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domingo, 21 de junho de 2020

CAPAS (3) - JOSÉ MANUEL SOARES

José Manuel Soares (1932-2017)
Como já por aqui indicámos, e assim o faremos, as ​"Capas" que apresentamos (para gáudio dos ​coleccionadores), não são as totais de cada autor ​mas, talvez e apenas, algumas das mais marcantes de ​cada um. E muitos dos desenhistas que aqui ​irão desfilar (incluindo ocasionais estrangeiros), têm ​narrativas publicadas que jamais tiveram capa ​alusiva. Estranhos caprichos!
​Hoje, em boa memória, trazemos aqui o sempre recordado José Manuel Soares, nascido em S.Teotónio (Baixo Alentejo) a 7 de Setembro de 1932 e falecido na Costa da Caparica
(Concelho de Almada) a 31 de Dezembro de 2017.

Foi acima de tudo um magnífico pintor, em deslumbrante rivalidade com o seu colega, o saudoso Carlos Alberto Santos.
Fez outras capas, belas, mas não só para a 9.ª Arte...
Estreou-se no mundo da Banda Desenhada em 1950, elaborando a capa para a revista "Diabrete" no exemplar duplo 780/781, alusiva ao Natal desse ano. E por aqui, ficou viciado pela Banda Desenhada!...
Muitas obras suas pela 9.ª Arte, por estranhas razões, não tiveram a glória de merecer capa… Mas elas fixaram-se na BD, na Pintura, em revistas anedóticas, em livros infantis, em álbuns, etc.
​Registamos um especial e admirável exemplo: a capa do álbum ​"A Ala dos Namorados" (Antologia da BD Portuguesa, n.º 15), é a ​reprodução (por sua vontade) de um dos seus mais espectaculares ​quadros (Pintura), focando a nossa honrosa vitória na ​Batalha de Aljubarrota a 14 de Agosto de 1385.
​Pela BD, José Manuel Soares, foi homenageado ao vivo nos Salões ​da Sobreda (1986), de Moura (1993) e de Lisboa, pelo Clube Português de Banda Desenhada (1996). Tão pouco?!…
​Vejamos ou descubramos algumas das suas bonitas capas.

LB

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

FALECEU JOSÉ MANUEL SOARES

José Manuel Soares (1932-2017)
Depois de dezasseis anos num estado quase vegetativo devido a três AVC's sofridos, faleceu, a 31 de Dezembro passado, mestre José Manuel Soares, tão ilustre pintor como autor de vasta obra pela Banda Desenhada.
Residia na Costa da Caparica e era casado com a pintora Ângela Vimonte.
Nasceu em S. Teotónio (concelho de Odemira) a 7 de Setembro de 1932.
Tinha uma galeria com exemplos da sua Pintura, em Leiria.
Foi homenageado pela BD, na Sobreda (1986), em Moura (1993) e, em 1996, no 15.º Festival de Banda Desenhada de Lisboa.
Colaborou para muitas publicações, como “Diabrete”, “Cavaleiro Andante”, “Pimpão”, “Mundo de Aventuras”, “Fagulha”, “Lusitas”, “O Odemirense”, “Cara Alegre”, “Jornal de Almada”, “Diário do Norte”, “Alentejo Popular”, etc.
Capas para a revista "Cara Alegre" (anos 50)
Capa e ilustração de "Os Quatro Cavaleiros Invencíveis",
Colecção Manecas (Edição Romano Torres)
Capas de "Os Fidalgos da Casa Mourisca", Edição Agência Portuguesa de Revistas

Com vastíssima obra pela 9.ª Arte, muito poucos exemplos estão registados e recuperados em álbum, a saber:
Em 1985, pelas Edições Futura, um álbum com as narrativas “A Ala dos Namorados” e “De Angola à Contracosta”, obras publicadas anteriormente na revista "Cavaleiro Andante".
Capa e prancha de "A Ala dos Namorados", por Artur Varatojo (texto) e José Manuel Soares (desenhos),
Colecção Antologia da BD Portuguesa #15, Edições Futura (1985) 

Pranchas de "De Angola à Contra-costa", por José Manuel Soares,
in Cavaleiro Andante #365 a #382.

Em 1990, “Luís Vaz de Camões”, com edição da Câmara Municipal de Odemira.
Capa e prancha de "Luis Vaz de Camões", por Raul Costa (texto) e
José Manuel Soares (desenhos), Edição Câmara Municipal de Odemira (1990)

E, em 2000, pelo Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS), o n.º 15 de “Cadernos Sobreda-BD”, com as narrativas “O Morcego de Veludo” e “Rasto de Fogo”.
 
Capa e prancha de "O Morcego de Veludo", in "Cadernos Sobreda BD" #15
Edição Grupo Bedéfilo Sobredense (2000)
Pranchas de "Rasto de Fogo", por Raúl Cosme (texto) e José Manuel Soares (desenhos)
in "Cadernos Sobreda BD" #15, Edição Grupo Bedéfilo Sobredense (2000)

Alguns outros títulos da sua arte como desenhista: “Zeca”, “O Filho do Leão”, “Giácomo, o Indesejável”, “O Ferido do Bosque”, “Zona Perigosa”, “O Palácio de Cristal”, etc.
 
