terça-feira, 24 de março de 2020

BREVES (80)

FIQUEM EM CASA
O BDBD recomenda aos seus leitores que se mantenham em casa (aproveitem para ler alguma banda desenhada, por exemplo...) e evitem ao máximo exposições desnecessárias ao Covid 19. 
A ameaça é séria e devemos encara-la de forma séria também.
Se todos fizermos a nossa parte, mais depressa voltaremos a uma vida normal. 


ADIADA EXPOSIÇÃO-HOMENAGEM A JOSÉ GARCÊS...
Atendendo a toda a situação de alerta e de resguardo em que o Mundo se encontra de momento, e numa medida de prevenção contra o Covid-19, a Câmara Municipal de Moura optou por adiar a exposição-homenagem a Mestre José Garcês que, em parceria com o Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (GICAV) e o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), se preparava para produzir.
Uma notícia que faz todo o sentido, atendendo àquilo que, neste momento, verdadeiramente importa: a saúde pública.
A exposição poderá eventualmente - se as condições melhorarem entretanto - inaugurar em Viseu, em Agosto próximo. Mas tudo isto, na situação em que nos encontramos, poderá alterar-se, como é evidente.
Voltaremos a este assunto logo que haja mais novidades.


7.ª MOSTRA DO CLUBE TEX PORTUGAL ADIADA PARA OUTUBRO
Pelas mesmas e óbvias razões, a 7.ª Mostra do Clube Tex Portugal, prevista para o próximo mês de Abril, foi adiada para 3 e 4 de Outubro, mantendo-se, para já, as anunciadas e aguardadas presenças dos desenhadores Laura Zuccheri e Roberto Diso.
Uma notícia que, apesar de tudo, agradará aos fãs do Ranger uma vez que todo o programa previsto se manterá.
Esperemos que, até Outubro, as coisas se componham e possamos ter mais uma histórica Mostra do Clube Tex Portugal no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia.
Mais informação poderá ser consultada no blogue português do Tex.


FALECEU ANDRÉ CHÉRET...
O desenhador André Chéret faleceu no passado dia 5 de Março, aos 82 anos.
Nascido em Paris, em 1937, Chéret ficou célebre por ter criado Rahan, junto com o argumentista Róger Lécureux (1925-1999), na revista "Pif Gadget". 
Chéret desenhou esta série durante quarenta e cinco anos!
Publicou (em parceria com vários argumentistas) aventuras de outros personagens como Dominó, Michel Braseiro ou Bob Mallard mas com nenhum deles suplantou o sucesso obtido com Rahan.
Colaborou em revistas como "Valiant", "Tintin" e "Spirou", entre outras.
Foi premiado, em 1976, com o Grand Prix de Dessin do Festival de Ângouleme.


...E ALBERT UDERZO...
Uderzo desenhando Astérix, ao lado de Goscinny
Poucas horas depois de termos colocado on line estas "Breves" surgiu-nos outra triste notícia: a do falecimento de Albert Uderzo, co-criador de Astérix, em parceria com René Goscinny (1926-1977).
Astérix colocou Uderzo no panteão dos grandes autores de BD mas a sua carreira não se esgota aí. Desenhou magistralmente outros personagens de renome como Humpá-Pá, João Pistolão, Luc Junior ou Tanguy e Laverdure.
Após a morte de Goscinny, Uderzo continuou a produzir, a solo, as aventuras do pequeno gaulês, embora sem o mesmo sucesso que os argumentos de Goscinny conferiam à série.
Em 2011 retirou-se definitivamente deixando Astérix entregue a Jean-Yves Ferry e Didier Conrad que souberam (e muito bem) continuar a série, sem a desvirtuar.
Aos 92 anos, Uderzo (1927-2020) faleceu hoje, 24 de Março, durante o sono, vítima de ataque cardíaco.
Que descanse em paz.




