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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (209)

L'ESCLAVE DE KHORSABAD - ​Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin: argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Démarez e cores de Jean-Jacques Chagnaud. É o décimo primeiro tomo da extraordinária série "Alix Senator", ainda inédita em Portugal.
Para desanuviar a sua constante tristeza pela morte de dois entes queridos, o filho de Enak e Lídia, a sua paixão, Alix volta ao Médio Oriente... Um regresso ao seu distante passado na Assíria, melhor ainda, à velha cidade de Khorsabad, fundada por Sargão II, onde chegou a ser um jovem escravo. Tem um fito: recuperar a espada de seu pai, que aí morreu na batalha de Carrhes.
Porém, este seu "turismo" sai-lhe caro: é aprisionado pelo ganancioso rei dos Partos, os actuais donos da região. Em novo cativeiro, encontra dois jovens companheiros/cúmplices: o belicoso assírio Monasés (que se parece com Enak quando jovem) e a sacerdotisa egípcia Tefnut...
Esta narrativa terá conclusão no próximo tomo, "Le Disque de Osiris".


VALHARDI, L'INTÉGRALE 6 - ​Edição Dupuis. Autores: são vários nos textos biográficos e/ou nos argumentos. Pela arte gráfica, o belga René Follet, nascido em Bruxelas a 10 de Abril de 1931 e falecido neste tão amargo 2020, a 14 de Março.
Este tomo 6 é o derradeiro de toda a bela e tão entusiasmante série "Valhardi", que foi desenhada por Jijé, por Eddy Paape e, por fim, por René Follet.
Este tomo final é bem fundamental para quem é admirador deste herói-série, pois inclui as narrativas: "Le Dossier X", "Le Naufrageur Aux Yeux Vides" e "Un Gosse à Abattre". Para além disso, há um dossiê histórico de abertura e, ainda, a biografia de René Follet e a sinopse de "Le Huitième Indice" (que, parece, nunca foi desenhada).
Jean Valhardi será sempre um respeitável e admirável herói-BD, na bela linha clássica, para um qualquer bedéfilo que se preze. Para quando toda esta série em português?...



CHURCHILL -2 - ​Edição Gradiva. Autores: textos de Vincent Delmas, François Kersandy e Christophe Regnault, arte de Alessio Cammardella, cor de Alessia Nocera e tradução de Maria de Fátima Carmo.
É a conclusão do díptico biográfico versando, mais ou menos, a vida e o empenho político de Winston Churchill.
Altamente notável pela salvação de uma Europa em angustiante crise, num dos seus inflamados discursos, terá dito: "Se Hitler invadisse o Inferno, eu apoiaria o Diabo!".
Neste segundo tomo, a obra termina com a fantástica aclamação do povo inglês ao seu líder. Tudo bem, mas falta o resto da sua vida daí para diante, donde, por exemplo, os doze dias que ele viveu na nossa ilha da Madeira (1950), no Funchal e em Câmara de Lobos. Para esta ilha, ele e a família, foram convidados de um hotel de luxo local. Aproveitou esses doze dias para se entregar a uma das suas paixões: a Pintura. Mas, claro, sempre cultivou a sua ternura pelos animais, sobretudo, os gatos.


ODISSEIA - ​Edição Levoir/RTP. Autores: segundo o clássico do grego Homero, tem adaptação e argumento de Christophe Lemoine (francês) e arte de Miguel Lalor Imbiriba (brasileiro) e, um dossiê final e explicativo por Gilles Thierriat e tradução pelo nosso prezado correlegionário Pedro Cleto.
Ninguém reparou (ou tal não quis), mas o herói desta invejável obra clássica, "A Odisseia", que já figurava em "A Ilíada", é aqui usado com o nome que os Romanos lhe deram... O admirável e tão heróico como sofrido rei da Ítaca, de seu nome autêntico e original, é Odisseus e daqui, a "Odisseia". Tal como "A Iliada" vem da cidade de Ílion (Tróia) e, posteriormente, "A Eneida" deriva do escapado Eneias...
Investiguem, meus amigos, investiguem!...
LB

domingo, 22 de novembro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (208)

A ORIGEM DAS ESPÉCIES - Edição Gradiva. Autores: argumento de Christian Clot, traço de Fabio Bono, cores de Dimitri Fogolin e tradução de Maria de Fátima Carmo. É o tomo final do díptico "Darwin", versando a vida e obra do inglês Charles Darwin. 
Sempre ansioso e irrequieto, este cientista quis descobrir "a vida na Terra"... 
Nasceu a 12 de Fevereiro de 1809 e faleceu a 19 de Abril de 1882.
Sem negar Deus (da teoria da Criatividade, segundo as doutrinas apáticas judaico-cristãs e até islâmicas), definiu-se como agnóstico.
Embarcou como investigador no navio "Beagles". Seria por pouco tempo, mas a viagem durou cinco anos, com algumas querelas com o comandante Robert FitzRoy, que era um fundamentalista bíblico.
Com várias obras publicadas, a sua obra-prima é, precisamente, "A Origem das Espécies". Um livro que sacudiu uma infinidade de gente que andou sempre entorpecida com vagas e fantasiosas teorias religiosas.
Criativiade ou Evolucionismo?!... Que diria hoje este cientista se assistisse na TV a certos programas como "Cosmos" ou "A Vida na Terra"? Claro que tudo isto tem muito que se lhe diga... pois os adeptos da Criatividade "divina", esses todos, continuam como fósseis vivos. Que aberração!


