domingo, 17 de novembro de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (21) - TANGUY E LAVERDURE

As aventuras desta dupla de pilotos da Força Aérea Francesa nasceu na revista "Pilote", a 29 de Outubro de 1959. Foi criada para rivalizar com outros heróis semelhantes: "Buck Danny" (por Victor Hubinon, na revista "Spirou") e "Dan Cooper" (por Albert Weinberg, na revista "Tintin"). O argumentista era Jean-Michel Charlier (também argumentista de"Buck Danny") e o artista gráfico, Albert Uderzo. A primeira aventura: "L'École des Aigles" (A Escola das Águias). 
"L'École des Aigles", a primeira aventura
Amigos inseparáveis, têm personalidades diferentes. Michel Tanguy é sério, honesto e dedicado; Ernest Laverdure é excêntrico, trapalhão e desajeitado. No entanto, impecáveis pilotos, parceiros unidos e bem capazes de enfrentar situações difíceis e missões perigosas. 
O facto de Charlier ser o argumentista, tanto de "Buck Danny" como de "Tanguy e Laverdure", permitiu que, ocasionalmente, estes heróis se encontrassem e colaborassem em determinados episódios.
Até ao oitavo tomo, o duo de autores manteve-se, se bem que nesta última aventura, "Pirates du Ciel", houvesse também o "dedinho" de Marcel Uderzo e de Jean Giraud.
Em 1966, Albert Uderzo, demasiado ocupado com o "seu" Astérix, passa a pasta ao seu colega Jijé, que dá novo estilo, vigoroso e dinâmico, à série. 
Prancha de Mission "Derniére Chance", por Jean-Michel Charlier (argumento) e Jijé (desenho)
Entre 1973 e 1979, a série esteve parada temporariamente. Prossegue, tendo Jijé o apoio de Patrice Serres e Daniel Chauvin. Com o falecimento de Jijé, Patrice Serres continua a desenhar estas aventuras por mais dois álbuns.
Em 1988, surge o 25.º álbum, agora desenhado por Alexandre Coutelis. E acontece nova paragem, até que, em 2002, a série reaparece dando vazão a mais três álbuns (vinte e oito no total, até agora), desta vez com argumentos de Jean-Claude Laidin e arte de Yvan Fernandez (o 26.º e o 28.º) e de Renaud Garreta (o 27.º).
Christian Marin e Jacques Santi
Entretanto, de 1959 a 1962, a série foi adaptada a folhetim radiofónico pela Radio Luxembourg. 
A partir de 1967, François Villiers realizou a respectiva série televisiva, com Jacques Santi (Tanguy) e Christian Marin (Laverdure), sob o título "Os Cavaleiros do Céu". 


"Os Cavaleiros do Céu" (1967)

Thierry Redler e Christian Vadim
Em 1988, nova versão televisiva (que não teve grande impacto), "Les Nouveaux Chevaliers du Ciel", com episódios dirigidos por Patrick Jaiman, Jean-Pierre Desagnat e Jean-Jacques Lagrange, com os actores Thierry Redler (Laverdure) e Christian Vadim (mais tarde substituído por Marc Maury) no papel de Michel Tanguy
Em 2005, Gérard Pirès realizou uma fraca longa-metragem em adaptação livre, onde até estes heróis-BD têm outros nomes.
Em Portugal, para além de onze álbuns (dois pela Íbis e os restantes pela Meribérica-Líber), "Tanguy e Laverdure" estrearam-se na revista "Foguetão" n.º 1, a 4 de Maio de 1961. Avulsamente, alguns episódios da série foram também publicados em: "Jornal da BD", "Cavaleiro Andante", "Tintin" (edição portuguesa), "Selecções BD" e "Zorro".
LB
Com o traço de Uderzo no "Cavaleiro Andante", n.º 554



Prancha de "Mission Speciale", com traço de Jijé
 

A edição integral da série "Les Chevaliers du Ciel".