ANIVER​SÁRIOS EM ABRIL



​Dia 01 - Philippe Fenec (francês)
​Dia 03 - Daniel Ceppi (suiço)
​Dia 05 - Carlos Pessoa
​Dia 08 - António Gomes de Almeida e Sérgio Macedo (brasileiro)
​Dia 09 - Sebastian Cáceres (argentino)
Dia 10 - Véte
Dia 14 - Nelson Martins
​Dia 15 - Miguel Angel Alejo (espanhol)
Dia 18 - Victor Mesquita
​Dia 30 - Jakob Klemenciz (esloveno)

LB/CR

quinta-feira, 19 de março de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (194)

ZÉ DO TELHADO - ​Edição Calçada das Letras. Autor: Eugénio Silva.
Aí está, finalmente, o tão desejado e esperado "Zé do Telhado, de Lanceiro a Salteador"!...
Foi, por diversas e desnorteantes circunstâncias, um "parto" difícil e arrastado… O impecável autor levou largo tempo para terminar esta obra, pois volta não volta, esmorecia e quase desistia dela. Não lhe faltaram insistentes incentivos de minha parte (LB), para além de colegas seus, como o argumentista Jorge Magalhães e os desenhistas José Antunes, Artur Correia, Baptista Mendes, Vassalo de Miranda, João Amaral...
Lá terminou, mas após isso, não acertava nas negociações com várias editoras…
Por fim, belo milagre surgiu com a editora Calçada das Letras…

Eugénio tem vivido e sofrido injustas situações que atentam amargamente contra o seu talento, e aí está agora com uma bem merecida vitória.
Sabemos que Eugénio Silva é um esmerado artista e muito exigente, a começar por ele próprio, em relação ​às suas criações. Ele aposta em si próprio, investiga ao máximo tudo e mais tudo…
​Maravilhoso e raro exemplar na sua (e nossa) 9.ª Arte, Eugénio, estamos contigo!
​Um caloroso aplauso a Eugénio Silva, à corajosa editora Calçada das Letras e ainda, ao sensato apoio que foi por aqui prestado, pela Câmara Municipal de Penafiel.
Alegrem-se pois, bedéfilos portugueses, que a tão almejada obra aí existe!...




UN HOMME QUI PASSE - ​Edição Dupuis. Autores: Daniel Lapière (argumento) ​e na arte. Dany (alias, Daniel Henrotin).
​Que obra tão maravilhosa, seja qual for a interpretação que se lhe dê, pois, como diz o povo, "cada cabeça sua "sentença"...
De Daniel Lapière, ​já conhecíamos alguns argumentos ​de alto valor… em parceria com outros valorosos desenhistas. Aqui e agora, apostou-se em alta força.
Quanto a Dany, o assunto fia agora mais fino e mais grandioso. Ele, volta n​ão volta, surpreende-nos com a ​sua arte tão cativante. Na sua bibliografia, constam ​alguns títulos, alguns infelizmente não editados em ​português, como a belíssima série "Olivier Rameau" (apenas editada na revista Tintin).
​Agora, cilindra-nos com este belo tomo único, "Un ​Homme Qui Passe". Bravo!
​Um homem maduro, pintor e somador de aventuras ​sexuais, Paul, e uma jovem, Kristen, "conhecem-se" ​sob uma terrível e assustadora tempestade, nas ​perigosas margens de uma ilha da Bretanha (França).
​É um encontro fabuloso em que, de certo modo, ambos tentam explicar-se e justificar os seus actos… Um ​encanto de argumento de Lapière, muito bem ​marcado pela arte de Dany. Tudo numa atmosfera bem ​dramática, quase violenta.
​Conselho: a ler sem perda de tempo em francês, ou talvez em necessária edição portuguesa.


COMANCHE, INTEGRAL/3 - ​Edição Ala dos Livros. Autores: Greg (1931-1999) no ​argumento, e arte de Hermann.
​Esta novel editora-BD nacional tem força e atenção ​bem apostada. Bem-haja!
​Desta vez, comemorando os 50 anos da vigorosa ​série "Comanche", a editora apostou com toda a ​consciência e galhardia, em reeditar integralmente em ​três tomos, a dita cuja série. Deste terceiro e último ​tomo (com alguns episódios inéditos), constam: "E o ​Diabo Gritou de Alegria", "O Corpo de Algernon ​Brown", "O Prisioneiro", "Lembra-te, Kentucky…", ​"O Palomino" e duas histórias em prancha única: ​"Falta de Respeito" e "Casamento Cor-de-Rosa".
​E mais: a ideia ultra positiva de reproduzirem estas narrativas de Hermann no fascinante preto-e-branco, ​donde o melhor e válido sistema de se apreciar ​devidamente o traço do desenhista, sem as fantasias ​ofuscantes de hollywoodescas cores…
​Sinceros e emotivos parabéns à Ala dos Livros!