MARILYN MONROE - Edição Dupuis. Autores: argumento de Bernard Swysen, traço de Christian Paty, cores de Christian Lerolle e prefácio de Mylène Demongeot. É um tomo da colecção "Les Étoiles de l'Histoire", depois de "Charlie Chaplin" e de "Brigitte Bardot".
No que toca a actrizes símbolos sexuais, a América do Norte, a França e a Itália, foram pródigas. Referente aos Estados Unidos ("Unidos"... onde?!...), há notáveis exemplos (Mae West, Jane Russell, etc.), mas como cereja no topo do bolo está, incontestavelmente, essa maravilha de Hollywood que se chama Marilyn Monroe.
Não foi só a sua beleza e o seu escultural e invejável corpo que a marcaram. Também foi uma firme actriz e para isso é bem conveniente conhecer-se a sua filmografia.
No entanto, Marilyn não teve uma vida feliz, longe disso. Nasceu a 1 de Junho de 1926, em Los Angeles, e foi encontrada morta, também em Los Angeles, a 5 de Agosto de 1962... Como e porquê: suicídio? abuso de barbitúricos? ou assassínio canalha por razões políticas?!... Tantas versões narram a sua prematura e inesperada morte...
Casou três vezes, matrimónios que acabaram em amigáveis divórcios: James Dougherty, Joe DiMaggio e Arthur Miller.
Entretanto, foi usufruindo das suas opções sexuais em "casos" de ocasião e de amizade, como com Frank Sinatra, Yves Montand e, talvez também, com Marlon Brando. Mas os mais "misteriosos" são apontados pelo seu envolvimento apaixonado com os irmãos John F. Kennedy e Robert F. Kennedy. Terá sido este (sem confirmação segura) que, em cumplicidade com o seu cunhado, o actor Peter Lawford (que Marilyn denuncia como um homossexual "raivoso") quem executou ou fez executar o seu provável e infame assassínio. Foi ou não foi?
A filmografia de Marilyn Monroe é grande e deslumbrante. Recorde-se alguns desses clássicos triunfos: "Niagara", "Os Homens Preferem as Loiras", "O Pecado Mora ao Lado", "Paragem de Autocarro", "Vamo-nos Amar", "O Príncipe e a Corista", "Quanto Mais Quente Melhor" e por aí adiante.
A Banda Desenhada jamais a esqueceu e, como tal, fizemos referência a 8 de Janeiro de 2018 na rubrica do BDBD, "De Actores a Heróis de Papel" (Ora toca lá a recordar!...). 
Os talentosos desenhistas italianos Gianni De Lucca e Sergio Toppi ou o polaco Kas, entre mutos outros, bem a registaram na 9.ª Arte. E agora, para entusiasmo dos bedéfilos, temos a versão com a arte e o humor do francês Christian Paty. 
Muito bem!


CHURCHILL / 1 - Editora Gradiva. Autores: texto de Vincent Delmas, guião de Christophe Regnault, traço de Alessio Cammardella, cor de Alessia Nocera e tradução de Maria de Fátima Carmo. E ainda, um post-facium por François Kersandy.
Aqui se narram os primeiros tempos de Wiston Leonard Spencer-Churchill, filho de um nobre inglês e de uma dama da alta roda norte-americana, que nasceu a 30 de Novembro de 1874, falecendo a 24 de Janeiro de 1965. 
Nunca foi, propriamente, muito apegado aos pais, mas admirava-os e estimava-os. Seu familiar mais próximo, quiçá cúmplice, era seu irmão Jack. Ambos amavam quem melhor os educou, a senhora Elizabeth Everest.
Ligado ao Partido Consevador, dado que seu pai era por aí deputado, procurou seguir o seu exemplo e ir mais longe: chegar a primeiro-ministro de Inglaterra. E foi isso por duas vezes, sempre enfrentando uma corajosa "odisseia" em guerras, atrevimentos, intrigas políticas... 
Por uns breves tempos, abandonou o "seu" Partido Conservador e passou-se para o Liberal (da oposição), mas depois regressou ao que já pertencera.
Político, escritor, nulidade em aprender Latim, óptimo em cavalgar e na esgrima, pintor de alta classe, historiador, registou-se para sempre como um dos grandes vultos da História do século XX, sendo no entanto, tão amado como odiado.
E nesta controvérsia de opiniões, há que se lhe "tirar o chapéu". Humanista, não lhe faltaram decisões desagradáveis: não aboliu a pena de morte e permitiu certos actos abomináveis, como a execução de anarquistas letões (encerrados num casebre que foi incendiado) ou as torturas diversas e assassínios aplicados aos independentistas do Quénia... Ninguém é perfeito!
Na África do Sul, esteve prisioneiro dos bóeres, de cuja prisão se conseguiu evadir e refugiar-se em Moçambique (então território português). Esta narrativa foi ignorante, ou terá algo contra o nosso País, pois não regista o território luso que o apoiou e o protegeu!... Menosprezo a Portugal?...


SOBRE AS NOSSAS RUÍNAS - Edição Asa. Autor: Philippe Jarbinet. Este é o oitavo tomo da série "Airbone 44", conclusão do díptico iniciado no volume anterior.
A Segunda Grande Guerra está no seu estertor, com imensas tragédias e provocando infindáveis amarguras (como qualquer guerra).
Os jovens heróis do tomo precedente, salvam-se, menos a brava "Solveig", que é ferida mortalmente....
Os anos passaram e, em 1991, dois deles mais o destemido "Henzel", agora com noventa e nove anos, escavam um certo lugar na Alemanha de Leste...
E é então que um estranho e terno final acontece.
LB

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (206)

O RAIO "U" - Edição Asa. Autor: Edgar-Pierre Jacobs.
O saudoso belga Edgar-Pierre Jacobs (1904-1987), praticamente, só é conhecido pela sua empolgante série das aventuras de "Blake e Mortimer"... No entanto, como desenhista e àparte as suas colaborações com Hergé, tem outras obras de apreciável peso. Nestas, o famoso tomo único "O Raio U", publicado na Bélgica em 1943. Foi editado em diversos idiomas e até, em Portugal, com várias edições que sempre se foram esgotando. Aí está agora, corajosamente reeditado.
Antes de "Blake e Mortimer", para "O Raio U", Jacobs ter-se-á inspirado ou influenciado pelas narrativas de "Flash Gordon", factor que é notório nesta obra, o que não deixa de dar aquele toque de maravilha, sobretudo para quem é tenaz admirador das criações deste autor.


