quarta-feira, 14 de agosto de 2013

EVOCANDO (9)... GIANNI DE LUCA

Gianni De Luca (1927-1991) - autoretrato
Era uma vez... um grande senhor da Banda Desenhada Italiana: GIANNI DE LUCA.
Nasceu em Gagliato a 27 de Janeiro de 1927 e faleceu em Roma a 6 de Junho de 1991, para onde se mudara aos seis anos de idade. 
Pintor, ilustrador, gravador e banda desenhista, iniciou a sua carreira no semanário "Il Vittorioso" e, em finais dos anos 50, passou para "Il Giornalino", onde se manteve por muitos e largos anos, como "mágico" da 9.ª Arte.
Da sua vasta obra, reconhecida internacionalmente, em Portugal consta, pelo "Cavaleiro Andante", "David, Pastor da Judeia" (do n.º 112 ao 136)...
 

..."A Esfinge Negra" (do n.º 171 ao 190)...
 

...e "O Império do Sol" (do n.º 327 ao 338)...
 

...e ainda, um belíssimo e precioso álbum, publicado em 1977 pelas Edições Celbrasil, versando a transposição à BD de três peças de William Shakespeare: "Hamlet", "Romeu e Julieta" e "A Tempestade". Aqui, este integral "shakespeareano" é um verdadeiro luxo nos anais da Banda Desenhada.

 
Capa e pranchas de "Hamlet", "Romeu e Julieta" e "A Tempestade", respectivamente. 

Gianni de Luca tinha o condão de transformar (melhor, de adaptar) a sua arte gráfica consoante os argumentos e épocas. 
Em 1947 chegou a matricular-se na Faculdade de Arquitectura que, um ou dois anos depois, abandonou para se dedicar completamente à Banda Desenhada.
Por esta vertente artística, ter-se-á iniciado em 1946 com "Anac, il Distruttore", se bem que um ano antes tenha ilustrado, para a Editrice Libraria Siciliana, o romance de Ector Malot "Sem Família". Depois, desenha "L'Oasi di Kamarasi".
Em 1947, para "Il Vittorioso", estreia-se autenticamente com "Il Mago Da Vinci".
Depois, entre outras histórias, desenha "Il Fiore della Morte" e "Il Re della Montagna". Nos anos 1948 /49, marcam posição criações suas como "I Naufraghi del McPerson", "O Império do Sol", "A Esfinge Negra", "Il Tempio delle Genti", etc. Em 1951, com "Gli Ultimi della Terra", aborda o ambiente futurista. Em 1958, desenha "Ragazzi di Ungheria", com argumento de Lino Monchieri. 
Entretanto, de 1955 a 1959, com publicação irregular, desenha episódios da "Bíblia" (donde, pressupomos, pertence "David, Pastor da Judeia") na obra que tem por título geral "La Più Grande Storia Mai Raccontata".
Gianni De Luca sentia uma certa necessidade de ir mais além, de apostar também para uma BD para adultos. É em 1967, após um breve afastamento desta Arte e com "L'Ultima Atlantide" marcando o seu regresso, que é desafiado a "segurar" a série "Il Comissario Spada", uma das glórias da sua carreira, com argumentos de Gian Luigi Gonano, num clima policial localizado em Milão e com diversos aspectos bem actuais.
E prossegue somando êxitos, como o western "Bob Jason" (1969), "Gian Burrasca" (1983), as biografias de Totó e de Marilyn Monroe (1985), a estranhíssima e bela narrativa "Paulus" (1986) e em 1988, a publicação de "La Freccia Nera" (adaptação do romance histórico de Robert Louis Stevenson, com guião de Paola Ferrarini) e o início  de uma obra ambiciosa, "I Giorni dell'Impero", que ficou incompleta dado ao seu falecimento, mas que foi publicada, incluindo os esboços e apontamentos que já havia elaborado. 