​​​O NASCIMENTO DOS DEUSES - ​Edição Gradiva. Sob orientação do historiador Luc ​Ferry, tem guião de Clotilde Bruneau, arte de Dim D., ​Federico Santagati e Scarlett Smulkowski, capa de ​Fred Vignaux e tradução de Maria de Fátima Carmo.
​Devia ser por este tomo, mesmo no original em francês, ​que esta magnífica série devia ter começado, pois é ​a Origem. Não foi assim em França nem em Portugal, o ​que não implica que qualquer um não saiba, com o ​tempo, ordenar os tomos na sua estante…
​Muitas vezes, desde a nossa apardalada infância, que ​se aprendia que "no princípio era o Verbo" na linguagem judaico-cristã, mas lá se foi corrigindo esta tonteria para ​"no princípio era o Caos"... Pois, pois!... As prepotências religiosas, praticamente todas, coincidem de um modo ​mais ou menos fantasista e conveniente num determinado ​plano…
​Por este pertinente tomo da série "A Sabedoria dos Mitos", ou seja, "O Nascimento dos Deuses", a narrativa apaixonante ​vai do Caos até à tomada do poder no lendário Monte ​Olimpo, de Zeus (ainda relativamente jovem), como deus ​dos deuses…

Uma pergunta intrigante se impõe: se no ​princípio era o Caos, quem criou esse dito cujo Caos?!...
LB

sábado, 14 de março de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (193)

LA GRANDE SOUCHE - ​Edição Glénat. Autores: argumento de Sylvain Runberg, arte de Marcial Toledano e um texto de alerta, como se fosse um prólogo ou prefácio, de Fiona Bennet. É o primeiro tomo da série "Dominants".
Assustador quanto basta! Uma obra de ficção-científica, num futuro muitíssimo próximo, no decorrer deste 2020, cuja realidade feroz e desnorteante está a acontecer mundialmente com esse fatal exterminador do "Coronavírus"!...
No álbum (e série), o flagelo é outro, mas com os mesmos efeitos que a todos desnorteia: políticos, cientistas, os povos em geral. Tudo provocado por uma sinistra e medonha invasão extraterrestre, de certo modo imbatível, com a Humanidade em vias de extermínio.
​Mas será que a máxima ameaça para os humanos não é a própria Humanidade?
​É conveniente ler com atenção esta obra, e meditar ​com fria lucidez, a proposta da narrativa, mesmo que ​o vírus esteja simbolicamente representado por ​extraterrestres. Acautelem-se!


OS CINCO E A PASSAGEM SECRETA - ​Edição Oficina do Livro. Autores: Nataël (guião), ​Béja (traço) e Élodie K. Salinas (cores), segundo o ​romance original de Enid Blyton. Tradução de ​Ana Lourenço.
​Uma obra terna, mais especificamente dirigida aos adolescentes, onde o mistério, a aventura e a coragem levam os quatro jovens e o fiel e astuto cão a descobrir uma passagem secreta no solar onde estão de castigo (pois tiveram más notas escolares, excepto o cão Tim, claro).
E nesta temerária curiosidade, vão acabar por desmascarar dois safados "cavalheiros" que programavam tramar a família dos jovens.


ANDRÓMEDA - ​Edição A Seita. Autor: Zé Burnay.
Num belíssimo preto-e-branco, "Andrómeda ou O Longo Caminho Para Casa" maravilha-nos em pleno. Glória a este espantoso desenhista e argumentista nacional!
Aparentemente, a obra é confusa, seguindo um tanto à distância o mito de Andrómeda. Como se indica no álbum, todo o enredo tanto se pode localizar num tempo após o Apocalipse, como localizar-se também numa bem perdida Antiguidade.
E por aqui se combinam "mitos, lendas, terror, simbolismos e uma sofredora aventura" de um nómada, só e perdido, que apenas deseja voltar para casa, e que se angustia, sem atinar com o que lhe reserva o destino.
No entanto, o mito de Andrómeda tem tido diversas versões como as de Eurípedes, ​Pseudo-Apolodoro e Higino…
​Toda esta narrativa que, anteriormente, já foi editada ​por terras inglesas, foi por alguém considerada como ​uma obra-prima. Estamos totalmente de acordo!
LB