LA RANÇON - Edição Casterman. Autores, segundo a série "Lefranc" criada por Jacques Martin: argumento de Roger Seiter, traço de Régric e cores de Bruno Wesel.
Anos 50 do século passado... A acção localiza-se em França, na África do Sul, mais alguns breves momentos em Nova Iorque. Muita cobiça, diversas correntes políticas em confronto e várias outras situações amargas a entusiasmar o leitor. A entusiasmar e a fazer pensar.
Curioso: o personagem José Tavares, um mulato natural de Angola (então ainda colónia portuguesa), num brilhante e honesto apoio ao seu patrão Geert Van Dijck (que é contra a política racista sul-africana) e a Guy Lefranc, que pela força das circunstâncias e do enredo se desloca a este país africano.
"La Rançon" (O Resgate) é um dos melhores álbuns desta série, quase nada editada em português...


BRIGITTE BARDOT - Edição Dupuis. Autores: argumento de Bernard Swysen, traço de Christian Paty, cores de Sophie David, com apresentação de Ginette Vincendeau e um terno prefácio por Mylène Demongeot.
Note-se que Mylène também foi popular estrela de Cinema, mas foi-se afastando paulatinamente da carreira e empenhou-se pelos caminhos editoriais da Banda Desenhada.
Brigitte Anne-Marie Bardot nasceu em Paris a 28 de Setembro de 1934. Começou como cantora e modelo até chegar ao Cinema, com breve passagem pelo Teatro. Foi um estonteante símbolo sexual nos anos 50 e 60, donde apenas uma rival, a norte-americana Marilyn Monroe.
Brigitte Bardot, popularmente conhecida como BB, além de adiante do "seu tempo", e sendo bela e muito sensual, foi também uma actriz com garra, tendo vivido as mais diversas personagens em filmes, como "As Grandes Manobras", "E Deus Criou a Mulher", "Vagabundos ao Luar", "A Mulher e o Fantoche", "Babette Vai à Guerra", "Vida Privada", "O Desprezo", "Viva Maria", "Histórias Extraordinárias", "As Rainhas do Petróleo", etc.
Pelos anos 70, retirou-se da carreira para ser uma destemida defensora dos animais (criou a Fondation Brigitte Bardot) e corajosa activista política, sobretudo contra os perigos da islamização da sua amada França. Sofreu vários processos, mas não pára nem se cala.
Casou quatro vezes: Roger Vadim, Jacques Charrier (donde o único filho, com quem não se relaciona), Günter Sachs e o actual, Bernard D'Ormale. Chegou a ser apelidada de "devoradora de homens", o que ela nunca negou, afirmando mesmo que gostava de homens bonitos.
E registam-se nesta lista, os casos que teve, como Jean-Louis Trintignant, Warren Beatty, Gilbert Bécaud, Sacha Distel, Samy Frey, Bob Zagury, etc, tendo também tido algumas aventuras lésbicas, que ela própria confessa.
Mesmo assim, desabafou (escreveu): "A minha Fundação é o fim e o triunfo da minha vida. Eu dei a minha juventude e a minha beleza aos homens, agora dou a minha experiência e o melhor de mim mesma aos animais". 
Há muitos anos que se tornou vegetariana.
Este álbum biográfico, com alguns temperos de humor, é, sem dúvida, um álbum de leitura obrigatória.
Bravo Éditions Dupuis! Bravo Brigitte Bardot!



O REI MIDAS - Edição Gradiva. Obra: "As Desventuras do Rei Midas". Autores: segundo o orientador/historiador Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, traço de Stefano Garau, côr de Ruby, capa de Fred Vignaux e tradução de Maria de Fátima Carmo.
Quem tudo quer, tudo perde!... Eis um ditado amargo que, ao fim e ao cabo, sempre acaba por acontecer... É isso: os ditadores, os ricaços, os facínora, etc, também são ou serão castigados.
Nesta narrativa, culturalmente mergulhada na Mitologia Grega, conta-se o drama do ambicioso Midas, rei da Frígia. Ele fez um gesto humano, salvando Sileno, um enviado do Olimpo. E este, grato, oferece-lhe um prémio, a pedido de Midas: tudo o que o rei tocasse, logo se transformaria em oiro. Mas será que alguém come e bebe oiro?!...
Apavorado com o seu poder, o rei suplica ao deus Apolo que o livre de tal dom. O deus acede, mas as orelhas de Midas transformaram-se para sempre em orelhas de burro.
LB

quinta-feira, 19 de março de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (194)

ZÉ DO TELHADO - ​Edição Calçada das Letras. Autor: Eugénio Silva.
Aí está, finalmente, o tão desejado e esperado "Zé do Telhado, de Lanceiro a Salteador"!...
Foi, por diversas e desnorteantes circunstâncias, um "parto" difícil e arrastado… O impecável autor levou largo tempo para terminar esta obra, pois volta não volta, esmorecia e quase desistia dela. Não lhe faltaram insistentes incentivos de minha parte (LB), para além de colegas seus, como o argumentista Jorge Magalhães e os desenhistas José Antunes, Artur Correia, Baptista Mendes, Vassalo de Miranda, João Amaral...
Lá terminou, mas após isso, não acertava nas negociações com várias editoras…
Por fim, belo milagre surgiu com a editora Calçada das Letras…

Eugénio tem vivido e sofrido injustas situações que atentam amargamente contra o seu talento, e aí está agora com uma bem merecida vitória.
Sabemos que Eugénio Silva é um esmerado artista e muito exigente, a começar por ele próprio, em relação ​às suas criações. Ele aposta em si próprio, investiga ao máximo tudo e mais tudo…
​Maravilhoso e raro exemplar na sua (e nossa) 9.ª Arte, Eugénio, estamos contigo!
​Um caloroso aplauso a Eugénio Silva, à corajosa editora Calçada das Letras e ainda, ao sensato apoio que foi por aqui prestado, pela Câmara Municipal de Penafiel.
Alegrem-se pois, bedéfilos portugueses, que a tão almejada obra aí existe!...




