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sexta-feira, 24 de junho de 2016

HERÓIS INESQUECÍVEIS (40) - OS QUATRO MAIS "LOUCOS"

Não figuram normalmente no pódio dos fabulosos heróis bem divertidos da Banda Desenhada, mas são, afinal, altamente populares entre os bedéfilos. São talvez os quatro mais terríveis a encantar-nos com as suas loucas peripécias: Gaston Lagaffe, Marsupilami, Rantanplan e Nabuchodinosaure. Talvez pudéssemos aqui acrescentar um quinto, o Flagada, mas esse fica para outro tempo...


GASTON LAGAFFE
Mais conhecido entre nós como Gastão das Broncas, é criação do mestre belga Franquin (1924-1997) e surgiu pela primeira vez no n.º 985 da revista "Spirou", a 28 de Fevereiro de 1957. Aparece de repente na redacção desta revista e... bom, acaba por ficar encarregue da manutenção dos extintores, o que não o livra de provocar aparatosos incêndios.
Dorminhoco, distraído por excelência e romântico, qualquer gesto (ou não-gesto) seu pode provocar uma catástrofe. Das suas acções, nenhuma sai certa!
Adora inventar coisas esquisitas, dedicando-se, também, à Música (safam-se os surdos) e à Culinária (só para quem tem estômago de aço).
Estimado, mas também temido dado às suas constantes trapalhadas, vive apaixonado (sendo correspondido) pela sua colega Mademoiselle Jeanne. Quem não pode com ele, é o Sr. Aimé de Mesmaker, que não consegue triunfar nos seus negócios graças às "gastonices".
Apaixonado pela Natureza, vai ao ponto de alojar no seu gabinete na redacção da revista, animais como o gato Dingue, uma gaivota caprichosa e sem nome, o ouriço Kissifrot, o ratinho Cheese, o peixinho Bubulie, um papagaio, uma lagosta (que ele salvou de um tacho com água a ferver), um camaleão, um cavalo, etc, incluindo uma vaca que ele recebe de presente de um tio provinciano; só
não leva para lá o elefante Marajá, que ele visita com frequência no Zoo...
Este herói, cedo e merecidamente ganhou a sua própria série, que tem sido editada em Portugal (Arcádia, Meribérica e Asa/Público).
Em 1981, Paul Boujenah realizou a longa-metragem "Fais Gaffe à la Gaffe!", com Roger Miremont no papel principal.




RANTANPLAN
Criado por Goscinny e Morris, Rantanplan, classificado como o cão mais estúpido do Oeste, apareceu pela primeira vez no n.º 1138 da revista "Spirou", a 4 de Fevereiro de 1960, na aventura de Lucky Luke, "Na Pista dos Dalton". Logo captou a atenção dos bedéfilos. A sua popularidade subiu e daí, o ter ganho a sua própria série, com mais de uma vintena de álbuns, com vários deles editados em português. Um triunfo merecido.
Em 1983 e em 2006, pelo Cinema de Animação, também se notabilizou na Televisão.




MARSUPILAMI
É um pândego, divertido e heróico animal... não definido.
Criação de André Franquin, o Marsupilami, apareceu pela primeira vez na revista "Spirou" n.º 720, a 31 de Janeiro de 1952, numa aventura de Spirou e Fantásio, "Spirou et les Hèritiers". 
Claro que, com o tempo, o Marsupilami acabou por ganhar a sua merecida série própria, com sete álbuns editados entre nós pela Asa e, recentemente, pela parceria Asa/Público.
Obviamente, a Televisão e o Cinema não olvidaram este espantoso herói, com diversas séries televisíveis e, em 2012, com a longa-metragem de Alain Chabat, "Na Pista do Marsupilami".





NABUCHODINOSAURE
Para os íntimos, ele é apenas Nab. Em português,bem o poderíamos tratar por Nabo (que em francês é navet), pois este personagem, impagavelmente irresistível, cretino e cómico, é mesmo "um grande nabo"!...
O seu nome deriva de uma junção inventada pelos seus criadores do nome do rei babiloniano Nabucodonosor e a palavra dinossauro, ou seja, o argumentista Herlé e o desenhista Roger Widenlocher (que já esteve presente nos Salões "SobredaBD/1995" e "ViseuBD/1999")... Aliás, em verdade, Roger é um verdadeiro "tratado de bom e constante humor" .
Nab apareceu pela primeira vez no mensário "Je Bouqine", em 1989, e os seus autores foram premiados em 1993 na famoso Festival de Angoulême. A série, completamente inédita em português (?!!...), conta já com catorze álbuns.
Mas... quem é o Nab? Existindo na Terra antes da Pre-história, é um pacífico, pequeno e esverdeado dinossauro que "vive" para além do seu tempo. Considera-se como o primeiro ser dotado de uma inteligência capaz e superior e sente-se incompreendido pelos seus pares. Claro que tudo isto provoca hilariantes e imperdíveis situações... Um delírio!
Até hoje, ainda não fomos capazes de entender porque é que esta tão divertida série jamais foi editada em Portugal!... Será que os nossos editores-BD são mais nabos que o bom do Nab?!...
LB

quarta-feira, 8 de julho de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS (75)

