sábado, 20 de fevereiro de 2016

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (1) - JEAN PLEYERS (Bélgica)

Nota prévia
Aqui começa hoje um novo tema do BDBD, "Talentos da Nossa Europa" (não exclusiva à confusa União Europeia), donde excluiremos os valores portugueses (que a NOSSA Europa vai do português Cabo da Roca aos russos Montes Urais e da república-ilha da Islândia à república-ilha de Malta), porque os nossos estão sempre constantes nos nossos horizontes e nas nossas apostas concretas. Esclarecidos?
Nestes talentos europeus, focaremos valores-BD que, em certos e maioritários casos, são quase nada conhecidos ou publicados em Portugal, por absoluta miopia das nossas editoras-BD... Queixem-se agora!
Aí vamos com a nossa primeira escolha, que nesta primeira fase, comportará vinte talentos.



Jean Pleyers 
JEAN PLEYERS (Bélgica)
Nascido na cidade belga de Verviers a 27 de Junho de 1943, é um  talento admirável e digno seguidor do estilo de seu mestre, o francês Jacques Martin.
É justamente famoso e digno de admiração pela sua já extensa obra produzida e não só pela sua linha “martiniana”...
Cresceu num mundo artístico: seu pai era escultor e sua mãe era música. Ele, por sua vez, instruiu-se na cidade de Liège, tão famosa pelas suas Artes.
E começou muito cedo a sua aventura entusiasta pela Ilustração e pela Banda Desenhada, com as oportunidades de se ir sempre publicando aqui ou ali, sempre atento a melhorar-se e nuns constantes aperfeiçoamentos.
Um dia, já com obra feita e demonstrada, mestre Jacques Martin reparou nele e encarregou-o de desenhar a série “Jhen” (chamada “Xan” na primeira versão dos dois primeiros tomos), um herói (arquitecto italiano) em plena Idade Média europeia. A série (incrivelmente não apostada pelas editoras portuguesas!), já tem mais de uma dezena da álbuns, com uma maioria desenhada por Pleyers.

Por sua vez, na série pedagógica paralela “As Viagens de Jhen”, apenas um tem ilustrações de Pleyers, o oitavo: “Gilles de Rais”. Justamente,o famoso Gilles de Rais, que foi um tenebroso personagem nos três primeiros tomos desta série (da qual já existe um integral...em francês): De Rais, é figura real, foi amigo pessoal de Joana d’Arc, um condestável heróico e também amigo pessoal do ficcionado Jhen Roque, mas também um cruel e tenebroso pedófilo. Uma realidade terrivelmente amarga, mas histórica!...


Mas Jan Pleyers tem mais obra valorosa.
Ainda sob o “clima Jacques Martin”, apostou-se na série “Keos” (por ora, apenas com três tomos), localizado no entusiasmante Antigo Egipto.



Todavia e mesmo assim, há  outras “loucuras maravilhosas” pela arte de Jean Pleyers:
- “Les Êtres de Lumières”, em dois tomos (“L’Exode” e “Le Péril Extrazorien”), como autor total e versando a ficção-científica.




- “Giovanni”, uma bela e atrevida série “medieval” em três tomos. Olá, se é atrevida!...
 
 

- “Les Crânes de Cristal” é, até agora, o único tomo da série de ficção e insólito, sob o nome de “Salt”. Continuará?...


Quem tem a coragem e o bom senso de editar Jean Pleyers em Portugal?
LB

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (87)

DILEMMA - Edição Lombard. Autor: Clarke (aliás, Frédéric Séron).
Este é um álbum muito especial e de alta força em desafio aos julgamentos de cada um. Não é uma obra de Banda Desenhada, com mais ou menos força rotineira...
O que é que na longínqua clássica Grécia, quatro veneráveis filósofos, na onda  do “líder” já quase lendário (Demócrito), discutindo entre si, têm a ver com o destino da Humanidade num bem distante futuro? São eles: Diógenes de Sinope, Xenofonte (sempre um tanto militarão), Platão (também conhecido como Aristócrates) e o então ainda jovem Aristóteles.
E desse futuro bem distante, com base no Determinismo apregoado por Demócrito, esse futuro virá a ferir escabrosamente a Humanidade sob a batuta de um trio
de horror: Adolf Hitler, Hemann Göring e Heinrich Himmler.
Clarke, autor absoluto desta obra tão aplaudível, obriga-nos a ler e a discutir as propostas apresentadas, e sobretudo, a tentar saber (com vã resposta) o que fazemos nesta vida...
Pois é: às vezes, a BD faz-nos destes desafios!


