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quarta-feira, 16 de junho de 2021

​HERÓIS INESQUECÍVEIS (75) - ​MAJOR ALVEGA


A 7 de Janeiro de 1956, no jornal inglês "Sun", nasceu o famoso Major Alvega, no original, Battler Britton. Seus autores foram o argumentista Mike Butterworth e o desenhista Geoff Campion (1916-1997).
Capa da revista "Sun", onde
Battler Britton se estreou
As suas heroicas e destemidas proezas logo conquistaram o público britânico, mas também os
de França e de Portugal. 
Chegou a ser desenhado por outros artistas, muitos deles de grande renome como Colin Merritt, José Ortiz, Dino Battaglia ou Hugo Pratt.
Em Portugal, o aplaudido tenente-coronel da Força Aérea Britânica, teve as suas aventuras publicadas na segunda fase da revista "O Falcão", de 1961 a 1987. Era dirigida por Gabriel Ferrão, depois por M. Ferreira do Rosário e depois ainda, por Camilo Saraiva.
Mais tarde, foram reeditadas na revista "Selecções BD" (2.ª série) duas das primeiras aventuras deste herói, desenhadas magistralmente pelo britânico Geoff Campion...

Pranchas da primeira aventura do Major Alvega, por Geoff Campion (desenho) e
Mike Butterworth (argumento), in revista "Selecções BD" (2.ª série), (Dezembro de 1998)

...assim como uma outra aventura ("Os Rivais") na Colecção Banda Desenhada, editada pela revista "Visão" em 2016, com desenho de George Stokes.

Capa e pranchas do #1 da Colecção Banda Desenhada, Ed. revista "Visão" (2016),
reprodução da revista "O Falcão" (2.ª série) #577 (17.08.1971)

Entre nós, devido a um repelente capricho da política salazarista, foi crismado com um nome português , como aconteceu com outros heróis-BD estrangeiros. Assim, este, não só desce de tenente-coronel para major, como passa a ser luso-britânico, filho de um ribatejano e de uma inglesa, com o nome de Jaime Eduardo de Cook e Alvega, que até estudou em Coimbra, não se sabendo se cantou serenatas às belas tricanas...


Para glória da situação deste herói entre nós, em 1998/1999, foi criado um muito notável seriado (infelizmente curto) para a Televisão, com produção da Miragem e realização de Henrique Oliveira. Esta série foi também exibida em alguns países europeus.
Os actores principais são: Ricardo Carriço como "Major Alvega", Rosa Bella como "Menina/Fräulein Helga Schmidt" e António Cordeiro (1959-2021) numa brilhante interpretação do histérico e ridículo "Coronel Helmut von Block", com locução narrativa do saudoso Fernando Pessa.
Major Alvega na série televisiva emitida na RTP

António Cordeiro, Ricardo Carriço e Rosa Bella, os principais actores da série

Esta série televisiva, até agora única para a Televisão/Cinema, bem merecia ser editada e estar à venda em DVD, mas... É preciso explicar?
Contentemo-nos em registar o "Major Alvega" em Banda Desenhada, como um herói inesquecível.
LB



Capa e pranchas de "Battler Britton and the Rockets of Revenge", por V.A.L. Holding (texto)
e Hugo Pratt (desenhos), Ed. War Picture Library. Trata-se de uma reedição, em formato maior
do que a edição original, que tem previsto o seu lançamento no próximo dia 24 de Junho!

segunda-feira, 7 de junho de 2021

NOVIDADES EDITORIAIS (218)