terça-feira, 10 de março de 2020

AS HISTÓRIAS QUE RESIDEM NA GAVETA (20) por José Ruy

Este é o último artigo de uma série que se alongou, em que tenho vindo a contar as peripécias que envolvem as histórias projetadas, algumas bastante adiantadas na sua execução, e que nunca chegaram, até agora, à «estampa».
Mas nesse limbo onde estacionam esses projetos, por vezes durante bastante tempo, lembro o livro «A Ilha do Futuro», que esteve durante seis anos nessa situação, e de repente foi publicada por dois editores, em 2004.
A história que deixei para o fim, também a última a ser guardada na «gaveta», tem uma curiosidade, embora negativa, por ser inusitado o motivo que a levou a ficar durante três anos nessa situação.
Em 2016, numa das minhas deslocações pelo país, a Festivais e eventos ligados a esta arte, fui abordado por uma Entidade para fazer em Quadrinhos a história dessa região. Precisava de ficar pronto em 2017, por se comemorar nessa altura uma efeméride.
Falei de imediato com o editor, que aceitou publicar, comprometendo-se essa Entidade em adquirir exemplares para as bibliotecas da zona.
O editor forneceu esses dados e ficou à espera de resposta.
Comecei a criar um argumento, introduzindo um pouco de ficção à História, tornando mais aliciante a leitura. De resto, como sempre faço.
Em quatro meses fiz a planificação, e forneci esboços de umas páginas, para mostrar o aspecto dos Quadrinhos, embora rudimentares.

A narrativa começa no século XV, com uma cena passada debaixo de chuva intensa, quando acontece um acidente na estrada.
Claro, que é o começo de uma narrativa cheia de ação, descrevendo a vida de pessoas reais e importantes para o país. 
A Entidade gostou do que apresentei, e delegou em alguém a tarefa de me acompanhar no decorrer do trabalho, como é hábito acontecer em iniciativas deste género. Há sempre um consultor histórico que verifica o que apresento, e com quem entro em diálogo nesse sentido. 
Agradeço sempre no próprio livro, essas ajudas. 
Mas essa pessoa nunca respondeu ao que eu ia enviando, nem deu andamento ao processo. Com esse silêncio, fiquei manietado, a ver o tempo escoar-se.
Avisei as pessoas que me haviam convidado, e dei-lhes conta do inóspito. Disseram que iam ver, mas o facto é que nada conseguiram. Fiquei a pensar tratar-se de alguém a nível muito superior à tal Entidade máxima, mas não cheguei a perceber o que se passava, pois nem uma única resposta me era dada.
A certa altura decidi enviar uma última missiva, dizendo que se não obtivesse resposta dentro de uma semana, considerava o acordo quebrado, mostrando assim que o entusiasmo com que me tinham feito o desafio, tinha esfriado, ou fora boicotado, o que tudo leva a crer.
Como, mais uma vez, não obtive qualquer resposta, enfiei a história na gaveta e não pensei mais nisso.
Passados três anos, a mesma Entidade voltou a desafiar-me.
Possivelmente, a misteriosa personagem que atirou o projeto para o cesto dos papéis, ou de outro lixo não classificado, já não estaria ativo, e agora sim, estariam reunidas as condições para avançar.
Eu acredito nas pessoas e na sua honestidade, por isso aceitei, mais uma vez, esta tarefa. Mas ainda não foi desta.
Pelo que me parece, esse ser «invisível», mas com bastante força virulenta, atacou de novo, e o silêncio caiu, mais uma vez, sobre o assunto. O que me espanta é quem parece ser a Entidade máxima, de repente é manietado por algum subalterno. Mas é o que temos. Felizmente que não são todos assim.
Como é compreensível, não divulgo nomes, pelo respeito que dedico às pessoas que demonstram tanto carinho pelo meu trabalho.
Fica aqui demonstrado que estou sempre aberto a desafios deste género, e que, mesmo com os tropeções sofridos, posso admitir recomeçar.
Porque a vida continua, e quem faz destas maquinações são seres desprezíveis, que não têm coragem de dizer «não gosto», «não estou de acordo». Escondem-se na inércia, atrás do biombo, demonstrando o maior desprezo pelo próximo.
Mas agradeço do coração todo o apoio que as tais Entidades máximas me têm dado, e que não podem ultrapassar o «querer» de quem tem, aparentemente, mais força.