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A BD A PRETO E BRANCO (1) - As escolhas de Luiz Beira (1)

Com jeito vai... a preto e branco

Quando eu (LB) fui desafiado pelo meu sócio (CR) do BDBD para abordar o tema da Banda Desenhada a preto e branco, logo disse que sim. Todavia, caí em mim, mas já era tarde para recuar... É que o tema é muitíssimo vasto e comporta uma multidão de maravilhosos desenhistas a trabalhar assim o seu grafismo. Teria de escrever um Tratado sobre o assunto e não um post.
Após desgastante pesquisa, houve ainda a devida selecção dos exemplos...
E lá acabei por optar por uns quantos, segundo a minha pessoal admiração e o meu pessoalíssimo gosto. Portanto, este post é apenas uma achega ao que tanto se tem escrito sobre este tema.
De resto, não sou contra a côr. Há muita BD valorosa e especificamente assim criada e apresentada. Mesmo assim, é preciso cuidado, pois frequentes vezes, o aparente deslumbramento do technicolour, esconde as insuficiências ou mediocridades de verdadeiro e capaz grafismo.
Em certos exemplos aqui registados, optei, em vez da prancha inteira, pela sequência ou pela vinheta. Sem agrupar pelas nacionalidades dos desenhistas, os nomes surgem por ordem alfabética e, dos vivos, indico apenas o ano de nascimento. Mesmo assim, por conveniência, os textos são curtos, estilo telegrama... O importante é o observarmos, com humildade, a beleza notável do grafismo destes desenhistas. A muitas criações surgidas a preto e branco, mais tarde, foi-lhes criminosamente dada a côr!...(Tudo estragado!).
Ora então, vamos lá com os primeiros três autores:


ALBERTO BRECCIA (1918-1993). Dado como argentino, nasceu porém no vizinho Uruguai e não nos consta que tenha optado pela nacionalidade do país de adopção... É um dos "intocáveis" mestres da Banda Desenhada mundial, com vastíssima obra ("El Eternauta", "Sancho Lopez", "Puno Blanco", etc), mas a sua indiscutível obra-prima, que criou com o argumentista Héctor Oesterheld, é "Mort Cinder".
"Mort Cinder", por Alberto Breccia
Vinheta de "Mort Cinder"



ALEX RAYMOND (1909-1956). Um incontornável "peso pesado" da BD norte-americana. Criou diversas e famosas séries, depois continuadas por outros, como "Jungle Jim", "Rip Kirby" e "Secret Agent X9". De qualquer modo, das séries que iniciou, a que está no topo do pódio é, sem dúvida, "Flash Gordon".
Vinheta de "Flash Gordon"
Prancha de "Flash Gordon"


AUGUSTO TRIGO (1938). Nascido na cidade de Bolama (na actual República da Guiné-Bissau), tem cidadania portuguesa. O seu traço, bem cuidado e preciso, é sempre digno de admiração. Na sua obra, constam, entre outras, as narrativas "O Visitante Maldito", "A Sombra do Gavião", "Kumalo" e, talvez no topo, "Luz do Oriente".


Prancha de "Luz do Oriente"
Prancha de "Kumalo"

Nota: A rubrica "A BD a Preto e Branco" que hoje iniciamos, será subdividida entre as escolhas pessoais de Luiz Beira (10 posts e 30 autores) e de Carlos Rico (idem), num total de 60 autores! As duas imagens que ilustram a obra de cada autor foram criteriosamente escolhidas por Luiz Beira e Carlos Rico e por esta ordem serão sempre apresentadas.

domingo, 10 de novembro de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (20) - REDEYE

Hoje abordamos um herói-série que sempre foi apresentado na versão de tira humorística: REDEYE (como é apresentado, e não como Red Eye), que em português foi "Olho Vermelho" e na França/Bélgica, "La Tribu Terrible".
A criação é do norte-americano Gordon Bess (1929-1989). Devido a doença deste, em 1988, a série passou a ter argumentos de Bill Yates e grafismo de Mel Casson (1920-2008) que, a partir de 1999, passou a ser o autor absoluto.
Com o falecimento de Casson, a série não teve continuação e terminou a 13 de Julho de 2008. E perdeu-se, desde então, uma fonte para constantes e bem salutares risotas.
Gordon Bess e Mel Casson