Biografia de Totó (1985) e "Paulus" (1986)
No entanto, "a cereja no topo do bolo" é a sua magnífica trilogia shakespeareana, versando as peças "Hamlet", "Romeu e Julieta" e "A Tempestade", uma autêntica revolução ante as variantes do seu grafismo e da Banda Desenhada em geral. Aqui, duas Artes - o Teatro e a Banda Desenhada - pelo talento de Gianni De Luca, resultam numa simbiose admirável e marcante pelo seu deslumbre. 
Gianni De Luca recebeu o Troféu Yellow Kid, em 1971, e o Troféu Nettuno, em 1976.
Muito e muito ficou por se contar nesta evocação, mas o registo (sumário) feito, já conta muito. E o verdadeiro bedéfilo... (a bom entendedor...).
LB




Revista "Il Vitorioso" (n.º 26) de 29 de Junho de 1963 - capa de Gianni de Luca
O Fantasma segundo Gianni de Luca ("Avventure Americane", n.º 210, de 11-12-1966)

sábado, 10 de agosto de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (16) - JOHNNY HAZARD

Por encomenda da King Features Syndicate, Frank Robbins criou, no sistema de tiras (mais tarde vieram a acontecer também as pranchas), o herói Johnny Hazard, que teve a sua estreia a 5 de Junho de 1944.
Frank Robbins (1917-1994)
Na origem, é um piloto da Força Aérea dos Estados Unidos. Por vezes, tem como companheiros, o jornalista Snap, a bela navegadora Gabby Gillespsie, o seu amigo Scotty e a fotógrafa loiraças Brandy.
Tudo começa quando Hazard se consegue evadir de um campo de prisioneiros dos nazis. Junta-se às forças aliadas e vem a ter aventuras e proezas pelas zonas banhadas pelo Oceano Pacífico (China, Japão, etc.). Mais tarde torna-se agente secreto, em paralelo com Steve Canyon de Milton Caniff.
 
Vigoroso e corajoso, é também  um incorrigível sedutor. Mas por aqui, deve ter cuidado, pois esbarra com frequência com atrevidas e sensuais mulheres a apostar na sua perda, como Velvet, Paradise, Kitty Hawke, etc.
Com o decorrer dos anos, a popularidade da série vai perdendo o forte apoio da parte dos editores, vindo a terminar a 20 de Agosto de 1977.
Em Portugal, apareceu pela primeira vez a 18 de Agosto de 1949, no n.º 1 da revista "Mundo de Aventuras", onde foi mais frequente. Mas passou também pelas páginas de "Condor", "Tigre", "Condor Popular", "Colecção Audácia", "Ciclone", etc. Conheceu apenas um álbum em português que foi editado pela Futura em 1983 (no n.º 8 da Colecção "Antologia da BD Clássica").
 

 

Nota curiosa final: Johnny Hazard, foi dos heróis-BD atingidos imbecilmente com um nome português, sendo então "João Tempestade". Alguns outros exemplos: Flash Gordon (Roldão, o Temerário), Big Ben Bolt (Luís Euripo), Steve Canyon (Luís Ciclone), Joe Palooka (Zé Sopapo), Prof. Tournesol (Prof. Pintadinho de Branco), Monsieur Lambique (Tio Pantaleão), Brick Bradford (Brigue Forte), etc, etc. Haja Deus!...

Johnny Hazard no "Mundo de Aventuras" (n.º 63, V série, de 12.12.1974)
Um caso raro nas aventuras de Johnny Hazard: sequência de 16 vinhetas sem qualquer legenda.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (3) - ATLÂNTICO SUL PELOS ARES

