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sábado, 28 de dezembro de 2013

LITERATURA E BD (2) - GIL VICENTE NA BANDA DESENHADA

Estátua de Gil Vicente, datada de 1842,
da autoria de Francisco de Assis Rodrigues
Gil Vicente  ou "Mestre Gil", como respeitosamente também é tratado, é uma valorosa figura da nossa Cultura que tem certos aspectos discutíveis a envolvê-lo. Isto, porque o tomam como o grande notável do Teatro Português e também como exímio ourives.
Não há acordo, pois doutos estudiosos divergem nos seus pareceres: o Gil Vicente dramaturgo e ourives, era uma só e mesma pessoa ou havia dois com o mesmo nome e, de certo modo, contemporâneos?
Mas é o Gil Vicente autor-encenador-actor que agora e aqui nos interessa.
Terá nascido pelo ano de 1465, não havendo certezas do local: Guimarães? Lisboa? Ou algures na zona da actual Beira Interior?
Viveu protegido pela Corte (D. Manuel I e D. João III). Frequentou altos estudos em Portugal e em Espanha e é possível que também se tenha cultivado por breve tempo em França. 
Casou com Branca Bezerra (donde dois filhos) de quem enviuvou, casando depois com Melícia Rodrigues, que lhe deu mais três filhos: Paula, Luiz e Valéria. Destes, foram os dois primeiros que compilaram até onde foi possível, os textos dispersos (teatro e poesia) do pai.
Mesmo assim, alguns foram criminosamente censurados pela Santa Inquisição.
A sua obra com as devidas ideias, localiza-se na transição da Idade Média para o Renascimento.
Sabe-se que escreveu, pelo menos, 47 peças mas quatro delas ("Auto da Vida no Paço", "Jubileu de Amores", "Auto da Aderência do Paço" e "A Caça dos Segredos") perderam-se. E o "Auto da Festa", só séculos volvidos, foi encontrado pelo Conde de Sabugosa.
A estreia de Gil Vicente foi auspiciosa quando, na Corte, na noite de 8 de Junho de 1502, apresentou e interpretou o seu texto "Monólogo do Vaqueiro" (ou "Auto da Visitação). O seu caminho para este seu inspirado talento, às vezes místico e outras, bem crítico e mordaz, estava apontado. Dizem que o nosso popular Teatro de Revista tem a sua base nos textos de Mestre Gil. Ficou famoso além fronteiras
e sabe-se até que o filósofo holandês Erasmo de Roterdão estudou o idioma português para apreciar as suas obras no original.
E vieram peças atrás de peças, como: "Quem Tem Farelos?", "Auto da Alma", "Auto da Índia", "O Velho da Horta", "Auto da Barca do Inferno", "Auto da Barca do Purgatório", "Auto da Barca da Glória", "Cortes de Júpiter, "Farsa do Juiz da Beira", "Auto do Amadis de Gaula", "Auto da Índia", "Farsa de Inês Pereira", "Auto de Mofina Mendes" e, a última que escreveu, em 1536, "Floresta de Enganos". Depois, retirou-se para Évora onde faleceu nesse ano (ou no seguinte...), estando sepultado no Mosteiro de S. Francisco, em cuja campa está o epitáfio que previamente escrevera.
É considerado o "pai do Teatro Português", o que não é rigorosamente verdade, pois nos princípios da nossa nacionalidade já havia manifestações teatrais em festividades religiosas e também na corte de D. Sancho I (que reinou de 1185 a 1211) com a representação  dos "arremedilhos", onde se celebrizaram os mais antigos actores portugueses de que há memória: Bonamis e Acompaniado. 
Mas é com Gil Vicente que o Teatro Português se regista a sério, tanto mais que ele inspirou e bem, outros autores da época: António Ribeiro Chiado, Luiz Vaz de Camões, Baltazar Dias, António Ferreira, Sá de Miranda, etc.
E a Banda Desenhada no meio disto tudo?
Pois já lá vão bons anos, a saudosa desenhista Manuela Torres criou, em três pranchas, "O Ourives da Corte" , reproduzida no n.º 2 de "Cadernos SobredaBD", do qual, infelizmente, ainda não temos imagens para disponibilizar.
Manuel Ferreira publicou no "Camarada", em duas pranchas, a vida de Gil Vicente...
"Gil Vicente", por Manuel Ferreira, in "Camarada" #10 (1965)

Em duas pranchas, também Baptista Mendes criou uma biografia de Gil Vicente, com primeira publicação no "Jornal do Exército".
"Gil Vicente", por Baptista Mendes (Jornal do Exército, 1975)

E, enfim, cinco notáveis álbuns!
Com o talento de José Ruy e pela Editorial Notícias: 
"Auto da Índia / Farsa de Inês Pereira"...
 