UN HOMME QUI PASSE - ​Edição Dupuis. Autores: Daniel Lapière (argumento) ​e na arte. Dany (alias, Daniel Henrotin).
​Que obra tão maravilhosa, seja qual for a interpretação que se lhe dê, pois, como diz o povo, "cada cabeça sua "sentença"...
De Daniel Lapière, ​já conhecíamos alguns argumentos ​de alto valor… em parceria com outros valorosos desenhistas. Aqui e agora, apostou-se em alta força.
Quanto a Dany, o assunto fia agora mais fino e mais grandioso. Ele, volta n​ão volta, surpreende-nos com a ​sua arte tão cativante. Na sua bibliografia, constam ​alguns títulos, alguns infelizmente não editados em ​português, como a belíssima série "Olivier Rameau" (apenas editada na revista Tintin).
​Agora, cilindra-nos com este belo tomo único, "Un ​Homme Qui Passe". Bravo!
​Um homem maduro, pintor e somador de aventuras ​sexuais, Paul, e uma jovem, Kristen, "conhecem-se" ​sob uma terrível e assustadora tempestade, nas ​perigosas margens de uma ilha da Bretanha (França).
​É um encontro fabuloso em que, de certo modo, ambos tentam explicar-se e justificar os seus actos… Um ​encanto de argumento de Lapière, muito bem ​marcado pela arte de Dany. Tudo numa atmosfera bem ​dramática, quase violenta.
​Conselho: a ler sem perda de tempo em francês, ou talvez em necessária edição portuguesa.


COMANCHE, INTEGRAL/3 - ​Edição Ala dos Livros. Autores: Greg (1931-1999) no ​argumento, e arte de Hermann.
​Esta novel editora-BD nacional tem força e atenção ​bem apostada. Bem-haja!
​Desta vez, comemorando os 50 anos da vigorosa ​série "Comanche", a editora apostou com toda a ​consciência e galhardia, em reeditar integralmente em ​três tomos, a dita cuja série. Deste terceiro e último ​tomo (com alguns episódios inéditos), constam: "E o ​Diabo Gritou de Alegria", "O Corpo de Algernon ​Brown", "O Prisioneiro", "Lembra-te, Kentucky…", ​"O Palomino" e duas histórias em prancha única: ​"Falta de Respeito" e "Casamento Cor-de-Rosa".
​E mais: a ideia ultra positiva de reproduzirem estas narrativas de Hermann no fascinante preto-e-branco, ​donde o melhor e válido sistema de se apreciar ​devidamente o traço do desenhista, sem as fantasias ​ofuscantes de hollywoodescas cores…
​Sinceros e emotivos parabéns à Ala dos Livros!


​​​O NASCIMENTO DOS DEUSES - ​Edição Gradiva. Sob orientação do historiador Luc ​Ferry, tem guião de Clotilde Bruneau, arte de Dim D., ​Federico Santagati e Scarlett Smulkowski, capa de ​Fred Vignaux e tradução de Maria de Fátima Carmo.
​Devia ser por este tomo, mesmo no original em francês, ​que esta magnífica série devia ter começado, pois é ​a Origem. Não foi assim em França nem em Portugal, o ​que não implica que qualquer um não saiba, com o ​tempo, ordenar os tomos na sua estante…
​Muitas vezes, desde a nossa apardalada infância, que ​se aprendia que "no princípio era o Verbo" na linguagem judaico-cristã, mas lá se foi corrigindo esta tonteria para ​"no princípio era o Caos"... Pois, pois!... As prepotências religiosas, praticamente todas, coincidem de um modo ​mais ou menos fantasista e conveniente num determinado ​plano…
​Por este pertinente tomo da série "A Sabedoria dos Mitos", ou seja, "O Nascimento dos Deuses", a narrativa apaixonante ​vai do Caos até à tomada do poder no lendário Monte ​Olimpo, de Zeus (ainda relativamente jovem), como deus ​dos deuses…

Uma pergunta intrigante se impõe: se no ​princípio era o Caos, quem criou esse dito cujo Caos?!...
LB

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (185)

A VOZ DOS DEUSES - ​Edição Arcádia. Autor: segundo o romance homónimo de João Aguiar, tem arte e argumento (coadjuvado por Rui Carlos Cunha) de João Amaral.
Estão todos de parabéns o João Amaral, o Rui Cunha e a editora Arcádia (do grupo Babel), por esta belíssima publicação. Era e é, a tão esperada reedição, agora ​numa bela apresentação e num louvável preto-e-branco.
​A primeira edição, em 1994 pela Asa, se bem que ​esgotada, era a cores... assustadoras. Agora sim, tem ​toda a merecida força.
​Brilhantemente, teve apresentação pela escritora Alice ​Vieira, que aqui tem também calorosa ovação, no ​Festival Amadora BD/2019, a 2 de Novembro.
​Vogando pelos heroicos feitos do mais célebre dos ​Lusitanos viriatos, do qual nunca se soube o verdadeiro ​nome, talvez por isso e com toda a lógica interpretativa ​de Amaral, nunca se vê o rosto do herói.
​Muito se tem escrito e feito sobre aquele que, para ​facilitar, denominamos como Viriato, como os nossos ​escritores Teófilo Braga, Luna de Oliveira e Aquilino ​Ribeiro, onde são romanticamente fantasistas. No ​entanto, há dois escritores-investigadores espanhóis, ​que foram mais concretos e, quiçá, mais apelativos: Maurício Pastor Muñoz com "Viriato" (ed. Esfera dos Livros) e Fernando Barrejon com "O Colar dos Deuses" (edição Ésquilo/2004), onde "descobre" o verdadeiro nome de Viriato...
Agora, leitores bedéfilos, tenham o bom senso e o bom gosto de ler e acarinhar este álbum que - este sim - está mesmo vaticinado a esgotar.