OLD PA ANDERSON - Edição Lombard. Autores: argumento de Yves H. (ou seja, Yves Huppen) e a arte gráfica de Hermann (ou seja, Hermann Huppen, pai de Yves).
Volta não volta, somos agradavelmente surpreendidos com obras de luxo destes geniais Huppen. Agora, na versão álbum único (“one shot”), mais uma obra de peso e acusatória: “Old Pa Anderson”. Angustiante e belíssimo!
Que benesse esperam de todos nós os Estados Unidos da América do Norte, mentalmente entupidos e convencidos que são os “divinos donos do Mundo?!...
Neste “Old Pa Anderson”, Yves recriou um realista e amargo facto daquela tipagem “made in Washington”, que quase exterminou os povos autênticos desse continente: os pele-vermelhas. E em relação aos negros, a paranóia continua...
Para já, o nosso sincero “Bravo!” a Yves e a Hermann!


PAR-DELÀ LE STYX - Edition Casterman. Argumento de Mathieu Bréda, traço de Marc Jailloux e cores de Robin Le Gall.
E cá estamos nós, felizmente, na sensata continuação da bela série “Alix” , agora com o 34.º álbum da série em questão.
O heróico Alix (gaulês romanizado) e o seu inseparável e íntimo amigo, o príncipe egípcio Enak, aventuram-se aqui e ali, para proteger o jovem nobre grego Héraklion...
Uma narrativa empolgante, com a força da mitologia greco-romana através do rio Styx, que separa e marca esta vida... e o outro lado. Pela regra, ninguém volta a atravessar o Styx para tornar à vida...
Vamos na leitura deste assunto?

 LB

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

BREVES (23)

"O MOSQUITO" VAI VOAR NA RTP 2
A RTP fez há poucos dias uma reportagem na sede do Clube Português de Banda Desenhada, acerca da exposição comemorativa dos 80 anos de "O Mosquito".
José Ruy e José da Luz foram alguns dos entrevistados.
A transmissão será no próximo dia 16 (terça-feira), por volta das 22:45, no programa "Literatura Aqui", na RTP 2.
José da Luz (o primeiro impressor da máquina de offset que "O Mosquito" viria a adquirir quando a tiragem aumentou significativamente) e José Ruy, visitam a exposição enquanto são captados pelas câmaras da equipa de reportagem da RTP. 


AINDA OS 80 ANOS DE "O MOSQUITO"

No dia 17 (quarta-feira), vão realizar-se, na Biblioteca Nacional, entre as 17:00 e as 20:00, colóquios e palestras relacionados ainda com a exposição dos 80 anos de "O Mosquito". José Ruy, António Martinó Coutinho, Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso serão alguns dos intervenientes.



COIMBRA BD
Eis uma excelente novidade: segundo o "Diário de Viseu", entre os próximos dias 3 e 5 de Março, vai decorrer a primeira edição da Coimbra BD, "uma Mostra Nacional que visa promover e dar a conhecer a banda desenhada e todas as actividades que com ela estão relacionadas".
A autarquia conimbricense, que pretende "colocar a cidade de Coimbra na rota dos eventos nacionais dedicados à banda desenhada", apresentará, em breve, o programa definitivo.


Foto: Madalena Alcantara







JOSÉ BAPTISTA HOMENAGEADO NO CARNAVAL DE LOULÉ
José Baptista (ou Jobat, como também assinava), banda desenhista de renome na BD portuguesa, que infelizmente nos deixou há cerca de três anos, foi alvo de uma bonita homenagem no Carnaval da sua cidade.
Um dos carros alegóricos do cortejo apresentava uma imponente caricatura de Jobat sentado ao estirador, rodeada de desenhos e capas de revistas BD, recordando, assim, a figura de um homem que dedicou grande parte da vida à chamada 9.ª Arte.
Um belo gesto da organização do evento, que aqui registamos. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A ILHA DO CORVO QUE VENCEU OS PIRATAS (1)