Capa e prancha de "Auto da India", por José Ruy (Editorial de Notícias)

...e "Os Autos das Barcas" (Auto da Barca do Inferno, Auto da Barca do Purgatório e Auto da Barca da Glória).
 
Capa de "Os Autos das Barcas" e prancha de "Auto da Barca do Inferno",
por José Ruy (Editorial de Notícias)

Com a mestria humorística de Artur Correia e pela Bertrand Editora, outros dois álbuns: "Auto da Barca do Inferno"...
"Auto da Barca do Inferno", por Artur Correia (Bertrand Editora, 2007)

...e "Farsa de Inês Pereira". 
Capa e prancha de "Farsa de Inês Pereira", por Artur Correia (Bertrand Editora)

Com base noutra peça de Mestre Gil, Artur Correia está a elaborar o "Auto de Mofina Mendes" (Venha ele!).

Por fim, com desenho de Laudo Ferreira e cores de Omar Viñole, temos, em edição brasileira, o "Auto da Barca do Inferno", da série "Clássicos em HQ".
Capa e prancha de "Auto da Barca do Inferno", de Laudo Ferreira e Omar Viñole
(Editora Peirópolis - Brasil, 2011)

Conselho: leiam, pela Literatura em si ou pela Banda Desenhada (ou vejam-nas, se algum peça estiver em cena) as obras  do autor aqui recordado. 
A Cultura portuguesa e Gil Vicente agradecem.
LB

segunda-feira, 2 de junho de 2014

ENTREVISTAS (16) - JOSÉ RUY

JOSÉ RUY Matias Pinto nasceu na Amadora, onde reside, a 9 de Maio de 1930. Tirou o curso de desenhador litógrafo na Escola António Arroio (Lisboa). É aos catorze anos que começa a publicar banda desenhada em "O Papagaio". E nunca mais parou, a ponto de ser o nosso honroso desenhista que tem quase toda a sua obra editada em álbum. Dizemos quase, precisamente porque ainda não se recuperaram para a versão álbum, as suas primeiras criações, pormenor que teria e terá muito interesse para os coleccionadores e estudiosos da sua carreira. Citam-se, como exemplos soltos, as histórias "Os Cavaleiros do Vale Negro", "Homens do Mar", "A Bravura de Chico", "Nico e Cartucho em Raptores", "Piratas do Ar", etc.





A sua vasta obra foi publicada através de uma imensidão de periódicos.
Tem exposto a sua BD pelos mais diversos pontos de Portugal, mas também, no Brasil, Japão, Roménia, Alemanha, China, França e Cabo Verde.
Foi homenageado na Sobreda, Amadora, Moura, Beja, Lisboa, Porto, Setúbal, Bulgária e na cidade de Belém (Brasil). Na sua Amadora natal, uma avenida e uma escola básica, têm o seu nome.
Adaptou para a 9.ª Arte, diversos exemplos literários de Alexandre Herculano, Fernão Mendes Pinto, Wenceslau de Moraes, Gil Vicente, Luiz de Camões, Alves Redol e do brasileiro José de Alencar.
Prancha de "O Bobo" - adaptação da obra de Alexandre Herculano
(in "Cavaleiro Andante" n.º 266)
Prancha de "Peregrinação", segundo a obra de Fernão Mendes Pinto,publicada no "Cavaleiro Andante"

Capa de "Ubirajara", adaptação da obra de José de Alencar.
História reeditada no n.º 1 da colecção "Antologia da BD Portuguesa" - Editorial Futura (1982)

Focou algumas vezes o humor e elaborou algumas histórias de mera ficção e várias biografias, a saber: o Infante Dom Henrique, Nicolau Coelho, Pêro da Covilhã, Wenceslau de Moraes, Gutenberg, Almeida Garrett, Charles Chaplin, Columbano Bordallo Pinheiro, Humberto Delgado, Alves dos Reis, Jorge Dimitrov, Aristides de Sousa Mendes, Martins Sarmento, Leonardo Coimbra e João de Deus.
Prancha de "Gutenberg", publicada no "Mundo de Aventuras Especial" n.º 13 (Dezembro de 1976)