Redeye (Olho Vermelho) é o bizarro e pândego chefe da tribo Chickiepan. Mas que tribo!... Nela, quase ninguém escapa a nível de sensatez. Ora vejamos: Tanglefoot é um guerreiro cobarde e estúpido, apaixonado quanto baste por Tawnee, a bela filha de Redeye e, talvez, o único elemento normal da tribo...
Mawsquaw é a mandona esposa do "herói", que cozinha coisas verdadeiramente intragáveis. E ai de quem diga mal dos seus sabores!...
O Xamã ou feiticeiro ou "médico" só se interessa em jogar golfe e namoriscar a "enfermeira".
Pockey é o reguila irmãozito de Tawnee.
E, para além de diversas outras figuras patuscas e quase sempre estarolas, podemos ainda citar Loco, um cavalo sempre cansado e sempre desejoso de estar tranquilo em casa...
"La Tribu Terrible" (Ed. Lombard)
Esta série, que foi premiada no Festival de Angoulême, em 1976, para além da popularidade nos Estados Unidos cedo conquistou vários países da Europa: Dinamarca, França, Holanda, Bélgica, Finlândia, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Noruega e Portugal. E também foi famosa no Brasil.
Em Portugal, a série do herói Redeye teve exemplos publicados no "Jornal do Cuto", "Tintin" (edição portuguesa), "Jaguar", "Selecções do Jornal do Cuto" e nos mini-álbuns "Clássicos da Banda Desenhada" (da Europress).
"Redeye" ("Olho Vermelho"), no Jornal do Cuto
Curiosidade: aquelas mentes mais opacas e mais venenosas podem atirar com uma atoarda indicando que é uma série racista e a amesquinhar os pobres dos "pele-vermelhas"... Nada disso! O que podemos agora interpretar (de uma maneira especulativa, é certo) é que essa tão impagável tribo chefiada por Redeye caricatura, com intenção ou não, todas e tamanhas imbecilidades de qualquer nação dos "caras pálidas" (os brancos)...
Será ou não será?... Mas que a série é uma louca e hilariante paródia, lá isso é!
LB


"Redeye" por Mel Casson...

...e por Gordon Bess

"Redeye" no Jornal do Cuto

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

AMADORA BD 2013

Teve início no passado 25 de Outubro e encerra no próximo dia 10, a 24.ª edição do já famoso Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Quem ainda lá não foi, está a bom tempo de o visitar.
Muitos espaços a convidar a atenção dos visitantes, mas mantém-se a variedade dos locais das exposições, o que, a nosso ver, dificulta a curiosidade dos visitantes, sobretudo para aqueles que não residem na Amadora e mais ainda, àqueles que não têm transporte próprio... Compreendemos que se queira com este sistema valorizar e mostrar a cidade, mas, porém, todavia, contudo...
De resto, o quase total afluxo dos visitantes reduz-se praticamente ao Fórum Luiz de Camões (na Brandoa), onde converge o panorama  das bancas de vendas, o sítio dos sempre tão procurados autógrafos e onde melhor se marca a ocasião de encontros e convívio. E depois, há ainda o velho teatro Recreios da Amadora, onde se realiza a sempre concorrida sessão da entrega de prémios diversos.
Amadora Cartoon, nos Recreios da Amadora
Como habitualmentee, numa sala no primeiro andar, está patente a muito interessante exposição "Amadora Cartoon" (comissariada por Osvaldo de Sousa) com exemplos de três cartunistas de nomeada, ou seja, os portugueses Henrique Monteiro e Carlos Rico e o italiano Alessandro Gatti, que receberam os devidos troféus de homenagem.
Do que estava exposto no Fórum, destacamos os espaços dedicados aos 75 anos dos heróis-BD, "Superman" e "Spirou", e ainda, os que eram dedicados a Fernando Relvas e Ricardo Cabral. Uma nota, também, para Geraldes Lino que tem uma merecida exposição na Galeria Municipal Artur Bual.
Exposição de Ricardo Cabral
Muitos desenhistas nacionais circulavam pelo Festival. Quanto às presenças estrangeiras, salientamos a norte-americana Shaenon Garrity e os seus compatriotas Jon Bogdanove e Andrew Farago, o japonês Yoshiyasu Tamura, os brasileiros André Diniz, Pedro Franz e Gustavo Duarte, os argentinos Juan Cavia e Santiago Villa e o já citado italiano Alessandro Gatti.
Quanto aos premiados, destacamos "O Baile", com argumento de Nuno Duarte e grafismo de Joana Afonso, que recebeu dois prémios: Melhor Álbum Português e Melhor Argumento, e "Roleta Nipónica" com argumento de Mário Freitas e grafismo de Osvaldo Medina, pelo Melhor Desenho (Grafismo). Ambos os álbuns têm edição da Kingpin Books.
Porém, o grande aplauso vai para o vencedor do Troféu de Honra, que este ano coube muito merecidamente a Carlos Gonçalves, há longos anos entusiasta coleccionador de BD, articulista, crítico e ensaísta da 9.ª Arte e frequente apoiante de diversos Salões de Banda Desenhada no nosso país. Parabéns, Carlos Gonçalves!
Fica a reportagem fotográfica possível do evento. As fotos foram tiradas, na sua maioria, durante a manhã (e daí, talvez, o pouco público presente). À tarde o público afluiu em maior número mas, dado que as pilhas da nossa máquina fotográfica deixaram de funcionar, não nos foi possível fazer um registo mais completo quer sobre as restantes exposições quer sobre a entrega de Troféus. Remetemo-vos, pois, para a página oficial do Festival no facebook.
LB













sexta-feira, 1 de novembro de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (42)