Sacadura Cabral e Gago Coutinho
Pelas 16:30 horas do dia 30 de Março de 1922, junto a Belém, levantou vôo das águas do Tejo um hidroavião monomotor Farley F III-D Mk II, baptizado de "Lusitânia". A bordo, dois destemidos e empenhados oficiais da Marinha Portuguesa: Carlos Viegas GAGO COUTINHO (como navegador) e Artur SACADURA Freire CABRAL (como piloto). Era o início do último feito épico vivido por portugueses: a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.
Nesse mesmo dia, chegaram a Las Palmas, no arquipélago das Canárias. A 5 de Abril, rumam à ilha de S. Vicente, no arquipélago de Cabo Verde. Após alguns reparos necessários no hidroavião, a 17 desse mês, partiram da ilha de Santiago, vindo a amarar no dia seguinte junto aos ilhéus brasileiros de S. Pedro e S. Paulo. Aqui, o mar revolto danificou a nave que perdeu um dos flutuadores. Os nossos
heróis são recolhidos por um navio de guerra português que os leva até à Ilha Fernando de Noronha, onde lhes é entregue outro hidroavião, agora o "Pátria". Mas, ao retomarem a viagem do ponto da queda do "Lusitânia", o "Pátria" sofre uma avaria e despenha-se.
Gago Coutinho e Sacadura Cabral passam nove horas como náufragos, sendo recolhidos por um cargueiro inglês, o "Paris City", que os reconduz a Fernando de Noronha. É-lhes entregue, no início de Junho, outro hidroavião, o "Santa Cruz". É pois neste que a epopeia é concluída, com escalas no Recife, S. Salvador da Baía, Porto Seguro e Vitória, terminando com a apoteótica chegada ao Rio de Janeiro a 17 de Junho de 1922.
Esta admirável epopeia veio a inspirar viagens posteriores, não só para o Brasil, mas também para outros trajectos, sobretudo em 1927, onde se registam os feitos de Sarmento de Beires, João Ribeiro de Barros e Charles Lindbergh.
Estranhamente, o Cinema nunca abordou este honroso tema da História de Portugal!...
Todavia, temos alguns exemplos pela Banda Desenhada:

1 - Com grafismo do italiano, radicado no Brasil, Eugênio Colonnese, a editora EBAL (hoje extinta) publicou em 1972 o álbum A FANTÁSTICA AVENTURA.

2 - O argumentista Yves Duval e o desenhista Eddy Paape, criaram em cinco pranchas, A PRIMEIRA TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO SUL, que foi publicada  entre nós no "Mundo de Aventuras" n.º 372, de 27 de Novembro de 1980.

3 - Em 2000, na revista "Selecções BD" (n.ºs 18 a 20), José Pires publicou "As Asas da Coragem".
Uma versão mais compacta foi, em 2004, incluída na "História de Celorico da Beira".
Entretanto, o autor desenvolveu a versão inicial para uma possível publicação em álbum que, até hoje, não se concretizou.
 
"As Asas da Coragem", por José Pires - versão publicada na revista "Selecções BD" (2000)

4 - Em 2012, as Edições Culturais da Marinha, publicaram o álbum, também com o título A PRIMEIRA TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO SUL, da autoria de A. Vassalo (vulgo, Vassalo de Miranda).
 

5 - Registe-se ainda que, na última prancha (publicada no "Cavaleiro Andante" n.º 338) de HISTÓRIA DA AVIAÇÃO, José Garcês foca este brioso feito de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. 
Última prancha de "História da Aviação", por José Garcês

6 - Helena Sabóia e Hernâni Lopes publicaram, numa só prancha, "O Grande Almirante", uma biografia resumida de Gago Coutinho. 
"O Grande Almirante", por Helena Sabóia e Hernâni Lopes,
do álbum "Grandes Portugueses" (Edição "Camarada")

7 - Baptista Mendes, aproveitando o centenário do nascimento de Gago Coutinho, desenvolveu em duas pranchas na revista "Camarada" uma breve biografia do famoso aviador.
 
"Gago Coutinho e a primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul", por Baptista Mendes ("Camarada", 1969)

8 - Eugénio Silva, outro nosso desenhador de grande nível, trabalhou este tema no "Livro de História da 4.ª Classe" (Porto Editora, 1972), com texto de Pedro de Carvalho.
"Livro de História da 4.ª Classe" - desenhos de Eugénio Silva
(imagem retirada do excelente blogue: www.santanostalgia.com)

9 - Nos anos 80, as Edições ASA publicam, em quatro volumes, a "História de Portugal em Banda Desenhada", com desenhos de José Garcês e argumento de A. do Carmo Reis.
"História de Portugal em Banda Desenhada", de A. do Carmo Reis e José Garcês

10 - Também em 2003, António Gomes de Almeida (argumento) e Artur Correia (desenho) focaram no segundo tomo da "História Alegre de Portugal" (Bertrand Editora) este episódio.
"História Alegre de Portugal II", de António Gomes de Almeida e Artur Correia

11 - Uma referência ainda para António Manuel Couto Viana (texto) e Fernando Bento (desenho) que em "A Minha Primeira História de Portugal" (Edições Verbo) também não esqueceram esta proeza dos nossos aviadores. Não sendo, propriamente, esta uma obra em banda desenhada, acaba por, no limite, utilizar a linguagem da BD (imagens em sequência, com legendas didascálicas) e por isso aqui a assinalamos.
"A Minha Primeira História de Portugal", de António Manuel Couto Viana e Fernando Bento