Elaborou uma sinopse de "História da Cruz Vermelha", traduzida em onze idiomas e distribuída em mais de 150 países. 
Alguns álbuns têm versões traduzidas: "A História de Macau" (em cantonês), "Aristides de Sousa Mendes" (em hebraico, francês e inglês) e, no nosso dialecto mirandês, "O Mirandês", "Os Lusíadas" e "João de Deus".
Estranhamos que uma das suas obras de honra, "A Peregrinação", que tem tido várias reedições, não tenha captado a atenção de editores estrangeiros, ao que José Ruy nos esclareceu: "Recebi de um pais de outro continente (América do Sul), o pedido para fazer um contrato de edição, que está em curso, e de tradução para a respectiva língua, da "Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto".
A título de curiosidade, indicam-se alguns títulos-álbuns fundamentais da bibliografia de mestre José Ruy: "O Bobo", "Os Lusíadas" (três tomos), "Levem-me Nesse Sonho", "A Ilha do Futuro", "As Aventuras de 4 Lusitanos e 1 Porca", "Ubirajara", "Amarante", a série "Porto Bomvento", "Humberto Delgado", "Peter Café Sport e o Vulcão do Faial" (edição elaborada nos Açores), o álbum colectivo "Salúquia", "Autos das Barcas", "Farsa de Inês Pereira", "Auto da Índia", etc, etc.
 

E agora se segue a nossa "conversa":
BDBD - O José Ruy é um dos veteranos na nossa BD que está sempre e incansavelmente a produzir. Donde lhe vem essa energia?
José Ruy (JR) - Essa energia vem de metas, projectos... para se concretizar uma ideia ou um plano que nos é muito querido. Ou seja, quando estamos a fazer um trabalho pelo qual estamos apaixonados, esquecemo-nos de que não temos energia.

BDBD - A par deste mérito, tem conseguido sempre imediatos editores, enquanto outros colegas seus, com obras completas, se lamentam de não conseguirem quem os edite. Como vê esta situação?
JR - Aí devo confessar que serei um privilegiado. Como opinião pessoal para com as obras que tenho feito e segundo as tiragens obtidas, isso significa que tenho um público que acompanha e adquire o que vou criando, incluindo as tiragens específicas para bibliotecas. Isto representa para um editor uma garantia positiva de vendas.


BDBD - Edições de obras suas noutros idiomas também é outra glória que o honra. Satisfeito?
JR - Claro que me sinto satisfeito, no entanto, sem nunca ter forçado essa situação. Não me sinto privilegiado, mas são essas propostas que vêm ao meu encontro.

BDBD - É verdade que o saudoso mestre Eduardo Teixeira Coelho foi, de certo modo, o seu... digamos, guru nesta Arte?
JR - Foi, é e será sempre, enquanto ele estiver vivo na minha memória.

BDBD - Tem belíssimas obras de ficção, donde também, adaptações de clássicos da Literatura. Mas, de repente, deixou estas vertentes e tem-se limitado a biografias, que não deixam de ser louváveis. Mas será que abandonou mesmo as belas aventuras através da BD?
JR - Tenho  de lhe responder desta maneira: se observar minuciosamente todos estes meus trabalhos biográficos, eles também estão cheios de ficção, envolvendo a parte histórica e documental.

BDBD - "Os Lusíadas" e "Peregrinação" são as suas obras sempre tão bem lembradas. Também são as suas criações favoritas? Qualquer autor tem sempre exemplos preferidos do que cria, não acha?
JR - São duas das minhas três favoritas.

BDBD - E qual é a terceira?
JR - A terceira é a série "Aventuras de Porto Bomvento".
As três criações favoritas de José Ruy: "Peregrinação", "Os Lusíadas" e "Porto Bomvento"

BDBD - Das poucas vezes que abordou o humor, tem "Os Quatro Lusitanos e Uma Porca", tão acutilante como divertido. Voltaria a este género?
JR - Tenho um plano elaborado há dois anos, com o mesmo guionista do álbum citado, que pus de parte quando o José Pires criou uma obra do género, mas que ainda não foi publicada.

BDBD - Que sonho antigo gostaria ainda de adaptar à BD?
JR - Gostaria de voltar a abordar um tema que me é muito caro: os bombeiros. Em 1973, fiz uma pequena história com este tema para a revista "Pisca-Pisca", que desapareceu antes de ser publicada. Tenho alguns novos argumentos já feitos sobre o assunto. Esse é o meu sonho, que de certo modo, é uma história de ficção...

BDBD - E o seu próximo (imediato) projecto, já o pode divulgar?
JR - O meu próximo projecto  é "Carolina Beatriz Ângelo", que além de médica, foi a primeira mulher a votar em Portugal... em 1911. Mas já em 1907, tinha sido a nossa primeira cirurgiã a operar.

