terça-feira, 7 de maio de 2019

HERÓIS INESQUECÍVEIS (62) - RIP KIRBY

Embora norte-americano, Rip Kirby tem uma aparência característicamente britânica: elegante, cavalheiro, gosta de música clássica e de um conhaque de boa marca e, como era moda na definição dos detectives, fuma cachimbo.
Acompanha-o sempre o fiel mordomo Desmond, e tem como noiva a bela loira Dorian Honey, muito ciumenta devido às seduções da morena e sensual Pagan Lee.
Rip Kirby nasceu em Março de 1946, sob autoria do grande Alex Raymond que, a partir de 1952, passou a ter o apoio do argumentista Fred Dickenson que, por sua vez, veio a ter também os apoios de Bruce Smith e de Maxwell MacRae.
A primeira tira de Rip Kirby, por Alex Raymond (04.03.1946)
Com a morte súbita de Alex Raymond em 1956, a série foi continuada pelo seu assistente John Prentice, que teria, desde então, os apoios de Alden McWilliams, Al Williamson e Wayne Boring.
Quando Prentice faleceu, em 1999, a King Features Syndicate decidiu terminar a série. A tarefa coube ao assistente de Prentice, Frank Bolle, que fantasiou um enredo onde Rip Kirby se reforma.
A última tira de Rip Kirby, desenhada por John Prentice e terminada pelo seu assistente Frank Bolle
As investigações-aventuras de Rip Kirby foram publicadas em diversos países, incluindo no nosso. Por cá, estreou-se a 18 de Agosto de 1949, na primeira fase do “Mundo de Aventuras”, onde chegou a ter o nome português(!!) de Rúben Quirino... Estranhas normas de regras bacocas!
"Rúben Quirino" em "A Fortuna do Milionário", por Alex Raymond, in "Mundo de Aventuras" #381
Capa de José Antunes

A partir do “Mundo de Aventuras” e suas publicações satélites (“Policial”, “Tigre”, “Condor”, etc.), também algumas aventuras foram editadas em revistas como “Pantera Negra”, “Jornal do Cuto”, “Grilo”, “CanguruAventureiro”, “Comix” ou Heróis Inesquecíveis e, até, no matutino lisboeta “O Dia”.
Duas aventuras de Rip Kirby publicadas no "Mundo de Aventuras"
com capas de Carlos Alberto Santos
Capa e prancha de "O Caso dos Diamantes Africanos", in Colecção Tigre #31 (Ed. APR, 01.10.1957)
Capa de José Manuel Soares, desenho de Alex Raymond e texto (adaptado) de José Oliveira Cosme
Rip Kirby em "Desapareceu Melody Lane", por Alex Raymond in "Heróis Inesquecíveis" #19
Capa de Carlos Alberto Santos  -  Edições Rodrigues Chaveiro, Ldª. (1998)
Quanto a álbuns em português, há dois editados pela Futura, com capas de Augusto Trigo, e um outro, em 2010, pelas edições Bonecos Rebeldes.
Rip Kirby na excelente colecção "Antologia da BD Clássica", editada pela Futura,
nos anos 80, com capas de Augusto Trigo
Capa de "Rip Kirby" (vol. 1) - Edição Bonecos Rebeldes (2010)
Embora mundialmente popular e famoso, não consta que o Cinema o tenha “agarrado” para algum filme!... Estranho, não é?...
LB
Tiras de John Prentice
Tira desenhada por Alex Raymond
Tiras de John Prentice
Alex Raymond (02.10.1909 - 06.09.1956) e John Prentice (17.10.1920 - 23.05.1999)
Rip Kirby, por John Prentice

sexta-feira, 3 de maio de 2019

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (35) - STÉDO (Bélgica)

​Com este pseudónimo artístico, Stédo, tem ​por nome real, Stéphane Dauvin, tendo nascido ​em Libramont (Bélgica) a 5 de Setembro de ​1978.
Estudou Artes em Dinant e em Liège.
​É um dos mais notáveis jovens valores da Banda ​Desenhada belga e na sua bibliografia existe já ​uma considerável e invejável obra.
​Muito apostado na linha humorística, a sua arte ​é deveras irresistivelmente divertida. Iniciou a ​sua carreira em 1999 na revista "Spirou". Mas ​trabalhos seus foram também publicados na ​revista "Fluide Glacial", como por exemplo, "Monde de Micheline". Os seus álbuns começaram ​a ser editados pela Bamboo, em 2002.
​Das séries que tem vindo a elaborar, a ​"série de honra" é "Les Pompiers" (Os Bombeiros), com argumentos de Christophe Cazenove, contando já com cerca de trinta álbuns, série esta iniciada em 2003. Muito embora numa linha de paródia, não é a amesquinhar esta heroica classe profissional, mas faz também dos bombeiros, heróis de bem nos fazer rir. É uma homenagem especial.