Como nota final, deixamos uma curiosa construção de armar, da autoria de Filipe Rei, publicada na primeira série da revista "ABCzinho", em 1 de Maio de 1922, que possibilitava aos jovens leitores daquele tempo construírem uma réplica do hidroavião "Lusitânia".
Hidroavião "Lusitânia" - construção de armar desenhada por Filipe Rei ("ABCzinho" 1.ª série, 01-05-1922)
Colecção de Carlos Gonçalves (a quem agradecemos o envio desta rara imagem)
O "Santa Cruz" está no Museu da Marinha e, no exterior, nas proximidades da Torre de Belém, existe uma réplica em aço.
Gago Coutinho nasceu a 17 de Fevereiro de 1869 em Lisboa, onde faleceu a 18 de Fevereiro de 1959, estando sepultado no Cemitério da Ajuda. 
Sacadura Cabral nasceu em Celorico da Beira a 23 de Maio de 1881 e faleceu a 15 de Novembro de 1924, quando, viajando de Amesterdão para Lisboa, se despenhou sobre o Canal da Mancha. O seu corpo jamais foi encontrado.


sábado, 3 de agosto de 2013

SALÃO INTERNACIONAL DE BD DE VISEU REGRESSA EM GRANDE!

Cartaz da edição XVIII do Salão de Viseu, da autoria de João Amaral
O Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu prepara-se para abrir portas, dois anos depois da última edição (nota curiosa: é bienal como o Salão de Moura e realizam-se ambos em anos ímpares).
Sendo um dos mais antigos ainda em actividade, o Salão de Viseu começou por ser praticamente uma "digressão" das Jornadas BD da Sobreda mas, aos poucos, foi ganhando "asas" até chegar ao patamar onde hoje se encontra, sempre sob a coordenação da voluntariosa equipa do Gicav - Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu. 
Da edição deste ano faz parte um conjunto apreciável de exposições (julgamos mesmo que será a vez em que o salão mais exposições apresenta):
- João Amaral (autor ligado a Viseu desde longa data, estará em grande destaque no salão com uma retrospectiva da sua obra e será distinguido com o Troféu Animarte BD)
- Andrea Venturi (autor italiano de reconhecido talento, desenhador de Tex e de Dylan Dog e capista de Mágico Vento, estará presente no salão, para gáudio dos muitos texianos que presumivelmente visitarão o salão viseense)
- "Eça de Queiroz na BD" (todas as adaptações em BD da obra de Eça numa exposição colectiva, comissariada por Luiz Beira e produzida em parceria com o Salão BD de Moura)
- "Centenário de Willy Vandersteen" (o grande mestre flamengo, autor de séries como Bob et Bobette, Robert et Bertrand ou Chevalier Rouge é aqui recordado numa produção conjunta entre o Gicav e o Salão de Moura, sob coordenação de Luiz Beira)
- "Efeméride: Corto Maltese no Séc. XXI" (exposição colectiva, com pastiches sobre a obra-prima de Hugo Pratt, sob coordenação de Geraldes Lino)
- "Álvaro" (autor da série - que publica regularmente na net - Homem Voador, Álvaro é dono de um humor mordaz e acutilante; há poucos dias lançou o seu último trabalho, "Balcão Trauma")
- "Humor no Jornal do Exército 1961-1974" (uma interessante exposição que apresenta a vida militar portuguesa nas décadas de 60 e 70 como raramente a vimos)
- "Homenagem póstuma a Sergio Bonelli" (exposição colectiva de homenagem ao homem que fez da casa Bonelli um autêntico império editorial; a recolha de originais ficou a cargo de José Carlos Francisco - o grande mentor deste projecto! - e a selecção e montagem é do Gicav)
- "Rui Lacas - Asteroid Fighters" (um autor e uma obra que dispensam apresentações para quem gosta de BD)
- "Comés - Homenagem póstuma" (exposição que recorda um dos mestres europeus do preto e branco, desaparecido no corrente ano)
- "Santos Costa - O Bandarra e outras histórias" (autor veterano, Santos Costa apresenta-se pela primeira vez em Viseu com uma exposição retrospectiva da sua obra)
- "Grande plano" (exposição sobre alguns álbuns estrangeiros, nomeadamente "Sang Royal", "La Douce" e "Murena")
- "A Criada Malcriada" (tira de banda desenhada, de autor anónimo, publicada desde 2012 na rede social facebook e recentemente editada em álbum)
- "Miguel Rebelo" (exposição de cartunes dum jovem que publica, actualmente, na revista Animarte)
- "Jovens Valores" (Joana Afonso, Pedro Emanuel e Dani, numa exposição colectiva que promete) 
- "Nos 50 anos do Homem-Aranha" (o jovem coleccionador viseense Daniel Almeida mostra-nos o seu acervo de publicações do mais famoso super-herói da Marvel)
- Exposição de fanzines (colecção de Geraldes Lino).
Para além das sessões de autógrafos previstas com os autores presentes (João Amaral, Andrea Venturi, Santos Costa, Pedro Emanuel e Miguel Rebelo), Geraldes Lino apresentará um estudo de opinião sobre o mundo dos fanzines em Portugal.
Geraldes Lino será, também, alvo de uma (justíssima) homenagem que culminará na entrega de um Troféu Animarte Especial pelo contributo na divulgação e promoção da BD, em especial dos jovens autores.
A inauguração ocorrerá no dia 10, sábado, às 17:00 horas, no Pavillhão Multiusos da Feira de S. Mateus (haverá no dia 9 uma pré-inauguração, para convidados) e o encerramento acontecerá no dia 22 de Agosto.
Ora aqui estão uma série de razões mais que suficientes para uma visita à cidade de Viriato e ao seu Salão BD que regressa em grande!