Muito e muito se pode escrever e/ou perguntar a José Ruy, um extraordinário e amável conversador, mas por óbvias razões, aqui fica registado o essencial.
LB


"Natal", trabalho de estreia de José Ruy, com 14 anos ("O Papagaio", 1944).







Capa para o n.º 13 dos "Cadernos Sobreda BD" (1998)
Capa de "José Ruy: Riscos do Natural", de Leonardo De Sá e António Dias de Deus
(Colecção NonArte, Âncora Editores - 2001)


Capa de "Leonardo Coimbra e os Livros Infinitos" - Âncora Editora (2012)

terça-feira, 23 de maio de 2023

BAPTISTA MENDES - A HISTÓRIA EM QUADRINHOS

Entre os próximos dias 31 de Maio e 11 de Junho, ficará patente no Castelo de Moura uma exposição de banda desenhada com trabalhos de Carlos Baptista Mendes, inserida na 42ª edição da Feira do Livro.
A mostra tem como título “Baptista Mendes: a História em Quadrinhos” e revisita alguns dos muitos trabalhos que este autor publicou, durante mais de duas décadas, no Jornal do Exército. São histórias curtas (em duas pranchas, na sua grande maioria) versando acontecimentos ou biografias de personagens famosos da História de Portugal.
Trata-se de uma produção conjunta entre a Câmara Municipal de Moura, o Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu e o Clube Português de Banda Desenhada, que este ano se junta à habitual parceria entre Moura e Viseu.
"A Vida de Luís Vaz de Camões", uma história anteriormente publicada, em continuação e a preto e branco, no Jornal do Exército, foi totalmente repaginada e colorida por Baptista Mendes e será incluída em mais um número da colecção "Cadernos Moura BD", a lançar simbolicamente no próximo dia... 10 de Junho, pelas 17h30, com a presença do autor.
A exposição poderá ser, posteriormente, visitada nas cidades-parceiras de Amadora (na sede do CPBD) e Viseu (na Feira de São Mateus), entrando, depois, em digressão por diversas escolas e bibliotecas do país.

Capa do #12 dos "Cadernos Moura BD"


Baptista Mendes - biografia
Carlos Fernando da Silva Baptista Mendes nasceu em Luanda, a 4 de Março de 1937.
No Liceu Gil Vicente ilustrava jornais de parede, tendo cedo começado a sua actividade na publicidade, no desenho comercial e em anedotas na “Flama”. Em 1959, estreou-se nas histórias aos quadradinhos na 2.ª série do “Camarada” (assinando Carlos Fernando, ou Carlos Fernando da Silva), publicando depois em “Cavaleiro Andante”, “O Falcão”, “O Pardal”, “Pim-Pam-Pum!”, “Encontro Infantil”, “Revista da Armada” e, mais tarde, no “Mundo de Aventuras” (5.ª série).
De 1960 a 1983, publicou regularmente biografias de figuras históricas portuguesas no “Jornal do Exército”.
Participou nos dois álbuns colectivos “Grandes Portugueses”, editados pelo “Camarada” no início dos anos 60.
Publicou, também, “Por Mares Nunca Dantes Navegados…”, reedição de antigos trabalhos, na Antologia da BD Portuguesa, da Editorial Futura, em 1983, e “Infante D. Henrique”, na Asa, em 1989, com argumento de Margarida Brandão.
Realizou uma pequena publicidade em banda desenhada publicada na revista Pato Donald, da Editora Abril.
Nos anos 90, foi um dos participantes na história colectiva “Maria Jornalista”, com duas pranchas por autor, no Notícias Magazine do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.
Manteve uma actividade regular na área de decoração de embalagens e em publicidade variada.
Em 1992, foi homenageado durante a 11.ª Sobreda/BD, onde lhe foi atribuído o Troféu Sobredão e publicada "A Lenda de Gaia" (com argumento de Jorge Magalhães) no #9 dos Cadernos Sobreda BD.
No mesmo ano, durante o XII Festival BD de Lisboa (iniciativa do Clube Português de Banda Desenhada), os Prémios O Mosquito distinguem Baptista Mendes pelo conjunto da sua obra.
Em 1996, foi a vez do 6.º Salão Moura BD lhe outorgar o Troféu Balanito de Honra.
Baptista Mendes homenageado durante o Moura BD 1996

