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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

OBRAS RARAS (7)

Édouard Aidans e Yves Duval
DESTINATION DESERTAS
Com arte do belga Édouard Aidans (sob argumento de Yves Duval), é um álbum da série “Les Franval” que, muito particularmente nos emociona, pois é localizado em Lisboa e no Arquipélago da Madeira.
Pressupõe-se que Aidans tenha visitado os espaços portugueses que retrata nesta sua obra... O que não acatamos bem, é que este álbum não exista editado no nosso País!!!...
Que tristeza: os estrangeiros divulgam-nos e elogiam-nos e nós, em contrapartida, assobiamos para o lado e com a mais opaca “vista grossa”!... E, com esta alfinetada, mais não dizemos por esta falha, não vá o Diabo tecê-las!
Acrescentamos apenas que esta aventura da família Franval, foi pela primeira vez publicada na Bélgica (Ed. Lombard) em 1967.
E, se as Câmaras Municipais de Lisboa e do Funchal, projectassem e apoiassem uma (pelo menos) edição deste álbum dos talentosos Aidans e Duval em português?...  Que haja menos “lagosta ao pequeno almoço” e mais sensibilidade actuante pelo que é devido!




Jean-Claude Forest
LA JONQUE FANTÔME VUE DE L’ORCHESTRE
O título da obra é um tanto esticado, mas a obra é um fabuloso espanto! É da autoria do grande e saudoso francês Jean-Claude Forest (1930-1998).
Obra belíssima e especial, leva-nos maravilhados, pelo enredo e pelo traço, às fantasias absolutas e encantadoras, do insólito, do erotismo, da poesia, etc.
Dir-se-ia que é pecaminoso não se conhecer e não se vibrar com este portentoso e pertinente exemplo da Banda Desenhada Europeia!
O álbum foi publicado pela Casterman, ficando cedo esgotado, tendo sido reeditado em 2002.
Em Portugal... é aquele lamento de Camões: “ò vil tristeza!”... Ou será vil mesquinhez , que o Poeta quis dizer?




Eddy Paape e André-Paul Duchateau
LA MONTRE AUX 7 RUBIS
Os títulos da obra (La Montre Aux 7 Rubis) e o da série (Udolfo), resumem-se a um único álbum.
Ficou-se, infelizmente, por aí...
No entanto e resumindo, tudo se regista assim ante esta estranha raridade.
Tem argumento de André-Paul Duchâteau e arte de Eddy Paape (com a colaboração do colega alemão Andreas) e foi publicado na edição belga de “Tintin”, em 1978, e na edição portuguesa, em 1980. Pela versão álbum, em português, não consta que exista.
Terá sido em 1980 que esta narrativa surgiu em versão álbum (em francês)... que é difícil de se encontrar.
Por aqui, a arte de Paape e muito apreciável e o argumento de Duchâteau mergulha-nos naquela fronteira esquisita entre este mundo e... e o outro!...
LB