LA PALETTE ET L’ÉPÉE - Edição Glénat. Autor: Milo Manara. “La Palette et l’Épée” é o título do primeiro tomo da série  “Le Caravage”.
Michelangelo Merisi, dito Caravaggio (nome da localidade onde nasceu e que ele adoptou como nome artístico), nasceu a 29 de Setembro de 1571 e faleceu a 16 de Julho de 1610. Há versões que dizem que ele foi assassinado...
Vivendo de um modo febril para a sua Pintura, revolucionou esta arte, para além de ter sido um constante ser dado a diversos amores, paródias boémias e brigas. Mas isso é outra história!
Milo Manara, admirador absoluto da arte deste pintor seu compatriota, entregou-se a sério a fazer a sua biografia através da Banda Desenhada. O primeiro tomo, de dois, já está disponível e encanta-nos completamente. A ler!


LA PRISONNIÈRE DE L’ARCHANGE - Edição Casterman. O desenhista Olivier Pâques e Bernard Drion, prosseguem a série “Loïs”, inaugurada por mestre Jacques Martin, donde este sétimo tomo, “La Prisonnière de l’Archange”.
Marie-Anne de Bourbon, a filha favorita de Louis XIV de França, é raptada por um grupo (o “Arcanjo”) de conspiradores que querem derrubar o monarca e instaurar a república. O destemido Loïs Lorcey é encarregado pelo rei de França de salvar a princesa e pôr tudo nos eixos...


MODESTE ET POMPON, L’INTÉGRALE - Edição Lombard. Autor: André Franquin, com algumas pranchas com argumentos de Greg, Goscinny, etc.
São cerca de cem pranchas de “Modeste e Pompon”, desenhadas por mestre André Franquin, reunidas num álbum integral e bem divertido.
Bem mais tarde, Franquin convidou o seu colega italiano Dino Attanasio (a residir em Bruxelas) para prosseguir esta série. No entanto, as pranchas por Attanasio não fazem parte deste volume.
Este integral de “Modeste e Pompon”, pela arte de Franquin, é um álbum que aconselhamos, sobretudo para se ler paulatinamente e com muitos risos, por este tempo de altos calores.


LA CHUTE DU REICH - Edição Casterman. Seguindo a ideia inicial de Jacques Martin, Olivier Weiberg e Yves Plateau, prosseguem a série “Les Reportages de Lefranc”, donde este quarto tomo.
É um álbum-documento, bem precioso, com textos, fotografias e cuidadas ilustrações, relatando e registando a queda da Alemanha de Hitler, precisamente os momentos decorridos em 1945.
LB

sábado, 16 de fevereiro de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (12): GASTON LAGAFFE

Se houvesse um pódio glorioso para personagens da BD que nos tiram completamente do sério e nos projectam para as gargalhadas, a medalha de oiro seria, sem dúvida, para Gaston Lagaffe; a de prata, para o Rantanplan (o anti-cão da série "Lucky Luke"); e a de bronze, para o Marsupilami. Este só ganha o terceiro lugar porque não é desmiolado... Todos os outros chegam à meta dentro do tempo, mas sem direito a pódio.
André Franquin
Por uma ideia de Yvan Delport, o grande e saudoso mestre André Franquin (1924-1997) criou este inacreditável personagem, para o qual veio a ter a colaboração de Jidéhem (aliás, Jean De Maesmaker).
É no n.º 985 da revista "Spirou", a 28 de Fevereiro de 1957, que surge o "nosso" Gaston na série "Spirou e Fantásio". Aparece de um modo vagamente modesto, tímido e "secundário". Apresenta-se para trabalhar na redacção da revista "Spirou" (Ed. Dupuis), pois alguém (que ele já não sabe quem nem porquê) lhe disse para o fazer!... Fica encarregue da manutenção, do correio e - imagine-se! - da vigilância dos extintores, donde não faltarão os incêndios que provocará.
Prancha de "Le Genie de Lagaffe"
Como é frequente em muitas séries-BD, o "secundário", neste caso Gaston Lagaffe, cedo ascendeu a um personagem vedeta, a ponto de vir a ganhar a sua própria série. E, à medida que ia aumentando a sua galopante
popularidade, também foram aumentando as suas trapalhadas, as suas broncas, as catástrofes que ia provocando, engrossando também uma diversa galeria de impagáveis personagens que, por sua vez, o irão secundar.
Destes, salientamos alguns, talvez os mais fundamentais.
Para além de Spirou, Fantásio e do Sr. Dupuis, temos: Jeanne, a terrível apaixonada de Gaston; o Sr. Mesmaeker, sempre furibundo, pois nunca consegue assinar um contrato devido às broncas de quem se sabe; o polícia Longtrin, sempre enganado por Gaston, que o deixa todo aparvalhado; Bertrand Lebévue e Jules, amigos e cúmplices do herói; Freddy, o Dedos de Fada, um ladrão que jamais consegue roubar a redacção da "Spirou", pois esbarra sempre com as "armadilhas" que Gaston, inadvertidamente, por lá deixa espalhadas...