BRISA DE MAR - ​Edição: Ala dos Livros. Autor: Hugo Pratt, e um belo e elucidativo prefácio por Jean-Claude Guilbert, que por insistência de Pratt, sempre serviu de modelo para o oficial polaco que é um dos principais da série.
Trata-se do terceiro tomo da empolgante obra "Os Escorpiões do Deserto", série que para nós, ultrapassa a das aventuras do tão popular "Corto Maltese".
Nesta sedutora série tudo é ferozmente escaldante: a zona onde decorre a narrativa, por exemplo, é no quase árido cantinho africano que é hoje a República do Djibuti, com a capital na cidade do mesmo nome. Mas nesse tempo (o da 2.ª Grande Guerra Mundial), também por estas zonas africanas, andavam todos ao "sopapo", olá se andavam: os nativos locais, os italianos, os alemães, os franceses das tendências de Pétain e de De Gaulle, os ingleses, os árabes e... e por aí adiante! Era um ver se te avias e um salve-se quem puder!
Por sua vez, "Brisa de Mar", era o nome de um popular bordel local...
Hugo Pratt passou por aqui, enquanto jovem. Daí o seu impecável registo com fantasia e com realismo nesta admirável série.
Obrigatório ler!


VAZIO - ​Edição Escorpião Azul. Autor: Carlos Páscoa.
O autor é mais um que nos surge da "forja-BD" de Beja. É bem valoroso e chamativo. Todavia, também nos confunde pelo inquietante vazio que nos apresenta. O vazio que nos indica, é árido e sufocante, não sendo uma situação de passagem... É, se bem pensarmos, uma realidade assustadora, quiçá constante.
O que é a multidão tresloucada? O que é estarmos em luta intensa e confusa com a nossa mente?
Parece que, hoje em dia, é bem amargo estar-se vivo!...



OS COVIDIOTAS - ​Edição: Ala dos Livros. Autor: Luís Louro. E um Prefácio de grande e importante leitura, pela Dr.ª Celeste Lopes Gonçalves.
Um álbum muito especial com o aplaudível sarcasmo do Luís Louro, que não necessita apresentações, pois já é, em absoluto, um grande da nossa Banda Desenhada.
Não há hipótese de qualquer tipo de fuga, pois a angústia e a desgraça, sempre nos cativaram para as paródias necessárias... Friso: paródias necessárias!
O nosso tão maltratado planeta Terra, entrou numa aflitiva linha de sobrevivência por causa de uma bizarra e inquietante pandemia (versão Século XXI)... Raio de situação!
Mas ao fim e ao cabo, as pandemias sempre existiram e fizeram 
estragos monumentais sobre a espécie humana que lá foi sobrevivendo até agora, mesmo também ante algumas condenáveis programações executadas pelo próprios humanos: o holocausto nazi, as explosões atómicas em Hiroxima e Nagasáqui, os sucessivos genocídios por aqui ou por ali... Tanta e tanta estonteante porcaria!
Talentosamente e com a sua plena ironia, o Luís Louro, neste álbum delirante, leva-nos a rir contra a amargura do dia-a-dia.
Magnífico e salutar optimismo!!


MESAJUL - ​Edição da Association de Bedephiles de Roumanie, 2021. Autores: argumento de Sandu Alexandru e arte do grande desenhista veterano Puiu Manu.
"Mesajul" ("A Mensagem", em português) é um bonito mini-álbum com uma terna temática pedagógica e ecologista.
Até poderia ter uma válida edição em português... Quem sabe?
LB

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

NOVIDADES EDITORIAIS (207)

OS ESCORPIÕES DO DESERTO / 2 - Edição Ala dos Livros. Autor: Hugo Pratt. Tradução de Paula Caetano.
De modo algum, toda a gente sabe, que a maravilhosa e vasta obra de Hugo Pratt (1927-1995) não se limita à série icónica das aventuras de "Corto Maltese", longe disso. A série "Os Escorpiões do Deserto", é uma das que cedo se tornou muito cativante. Está agora (e muito bem ) a ser reeditada, a preto-e-branco, em preciosos volumes "integrais", pela Ala dos Livros. A não perder!
Este segundo tomo engloba as narrativas "Um Fortim em Dancália" e "Conversa Mundana em Moulhoule". Uma correcta reedição, onde se inserem também esboços referentes (a cores) e textos muito interessantes de Gregory Alegi e de Gabriele Salvatores.
Mais palavras para quê? Há que ler este volume que é um belo desafio a convidar-nos à sua leitura obrigatória.