Seguem-se mais duas pândegas séries: "Mafia Tuno", iniciada em 2011, com argumentos de Hervé Richez, contando com dois álbuns...

...e, "Napoléon", também já com dois álbuns, iniciada em 2016 e com argumentos de Lapuss'.

​Há séries, já existentes e de outros autores, em que ​Stédo participou: no sexto tomo de "Les Diables ​Rouges " (argumento de Lapuss' e Falzar)...

...no quinto ​tomo de "Boulard" (argumento de Erroc)...

...e no décimo ​sexto tomo de "Les Fondus" (argumento de Hervé ​Richez e Christophe Cazenove).
​É um tempo ultra bem gasto, o que podemos "perder" ​a ler e a gargalhar com a obra de Stédo. Muitos aplausos!
LB

terça-feira, 30 de abril de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (169)

EUROPA BENZILOR DESENATE - ​Edição Editura Pavcon. Autor: Dumitru-Dodo Nitá.
​Mais uma vez o nosso amigo romeno Dodo Nitá nos surpreendeu com esta preciosa obra que nos transporta com pleno entusiasmo pela Banda Desenhada da Europa.
​E, como era de esperar, não faltam capítulos específicos em relação a Portugal: os salões-BD da Sobreda, de Viseu ​e de Beja, a Bedeteca de Lisboa e Paulo Monteiro (o grande ​líder do Festival de Beja, que já tem obra editada na Roménia).
​Em notáveis passagens, também são mencionados os Salões ​da Amadora, de Moura e do Porto.
Quanto a desenhistas, dos ​quais alguns conheceu pessoalmente nas diversas vezes que ​veio até nós, ou outros dos quais apreciou trabalhos expostos, ​indica Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento, ​José Ruy, Eugénio Silva, Artur Correia, Mara Mendes, Carlos ​Rico, Vítor Péon, Pedro Massano, Hugo Teixeira, Baptista ​Mendes, João Amaral, Luís Louro, Miguel Montenegro, Susa ​Monteiro, entre outros. E regista ainda outras entidades da BD ​Portuguesa, como: Jorge Magalhães, Geraldes Lino, Jartur ​Mamede, A. Dias de Deus, Luiz Beira e Leonardo de Sá.
​Recorda-se que Dodo Nitá, que é o organizador do grande festival anual de BD na Roménia, já aí expôs trabalhos de ​Fernando Bento, José Ruy e Artur Correia, entre outros; e ​que numa dessas edições, fez uma grande exposição dedicada ​a Eugénio Silva.
​Obrigado, Dodo Nitá!


LE PROCÈS DE GILLES DE RAIS - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin, grafismo ​de Jean Pleyers, argumento de Néjib Kacem e cores de Corinne ​Pleyers. É o 17.º tomo da escaldante série "Jhen", ainda inédita em Portugal.
Neste tomo se narra o processo e a execução de Gilles de Rais, bravo marechal do exército francês na Guerra dos Cem Anos, tendo combatido ao lado de Jeanne d'Arc, de quem era amigo.
Mas este destemido e implacável herói, tinha tanto de valente como foi autor de abomináveis e cruéis actos… Era doentiamente pedófilo e, depois de abusar das crianças, ela eram mortas e quase sempre queimadas. Seu amigo Jhen, sempre o tentou trazer ao bom caminho, mas em vão.
Gilles de Rais é apanhado pela justiça, com todo o ódio da Igreja Católica: não só pelas centenas de crianças de que abusou e matou, como também é acusado por ter insultado e agredido um bispo e que pactuava com o Diabo. Sem apelo nem agravo, é condenado à forca e a ser queimado vivo, o que aconteceu em Nantes a 26 de Outubro de 1440. Nesta história, seu fiel amigo Jhen (personagem fictício) não teve qualquer hipótese de salvar o herói e criminoso da execução decretada.


