terça-feira, 22 de novembro de 2016

HERÓIS INESQUECÍVEIS (44) - FLAGADA

Este é um dos heróis mais divertidos da Banda Desenhada: uma estranha ave sem asas, mas que usa as suas duas plumas que, em acção, formam um certo tipo de hélice, estilo helicóptero.
Charles Degotte (1933-1993)
É genuíno de uma indeterminada ilha do Pacífico... Um passaroco terno, destemido, justiceiro à sua maneira, amigo de pregar partidas e também muito tagarela.
Nasceu na revista “Spirou” a 16 de Março de 1961, consequência de uma delirante inspiração de Charles Degotte (1933-1993).
Ocasionalmente, este artista chegou a ter a colaboração, para os argumentos, de Bom (aliás, Michel De Bom), de Eddy Ryssack, de Michel Matagne e de Raoul Cauvin.
Nas primeiras aventuras o Flagada apresentava um aspecto diferente,
com pintas vermelhas no corpo.

Apesar da imensa e incontestável popularidade, as Éditions Dupuis (donde a revista “Spirou”), não agarrou este personagem para um único álbum!... Só vinte anos depois, em 1981, é que Flagada conheceu a glória de ser publicado em álbum por outras editoras: M.C. Productions, Dargaud, Pepperland e Le Coffre à BD, com esta a apostar já na versão integral (oito tomos).
 
Tudo parecia ter ficado por aqui, pois devido à morte de Degotte, tudo indicava que a série se tinha finado também... Mas, inesperadamente, é a “severa” Éditions Glénat que a retoma, em 2008, desta vez com argumentos de Zidrou (aliás, Benoit Drousie) e arte de Philippe Bercovici, havendo já dois álbuns: “Le Dernier des Flagadas” e “L’Île Recto-Verso”.
Se, de um certo modo distante, Flagada nos lembra na sua maneira de ser o famoso Marsupilami, atente-se que mestre André Franquin o admirava bastante, ao ponto de o desenhar nos “posters” do gabinete da série “Gaston Lagaffe” e de ter mesmo disfarçado Gaston com um delirante fato à Flagada!... E esta?!...
Não se pode aqui olvidar o “mundo privado” de Flagada, pois apesar das suas diabruras, ele é mesmo amigo de seu amigo. Assim, neste “mundo privado”, apenas se contam mais três personagens: Alcide Citrix, um náufrago arrependido de ter sido caçador de animais selvagens, que é por vezes colérico, mas que tem um coração de oiro, tentando sempre, em vão, fazer com que Flagada trabalhe...; Émile, o Alcatraz: ave marinha de inteligência limitada, tão preguiçoso como Flagada, que é muito seu amigo; Prof. Rufus Trucmuche, que é um eterno inventor de...aparatosos desastres e que, de tempos a tempos, visita a ilha onde residem os outros três.
Caros bedéfilos: é divertido lermos as peripécias de Flagada e seus companheiros. Faz-nos bem ao ego!
LB

sábado, 19 de novembro de 2016

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (15) - MATTIAS SCHULTHEISS (Alemanha)

Mattias Schultheiss
Este desenhista e argumentista alemão nasceu em Nuremberga a 27 de Setembro de 1946.
Cursou na Escola de Design de Hamburgo e por dez anos foi ilustrador publicitário.
Em 1978, publicou a sua primeira banda desenhada, “Trucker”.
A partir de 1981, adaptou contos do escritor norte-americano Charles Bukowski, que foram reunidos e publicados em França com o título “Folies  Ordinaires.

Por esta época, já colabora  não só para a sua Alemanha natal, como também para a França. Virá a participar também em publicações norte-americanas.
Em 1985, publica “Guerre Froide”...

...e depois, “Le Théoreme de Bell” (Die Wahrheit über Bell) em três tomos.

Em paralelo, inicia uma das suas obras-série mais famosas, “Le Rêve du Requin”, da qual escreveu também o libreto para a adaptação a comédia musical, levada à cena em Hamburgo.

Em 1986, recebeu o Prémio Max und Moritz, para o melhor autor de expressão alemã. Por estes anos 80, escreveu argumentos para séries da televisão alemã. E, até certo ponto, abandonou o desenho para ser apenas argumentista.
No entanto, foram surgindo outras marcantes obras suas, como “Night Taxi”...