Gaston e alguns dos principais personagens da série
Por sua vez, Gaston Lagaffe, é um amante da Natureza, especialmente a zoológica, pelo que é um doentio protector dos animais... Não são nada poucos os que, ingénua e empenhadamente, alberga no seu gabinete (às vezes, só temporariamente): Dingue, o astuto e cúmplice gato; uma gaivota caprichosa e também cúmplice; o ouriço Kissifrot, o ratinho Cheese, peixinho Bubulie, abelhas, um papagaio, uma lagosta ou lavagante (que ele salvou de ir parar a um horroroso escaldanço), um camaleão, um cavalo, etc. Até uma vaca que ele recebeu de presente de um tio provinciano!... Só escapa o elefante Marajá, que ele vai com frequência visitar ao Zoo, para jogarem ao braço-de-ferro. É uma loucura!
A vaca que Gaston albergou no seu gabinete
Lagaffe é bondoso, prestável e altamente dorminhoco. Tem o seu velho carro Ford T e adora inventar coisas incríveis e "assustadoras", donde o "Gaffophone" (já que adora música) e também é amante da culinária, com as suas intragáveis receitas, como o "bacalhau com morangos"!...

Na Bélgica e em França, a Filatelia não se esqueceu dele.
O Cinema de Animação já o abordou e tem ideias no ar. No entanto, em 1981, Paul Boujenah, realizou a longa metragem "Fais Gaffe à la Gaffe!", com Roger Miremont, Marie-Anne Chazel, etc.
Em Portugal, os primeiros (quatro) álbuns deste herói-série, foram publicados pela Editora Arcádia. Depois, foi a vez da Meribérica-Líber. E por fim, editados pela Asa/Leya associada ao jornal "Público".
No entanto, diversos álbuns continuam inéditos entre nós... Aguardemos tal atenção e continuação.

Nas primeiras aventuras, Gaston apresentava o cabelo curto mas já vestia a sua inconfundível camisola verde.
O "Gaffophone", a mais famosa das invenções de Lagaffe

Uma prancha onde Gaston não aparece mas os disparates continuam presentes...

 
  

sábado, 19 de janeiro de 2013

DESENHISTAS DESENHADOS (1)

É de certo modo frequente da parte de vários desenhistas nacionais (Augusto Trigo, José Ruy, Eugénio Silva, José Pires, Luís Louro, etc) e estrangeiros (Hergé, Morris, Uderzo, Cyril Pedrosa, etc) colocarem nas histórias que criam, certos personagens com base fisionómica de amigos e/ou colegas, quando não, eles próprios também. São gestos de gentileza.
Mas acontece que, mais raramente, o "feitiço se vira contra o feiticeiro" e o desenhista (ele em si mesmo) se torna figura central de um álbum. É o desenhista desenhado. Neste aspecto, dois casos são notórios:

LES AVENTURES D'HERGÉ, sob edição Dargaud. Tem argumento de Bocquet e Fromental e grafismo de Stanislas Barthélemy. Aqui, Hergé é ele próprio, mas também é TintinCom uma certa ironia, este álbum narra a vida de Hergé e, em síntese justaposta, os temas das principais aventuras de Tintin, protagonizadas pelo autor. Um álbum conseguido nas suas intenções e de aconselhável leitura. Com outro formato (mais pequeno), esta obra foi publicada em português numa co-edição da Mais BD e da Devir. De qualquer modo, são as aventuras de Hergé-Tintin e de Tintin-Hergé.


GRINGOS LOCOS, sob edição Dupuis. Tem argumento de Yann e traço de Olivier Schwartz. Com muita paródia e muito ficcionada, a narrativa baseia-se nas peripécias que três grandes amigos e colegas, os desenhistas Jijë (Joseph Gillain), Morris (Maurice de Bévère) e André Franquin, viveram pelos finais dos anos 40 em terras mexicanas. Foram para a América em busca de sonhos, glorias e Hollywood, mas os ventos não sopraram de feição, tudo resultando numa delirante epopeia.
Os admiradores de Hergé, Jijë, Morris e Franquin, certamente não ficarão afastados das respectivas leituras. Estes dois álbuns são obras muito divertidas, onde famosos desenhistas são desenhados.

Jijë, Hergé, Franquin e Morris