Nota prévia: 
Depois de "A Vida Interior das Redações dos Jornais Infanto-Juvenis", iniciamos hoje uma nova rubrica da responsabilidade do nosso querido amigo José Ruy.
Trata-se de uma espécie de "diário de campo", onde José Ruy nos manterá ao corrente de um trabalho que, neste momento, está a desenvolver sobre a Ilha do Corvo (Açores), situação sem dúvida invulgar na nossa blogosfera, pelo menos no que concerne a um autor tão consagrado.
Ao longo destes artigos, José Ruy mostrar-nos-á pranchas ainda em esboço, esquiços, apontamentos, notas e muitas curiosidades que recolheu na Ilha, até chegar ao resultado final, isto é, ao álbum pronto para ser lido pelo público.
Não duvidamos que esta será mais uma rubrica de sucesso no nosso blogue, em especial entre os corvinos (assim se chamam os habitantes da Ilha do Corvo) que, por certo, seguirão estes artigos com redobrado interesse.
Sem mais delongas, vamos, então, começar.
BDBD 




A Ilha do Corvo que venceu os Piratas

O cocoordenador do Ecomuseu do Corvo, Dr. Eduardo Guimarães, conhecedor e colecionador da minha obra, contactou-me para um desafio: desenvolver em Banda Desenhada um episódio histórico que celebrizou a Ilha do Corvo em 1632.
Explanou-me então o que é um Ecomuseu, por meio de um gráfico simples e claro que partilho convosco.

Palavras suas:
"O Ecomuseu do Corvo é um projeto de intervenção museológica que visa garantir a salvaguarda e a afirmação do património natural, histórico, paisagístico e cultural da ilha do Corvo, nas suas dimensões tangível e intangível, e, concomitantemente, promover o desenvolvimento local e a qualidade de vida da população. Quer
Eduardo Guimarães, numa das muitas
visitas guiadas que me fez aos locais
importantes para a banda desenhada a realizar.
dizer, não se trata de preservar de forma cristalizada e inerte o património mas sim de o mobilizar na construção de um presente e de um futuro melhor para a ilha do Corvo. O desenvolvimento local é um processo voluntário de domínio da mudança cultural, social e económica, enraizado num património vivenciado, nutrindo-se deste e gerando património.
O Ecomuseu do Corvo estrutura-se como um sistema de redes multirrelacionais que articula pólos, recursos e complexos de valor patrimonial, geridos nos respetivos contextos ecológicos e numa perspetiva de desenvolvimento social e local. A Banda Desenhada que José Ruy tem em curso insere-se neste plano".

O Arquipélago dos Açores era habitualmente assolado por piratas argelinos que faziam escravos e roubavam bens.
Numa dessas investidas, os corvinos resolveram fazer frente aos atacantes defendendo-se unicamente com pedras e rudimentares alfaias agrícolas. E de tal sorte que as dez naus pejadas de piratas foram literalmente derrotadas atribuindo-se o feito a milagre da Santa Padroeira.
Este episódio foi escrito pelo padre que testemunhou o sucedido e passado depois a letra de imprensa. O documento chegou aos nossos dias.
Empolgado com mais este desafio criei um argumento, não me circunscrevendo ao episódio histórico, mas aproveitando para descrever a maneira sub-humana como os corvinos no século XVII viviam. O Dr. Eduardo Guimarães forneceu-me vastíssima documentação e delineou deslocar-me à Ilha, que não conhecia, para colher elementos indispensáveis para a obra, o que aconteceu neste janeiro de 2016.
E como um Ecomuseu funciona envolvendo a população, tive a grata oportunidade de interagir com os simpáticos corvinos e corvinas, não só beneficiando do seu generoso contributo para o conhecimento de práticas laborais, como na escolha dos nomes para as personagens, e até nas decisões destas no decorrer do argumento. Também, pacientemente, deixaram-se desenhar, servindo de modelo para as figuras, embora as cenas se passem no século XVII. E foram muitos os preciosos depoimentos que registei.
Faço aqui a comparação do esboço de uma prancha desenhada antes de ir ao Corvo, e a mesma depois do conhecimento adquirido com a visita. Uma coisa é a ideia formada através de fotografias e outra a vivência nos locais da ação. Só desta maneira podemos dar autenticidade ao que pretendemos.
Eis a mesma página ainda em esboço, em duplicado, mas a do lado direito tem já o enquadramento real da paisagem conforme a observei no local.
Percorri os trilhos que as personagens que criei fazem na história, reconstituindo a vila como era no século XVII, com a ajuda preciosa do Coordenador do Ecomuseu e dos especialistas contactados por ele.
Por exemplo, na parte final da página da esquerda há o enterro da personagem que morre; fiz uma alteração na página da direita, pois disseram-me que na época, o caixão era levado em ombros e não por meio de um carro de bois, como mais tarde acontecia.
Irei mostrando aos  nossos leitores do BDBD como este trabalho vai decorrendo, e a participação da população da Ilha.
José Ruy
27 janeiro 2016