domingo, 28 de julho de 2013

PELA BD DOS OUTROS (7) - A BD DA BOLÍVIA

República sul-americana, a Bolívia tornou-se independente da Espanha a 6 de Agosto de 1825. Teve sempre uma história muito conturbada, tanto internamente como com os países vizinhos. Daí, inclusivé, o ter perdido a sua costa banhada pelo Oceano Pacífico, mas acertou com o vizinho Peru, a 24 de Janeiro de 1992, usufruir de um território alugado por 99 anos, o Boliviamar, na zona da cidade de Ilo. A capital é La Paz. Os idiomas oficiais são: castelhano, quíchua, aimará e guarani.  A moeda é o boliviano.
Rica em minerais, sobretudo o estanho, também marca pontos altos na arte, culinária, literatura e música. Pelo desporto, o futebol é considerado o desporto nacional.
Culturalmente, salientamos alguns valores notáveis: o actor António Peredo, o pintor Miguel Alandia Pantoja, os dramaturgos Nataniel Aguirre, Marcos Malavia e Gustavo Adolfo Otero, os novelistas Yolanda Bedregal, Jesus Lara e Gustavo Suárez, e poetas como Óscar Alfaro, Matilde Casazola, Gregório Reynolds, Daniel Calvo, etc.
E chegamos à intensa Banda Desenhada (Historieta) Boliviana, donde uma grata diversidade de publicações e o já notório Festival Internacional de Historietas "Viñetas Con Altura".
Cartaz da 11.ª edição do Festival "Viñetas con Altura", que se realizou recentemente em La Paz.
Dos seus criadores, para além de Efraín Ortuño (que foi marcante, mas essencialmente um grande pintor), indicamos alguns dos mais notáveis valores: Frank Arbelo (embora nascido em Cuba), Alejandro Salazar (vulgo, Al- Azar), Marco Guzmán, Susana Villegas, Joaquin Cuevas, Álvaro Ruilova, Pablo Cildoz, Jorge Siles, Fernando López e tantos e tantos outros.
Susana Villegas, Frank Arbelo e Álvaro Ruilova, três nomes importantes da BD boliviana
Arte de Susana Villegas
Mas há ainda dois casos especiais: Damián Moreno (vulgo, Madmian) e o seu amigo argumentista Álvaro Urdininea (Urtika, para os amigos), criaram um encantador herói (com revista própria) que cedo ganhou imensa popularidade: "El Lustra". É um garotito (que mais parece um pequeno robotengraxador nas ruas de La Paz, que faz os seus comentários com uma ironia ferozmente desconcertante. Um mimo!
"El Lustra", criação de Madmian e Urtika
Por último, há que mencionar Armin Castellón, um dos mais jovens desenhistas bolivianos (de momento, ainda não tem sequer vinte anos) que, com seu irmão Alan, fundou a sua própria empresa de Banda Desenhada, a Antaku Studios.
Arte de Armin Castellon (Minjhosth)
E que os nossos pedantes governantes, sempre servilmente acocorados a Washington, não façam mais "patifarias" ao presidente Evo Morales da Bolívia, que ao menos neste país, a Banda Desenhada é respeitada e bem acarinhada.
LB
"El Rinoceronte", por Frank Arbelo
Arte de Susana Villegas
Arte de Álvaro Ruilova
Arte de Al-Azar