Agradeço ao BDBDBlogue a oportunidade de apresentar estes desabafos, e a paciência de quem me lê aqui, e nos livros que vou fazendo.


Forte abraço
José Ruy

sexta-feira, 6 de março de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (192)

LES FRÈRES ENNEMIS - Edição Glénat. Autores: Clotilde Bruneau no argumento, Pierre Taranzano (traço), Stambeco (cores) e capa de Fred Vignaux. Primeiro tomo (de três) da narrativa "Gilgamesh", da colecção-série "La Sagesse des Mythes", sob atenta e histórica orientação de Luc Ferry. Parece-nos, contudo, que o título deste tomo, "Les Frères Ennemis" (Os Irmãos Inimigos) é errado/ou falso… Mas, vamos com calma!
Desta vez, nesta magnífica série através da Mitologia (até agora, a Grega), há um intervalo e viajamos até à Mitologia da lendária Suméria. Ao que vai constando, foi na "fossilizada" Suméria que nasceu o alfabeto que hoje, no geral, usamos...
O deslumbrante livro "A Epopeia de Gilgamesh" (quem terá sido o autor?!…), é considerado como o primeiro romance escrito (em sumério ou acádio). Esta apaixonante e misteriosa obra terá mesmo influenciado e/ou inspirado, desde esses tempos, a Mitologia Grega e "A Bíblia"... Ser calhar, até foi...
A vida épica de Gilgamesh, tanto está na pressuposta "prosa", como nos poemas alusivos e nos registos lendários de tradição oral. Mistérios da história da Himanidade "culta"!
Este herói, histórico-lendário, foi rei e guerreiro e também, um cruel déspota, considerado como um semi-deus. Teve uma furiosa luta com Enkidu, de início considerado seu rival, mas cedo tornado seu irmão e/ou seu amigo íntimo... São
ambiguidades intensas!...

Gilgamesh sofreu e desesperou-se tanto com a morte de Enkidu, como depois aconteceu com Aquiles e a morte de Prátoclo e, mais tarde, com Alexandre (o Grande) com a morte de Heféstion...
Um fio terrível e condutor: porquê a vida, se não há a imortalidade? Porquê a inevitável morte?!....
Por esta cativante e discutível série, por este tema, após mais bem aguardados dois tomos, saberemos qual é a versão de mestre Luc Ferry.




MR. TUFIS IN BUCHAREST - ​É um mini-álbum, em versão inglesa, "The Misadventures of Mr. Tufis in Bucharest", da autoria e bom senso de humor, de Ionut Popescu (nosso antigo e admirado amigo romeno). Estranhamente, esta publicação não indica o editor!...
No entanto, a arte e as ironias de Popescu estão lá.
​É um conjunto de episódios, baseados quase todos na vivência do emigrante holandês Michael Busch (dito, "Tufis") em Bucareste. Bem divertido!
Recordamos que Ionut Popescu, foi o primeiro desenhista romeno a ser editado em português: em 1994 e em 1996, respectivamente, no "Almada-BD Fanzine", edições do extinto GBS - Grupo Bedéfilo Sobredense.