Em 2009, participou com uma história em três pranchas no álbum colectivo “Salúquia: a Lenda de Moura em Banda Desenhada”, editado pelo município mourense.
Em 2014, foi a vez do AmadoraBD reconhecer a obra de Baptista Mendes, atribuindo-lhe o Troféu Zé Pacóvio e Grilinho, o galardão máximo do festival.
Nesse mesmo ano, a Arcádia editou-lhe o álbum “Portugueses na Grande Guerra (1914-1918)”, onde recuperou uma série de pequenas histórias anteriormente publicadas no Jornal do Exército, com excepção de duas (“O Soldado Milhões” e “José Hermano Baptista”) que o autor desenhou propositadamente para esta edição.
Em 2016, o Gicav atribuiu-lhe o Troféu Anim’Arte para BD 2015 (ex aequo com José Ruy) e lançou o álbum “Infante Dom Henrique”, reeditando duas histórias – uma de cada autor – publicadas nos anos 60.
Entretanto, concluiu dois álbuns que, durante anos, aguardaram na gaveta uma eventual publicação. Um deles (“Guimarães: Crónica da sua Fundação e do Nascimento do Reino de Portugal”) mantém-se, até hoje, inédito. O outro (“A Vida de Luís Vaz de Camões”) é uma história já publicada no Jornal do Exército, nos anos 80, a preto e branco e ao ritmo de duas pranchas mensais, mas que o autor, entretanto, remontou por completo e coloriu (e Catherine Labey legendou). É esta nova versão que será incluída no #12 da colecção “Cadernos Moura BD”, sob edição da Câmara Municipal de Moura.


Biografia extraída, com a devida vénia, do “Dicionário de Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal”, de A. Dias de Deus e Leonardo De Sá - Edições Época d’Ouro (1999).
As actualizações são da nossa responsabilidade.

CR

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ENTREVISTAS (5) - BAPTISTA MENDES

De seu nome completo Carlos Fernando da Silva Baptista Mendes, nasceu na capital angolana, Luanda, a 4 de Março de 1937. Com pouco mais de dez anos, veio com a família para Lisboa, onde estudou no Liceu Gil Vicente.
Estreou-se como banda desenhista em 1959, na 2ª fase da revista "Camarada". Colaborou depois para diversas publicações, como por exemplo "Cavaleiro Andante",  "Pim-Pam-Pum", "Falcão", "Mundo de Aventuras", "Revista da Armada", "Jornal do Exército", "Alentejo Popular", "Anim'arte", etc. Tem vários álbuns editados, donde se salientam os títulos  "Por Mares Nunca Dantes Navegados" (esgotado), "O Infante Dom Henrique", "História de Penamacor", "História de Trancoso" e ainda participou no álbum colectivo "Salúquia: A Lenda de Moura em Banda Desenhada".
Foi homenageado ao vivo nos Salões da Sobreda (1992) e de Moura (1996).
De há uns tempos para cá, tudo fazia crer que tinha abdicado da sua carreira. Foi rebate falso! Para além de muitas criações suas "na gaveta", esteve a preparar dois álbuns que já deviam estar impressos, mas que ainda não estão!... Isto levou-nos a desafiá-lo para a breve entrevista que se segue:

BDBD - Constava que estavas parado, mas afinal tens dois álbuns prontos a ser editados...
Baptista Mendes (BM) - Sim. Um é "A Vida de Luiz Vaz de Camões", que há muitos anos saiu nas páginas centrais do "Jornal do Exército". Agora será um álbum com uma nova planificação e nova paginação.
Pranchas 13 e 37 de "A Vida de Luis Vaz de Camões", por Baptista Mendes
BDBD - E o outro?
BM - O outro é "Guimarães", que era para sair no início de 2012, mas tive um problema com a vista que me obrigou a parar, donde até, o ter sido operado. Mas ficou pronto e desde Abril que está entregue na editora, que é a Âncora Editora.
Capa e prancha 1 de "Guimarães", por Baptista Mendes
BDBD - Mas são ou não são editados?
BM - Eu estou à espera que sim. Só a minha lealdade com a Âncora é que me tem feito esperar.

BDBD - E a BD de ficção, não a fazes?
BM - Agora, neste altura, não estou a pensar nisso, pois nem sei se teria saída. Interessa-me mais o campo das biografias históricas, estando até a documentar-me na figura do Marquês de Pombal. Vamos a ver...

BDBD - Que pensas dos novos da nossa Banda Desenhada?
BM - Como sempre e em qualquer geração, há gente com valor e que triunfa, como há aqueles que desistem...

E ficámos por aqui, com um apelo à Âncora Editora para que não tarde em publicar este dois anunciados álbuns de Baptista Mendes.
LB
Capa do álbum "A Vida de Luis Vaz de Camões", por Baptista Mendes