quarta-feira, 24 de julho de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (36)

CINQ ANS APRÈS - Edição Lombard. Com argumento de Michel Bom e arte de Sidney (aliás, Paul Ramboux), "Cinq Ans Après", é o 24.º tomo da série "Julie, Claire, Cécile".
Após cinco anos de ausência, estas três belas e azougadas garotas estão de volta. Já são umas mulherzinhas com responsabilidades, mas nada as faz mudar do rumo de se divertirem a catrapiscar os rapazes bonitotes para bons (nem sempre) momentos amorosos.
Plena de frescuras e ousados atrevimentos, esta série é muito divertida.

TABULA RASA - Edição Lombard. Argumento de Ozanam e arte de Joël Jurion. "Tabula Rasa" é o segundo tomo da enigmática série "Klaw".
O pequeno Ange Tomassini já aceitou a sua condição de "Dizhi", um ser meio-humano meio-animal, saído do zodíaco chinês. E tem sede de justiça, mesmo contra o seu mafioso progenitor. Mas, Ange, às vezes esquece-se, mesmo com a sua fúria justiceira, de um pequeno detalhe: é que o zodíaco chinês comporta doze signos...

LUXÚRIA - Edição Urban Comics. Argumento de Matt Fraction e arte dos irmãos gémeos brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon. Obra: "Luxuria", primeiro tomo da série "Casanova".
Casanova Quinn, o personagem central, empolga-nos e diverte-nos com as barafundas, dúvidas e estranhas situações que o arrastam.
Com um argumento invulgar, porém bem imaginado, nele se demarca a arte de Gabriel e de Fábio, que tivemos o gosto de conhecer no Festival BD de Beja 2010, já então uns companheirões joviais e divertidos.

NAPOLÉON BONAPARTE / 2 - Edição Casterman. Série-biografia imaginada por Jacques Martin, tem como autores Pascal Davoz e Jean Torton.
Esta figura ímpar, Napoleão, prossegue a sua luta pela França e pelas suas ambições. Preso, liberto, apaixonado pela sua pátria e a sua carreira que se vai tornando cada vez mais gloriosa, por este álbum se registam as suas lutas contra os austríacos e a sua acção pelo Egipto. Uma série de leitura obrigatória, tanto mais porque está baseada em firme documentação.
Nota: foi no Egipto, na batalha naval de Abukir, que Napoleão viu, surpreso, naves portuguesas ao lado das inglesas, a combatê-lo. E terá dito então: " Portugal vai pagar com lágrimas de sangue a ofensa que está fazendo à França!".
E pagámos bem! Quem mandou Portugal, sempre servil à Inglaterra, ir atacar os franceses que nada tinham contra nós?

LA DERNIÈRE CONQUÊTE - Edição Casterman. Argumento de Géraldine Ranouil e arte de Marc Jailloux, segundo os personagens da série "Alix", criada pelo saudoso mestre Jacques Martin. "La Dernière Conquête" é o 32.º tomo da série.
Júlio César e Pompeu estão desavindos e estala a guerra civil. César envia Alix (e Enak, obviamente) em busca do lendário tesoiro de Alexandre Magno, sobretudo do seu anel que daria altos poderes a quem o usasse. Um pequeno e estranho reino numa região asiática pelas zonas dos actuais Afeganistão e Paquistão, guarda ferozmente um soberbo segredo. Este segredo será depois acordado entre Alix e o jovem rei Asham, após a derradeira conquista de... Alexandre Magno!
O melhor, leitores, é lerem este álbum. Vai uma aposta?