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A BD A PRETO E BRANCO (25) - As escolhas de Carlos Rico (11)

Zé Paulo (Foto: Geraldes LIno)
ZÉ PAULO (1937-2008)
Zé Paulo nasceu em Lisboa.
Publicou desenhos na revista alemã "Pardon", em 1974, mas foi na "Visão" que o seu trabalho atingiu o ponto mais alto. Aí publicou "Histórias que a Minha Avó Contava Para eu Comer a Sopa Toda", "O Espantalho", "A Batalha de Rzang", "Abril Águas Mil", entre outras. "A Família Slacqç" (em cinco episódios) é, de todos, talvez o seu melhor trabalho.
Em 1976, publicou o álbum "A Direita com a Cara à Banda (Desenhada)", uma selecção de "Os Direitinhas", trabalho publicado inicialmente no jornal "Diário".
Colaborou com BD's no "DL Fanzine" (suplemento do Diário de Lisboa), "Fungagá da Bicharada", "Lx Comics", "Eros", "TertúliaBD Zine" "Efeméride", etc.

Duas pranchas de "Encontro com o Rato Mickey", da série "A Família Slacqç" (1976)



ORESTES SUAREZ (1950)
Nascido em Cuba, é um dos maiores nomes da BD latino-americana. Desenhou séries humorísticas, semi-humorísticas, históricas ou de aventuras ("Inês, Aldo y Beto", "Trampa de Estrellas", Timur y su Pandilla", "Blito", "Camila", "Vitralitos"...), alternando, por vezes, o seu traço de acordo com o tema em que trabalhava.
Publicou em revistas como "Pásalo", "Pionero", "Zunzún", "Cómicos", "Pablo", "Mi Barrio", "Skorpio", "Lanciostory"...
Em 1994 ingressa na Sergio Bonelli Editore onde realiza mais de 1300 pranchas para Mister No, e desenha o Texone #24 ("I Ribelli di Cuba")um privilégio de que muito poucos se podem orgulhar, já que a editora reserva esta colecção para os melhores desenhadores de craveira internacional.
Primeira prancha de "Me Voy a España"in "Pablo" #1 (1985)

O "Tex" de Orestes Suarez



RUGGERO GIOVANNINI (1922-1983)
Italiano, nascido em Roma, trabalhou para o conceituado jornal "Il Vittorioso". Aí desenhou, por exemplo, as séries "Jim Brady" e "Flash" (um personagem que era jornalista fotógrafo, não o conhecido super-herói).
Trabalhou, também, para Inglaterra (onde desenhou séries como "Jim Canada", "Olac, o Gladiador", "Os Três Mosqueteiros", "Olaf, o Viking" ou "Robin Hood", entre outros) e França. A sua obra mais conhecida será "Capitão Erik".
Entre outras distinções, recebeu o troféu Il Cartoonist, na Mostra Internacional de Cartoonistas de Rapallo.

Prancha de "Le Grandi Acque"
Prancha de uma aventura de "Olac, o Gladiador"

sábado, 6 de fevereiro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (86)

BOB MORANE, INTÉGRALE 1 - Edição Lombard. Autores: Henri Vernes (argumentos) e Dino Attanasio (arte gráfica) e um dossiê-prefácio por Jacques Pessis.
As primeiras aventuras em BD de Bob Morane e de seu amigo Bill Ballantine, estão já reunidas em álbum na versão integral, primeiro tomo: “L’Oiseau de Feu”, “Le
Secret de l’Antarctique” e “La Terreur Verte”.
Indubitavelmente, três narrativas apaixonantes, cheias de mistérios insólitos e situações arriscadas para os dois heróis.
Na segunda, “O Segredo da Antártida”, há vários momentos que nos fazem lembrar (e bem!) a novela “Viagem ao Centro da Terra” de Jules Verne, o que não é nenhuma sangria desatada.
É de ler e coleccionar os integrais de Bob Morane!