LES DOUZE TRAVAUX - ​Edição Glénat. Autores, segundo a série-colecção ​"La Sagesse des Mythes", concebida e escrita por ​Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, traço de Carlos Rafael Duarte, cores de Ruby e capa ​de Fred Vignaux.
​Na belíssima e impecável caminhada editorial, que felizmente já está a ser publicada em português pela Gradiva, este "Les Douze Travaux", é o segundo tomo da trilogia "Héracles".
Héracles (Hércules em romano e em português), é um herói imenso que enfrentou doze "trabalhos" que lhe seriam fatais (qualquer deles). Mas ele era filho, se bem que bastardo, do supremo Zeus...



LA BÊTE - Edição Dupuis. Autor: Hermann.
O "terrível" belga Hermann (aliás, Hermann Huppen) é uma tremenda força viva na BD Europeia. 
Conhecemos bem o quase total da ​sua variada obra, nem sempre devidamente ​acarinhada e publicada em português… No entanto, ​Hermann, gosta imenso de Portugal, que já visitou ​em diversas circunstâncias.
​Em vários temas, trabalha com seu filho (Yves) como argumentista. Não é o caso da impecável e "feroz" ​série "Jeremiah", onde é um intocável autor total, ​goste-se ou não. Mas que é impecável na 9.ª Arte ​Europeia, lá isso é!...
​"La Bête", é o 37.º tomo desta "agressiva" série que ​a todos importa conhecer. Desunhem-se, bedéflos!


RIJO COMO GRANITO -Edição Escorpião Azul. Autor: Rafael Sales.
​Há muito que se aguardava a continuação das ​aventuras do herói, o Beirão. Pois aqui está o ​segundo tomo, "Rijo Como Granito", lançado no ​"Amadora BD/2019".
​Nesta aventura, plena de mistérios, medos e ​simpáticas loucuras, Rafael Sales, entusiasma-nos ​por todo o enredo (mas não só), através de situações ​surreais, onde um enigmático "Sr. Eusébio" vive ​isolado, mas sempre atento, nos arredores de uma ​aldeia beirã…
​Contudo, quando há alguma crise, ele veste-se e ​actua bravamente como o herói "Beirão", e faz das ​suas.
​Jovem e talentoso vintão, Rafael Sales, natural e ​residente em Penalva do Castelo, tem dado várias ​e positivas provas do seu talento. Há que compensá-lo ​com justiça e lucidez, com o nosso total apoio!

LB

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (184)

CHAPLIN -Edição Dupuis. Autores: argumento de Bernard Swysen ​e arte de Bruno Bazile. E prefácio (emocionante) do cineasta Claude Lelouch.
​Um álbum, bem especial, que relata a vida e obra do genial Charles Chaplin (homónimo de seu pai), conhecido em Portugal e nos países francófonos (por exemplo) como "Charlot". Esta biografia em Banda Desenhada é extraordinária, revelando aspectos inéditos da vida do pluri-artista gigantesco que ele foi. Magnífico!
Filho de Hannah e Charles Chaplin, Charles (Charlie) Sidney Chaplin, nasceu em Londres a 16 de Abril de 1889, havendo já da parte de seus progenitores, um outro filho, Sydney. O pai, normalmente sempre ébrio e artista medíocre, duvidava que um destes dois rebentos fosse dele!... A mãe, garantia que sim… Hannah cantava num cabaré e cedo veio a perder a voz, o que complicou mais a vida doméstica.
Foi depois, uma saga de amarguras, onde a grande força residia na estima fraterna de Sydney e Charles. Sobreviviam, mais a mãe sempre doente e que veio a perder o tino, num mundo de aflições e pobreza.
Ainda garoto, ele terá dito: "Detesto a escola! A História é só violência, a Geografia apenas mapas, a Poesia é uma ginástica para a memória e a ​Aritmética é enjoativa..."

O Destino leva Charles a ingressar ​no Teatro. Um dia, na Companhia onde estava, parte para ​os Estados Unidos… Nessa viagem, trava amizade com o ​colega Stan Laurel (o futuro e famoso "Estica"). Depois, ​tudo vai funcionando, com alegrias e triunfos, mas também ​com marcantes amarguras.
​Charles (Charlie) Chaplin acaba por se firmar e afirmar, e cada vez mais, pelo futuro adiante, como um diverso e ​genial artista. Foi, inclusive, perseguido pela política ​fascistóide de um tal McCarthy norte-americano. Dos seus ​diversos amores, só foi verdadeiramente feliz e até ao ​fim da vida, com Oona O'Neil.
Vivendo vários anos na ​Suíça, ali faleceu no Dia de Natal, a 25 de Dezembro ​de 1977.
​Fez e continuará a fazer rir (e a puxar também a uma certa lágrima) pelos seus filmes eternos.
Foi agraciado com o  ​título de "Sir" em 1975, pela rainha de Inglaterra (Elizabeth II), e apesar ​de banido no "país" norte-americano, em 1972, recebeu o ​famoso "Oscar" pela sua carreira.
No final deste justo e belo álbum, está toda a cronológica filmografia de Chaplin (com especiais fotos intercaladas).
Esta é uma obra-BD tão preciosa como útil ​a ​qualquer um. Topam onde quero chegar?... É obrigatório ler ​esta obra-BD!
​Acréscimos de mera rotina conveniente: o nosso José Ruy também ​forjou em BD a biografia de "Charlot", que após publicar em revistas, ​teve esta sua "A Vida Maravilhosa de Charlie Chaplin", editada em ​álbum em 1988, pela Editorial Notícias. Outro pertinente exemplo: o ​saudoso belga François Craenhals, em 1953, criou uma "curta" (em ​quatro pranchas, mais capa), editada na célebre revista "Tintin"...
Estas e outras versões podem ser consultadas no post que lhe dedicámos, aqui no BDBD. 
​Viva Charles (Charlie-Charlot) Chaplin!