GERAÇÃO PERDIDA - Edição Asa. Autor: Philippe Jarbinet.
É uma belíssima e dramaticamente realista série de guerra, a "Airborne 44", editada em dípticos, distribuídos por ciclos. "Geração Perdida", no conjunto, é o 7.º tomo.
Mais do que qualquer outro país envolvido na Segunda Grande Guerra, a Alemanha do paranóico Hitler, foi quem mais sacrificou, ​doentiamente, a sua juventude... Alguém, da "velha guarda", se recorda desse belíssimo filme de Bernhard Wicki, "A Ponte/ Die Brücke", realizado em 1959 e que parece estar "esquecido"?... Em Portugal, este amargo e corajoso filme alemão esteve em vias de ser proibido de exibição...
O talentoso e rigoroso belga Jarbinet, nesta série, se empenha nos dramas humanos que as guerras provocam. Devemos reparar melhor neste talento e nas suas denúncias através da BD.
Falaremos em tempo próximo, da conclusão deste díptico.


SAPHARI - Edição Escorpião Azul. Autor: Miguel Angel Martin.
Este autor-BD espanhol, nascido em 1960, é um dos grandes e controversos criadores desta Arte do país vizinho.
Magnificamente inquietante e provocador, tem uma "linguagem" peculiar na sua obra, tanto nos argumentos como no grafismo.
Ele choca-nos e encanta-nos ao mesmo tempo, mas certamente repugnará algumas mentes... Paciência para estas!
"Saphari" (em bom português, "Safari"), sacode-nos em pleno, sem que possamos admitir a negação da sua personalidade, das suas ideias arrojadas e do seu talento.
Em Roma, em 1991, Miguel Angel Martin, foi um dos autores BD que recebeu o tão cobiçado Prémio "Yellow Kid".


OS CINCO VOLTAM À ILHA - Edição Oficina do Livro (grupo Leya). Autores: Béja e Nataël, segundo a popular obra (e série) "Os Cinco" de Enid Blyton. É o terceiro álbum desta série.
Uma narrativa de suave aventura e alguma ternura. Os jovens Júlio, Zé, David e Ana, fartos da arrogância da "preceptora" Sra. Stick, acompanhados pelo fiel canino Tim, fogem de casa e rumam à ilha Kirrin, onde já haviam sofrido uma aventura.
Mas não estarão sós...
LB

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

HERÓIS INESQUECÍVEIS (70) - CORTO MALTESE

Criado pelo italiano Hugo Pratt (1927-1995), Corto Maltese é um marinheiro da Marinha Mercante, nascido na Ilha de Malta, filho de uma relação casual entre uma cigana sevilhana e um marinheiro inglês.
Corto surgiu (como personagem secundário) pela primeira vez em 10 de Julho de 1967, no número inaugural da revista Sargento Kirk, numa aventura chamada Balada do Mar Salgado.
A prancha de estreia de Corto Maltese, onde este aparece amarrado a uma jangada,
à deriva 
em pleno Oceano Pacífico...
Pranchas de "A Balada do Mar Salgado", por Hugo Prattt, in revista "Tintin" (portuguesa)
Três anos mais tarde, Hugo Pratt foi convidado a participar com uma série na revista francesa Piff Gadget e decidiu pegar de novo no personagem. Primeiro com episódios curtos de vinte páginas e depois com aventuras de maior fôlego, a preto e branco (embora mais tarde todos os seus álbuns tivessem sido publicados em edições coloridas) e num grafismo arrojado que surpreendeu os leitores na época, ao contrário do que hoje acontece onde a série é elogiada precisamente por essas características únicas.
De igual modo, a série é rica em personagens com uma personalidade muito vincada, na gestão dos silêncios e dos diálogos ou na variedade de planos que o autor utiliza.
As aventuras de Corto Maltese - um eterno nómada - passam-se no início do Século XX em sítios tão diversos como na Manchúria, durante a guerra russo-japonesa (A Juventude de Corto Maltese), na Irlanda (As Célticas), no Pacífico Sul (A Balada do Mar Salgado), na China e na Sibéria (Corto Maltese na Sibéria), em Veneza (Fábula em Veneza), na Turquia, no Brasil, na Argentina, na Suiça, no Norte de África
 

