem o caso de pessoas que vivem sós... Não é propriamente a solidão física, mas a solidão como que de nós próprios... Por exemplo: haver qualquer coisa de belo ou não, mesmo pequena, mas que não conseguimos partilhar com os outros... Este álbum não fala só disto, mas é o ponto de partida.

BDBD - Voltarás a Portugal?
CP - Sim, sem dúvida! Não sei, assim de repente, quando... mas lá para diante veremos. Penso que virei mesmo muitas vezes. E digo-te: até gostaria de ficar por cá a viver algum tempo e então, aproveitar para conhecer mais e melhor Portugal.

Até breve então, Cyril!

domingo, 11 de novembro de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (6) - VINCENT LARCHER E ERIC CASTEL

CHUTANDO AOS QUADRADINHOS COM
VINCENT LARCHER E ERIC CASTEL

Frequentemente o Desporto é tema na Banda Desenhada ou Histórias aos Quadradinhos: atletismo, ténis, boxe, ciclismo, hóquei, hipismo, automobilismo, etc, não esquecendo, obviamente, o futebol. Esta modalidade também foi abordada por nossos desenhistas: Vítor Péon ("João Davus"), Artur Correia ("Era Uma Vez Uma Águia", "Era Uma Vez Um Leão" e "Era Uma Vez Um Dragão"), Eugénio Silva ("Eusébio, o Pantera Negra"), José Garcês ("Zé Miúdo") e Francisco Fernandes ("A História do Marítimo"). Mas "a cereja no topo do bolo" recai, sem qualquer dúvida, nas séries "Vincent Larcher" e "Eric Castel", admiravelmente criadas pelo francês Raymond Reding (1920-1999).
Dado que ambos, Larcher e Castel, são futebolistas, há um certo paralelismo nas duas séries, no entanto, com diferenças marcantes.

VINCENT LARCHER estreou-se a 25 de Junho de 1963, na edição belga da revista "Tintin", contando hoje com sete álbuns, constando que uma oitava aventura nunca tenha sido publicada. Larcher é avançado-centro da Associazione Calcio Milan, vulgo A.C. Milan, e quase sempre as suas proezas desportivas andam misturadas com os ambientes bizarros do esoterismo. Seu grande amigo, é o cientista atlético e mutante, Olympio.
Prancha de Vincent Larcher
Em Portugal, apenas um álbum, "Futebol e Minissaias", quarto álbum da série, foi publicado em 1974 pela Bertrand. A primeira aventura, "Olympio 2004", também foi
publicada entre nós na edição portuguesa da revista "Tintin".

ERIC CASTEL estreou-se a 13 de Fevereiro de 1979 na revista francófona "Super As". Castel iniciou-se no Inter de Milão, com passagem efémera, para logo se tornar vedeta do Futbol Club Barcelona, vulgo Barça. Esta série ficou-se pelos 16 álbuns, mas, bizarramente, nenhuma aventura de Castel foi publicada em Portugal....
Prancha de Eric Castel
Os aspectos envolventes desta série versam o policial e situações sociais, sobretudo no que diz respeito à equipa infantil, "Os Pablitos", que tanto admira Castel.
De notar nestas duas séries, a perfeita arte gráfica de Reding, sabedor da anatomia e do movimento dos atletas, que, aliás, também "retrata" (desenha) nas outras séries desportivas a que se dedicou.
Mas, de Raymond Reding, falaremos em ocasião futura, pois a sua BD "desportiva" é mais vasta e merece bem o entusiasmo de qualquer bom cidadão.
  

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

AMADORABD 2012: O BDBD ESTEVE LÁ!

Cartaz do Amadora BD 2012, com desenho de Paulo Monteiro
Oficialmente, a 23.ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora começou a 26 de Outubro e terminará a 11 de Novembro. Mas, já antes da inauguração oficial, outras manifestações afins tiveram lugar, até em espaços da cidade de Lisboa. O BDBD  visitou algumas vezes esta grande festa da 9.ª Arte.