 ...o erótico álbum “Sois Vicieux” (Talk Dirty), “Losers”, “Propeller Man”, “Woman on the River”, etc.

A partir de 2008, torna ao traço na Banda Desenhada, colaborando para diversas publicações da editora japonesa Kodansha.
LB

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

UMA OBRA... VÁRIOS ESTILOS (9) - MOBY DICK

O norte-americano Herman Melville nasceu a 1 de Agosto de 1819 em Nova Iorque, onde faleceu a 28 de Setembro de 1891.
Dos onze romances que escreveu, “Moby Dick”, que inicialmente teve apenas o título “A Baleia”, é o mais popular e famoso de todos.
Ironia das ironias, Melville que foi muito aplaudido pelos seus dois primeiros romances, “Typee” (1846) e “Omoo” (1847), com “Moby Dick”, conheceu um tremendo fracasso que originou o seu declínio na carreira de escritor. Morreu quase ignorado!...
Mas há uma bizarra reviravolta no século XX: “Moby Dick" ganha sucessivas projecções no entusiasmo de um público bem diverso.
A obra é adaptada à Rádio, ao Teatro, à Música, ao Cinema, ao Cinema de Animação, à Televisão e, claro, à Banda Desenhada. No Cinema, o filme mais famoso foi realizado em 1956 por John Huston, com guião de Ray Bradbury e com Gregory Peck como “comandante Ahab”.
Pela 9.ª Arte logo se demarca a notável versão pelo nosso Fernando Bento, publicada em 1960, no “Cavaleiro Andante”, do #425 ao #444, que em 2010 conheceu a reedição integral num dos “Cadernos Moura BD”, sob edição da Câmara Municipal de Moura.
À esquerda, a capa do "Cavaleiro Andante" #425 (1960), que serviu de base para
a capa do número especial dos "Cadernos Moura BD", à direita (Ed. C.M. Moura, 2010)
 
Duas pranchas de "Moby Dick", por Fernando Bento.

Claro que há infindáveis adaptações de “Moby Dick”, pelo que aqui se salientam apenas algumas das mais notáveis:

ITÁLIA: Franco Caprioli - que, como sabemos, sempre teve uma admiração intensa pelo mar e pelas aventuras marítimas - trabalhou em três(!) versões diferentes desta obra. Uma delas foi originalmente publicada, em 1966, no semanário inglês "Ranger" (#22 a #27), sendo mais tarde publicada entre nós no "Jornal do Cuto".
"Moby Dick", por Franco Caprioli, in "Jornal do Cuto" #100 (1973)

A seguir, imagens duma outra versão (menos abreviada que a anterior), que Caprioli desenhou usando balões e uma composição mais dinâmica, mas que só seria publicada após a morte inesperada do grande desenhador transalpino, em 1974.

Por fim, deixamos duas ilustrações (retiradas, com a devida vénia, do excelente blogue www.francocapriolidesenhadordosmaresdesonho.wordpress.com, de Jorge Magalhães e Catherine Labey) da primeira versão que Caprioli realizou desta obra, para um livro publicado em 1951 pela editora Mondadori. Apesar de se tratar de ilustrações - e não BD - achámos que faria todo o sentido a sua inclusão neste post de modo a oferecer aos nossos leitores as três versões realizadas por Caprioli.
"Moby Dick" ilustrado por Caprioli, Ed. Mondadori (1951)

Outros autores italianos que desenharam "Moby Dick" foram Dino Battaglia...
"Moby Dick", por Dino Battaglia, Edição Le Mani-Microart'S


... e Mateo Lolli, este numa adaptação (bastante) livre, com super-heróis à mistura.
Prancha de "Deadpool vs Moby Dick", por Mateo Lolli

SUÍÇA: Patrick Mallet (desenhos) e Laurence Croix (cores) adaptaram esta obra numa série intitulada "Achab", em quatro tomos publicados entre 2007 e 2011.
"Achab", por Patrick Mallet - Ed. Treize Etrange


FRANÇA: Paul Gillon e Jean Ollivier...
"Moby Dick", por Gillon (desenho) e Ollivier (texto), edição "Achette" (1983)

Christophe Chabouté, numa versão também em dois tomos...
"Moby Dick", por Chabouté - Ed. "Vents d'Ouest" (2014)

Olivier Jouvray e Pierre Alary...
"Moby Dick", por Olivier Jouvray e Pierre Alary - Ed. "Soleil Productions" (2014) 