A FILHA DE VERCINGETORIX - ​Edição Asa. Autores: segundo René Goscinny e ​Albert Uderzo, tem argumento de Jean-Yves ​Ferry, traço de Didier Conrad e cores de Thierry Mébarki. A tradução para a edição portuguesa é de ​Maria José Pereira e Paula Caetano.
​A feitura deste 38.º álbum da série "Astérix" muito ​deve ter divertido os seus responsáveis, tanto como ​nos diverte a nós, leitores.
Em "A Filha de Vercingétorix" ​há uma certa reviravolta no tradicional desenrolar dos ​enredos… Adrenalina é uma pressuposta filha do ​grande e bravo líder gaulês Vercingétorix. Júlio César ​quer capturá-la para a "romanizar" mas ela, escoltada ​por uns outros fiéis gauleses (que falam com um ​bizarro sotaque, assim a modos que o mesmo idioma, ​mas tipo "o português" e "o galego"), é entregue ​à protecção da famosa aldeia irredutível que todos conhecemos. O tema cedo salta para o confronto de gerações e é um ver se te avias na balbúrdia de acertadas ironias que se vão desenrolando.
​Adrenalina é rebelde, corajosa e frontal. Enfrenta tudo e todos e o seu ego de "nariz arrebitado" a todos confunde. Seus mais directos parceiros são dois adolescentes da aldeia, o Blinix e o seu irmão mais petiz, Surimix, e o ​Selfix. Astérix, Obélix e o cachorrito Ideiafix, são quase secundários… De resto, Adrenalina, pensa escapar-se para bem longe desse mundo "antigo, estagnado e ​acabado"... Escapa-se dos Romanos (que, volta não ​volta, levam uns bons sopapos da parte de quem ​sabemos), enfrenta um certo gaulês (bruto e espião ​de César) e, pela sua firmeza, quase "domestica" os ​sempre infelizes piratas…
Ilesa de "todos os perigos", ​apaixona-se por um ecologista bretão, um tal Letitbix ​(nome inspirado na canção "Let It Be" dos Beatles), e ​ambos navegando e abordando pelas mais diversas ​geografias, adoptando crianças desvalidas pelo caminho ​(tipo gesto de Josephine Baker ou do breve casal Angeline ​Jolie/ Brad Pitt)...
​Indica-se, numa certa conveniência de "marketing, que é a obra da série onde uma figura feminina se demarca. É ​uma meia-verdade apenas, pois há pelo menos três ​mulheres que são frequentes: Bonemine (a "primeira dama" ​da famosa aldeia), a boazona da Sra. Agecanomix e a bela ​Falbala (por quem Obélix chegou a estar apaixonado) que ​veio a casar com Tragicomix. Outros personagens ​femininos existem na série, mas são, na verdade, de menor ​relevo.
​Um belo e conveniente álbum, com múltiplas alusões, da série que todos amamos, mesmo aqueles de fígados amargos… Bravo!


HOMO INVENTOR - ​Edição Escorpião Azul. Autor: Lança Guerreiro.
​Finalmente, o primeiro álbum da autoria de António ​Lança Guerreiro!... Já não era sem tempo! Em "formato italiano", o "Homo Inventor, Quando o ​Homem se Pôs a Inventar", agradou-nos plenamente.
​Com a ironia característica de Lança Guerreiro, narra as aventuras de uma família troglodita (um casal e três filhos, mais o avô que tudo confunde, sobretudo com os ursos) e que, ante situações drásticas, vai inventando o progresso: a pesca, a roda, a aplicação do fogo, o vestuário, a jangada para navegar, o domar dos cavalos, os primórdios da medicina, etc.
Para além de divertir, o álbum tem também uma positiva linha didáctica, em especial para os mais novos.
Este álbum foi lançado no Festival "Amadora-BD/2019".
​Parabéns, Lança Guerreiro!

LB

quarta-feira, 10 de julho de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (173)

VALHARDI, L'INTÉGRALE 5 - ​Edição Dupuis. Na abertura deste grande e grato ​tomo integral, consta um dossiê de apresentação ​por Jérôme Dupuis. Seguem-se cinco entusiasmantes ​e agitadas aventuras de Jean Valhardi, as últimas cinco ​que Jijé desenhou, havendo a participação de Philip ​(filho de Jijé) no argumento das duas primeiras, e de Guy Mouminoux, no traços das três últimas.
​São elas: "Le Secret de Neptune", "Rendez-vous sur le Yukon" e depois, marcando uma mudança na linha ​das aventuras ​de Valhardi, "Le Retour de Valhardi", ​"Le Grand Rush" e "Le Duel des Idoles".
​No final deste volume, constam ainda as biografias de Joseph Gillain (dito, Jijé), de Philip Gillain e de Guy Mouminoux.
​Estão de parabéns os imensos valhardinófilos! E, ​sobretudo para os colecionadores, este magestoso ​volume é rigorosamente obrigatório, pois é pecado ​ignorá-lo.
​As nossas calorosas felicitações às Editions Dupuis!




OS SEGREDOS DE LOULÉ - ​Edição Câmara Municipal de Loulé. Autores: argumento ​de João Miguel Lameiras e João Ramalho-Santos, grafismo ​de André Caetano e cores de Joana Almeida.
​Uma muito interessante e pedagógica história do Concelho de Loulé, com a curiosa particularidade que começa no futuro, regressando até às suas raízes. Um modo bem original de contar a História…
​Este álbum foi apresentado e lançado no Festival da Amadora-2018 e não se encontra à venda nas livrarias. Dá sinal de vida nos festivais BD, como foi agora o caso no de Beja.

Os interessados deverão contactar com a ​Câmara Municipal de Loulé.