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

HERÓIS INESQUECÍVEIS (31) - JEAN VALLARDI

Neste ano de 2014 em que mais do que merecidamente se evoca o primeiro centenário de um dos maiores mestres da Banda Desenhada europeia, o belga Jijé (Joseph Gillain), aqui se têm focado os seus fundamentais heróis-séries: Tanguy e Laverdure e o herói-ícone, Jerry Spring... 
Jijé (1914-1980)
Aliás, Jijé abordou com o seu talento e a sua perícia, diversos temas. É pois justo que aqui se evoque um dos seus também célebres heróis: Jean Valhardi.
Notoriamente conhecido pelos nossos bedéfilos de gerações mais "maduras", Jean Valhardi (em Portugal, chamaram-lhe então João Valente!!!), injustamente, foi quase nada editado em português; apenas cinco aventuras (?!): "O Sol Negro", (iniciada no "Foguetão", de 1 a 13, e continuada no "Cavaleiro Andante", do 510 ao 523); "O Raio Super-Gama" (no "Cavaleiro Andante", do 393/420 e 422/429) e "A Máquina de Conquistar o Mundo" (no "Cavaleiro Andante", n.ºs 433-446 e 448-466), sendo estas duas desenhadas magistralmente por Eddy Paape, que foi discípulo de Jijé. E
ainda, na revista "Zorro" (do nº 38 ao 48), "A Quadrilha do Diamante".
Todavia, uma das mais entusiasmantes aventuras de Valhardi, surgiu num Número Especial do "Cavaleiro Andante", sob o traço de Eddy Paape: "O Castelo Maldito".
Ora então, vamos lá:
A primeira aventura de Jean Vallardi
Foi a 2 de Outubro de 1941, no n.º 40 da revista belga "Spirou" (sob edição Dupuis) que surgiu a primeira aventura de Jean Valhardi, com argumento de Jean Doisy e arte de Jijé. Tratava-se de "Valhardi Detective".
Quem era este atrevido, esbelto e corajoso herói? Nasceu como investigador de seguros... Pois sim! O evoluir da sua forte personalidade levou a que ele acabasse por ser um aventureiro "puro e duro". Seus "oficiais" companheiros: o pândego e bonacheirão Arsène e o adolescente Gégène. Este, com a continuação da série, virá a ter alto protagonismo. Anteriormente, Valhardi teve como companheiro de aventuras, o jovem Jacquot.
Contudo, Jean Valhardi, não teve uma "vida fácil". Não, não teve! Com altos e baixos, com paragens e continuações, teve, assim a modo solto, como argumentistas: Jean Doisy, Eddy Paape, Yvan Delport, Jijé, Philip (um dos filhos de Jijé), André-Paul Duchâteau e Jacques Stoquart. E desenhistas, para além de dois períodos com o grafismo de Jijé, o saudoso Eddy Paape e René Follet, e ainda, como assistente de Jijé, Guy Mouminoux. Toda uma honrosa equipa (ou galeria de autores) que tão bem soube construir o universo Valhardi.
Pelas Éditions Dupuis, as aventuras deste herói totalizam 17 álbuns, com predominância da arte de Jijé, alguns por Paape e, cremos, mais dois sob o traço de Follet.
Voltaremos a abordar este herói, pois pelo que nos confidenciou Romain Gillain (um dos netos de Jijé, que reside em Portugal), a Dupuis, muito em breve vai reeditar esta série na versão "Integral". Pois venha ela então!...
LB

Jean Vallardi no "Cavaleiro Andante", sob o traço de Eddy Paape


Outra aventura de Jean Vallardi desenhada por Eddy Paape

 
Jean Vallardi no "Cavaleiro Andante", agora sob o traço de Jijé.




Prancha de "L'affaire Barnes"

Prancha de "Le Mauvais Oeil"


Prancha de "Le Secret de Neptune"