Michel Durand...
"Ambre Gris", por Michel Durand - edição "Glénat"

...e Al Voss (nascido no Brasil e falecido em Portugal).
"Moby Dick", numa versão fantasiosa e livre por Al (ou Alain) Voss


BÉLGICA: Denis Deprez e Jean Rouaud
"Moby Dick", por Denis Deprez e Jean Rouaud, edição "Casterman" (2007)


FILIPINAS: Alex Nino.
"Moby Dick", por Alex Nino, in colecção "Marvel Classic Comics", edição Marvel


SÉRVIA: Zeljko Pahek (em dois tomos)
"Moby Dick", por Zeljko Pahek - edição "Delcourt"

BULGÁRIA: Penko Gelev e Sophie Furse
Capa de "Moby Dick", por Penko Gelev e Sophie Furse,
Colecção "Graphic Classics", Ed. Barron's 

ESPANHA: António Carrillo (desenhos) e Cassarel (texto)...
"Moby Dick", por Antonio Carrillo e Cassarel, in colecção "Joyas Literarias Juveniles" #107,
"Editorial Bruguera" (1974). Capa de Antonio Bernal.

...Sergio (do qual, até ao momento, não temos qualquer informação adicional)...
"Moby Dick, la Ballena Blanca", por Sergio

...Manuel Carregal e Roc...
Capa de "Moby Dick", in "Coleccion Galaor de Literatura y Acción",
por Manuel Carregal e Roc, Edição Galaor (1965)

...e a dupla Carlos Soria/Chiqui de la Fuente, que publicaram em "Maravillas de la Literatura" #5, sob Ediciones Larousse (1982), uma versão humorística, editada no nosso país pela Livraria Editora Civilização.
"Moby Dick", por Chiqui de la Fuente (desenhos) e Carlos Soria (texto),
"Livraria Editora Civilização" (1982)


ARGENTINA: Gillermo Saccomanno e Leopoldo Durañona...
"Moby Dick" por Gillermo Saccomanno (texto) e Leopoldo Durañona (desenhos) 

...Fontanarrosa...
"La Ballena Blanca", por Fontanarrosa

...Ignacio Segesso (desenhos) e David Rodriguez (adaptação).
 
"Moby Dick" por Segesso e Rodriguez, in Colecção "Novela Grafica" ("Ed. Latinbooks")

URUGUAI: Enrique Breccia...
"Moby Dick", adaptação de Enrique Breccia

...ESTADOS UNIDOS: Louis Zansky (de origem russo-judaica)...
"Moby Dick" por Louis Zansky, in "Classic Comics" #5

...Bill Baker...
"Moby Dick", por Bill Baker

Norman Nodel...
"Moby Dick", por Norman Nodel, in revista "Classics Ilustrated" #5 (1956)

Bill Sienkiewicz...
"Moby Dick", por Bill Sienkiewicz, in "Classics Illustrated"

...Will Eisner...

"Moby Dick", por Will Eisner - Ed. "NBM" (1998)

...e, sob edição Marvel, Roy Thomas (texto) e Pascal Alixe (arte).
 
"Moby Dick", por Roy Thomas e Pascal Alixe - Ed. Marvel

A parceria Walt Disney/Panini Comics também explorou este tema, numa série de aventuras, por vários desenhadores e argumentistas.
"Moby Dick", edições "Disney/Panini Comics"

ÍNDIA - Lalit Kumar (desenhos) e Lance Stahlberg (adaptção)
 
"Moby Dick", por Lalit Kumar e Lance Stahlberg, ed. "Campfire"


Por fim, uma versão publicada na revista "O Falcão" #345 (1967), de autor que não conseguimos descortinar. Houve, curiosamente, alguns anos mais tarde, uma reedição desta aventura no #1149 da mesma revista, com capa de José Garcês.
"Moby Dick", in revista "O Falcão" #1149 (1982). Capa de José Garcês
"Moby Dick", in revista "O Falcão" #1149

Estes, os principais talentos que conseguimos detectar, que adaptaram “Moby Dick” em BD. Se de mais versões dermos conta, aqui serão incluídas, como habitualmente fazemos.

Agradecemos os apoios prestados por Juan Espallardo, Manuel Barrero, José Manuel Vilela e Edgar Tendeiro.
LB