Capa e pranchas de "Zeca", por Raul Oliveira Cosme (texto) e José Manuel Soares (desenhos),
in "Mundo de Aventuras" #392 a #403 (1957)

De entre outros, desenhou argumentos de Artur Varatojo e de Raúl Cosme.
Pela sua Pintura, foi digna e diversas vezes premiado.
José Manuel Soares pintando no seu ateliê.
Expôs exemplos da sua banda desenhada na Sobreda, Moura, Lisboa, Viseu e Leiria.
José Manuel Soares no salão Moura BD 93, onde foi o Convidado de Honra
Em Agosto de 2014, foi inaugurado em Pinhel o Museu José Manuel Soares, no primeiro andar da Casa da Cultura (antigo Paço Episcopal, edifício datado do Séc. XVIII). Uma justíssima homenagem à memória e à obra do artista, onde se pode apreciar a sua Pintura e a sua Banda Desenhada.
Inauguração do Museu José Manuel Soares, em Pinhel, em Agosto de 2014
Que mestre José Manuel Soares esteja agora na devida paz eterna.
À viúva, Ângela Vimonte, o BDBD apresenta as mais sinceras condolências.
LB/CR

terça-feira, 12 de julho de 2016

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (11) - "O MAGRIÇO"

Álvaro Gonçalves Coutinho, já no seu tempo conhecido pela afável e popular alcunha de “O Magriço”, é um herói nosso, tanto histórico como lendário, filho de Viseu (distrito), tendo nascido em Penedono em 1383, onde faleceu em 1445.
Mas vamos por partes:
Na Era Medieval, os romances de cavalaria apaixonaram quase todos os países da Europa, e os seus “escritores” influenciaram-se uns aos outros, o que é natural. Pois, tal como a autora-encenadora Luzia Maria Martins citou pela fala de um personagem da sua tão admirável peça “Bocage, Ama Sem Mundo”: “O conceito da originalidade é, afinal, uma ilusão de ignorantes”. Topam?...
Pelos romances de cavalaria, bem no topo, estavam as narrativas do inglês Rei Artur e os seus Cavaleiros da Távola Redonda ou as do rei francês Carlos Magno e os seus Doze Pares do Reino... Em Portugal, sabemos bem (quem estudou) das lendas de O Palmeirim de Inglaterra, de Dom Duardos ou do Amadis de Gaula...
Tempos volvidos, vem uma situação que une três obras: “Os Lusíadas”, “A Ala dos Namorados” e “Os Doze de Inglaterra”. E é por estas três obras que figura heroicamente “O Magriço”.
Álvaro Gonçalves Coutinho fazia parte da briosa Ala (posicionada do lado esquerdo) dos Namorados, que se bateu gloriosamente em Aljubarrota. Isto está registado em “Os Lusíadas” de Luiz Vaz de Camões, adaptado à BD pelo talento de José Ruy...

...e, só focando esta heróica refrega, em “A Batalha” por Pedro Massano.

Mas, também pela BD, “A Ala dos Namorados”, foi maravilhosamente adaptada por José Manuel Soares, com guião de Artur Varatojo, segundo a novela homónima de António Campos Júnior.


Passa-se agora, na nossa 9.ª Arte, à fase do famosíssimo episódio histórico-lendário (que Camões também cantou) de “Os Doze de Inglaterra”: para além  de uma prancha de página inteira publicada no “Cavaleiro Andante” n.º 70, sob o traço de Fernando Bento...

...temos a glória exuberantemente maravilhosa de “Os Doze de Inglaterra” por Raúl Correia (texto) e Eduardo Teixeira Coelho (desenho)...

...constando, também, numa prancha de "Os Lusíadas", pela arte do italo-brasileiro Nico Rosso.

Mas este nosso invejável herói, tão corajoso como romântico, não se fica por aqui na nossa Banda Desenhada. Mais quatro desenhistas o trabalharam por esta Arte em questão: Artur Correia na série “Super-Heróis da História de Portugal”, com texto de António Gomes Dalmeida...

Fernando Santos Costa em “As Aventuras do Magriço” (só foi editado até agora o primeiro tomo)...


Baptista Mendes em “História de Trancoso”...

...e o jovem Pedro Emanuel em “O Magriço”.

Na Literatura, existe uma comédia histórica teatral, de Ruy Chianca, editada em 1925.
Tristemente, não consta no nosso Cinema, nenhum filme sobre “O Magriço”!... Mas, em compensação, a selecção nacional, pela sua participação no Mundial-1966 (em Inglaterra) apelidou-se de “Os Magriços”. Valham-nos os chutos na bola para honrar o magnifico “O Magriço”!
LB