JÚNIOR, JOANA E GÃO, 1 e 2 - Em simultâneo, as edições Polvo publicaram os dois primeiros tomos da série “Júnior, Joana e Gão”: Um Mundo de Aventuras” e “O Outro Mundo”, com textos de Luís Almeida Martins e arte de Pedro Morais.
Suaves e simpáticas pequenas peripécias de dois garotos, Júnior Joana, mais o seu inteligente animal de estimação, o bizarro Gão,que é um misto de gato e cão, que tem um irmão gémeo, o Cato (misto de cão e gato), que vive na Lua e que fala de um modo esquisito... Uma diversão!
Há subtis alusões a factos e/ou personagens de outras bedês. como uma brevíssima intervenção-caricatura a Dupond Dupont...
Parabéns aos autores!


LES PORTES DE FER - Edição Casterman. Argumento de Jerry Frissen e arte do holandês Paul Teng, segundo Jacques Martin.
“Les Portes de Fer” é o 15.º álbum da série “Jhen”, que tem a maioria desenhada por Jean Pleyers. O herói é o arquitecto italiano Jhen Roque, na Idade Média, que foi criado por Martin, apenas para os argumentos.
Sendo uma série belíssima, cremos que jamais foi editada em português, o que é estranhíssimo!...
Neste tomo, Jhen e o seu amigo Venceslas, regressam a França, mas em terras banhadas pelo Danúbio, são apanhados numa guerra sem quartel entre turcos otomanos e fundamentalistas cristãos. É uma feroz confusão cheia de barbaridades de parte a parte...
De notar neste tomo, a espectacular arte de Paul Teng.


QI/136 e PEQUENA BIBLIOTECA SOBRE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS/3 Edgard Guimarães, coordenador do fanzine "QI" (Quadrinhos Independentes), apresenta-nos, mais uma vez, um número recheado de interesse, com muitas colaborações e onde se inclui um artigo de José Ruy (transcrito do BDBD, sobre os jornais "O Mosquito" e "O Papagaio") e outro de Carlos Gonçalves intitulado "Jayme Cortez: um artista português que o Brasil ganhou".
Em paralelo, foi lançado o n.º 3 da colecção "Pequena Biblioteca sobre Histórias em Quadrinhos", excelente encarte com boa apresentação e informação vasta sobre o Suplemento de Quadrinhos da Folha de S. Paulo. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

BREVES (22)

Hermann Huppen
Hermann premiado em Angoulême

O belga Hermann, um dos autores mais sonantes da BD europeia e mundial, acaba de receber o Grand Prix d'Angoulême.
Aos 77 anos, e com mais de cinquenta álbuns publicados, o criador de séries emblemáticas como Bernard Prince, Comanche, Jeremiah ou As Torres de Bois-Maury vê, finalmente, o seu nome inscrito no Quadro de Honra do maior Festival BD da Europa.
Um prémio merecidíssimo mas que Hermann esteve quase a declinar, por culpa da onda de indignação que este ano varreu o Festival (rotulado de sexista por não nomear qualquer mulher para o Grand Prix)...
Contudo, o bom senso prevaleceu. Hermann recebeu o prémio e teve a merecida consagração pelo conjunto da sua obra, na 43.ª edição deste famoso evento. 


Martin: L'Histoire en Héritage

A obra de Jacques Martin (de quem já aqui falámos por variadíssimas vezes) será objecto de uma exposição intitulada "Martin: L'Histoire Héritage", com inauguração marcada para 19 de Fevereiro, na Huberty & Breyne Gallery de Paris.
A exposição oferece-nos um olhar de 360º pelo mundo fervilhante deste notável autor: as primeiras pranchas de Alix, em grande formato, publicadas semanalmente no Tintin belga, em 1948, bem como pranchas de Jehan ou Lefranc, entre outros, comparadas com as dos seus colegas Gilles Chaillet, Bob de Moor e Jean Pleyers. 
A mostra encerra a 19 de Março.    