Nas suas aventuras, não raramente Corto encontra personagens históricos reais como o sociopata Rasputine, o escritor Jack London, o fora-da-lei Butch Cassidy ou o famoso ás alemão Barão Vermelho.
Prancha de "Mu, a cidade perdida", onde Corto Maltese contracena com Rasputine
Corto Maltese foi publicado no nosso país nas revistas "Tintin" e "Selecções BD" e tem praticamente a sua colecção toda publicada em álbum (através de diversas editoras como Edições 70, Livraria Bertrand, Meribérica-Liber, Público/Asa, Correio da Manhã e Arte de Autor).
Capas de algumas aventuras de Corto Maltese publicadas em álbum no nosso país

Após um longo interregno, depois da morte de Pratt, Corto Maltese voltou a ter novas aventuras publicadas, desta vez com desenho de Rubén Pellejero e argumento de Juan Díaz Canales.
 
"Sob o Sol da Meia Noite" (2015) e "Equatória" (2019) - ambas sob Ed. "Arte de Autor" - são obras onde Canales e Pellejero se mantêm fiéis a Pratt e ao seu personagem

Um terceiro álbum de Pellejero e Canales intitulado "Dia de Tarowean" foi lançado no último Festival Amadora BD.
 
Capa e prancha de "Dia de Tarowean", álbum de Pellejero (desenho) e Canales (texto)
Edição Arte de Autor (2019)


Corto Maltese, no Cinema ​Português, é personagem no filme "Zéfiro", ​realizado por José Álvaro Morais em 1993, com ​o actor Paulo Pires no papel de Corto.
O personagem sofreu, também, uma adaptação (a cores) ao Cinema de Animação, em 2002, numa co-produção italo-francesa, que durou vinte e dois episódios.
Aventuras de Corto Maltese numa série de animação realizada por Pascal Morelli, Richard Danto e Liam Saury

Pelo menos em Itália (Corto Maltese: sogno di un mattino di mezzo inverno) e Portugal (Concerto em O menor para Harpa e Nitroglicerina, de que aqui já falámos) as suas aventuras foram adaptadas ao Teatro.
O actor Paulo Moura interpretando Corto Maltese em "Concerto em O menor para Harpa e Nitroglicerina",
peça levada à cena pelo Grupo de Teatro "Fatias de Cá" (foto: Priscila Roque)
Os cantores Jairo (argentino) e Vitorino (português) têm no respectivo repertório temas inspirados no personagem...
"Meu Querido Corto Maltese", canção interpretada por Vitorino

Uma estátua em Grandvaux, na Suiça, homengeia o personagem e o seu criador, que repousa no cemitério local.

A filatelia também não esqueceu este personagem emblemático da BD europeia.

Existe também, em Veneza, a Casa-Museu de Corto Maltese...
...e em Lisboa, no Cais do Sodré, existe o Bar "The House of Corto Maltese".

No fanzine "Efeméride" (editado pelo saudoso Geraldes Lino) alguns autores portugueses trabalharam em pastiches sobre este personagem.
Capa do fanzine "Efeméride" #5, por Regina Pessoa
Prancha de Jorge Machado Dias, in "Efeméride" #5 - Edição Geraldes Lino (2012)

Em 2017, os Estúdios Walt Disney celebraram os 50 anos de Corto Maltese com uma história do Rato Mickey intitulada "Topo Maltese in Una Ballata del Topo Salato".

"Una Ballata del Topo Salato", por Bruno Enna (texto) e Giorgio Cavazzano (desenhos),
in revista "Topolino" #3197 e #3198 - Panini Comics (2017)
Corto Maltese, sem dúvida alguma um personagem incontornável e inesquecível na História da BD europeia.
CR


Hugo Pratt no seu estúdio

"Balada do Mar Salgado", na revista "Tintin"