O FAROL / O JOGO LÚGUBRE - ​Edição Levoir-Público. Autor: Paco Roca.
​Nesta extraordinária edição, juntam-se duas ​belas e de certo modo, perturbantes, narrativas ​que, originalmente, em Espanha e em França, ​foram publicadas em tomos separados. São dois ​temas diferentes, porém apaixonantes.
​Paco Roca é espanhol, da região de Valência, e ​tem obra diversa publicada em Espanha, França, ​Estados Unidos e Portugal. Contamos, muito em ​breve, trazê-lo aqui, para o nosso espaço "Talentos ​da Nossa Europa". Pacientemos…


TANGERINA - ​Edição Escorpião Azul. Autora: Rita Alfaiate.
​Este é o terceiro livro desta jovem lisboeta, publicado ​por esta editora.
​Uma história com mistério, sonho, poesia e ternura. Uma bonita obra para os adultos e para os mais novos.
​Rita Alfaiate já é uma grata promessa da 9.ª Arte Portuguesa.
LB

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (161)

LES AMPHORES DE POMPEI - Edição Glénat. Autores: Corbeyran (argumento) e Alexis Robin (traço).
Da série “Vinifera” este é o primeiro tomo de uma colecção-BD que se propõe relatar e registar a História do Vinho por este nosso mundo.
Segundo o argumento romanceado neste álbum, os vinhedos no sopé do assustador vulcão Vesúvio (Nápoles), eram os de mais qualidade por toda a antiga Itália (Império Romano). Amores e invejosas intrigas aquecem todo este enredo, que termina com as trágicas consequências de uma das mais furiosas e impiedosas erupções do implacável Vesúvio.
O álbum encerra com o dossiê “La Grande Histoire de la Vigne et du Vin”, pelo jornalista e historiador Antoine Lebègue.



SUR LES TRACES DE L’ÉPERVIER BLEU - Edição Dupuis. Autores: Sirius, F. Walthéry e Cerise, aqui se unem pelo delirante 27.º tomo da sempre apreciada série “Natacha”.
A bela, corajosa e sedutora A/B - Assistente de Bordo (em português, chamar-se “Hospedeira” às funcionárias desta profissão, é um insulto!...) Natacha e o seu eterno colega C/B - Comissário de Bordo Walter, tão heróico como trapalhão, lá se envolvem numa doida e exótica aventura.
Muito perigo, muita coragem, muita risota e muitos aplausos de nossa parte.
Viva Natacha! Viva Walter!



O VALE DOS IMORTAIS - Edição Asa. Autores: segundo o saudoso Edgar-Pierre Jacobs, agora o argumento é de Yves Sente e a arte dos holandeses Teun Berserik e Peter Van Dongen.
Este episódio, “Ameaça Sobre Hong Kong”, não se fica por aqui, pois terminará no próximo e segundo tomo, “O Milésimo Braço do Mekong”.
Neste episódio, voltamos atrás nas aventuras de Blake e Mortimer, quase logo a seguir à primeira, “O Segredo do Espadão”. Faltava esta peculiar ligação...
Yves Sente agarra bem o tema, mas o nosso aplauso vai para a parceria holandesa, Berserik e Van Dongen, que dão muito bem conta do recado, não traindo o traço de Jacobs. Bravo!


VANIKORO - Edição Daniel Maghen. Autor: Patrick Prugne.
É uma obra única, maravilhosa e dramática, narrando com saber (no texto) e garra artística (no grafismo), a história e lenda de uns heróicos e sofredores franceses por terras ignotas...
A ler, para mais se saber!... Pois o álbum, de certo modo, é também épico.
LB

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (159)

LA CITÉ DES POISONS - Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin: argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Démarez e cores de Jean-Jacques Chagnaud. É o oitavo tomo da série “Alix Senator”...
Ainda em dolorosa angústia pela morte de Khephren, o filho de Enak, mas educado por Alix, este é enviado pelo imperador Augusto, em missão diplomática até à cidade de Petra, a “cidade dos venenos”...
Alix, seu filho Titus, Enak e o centurião Quintus, vão-se maravilhar com a beleza desta famosa cidade (hoje no território do reino da Jordânia) e com a sua faustosa corte. Faustosa, mas plena de sinistras ambições políticas com acções nada recomendáveis...
Em Petra, capital do Reino Nabateu, o monarca Obodas, está decadente e é ultrapassado na governação pelo seu cínico ministro Syllayos (que pensa destroná-lo), com a cumplicidade de seu filho intriguista, Alexandre. No entanto, a rainha Hagirú, apoiada pelo seu amante Rabbel, também conspira assanhadamente... E há punhais e venenos a serem usados, com usos e abusos, para os objectivos de uns e de outros...


CRAPULE / 2 - Edição Dupuis. Autor: Jean-Luc Deglin.
O primeiro tomo desta série, “Crapule”, foi êxito tamanho que o autor se dedicou a um novo álbum. E muito bem!...
Pois o “Crápula” (que nome injusto e horroroso para um encantador felino!...), é um gatinho preto, ainda menor, que como qualquer criança, é dado a brincadeiras e traquinices. Claro que há situações exasperantes... mas logo surge a compreensão e a ternura dos donos, neste caso, de uma jovem dona.
Ele, o gatito, porém, não tolera que - neste caso, um homem -, se envolva com a sua exclusiva dona. A ciumeira logo funciona... Daí, no entanto, ele não é, de modo algum, “uma verdadeira catástrofe sobre patas”...
Dizem certas lendas populares que “gato preto em casa protege o marinheiro no mar”, que se pode traduzir que ter um gato preto em casa, ele lá tem os seus poderes mentais, de proteger o dono quando ele está fora... Será? E por que não?
De resto, os gatos pretos são extremamente meigos; tal como os siameses, em outro exemplo, são destemidos zeladores do dono e do seu lar, pois perante um estranho, não rosnam como um buldogue, pois atacam logo.
Ah, gatos maravilhosos!