LE POISON D'ÉBÈNE - Edição Dargaud. Argumento de  Pierre Boisserie e Philippe Guillaume, e traço de Erik Juszezak. Depois de uma primeira temporada (com seis álbuns), com "Le Poison d'Ébène" se inicia uma continuação da série "Dantès", que já nada tem a ver com a adaptação aos momentos actuais do clássico "O Conde de Monte-Cristo".
Desta vez, o combate à corrupção torna-se mais intenso, a par de uma corajosa defesa de aspectos ecológicos num país africano fictício, o Costa de Ébano, que nos faz imaginar que pode ser uma indirecta à Costa do Marfim ou algum país vizinho da região...

 
BRUNO BRAZIL, INTÉGRALE 1 - Edição Lombard. Argumentos de Greg e arte de William Vance. Precedido de um precioso dossiê realizado por Jacques Pessis, este tão esperado primeiro integral de Bruno Brazil, engloba as narrativas "O Tubarão Que Morreu Duas Vezes" (Le Requin Qui Mourut Deux Fois), "Brigada Caimão" (Commando Caïman), "Os Olhos Sem Rosto" (Les Yeux Sans Visage) e
"A Cidade Petrificada" (La Cité Pétrifiée). A coleccionar, estes extraordinários integrais, que deverão comportar um total de três tomos!...
Em simultâneo com a edição francófona, surgiu também uma edição em italiano pela Nona Arte Bédé.

PETIT TOUR AVEC MALCOLM - Edição Lombard. Argumento de Iuri Jigounov e arte gráfica do mesmo artista russo Jigounov e Chris Lamquet. "Petit Tour Avec Malcolm" é o 12.º tomo da tão apreciada série "Alpha".
Acusado de traição pela CIA, Alpha está em fuga. Como provar a sua inocência quando é perseguido por todos os agentes secretos do mundo? E, sobretudo, será que Alpha está tão inocente como ele quer fazer crer? A ver vamos!...

 
LES ENFANTS DU DOGE - Edição Dargaud. Argumento de Zidrou (aliás, Benoit Drousie) e grafismo do italiano Matteo (aliás, Matteo Alemmano). "Les Enfants du Doge" é o primeiro tomo da série "Marina".
Por volta de 1342, Marina Dandolo, filha do Doge de Veneza, deve ser trocada pelo filho mais novo do Sultão turco, para assim se selar a amizade entre o Império Turco e a Sereníssima Veneza. Mas uma traiçoeira acção de ferozes piratas, transtornam cruelmente toda esta ambicionada troca.
Em momentos intercalados desta narrativa e nos dias de hoje, o investigador Prof. Federico Boccanegra, tenta decifrar este terrível enigma...

 
CELLE QUI FUT - Edição Lombard. Autor: o suíço Cosey (aliás, Bernard Cosandey). "Celle Qui Fut" é o décimo sexto tomo de "Jonathan", considerada já, uma "série de culto". Desta vez, a acção localiza-se na Índia e, na vez da filosofia budista, deparamos com certos aspectos do hinduísmo, sobretudo no que se refere a Kali, a deusa do tempo e da morte.
O regresso de Jonathan merece bons aplausos.


ASTÉRIX ENTRE OS PICTOS - Edição Asa. Este é o 35.º álbum da tão delirante e popular série "Astérix", criada pelo saudoso René Goscinny e Albert Uderzo, que tem agora dois novos autores, os sucessores dos originais: Jean-Yves Ferry (argumento) e Didier Conrad (traço), com Thierry Mébarki, Murielle Leroi e Raphaël Delerue como responsáveis pela côr.
Saíram-se bem, Ferry e Conrad, para esta estreia de alta responsabilidade. O argumento volta a ser muito divertido, atendendo a situações equívocas e a caprichadas alusões ao futuro, enquanto o traço de Conrad em nada trai o de
Uderzo.
Uma nota especial ao impagável momento das eleições para o novo rei dos Pictos, da prancha 35 à 41.
Um grande aplauso aos continuadores da série e à editora Asa, que publicou este álbum em simultâneo com a congénere francesa.