José de Matos Cruz, Jorge Magalhães, Luiz Beira, Jhion (João Amaral)
e Miguel Perez durante o lançamento de "Cinzas da Revolta"
Não podíamos estar em todas as mais marcantes ocasiões, de tão espalhadas e com datas tão diversas ante as efemérides...
Mas eu (LB), fui à apresentação-lançamento do álbum "Cinzas da Revolta", acontecido na ex-livraria Buchholz, hoje Livraria Leya-Buchholz, na Rua Duque de Palmela, em Lisboa. A par, uma exposição de pranchas. Havia muita gente bedéfila interessada e curiosa. Os autores, João Amaral (agora Jhion) e Miguel Peres, foram apresentados por Maria José Pereira (da editora Asa/Leya) e Nelson Dona (o coordenador do Festival da Amadora). Aconteceu a 19 de Outubro, às 19 horas, seguindo-se um Porto/Moscatel de Honra.
Maria José Pereira, Cyril Pedrosa e Mathieu Sapin, durante
a apresentação do álbum "Portugal".
A 25 de Outubro, volto a representar o BDBD numa sessão de luxo no Institut Français du Portugal (Rua Luís Bívar, 91 em Lisboa), onde, às 21:30 horas, se deu início à sessão, com a digna presença do Sr. Embaixador de França em Lisboa (Sr. Pascal Teixeira da Silva, descendente de portugueses). Foi a apresentação biográfica de Cyril Pedrosa (em especial pela edição em português, via Asa, do seu tão premiado álbum "Portugal") e de Mathieu Sapin (casado com uma portuguesa, que fala português e que está entre nós a documentar-se para uma BD localizada em Lisboa). Cyril, por sua vez, que lá vai começando com todo o empenho a captar o idioma dos seus antepassados, é neto de portugueses. Maria José Pereira conduziu este bela sessão. Houve depois um pertinente diálogo entre vários dos presentes e os dois artistas franceses.
(Curiosidade à parte: o Sr. Embaixador Pascal Teixeira da Silva e Cyril Pedrosa são franceses descendentes de portugueses e eu, português, sou neto de uma francesa!...).
E o BDBD tornou, agora, mesmo à Amadora (Fórum Luiz de Camões) a 28 de Outubro e a 3 de Novembro (desta vez, já fui acompanhado pelo "sócio" Carlos Rico e pelo fotógrafo Orlando Fialho,de quem são algumas das fotos que ilustram este texto).

Sessão de autógrafos: um dos pontos de interesse do festival.
Foram lançados vários álbuns e houve animadas sessões de autógrafos. Muitos desenhistas portugueses de várias gerações e, ante as gratas presenças estrangeiras nesta edição do AmadoraBD, salientamos as dos franceses Cyril Pedrosa, Fabrice Néaud, Edmond Baudoin e Mathieu Sapin, os brasileiros Mike Deodato Jr. e Sama, a catalã Laura Pérez Vernetti, o holandês Peter Pontiac, o suíço Zep, a belga Dominique Goblet e os norte-americanos Carol Tyler e Justin Green, entre outros mais.
A concluir, passo (eu, LB) a palavra a CR (Carlos Rico),que fará o sincero "julgamento" desta festa-BD:

Não sendo habitualmente responsável pelos textos deste blogue, aproveito a oportunidade para deixar aqui os meus parabéns a toda a equipa do Nélson Dona e da Cristina Gouveia por terem conseguido erguer, um ano mais, um festival com a dimensão e a qualidade do Amadora BD. Este facto é justamente de realçar atendendo ao período de "vacas magras" que estamos atravessando e que tem servido de desculpa para adiar, parar ou até mesmo eliminar tantas coisas boas neste país... Felizmente o Amadora BD sobrevive ao "tsunami" (o festival de 2013 parece estar confirmado) e isso é já uma excelente vitória para quem gosta de banda desenhada.
Poder-se-ia pensar que este facto teria afectado a qualidade do festival. Puro engano já que a organização caprichou nas exposições (aliás, já o ano passado assim acontecera). De todas, destaco duas.
Exposição sobre os 50 Anos do Homem-Aranha
Os 50 Anos do Homem-Aranha foram comemorados de forma brilhante, com uma cenografia e um conteúdo que - tenho a certeza - perdurará na memória de todos durante muito tempo (o pormenor da tarântula a guardar a revista n.º 1 foi genial!). O conjunto de originais expostos (cedidos pelo Museo del Fumetto de Milão, por alguns coleccionadores e pelos próprios autores, em alguns casos) é de respeito pois apresenta nomes como John Romita Sr. e Jr., Sal Buscema, Larry Lieber, entre outros, aos quais se juntaram (e muito bem!) os nossos Nuno Plati e Filipe Andrade. Tivemos, também, a presença de Mike Deodato, um dos grandes desenhadores do aracnídeo, que espalhou autógrafos e simpatia pelos inúmeros fãs portugueses que, pacientemente, aguardavam pela sua vez. Nota dez para o brasileiro!
Exposição de Paulo Monteiro
Também gostei muito da exposição dedicada a Paulo Monteiro, com uma cenografia excelente, a fazer lembrar o interior de um monte alentejano (as cores e a textura das paredes estavam perfeitas!), para além das magníficas pranchas e ilustrações do Paulo, que continua com a sua carreira "de vento em popa", agora preparando-se para publicar "O Amor Infinito que te Tenho" em vários países da Europa. Estivemos à conversa (mais o filho dele, o "Manel") e recordámos os bons velhos tempos em que o Paulo, a Susa e muitos outros elementos do Atelier Toupeira vinham até Moura e nos ajudavam a montar algumas exposições dos salões Moura BD, até às tantas da manhã, no 1.º andar do Mercado Municipal (um abraço aos "Toupeiras", como nós, carinhosamente, os tratávamos aqui em Moura!)...
Voltando ao Amadora BD, devo dizer que, mais uma vez, não consegui ver todo o festival atendendo à distância entre os diferentes núcleos. Para quem vem de longe, como eu, e com o tempo contado, não há alternativa possível: é ver o núcleo principal a correr, conversar um pouco com amigos e colegas, estabelecer alguns contactos para o salão de Moura, correr para os Recreios da Amadora para ver um pouquinho da entrega de Prémios e pronto, está feito! 
Em resumo, a visita ao festival da Amadora recomenda-se a todos os que, como nós, têm o gosto pela 9.ª Arte. Aproveitem e passem por lá este fim-de-semana...