LE PHARE - Edição Mosquito. Autor: Joan Boix. Surpreendente e belo álbum a preto-e-branco com a arte de mestre do catalão Joan Boix.
São doze  histórias curtas narradas por Jonathan Struppy. É um velho faroleiro que vive absolutamente só no seu farol, agarrando-se ao seu cachimbo, ao rum e a reler a vasta biblioteca onde se regista toda a história da sua família com notáveis lobos do mar. Jonathan, frustrado, é o único que nunca navegou. Sente que a sua vida está a chegar ao fim, com a certeza que com ele termina a saga da família Struppy, pois não tem descendentes.
Nestes relatos de aventuras no mar sedutor, em várias abordagens, a intervenção do insólito e do fantástico.
"Le Phare " (O Farol), é uma obra a não perder, de jeito nenhum.


ENSAIO SOBRE A INCOERÊNCIA ESTILÍSTICA - Edição Escorpião Azul, em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada. Autora: Rita Alfaiate.
"Banda Desenhada, Ensaio Sobre a Incoerência Estilística" é um livro especial, baseado no estudo aturado que a autora fez, e que serviu de alicerce quase total da tese do seu mestrado na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Um trabalho louvável e, quiçá, discutível.
LB

sábado, 27 de abril de 2019

AS HISTÓRIAS QUE RESIDEM NA GAVETA (9) por José Ruy

Caros leitores do BDBDBlogue, destaco mais uma das minhas histórias que esperam edição em livro, mas desta vez em condições diferentes. Esta, foi em parte já publicada em revista. Trata-se das «Lendas Japonesas».
Em 1950 iniciei a série na revista Flama, no suplemento «O Papagaio», no seguimento de uma recolha que fiz dos textos de Wenceslau de Morais sobre lendas do Japão.
A primeira foi «Amaterasu, a Deusa da Luz do Sol».
Portanto, estamos numa situação diferente das outras histórias. Mas por achar curioso o facto de por mais de uma vez ter estado na iminência de ser editada em livro e manter-se ainda nessa posição, incluo-a nesta rubrica.
Durante três anos publiquei nove dessas lendas na Flama. Para que o seu aspecto se aproximasse mais das publicações japonesas, apresentei-as no sentido vertical.
Mas o suplemento onde eram inseridas mudou de formato e passei a faze-las com outro enquadramento e na ordem de leitura normal no Ocidente.
Nessa altura de mudança fui contactado pela Agência UPI, que me propôs entregar-lhe a distribuição dos originais, para serem publicados em vários jornais e revistas.
A Flama era a primeira a publicar e depois seria em África e noutras paragens.
A ideia era depois reunir em livro toda a série, que estava programada para bastantes títulos. Mas o dono da Agência deslocou-se ao Brasil e nunca mais voltou a Portugal.
Passados uns anos, a minha amiga Catherine Labey que editava os «Cadernos de Banda Desenhada» pediu-me para lhe ceder algumas lendas já publicadas.
Foram publicadas três lendas. Os «Cadernos» também não continuaram e mais uma vez este trabalho voltou à sombra da «gaveta».
Continuei com outros projetos e durante muitos anos não voltei a este tema.
Mas o meu saudoso e estimado amigo Jorge Magalhães de vez em quando insistia para que continuasse essas lendas que eram muito do seu agrado. E quando dirigia a revista «Seleções BD», na sua segunda série, achou ser a ocasião propícia.
Por também ser para mim um assunto com carinho especial, pelo exotismo e conteúdo, resolvi continuar com os títulos que ainda não tinha desenhado, e que são bastantes.
Mas como iniciara o trabalho na Flama, com o título «Amaterasu, a Deusa da Luz do Sol», decidi refaze-la com a técnica e a evolução que entretanto adquirira nas décadas decorridas.
Transformei também a maneira de narrar, e incluí balões. Saíram a preto e branco, nas páginas disponíveis da revista.
Foram levadas à estampa duas lendas.
A segunda era inédita, «As Duas Rãs Curiosas».
Acontece que a revista suspendeu a sua publicação e as «Lendas» não tiveram seguimento. Mas eu havia já desenhado algumas mais, pois costumo ter um avanço para garantir a cadência no caso de surgir algum impedimento.
Passados uns bons anos, em 2012, o meu amigo Maurício de Sousa, que no Brasil acompanhara nas «Seleções BD» estas  «Lendas», falou-me  que estava a colaborar numa revista do Japão, mas em português do Brasil, com o título «Alternativa» e que essas histórias faziam lá todo o sentido. Deu-me o endereço do editor.
Para tirar um melhor partido da apresentação, resolvi colorir as pranchas que se mantinham até aí a preto e branco.
Enviei-as para o Senhor Ewerthon Tobace, o editor.
Pouco tempo depois tive a resposta.
Mas a seguir descobri uma coisa estranha quando consultava o Google.
Mas essa revelação ficará para o próximo artigo.