MACAU - Edição Asa. Autores: argumento de Philippe Graton e Denis Lapière e arte de Benjamin Benéteau.
Em nova fase (ou ciclo), prosseguem as aventuras/desafios do desportista automobilístico Michel Vaillant, criação original de Jean Graton (pai de Philippe).
É a segunda aventura de Michel Vaillant, no cenário do antigo território português de Macau. Numa primeira fase/ciclo, existe o álbum “Encontro em Macau”, ainda com a arte de Jean Graton.
A família e a empresa Vaillant estão em péssima situação económica e de sentimentos-emoções, sobretudo devido às canalhices de um tal Ethan Dasz, que ambiciona liquidar completamente tudo o que diz respeito à família Vaillant, ainda e também a sobreviver à dor do falecimento de Jean-Pierre (irmão de Michel).
De França para Macau (agora com bandeira própria da sua autonomia), é aqui que Michel Vaillant tudo fará e conseguirá, para levantar e unir o nome e a honra da família e dos seus negócios... Em paralelo, neste tomo, Steve Warson, amigo de Michel, é eleito senador democrático no estado do Texas...
Neste álbum, há técnicas marcantes e modernas aplicadas (fotografia, computador, etc.), que se aceitam razoavelmente. Por exemplo: a arquitectura de aspectos de Macau... tudo bem. Porém, a fisionomia dos personagens principais e habituais, não convence.
Há desenhistas que prosseguem outras séries e mantêm o devido “retrato” dos personagens originais com uma quase total perfeição, mas este é um dos tais casos em que tal não acontece... Que pena!
Que o “velho” Jean Graton perdoe os seus continuadores!...



DÉDALE ET ICARE - Edição Glénat. Autores, segundo orientação historiográfica de Luc Ferry: Clotilde Bruneau (argumento), Giulia Pellegrini (traço e guião), cores  de Chiara Zeppegno e capa de Fred Vignaux.
“Dédale et Icare” (Dédalo e Ícaro) é um dos mais recentes tomos da belíssima e tão didáctica série “La Sagesse des Myhthes”.
Quem estudou ou estuda História certamente estará a par desta lenda que envolve o rei Midas de Creta, o famoso e astuto inventor Dédalo e o seu filho Ícaro... Por aqui também, o famoso labirinto idealizado e construído por Dédalo (a pedido de Midas), onde é encerrado o terrível e voraz Minotauro, finalmente morto pelo príncipe Teseu (filho do rei Egeu) com o auxílio secreto da sua apaixonada Ariana (filha de Midas)... Dédalo e seu filho Ìcaro, cai em desgraça, e são encerrados no labirinto em questão, sem possibilidades de escape e condenados a morrer à fome e à sede....
Nesse sufoco, Dédalo, espicaçado pelo filho, inventa uma fuga pelo espaço: com asas de penas de aves coladas com cera, forçando as “asas” e assim se escapando...
No entanto, Dédalo, havia  avisado o filho para não se aproximar do sol (pois o calor derreteria a cera colante das penas) nem do mar (pois o sal dissolveria a mesma cera). Ícaro, juvenil e inconscientemente entusiasta, não seguiu nem cumpriu os conselhos do pai e teve o fim trágico que consta na lenda.
LB

terça-feira, 13 de novembro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (158)

ET PUIS MERDE - Edição Dupuis. Autor: Hermann.
“Et  Puis Merde” é o 36.º álbum da série “Jeremiah”.
Jeremiah e o seu constante companheiro Kurdy, escapam de um pavoroso incêndio que consome o hotel onde estavam, incluindo as suas preciosas motas que ficam totalmente “grelhadas”. E não faltam convencidos e mal intencionados que os perseguem. Em fuga, os dois amigos vão parar a uma propriedade  privada que esconde um terrível mistério. O quê ou quem?...
Neste ambiente, diremos que o enredo deriva, a seu modo, para um certo clima do insólito.
Estranho e belo álbum, a ler!


ISLANDIA - Edição Soleil. Autores: Jean-Luc Istin (argumento), Zivorad Radivojevic (traço) e Eber Evangelista (cores).
É o primeiro tomo da série de ficção-científica, “Conquêtes”.
Uma vigorosa e espectacular aventura, onde o traço de Radivojevic e a côr de Evangelista, até certo ponto, nos lembram a magnífica arte do espanhol Vicente Segrelles...
De resto, toda esta obra nos cativa através do seu estranho e enigmático desenrolar, com momentos de grande beleza.
Série a acompanhar com o merecido entusiasmo.


L’ÂGE D’OR / 1 - Edição Dupuis. Autores: argumento de Roxanne Moreil e arte de Cyril Pedrosa.
O admirável Cyril Pedrosa e a sua actual companheira Roxanne Moreil, projectaram uma obra de peso (que terá um segundo tomo), “L’Âge d’Or”.
Uma espantosa viagem cheia de encantos, intrigas, coragens e medos, que em primeira ideia, se passa na Idade Média e ao sabor dos contos infantis. Mas não é bem assim...
Como desabafou Pedrosa numa recente entrevista: “Na Idade Média, a ordem feudal parecia inabalável. Sabe-se como acabou”.
Bravo, Roxanne e Cyril!


UM COWBOY EM PARIS - Edição Asa. Autores, segundo Morris: argumento de Jul e arte de Achdé.
“Um Cowboy em Paris” é uma divertida paródia à... Liberdade, servindo-se da famosa estátua (que a França ofereceu aos Estados Unidos da América do Norte), que se encontra num ilhéu frente a Nova Iorque. O ilhéu que agora tem o nome de Ilha da Liberdade, foi anteriormente chamado de Ilha Bedloe. Por esta situação, na famosa peça “Liberdade, Liberdade!”, o saudoso actor brasileiro Paulo Autran, cita que afinal, a “Liberdade” nunca penetrou nos Estados Unidos, pois ficou-se por esse ilhéu...
Neste tomo, a grande diversão está no encontro e comparações de franceses e norte-americanos. Os famigerados irmãos Dalton surgem, mais ou menos, só no princípio. De resto tudo conta com Lucky Luke e o seu cavalo Joly Jumper. Entre outros, há três personagens reais: Frédéric Auguste Bartholdi e Gustave Eiffel, que idealizaram e construíram a estátua de “Lady Liberty”, e o escritor Victor Hugo.
De través, pelas viagens de barco de ida-e-volta pelo Atlântico, acontecem os impagáveis momentos do valente Lucky Luke enjoando “a todo o vapor”...
LB