Exposição "Autobiografia"

Exposição de Ricardo Cabral

Exposição de Victor Mesquita

Exposição de Zep ("Titeuf")
Victor Mesquita folheando o fanzine sobre Franco Caprioli, editado recentemente pela Câmara de Moura

Baptista Mendes e Eugénio Silva, à conversa
A exposição de Paulo Monteiro e, ao fundo, a dos 50 Anos do Homem-Aranha
Exposição de José Carlos Fernandes
Zona de leitura


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ENTREVISTAS (6) - VASSALO DE MIRANDA

Vassalo de Miranda
António Manuel Constantino Vassalo de Miranda, nasceu em Vila Franca de Xira a 21 de Novembro de 1941, residindo actualmente no Cacém.
É mais popularmente conhecido pelos seus dois últimos apelidos, mas às vezes assina como A. Vassalo.
Ilustrador, pintor e banda desenhista, é muito ligado à História em geral e mais intensamente à do nosso Portugal que tanto ama e venera.
Infelizmente, devido a frequentes problemas com a visão, já por várias vezes foi forçado a parar de fazer Banda Desenhada.
Foi homenageado ao vivo no salão Sobreda BD 2001.
Foi dos primeiros comandos de Portugal e, precisamente como militar, esteve na Guiné (Bissau) e em Angola. Como civil, viveu algum tempo em Moçambique, na Rodésia (hoje Zimbábuè) e na República Sul-Africana.
Iniciou-se a sério na Banda Desenhada quando estava na Guiné. Aí, uma aventura completa, mas ainda a lápis, foi-lhe misteriosamente sonegada.
"Bayéte" - Cadernos Sobreda BD (n.º 10)
É no tempo em que reside em Moçambique que retoma com entusiasmo a sua senda pela 9.ª Arte, colaborando para os diários da então Lourenço Marques, "Notícias" e "A Tribuna".
Já definitivamente em Portugal, colaborou para "Jornal do Exército", "O Retornado", "Mundo de Aventuras", "Almada-BD Fanzine", "Shock Fanzine", "Cadernos Sobreda-BD" e "Alentejo Popular".
Por diversas editoras, estão publicados (alguns esgotados) os seguintes álbuns: "Mamassumá, Comandos ao Ataque", "Operação Gata Brava", "Operação Trovão", "Bayete!", "O Sacrifício", "Do Índico ao Niassa", "A Epopeia da LDM 302" e "Operação Mar Verde". E ainda, um álbum especial e de luxo, "A Fragata D. Fernando II e Glória".
A aguardar edições em álbum, estão louváveis criações suas, como "O Cabo das Tormentas", "Corrida de Loucos" e "O Traidor".
Pela sua arte em estilo próprio e pela sua sempre transparente frontalidade, Vassalo de Miranda, merece bem mais apoios editoriais. Para já, a entrevista que se segue:

BDBD - Como foste seduzido pela Banda Desenhada?
Vassalo de Miranda (V.M.) - Desde tempos imemoriais que fui acompanhando com todo o entusiasmo as publicações da época.

BDBD - E daí também, a tua ideia de começares a criar BD?
V.M. - Sim, sim... Lembro-me do primeiro ensaio que fiz... deveria ter os meus dez anos de idade. Mas a primeira BD que na verdade elaborei, foi quando estava com a farda às costas. Era um tema passado no Vietname. Estranhamente, essa "relíquia", desapareceu-me!...