LE RÈGNE DES BORGIA / 1 - ​Edição Glénat. Autores: argumento de Simona Mogavino, ​arte de Alessio Lapo e dossiê final der Bernard Lecomte. É ​o primeiro tomo do diptico "Alexandre VI", da sértie "Un ​Pape Dans l'Histoire"
​O catalão Rodrigo Borgia foi o terrível e escabroso Papa Alexandre VI. Quase nada cristão (nem coisa que o valha!), foi guloso por dinheiro e sexo e todo o tipo de excessos prazeres, orientando todos os sinistros crimes, só para se manter no seu trono papal.
O Vaticano, é certo, cedo virou as costas aos vitais ensinamentos de João Baptista e de Jesus Cristo e, salvo raríssimas excepções, foi sempre uma ​ávida e ​desbragada volúpia de luxúria e de um despachar para ​o outro lado da Vida quem espirrase num sentido oposto.
​Em relação a Portugal, teve um gesto simpático ante a querela entre o rei espanhol Fernando II de Aragão e o rei português D. João II, aceitando as exigências do nosso monarca para a firmação do Tratado de Tordesilhas (a 7 de Julho de 1494). Talvez, como catalão que era, não "fosse muito à bola", tal como os portugueses, às venenosas veleidades imperialistas do Reino de Castela. Terá sido isso?!…
Rodrigo Bórgia (ou Alexandre VI, Papa) teve várias amantes, era fogoso inimigo do italiano Giuliano Della Rovere (futuro papa "terrível", Julio II) e foi pai de quatro filhos "oficiais": César, Juan, Lucrécia e Geofre. Das outras diversas paixonetas, terá tido prováveis, mais quatro descendentes... Isto, de castidade pelas igrejas cristãs (sobretudo a Católica Romana), é só a aviar em conspurcada fantasia.
Aguardemos o seguinte tomo, segundo e último desta breve e corajosa ​série.




OS CINCO E A ILHA DO TESOURO - ​Edição Oficina do Livro. Autores: argumento de Nataël e arte de Béja - pai e filho, de nacionalidade francesa - seguindo a obra da famosíssima escritora inglesa Enyd Blyton (1897- 1968).
Da sua obra imensa, que escreveu educativamente, agora em português pela BD, a mais do que célebre série "Os Cinco". Enyd Blyton foi incansável e imparável a escrever. Teve até, pela sua obra e pela sua escrita, o ideal de sempre proteger e defender as crianças e os animais.
Neste primeiro tomo de uma série que bem promete, ficamo-nos por aqui, no nosso sincero aplauso à devida editora.

LB

segunda-feira, 2 de março de 2020

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (45) - MIGUELANXO PRADO (Espanha)

Miguelanxo Prado
Justificadamente notável nos três países ibéricos (Espanha, Portugal e Andorra), também tem sido publicado, pelo menos, em França e nos Estados Unidos da América do Norte.
Este tão admirável galego, Miguelanxo Prado, nasceu (e aí reside) em La Coruña, a 16 de Julho de 1958.
Cursou Arquitectura, escreveu romances e aplicou-se na Pintura, antes de abraçar em pleno a Banda Desenhada.
Também tem estado bem activo com o Cinema de Animação...
Quase sem tempo para "respirar", deslocou-se a um Festival-BD no Porto e marcou presença várias vezes no Festival da Amadora, não conseguindo vir à Sobreda, para onde chegou a ser convidado. Este ano, marcará presença no Festival de Beja...

Sua fenomenal obra, devia estar editada em português com as devidas e justas sequências cronológicas, mas não est​á!
​Miguelanxo Prado, há muitos anos, estreou-se num fanzine local, o "Xofre"; em 1995, em colaboração com o argumentista Éric Sarner, ilustrou para uma certa ​colecção, "Une Lettre Trouvée à Lisbonne " (Uma Carta ​Encontrada em Lisboa).
A sua interminável "loucura" ​criativa mergulha pela pela crítica sócio-politica, o ​infantil, a ficção-científica, o erótico, o humor, o ​insólito, etc.
​Alguns relevantes títulos de algumas obras (às vezes ​com argumentistas em parceria):

"Traço de Giz"...

"Miguel Montano"...

"Crónicas Incongruentes"...

"Pedro e o Lobo"...

"Ardalén"...

"Não Há Justiça!"...

"Stratus"...
 

"C'Est du Sport!"...

​"Crónicas Absurdas"...

"Chienne de Vie"...

"Demain les Dauphins"...

"Presas Fáceis"...

...e o mais recente, "O Pacto da Letargia". Que venha o nosso (dos bedéfilos portugueses) com ​ele, em Beja, pelo dia 30 de Maio.

​Até lá, caro Miguelanxo, um pleno abraço e um sincero "Viva a Galiza!".

​LB
Auto-retrato de Miguelanxo Prado, com o seu gato Bóris