João Amaral

João Amaral conta História do Museu Grão Vasco (Viseu)

Entretanto, João Amaral, depois de ver publicado na Turquia o seu último álbum, "A Viagem do Elefante" (adaptação do romance de José Saramago com o mesmo nome), tem em marcha novo projecto: nada mais e nada menos do que “A História do Museu Grão Vasco", com argumento, também, a seu cargo.
O álbum deverá ser publicado ainda este ano, por ocasião das comemorações do centenário do museu e terá chancela das Edições Quartzo.





Aniversários em Março

Dia 04: Baptista Mendes e Lorenzo Zaniratto (italiano)
Dia 05: Victor Borges
Dia 07: Miguel Rocha e Florence Magnin (francesa)
Dia 09: Alain Corbel (francês)
Dia 10: Jorge Miguel
Dia 13: João Paulo Cotrim
Dia 15: Francisco Ibañez (espanhol)
Dia 16: Carlos Gimenez (espanhol) e Agonia Sampaio
Dia 22: Jorge Magalhães e Nuno Nisa
Dia 23: Miguel Ramos
Dia 26: Ângela Gouveia
Dia 31: Kas (polaco)

sábado, 30 de janeiro de 2016

EVOCANDO (18)... FERNANDES SILVA

Fernandes Silva (1931-2010)
Passam hoje seis anos que Fernandes Silva nos deixou fisicamente. Grande entre os grandes da BD Portuguesa, se a sua obra não é extensa, é no entanto bem marcante pelo estilo, quase sempre na linha do humor absurdo, do qual foi um incontestável perito.
De seu nome completo António Fernandes da Silva, nasceu em Lisboa a 18 de Agosto de 1931. Frequentou a famosa Escola António Arroio. Começou a publicar-se no “República dos Miúdos “ (suplemento do diário “República”). Depois, projectou-se grandiosamente pelas páginas de “Diabrete”, “Cavaleiro Andante” (e seu “Pagem”), “Camarada” (2ª fase), “Flecha” e “Pisca-Pisca”.
Algumas das suas BD's foram reeditadas em “Cadernos Sobreda-BD” (n.º 8) e “Almada-BD Fanzine” (n.º 6).
Sua arte ia para outras vertentes mais, como ilustrações soltas, cartunes, cartazes, postais dos CTT, desenho publicitário, etc.
Afastou-se da BD, sem nunca deixar de a acompanhar e ler, tendo exercido por largo tempo o cargo de Chefe do Sector de Artes Gráficas da RTP.
Foi homenageado no salão internacional “Sobreda-BD/2000”, tendo-lhe sido atribuído o Troféu Sobredão.
Estranhamente, não há ainda, um único álbum com as suas histórias!!...
Pela sua bibliografia, contam-se:
- “Alice no País das Maravilhas”, uma encantadora versão da novela de Lewis Carroll, publicada no “Cavaleiro Andante”, com as duas últimas pranchas no suplemento “O Pagem”.
in "Cavaleiro Andante" #4

- “O Estranho Caso do Dr. Rapioca”, publicada no “Diabrete” e depois reeditada no “Almada-BD Fanzine”.
in "Diabrete" #872

- “Cuca”, um divertido petiz em altas “loucuras”. Suas peripécias saíram no “República dos Miúdos”, “Cavaleiro Andante” e no “Camarada”.
in "Cavaleiro Andante" #283

- E, no topo e em glória, as aventuras do célebre detective sem rosto, “O Ponto”. Apenas três aventuras notáveis, com as duas primeiras publicadas no “Diabrete” (a segunda foi reeditada depois nos “Cadernos Sobreda-BD”) e uma terceira que estava a ser publicada na “Flecha”, mas ficou incompleta porque esta revista acabou, de repente.
in "Diabrete" #856
in "Diabrete" #862

Recuperar em álbum as histórias deste genial artista nosso, talvez um dia, quando se recuperar a Cultura em Portugal!...
LB

Prancha 6 de "O Outro Lado da Lua"
Prancha 11 de "O Outro Lado da Lua"
Capa com desenho de Fernandes Silva, in "Almada BD Fanzine" #6 (1991)
Último trabalho de Fernandes Silva, que reproduzimos, com a devida vénia,
a partir de "Era uma vez..." (XXXV)