BDBD - Incides quase sempre em temas militares. Porquê?
V.M. - Tive uma mãe que me incutiu muito a História de Portugal. Depois, as revistas de BD que lia, publicavam muitos temas históricos. Também há filmes que me marcaram, como "José do Telhado" e "Chaimite"... Além disso, gosto muito do mato e da sua liberdade, e os livros de Henrique Galvão também tiveram influência em mim. Tudo isto me marcou e me empurrou para a BD. Os frequentes aspectos militares que abordo, são consequência natural da História e das paisagens.

BDBD - Mas o mar também te seduz, não é verdade?
V.M. - Sempre gostei do mar, sempre. Tenho muito respeito pelo mar e adoro andar de barco. O mar é sempre um fascínio fora de série. Aliás, a invenção do "navio", é uma das coisas mais perfeitas que o homem criou.

BDBD - Porque não fazes BD humorística?
V.M. - Até já a tentei fazer, com figuras que criei. Nunca me apareceu foi um guião onde pudesse enfiar tais personagens que estão criadas. Talvez um dia...

Prancha 8 de "O Sacrifício"
Prancha 32 de "Do Índico ao Niassa"
Prancha 1 de "A Epopeia do Posto Laramie" (publicada no "Mundo de Aventuras")



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (5) - DIABOLIK


Apelidado como "o ladrão mais sedutor da História da Banda Desenhada", Diabolik, é um dos mais populares heróis da BD italiana e as suas ousadas peripécias têm sido editadas em diversos países, mas onde Portugal não consta (ao que saibamos).
É criação das irmãs Giussani, Angela (falecida em 1987) e Luciana (falecida em 2001). O primeiro desenhista foi Luigi Marchesi e a série teve a sua estreia em 1 de Novembro de 1962 (faz hoje precisamente 50 anos!), numa revista com o próprio nome do herói.
As suas criadoras  definiam-no assim:
É um personagem cuja audácia não tem limites, cuja inteligência é fora de comum, cujos poderes parecem sobrenaturais, que pode livremente transformar o rosto graças a uma máscara latex de sua invenção, donde o poder modificar completamente a sua aparência física.
Angela e Luciana Giussani
Diabolik, é senhor de uma imensa fortuna e tem por companheira e cúmplice, a bela e muito sensual Eva Kant e por seu constante adversário, o frustrado Inspector Ginko, que nunca o consegue apanhar.
Quando apareceu, Diabolik, causou uns certos rumores, uma vez que sendo um herói, ele estava no grupo dos "maus". Mas ele não é assim tão detestável, tendo ganho muito cedo uma vasta legião de admiradores, e, na sua linha divertida de actuação, aproxima-se de outros personagens famosos do estilo de Fantomas, Rocambole e Arsène Lupin.
Se bem que hábil a lançar dardos ou no manejo da adaga, evita sempre vestir a pele de um assassino, divertindo-se muito mais com as altas e conseguidas roubalheiras que efectua, menosprezando a moral comum e hipócrita dos cidadãos médios e/ou poderosos.
Depois de Luigi Marcheti, a série tem tido outros valores desenhistas, como Sergio Zaniboni, Enzo Facciolo, Paulo Ongaro, Alarico Gattia, Floriano Bozzi, Pino Rinaldi, Lino Jeva e outros mais.

Diabolik e Eva Kant, por Pino Rinaldi
Em tempos, foi adaptado a uma série de Cinema de Animação. Mas o grande salto para a 7.ª Arte deu-se em 1968, com o filme "Danger: Diabolik", realizado por Mario Bava, tendo o malogrado actor John Phillip Law uma magnífica interpretação de Diabolik.
John Phillip Law na pele de Diabolik
Aliás, Law, por mais duas vezes viveu para a tela, personagens da Banda Desenhada: ainda em 1968, foi o anjo cego Pygar em "Barbarella" e em 1975, foi o protagonista central de "Dr. Justice". 
Em "Diabolik", Marisa Mell faz de Eva Kant e Michel Piccoli veste a pele do inspector Ginko. Consta que um segundo filme sobre Diabolik está em preparação...
De 1968 a 1970, Pierre Dupuis, criou uma versão romanceada, em dez livros, usando este herói da Banda Desenhada.

A título de curiosidade, deixamos aqui o trailer de "Danger: Diabolik" (1968).


Aos mais interessados, recomenda-se uma visita à (excelente) página oficial do personagem: http://www.diabolik.it/