Jean Vallardi sob o traço de René Follet

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (10) - RIC HOCHET


Na linha de heróis-BD jornalistas, que tão em voga estiveram (e alguns ainda estão), em popularidade, Ric Hochet, está logo a seguir a Tintin.
Tibet e Duchâteau
Criado pelo argumentista André-Paul Duchâteau e pelo saudoso desenhista Tibet (aliás, Gilbet Gascard), tendo este estado em Portugal uma vez única, para ser homenageado ao vivo no Salão Internacional SobredaBD 1995, Ric Hochet, então ainda um garoto e a funcionar como um ardina do jornal (fictício) "La Rafale", estreou-se numa história curta, "Ric Hochet Mene le Jeu", a 30 de Março de 1955, na edição belga da revista "Tintin".
Capa da Revista "Tintin" (30.Março.1955)
marcando a estreia de Ric Hochet
Em Portugal, essa estreia aconteceu no "Cavaleiro Andante" n.º183, a 2 de Julho desse mesmo ano, com a mesma narrativa, então intitulada "Qual dos Três?".
Seguiram-se, pelo menos, mais duas histórias curtas (no futuro, outras iriam surgir...), em 1956 e em 1959 (é nesta que Ric conhece o comissário Segismond Bourdon. que virá a ser seu constante parceiro) e, onde se vai notando, graficamente, um natural crescimento do personagem
O êxito é tremendo e daí, Raymond Leblanc (um dos fundadores das Éditions du Lombard/ Bélgica) pede aos autores que avancem para uma série... E a primeira grande narrativa surge em 1961, com "Signé Caméleon". Imparável depois, as aventuras de Hochet (com algumas narrativas curtas e médias, de permeio).
Por aqui, outras figuras notáveis figurando com uma certa constância (referimo-nos só aos "bons"): Nadine (sobrinha de Bourdon, que acaba por se tornar a noiva de Hochet), o inspector Ledru, o misterioso pai de Hochet (Richard), o sempre refilão sábio (mas divertido) Prof. Hermelin, e até, o fiel e terno gato de Hochet... cremos que de nome Nadar...
Como acessórios de marca, em Ric Hochet, a sua gabardina, o seu casaco branco com pintinhas negras (modelo único!) e o seu carro Porsche amarelo...
Há incursões diversas na Rádio e na Televisão, destes personagens. Todavia, em 1968, Raymond Leblanc e a Belvision, produziram uma média metragem(experiência piloto), adaptação do álbum "Signé Caméléon", que até participou então no famoso Festival de Cannes... Mireille Baert foi Nadine, Jacques Lippe foi Bourdon e Ric Hochet foi vivido pelo actor Daniel Vigo (falecido em França há pouco menos de dois anos) e onde, os próprios Duchâteau e Tibet, divertidos, participaram como "polícias"...
Sobre Daniel Vigo, o próprio Tibet afirmou: "Era um talentoso jovem actor belga que se parecia muito com o personagem".
Porém, as crianças assustavam-se muito com a máscara do "Camaleão" e o filme foi retirado de qualquer exibição, de tal modo  que a ideia não teve continuação e "nem se sabe" onde existe o original ou eventuais cópias!... Nem o próprio Tibet, conforme nos disse  na Sobreda em 1995, sabia do destino deste filme, pois nem ele tinha sequer uma merecida cópia!...


Ric Hochet e o actor Daniel Vigo que encarnou o personagem em 1968 

Entretanto, noticiou-se que em 2003, terá começado a rodagem de treze episódios televisivos com o actor Yann Sundberg. Não conseguimos saber se tal foi mesmo conseguido...
Álbuns com as aventuras de Hochet, são em muitas dezenas. A própra Éditions du Lombard, na versão integral, editou em completo tal série, em vinte álbuns.
Por sua vez, quase logo a seguir, a exigente Hachette, também reeditou (ou está a reeditar) tudo sobre Ric Hochet.
Apesar da notável e incontestável celebridade (e popularidade), em Portugal, este herói-BD tem sido "maltratado", apenas publicado em edições avulsas. Em álbuns empenharam-se, sem uma devida regra e sensibilidade ao herói, aos autores e ao nosso público bedéfilo, a Bertrand, o Correio da Manhã, a Futura, a Dom Quixote e a Asa/Público. As responsáveis editoras de BD, no Portugal de hoje, não gostam nem percebem NADA de Banda Desenhada! Publicam aquilo que lhes pode dar fáceis cífrões... mas como quem arrota por um estranho empaturranço... Amen!
Em publicações, sairam aventuras de Ric Hochet  no "Cavaleiro Andante", "Mundo de Aventuras", "Tintin " (edição portuguesa), "Zorro" e "Cadernos Sobreda-BD".

   
Tibet (natural de Marselha) faleceu a 3 de Janeiro de 2010, mas por sua vontade, a série deve continuar. Esperemos que o argumentista Duchâteau encontre rápidamente um grafista digno de continuar Hochet e Tibet.

A terminar: em Bruxelas, na Rue du Bon Secours, há edifícios decorados exteriormente com motivos desta série. E, em 2002, em  Les Issambres, bairro de Roquebrune-Sur-Argens (sul de França) e onde Tibet passava habitualmente as suas férias, foi inaugurada a Alameda Ric Hochet. E esta?!...
 
Ric Hochet numa rua de Bruxelas
Prancha de "O Traidor Contrafeito"
 
 
 
 

 
 
 
 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

NOVIDADES EDITORIAIS (24)

BRUCE J. HAWKER / 2 - Sob edição Lombard, foi recentemente editado o segundo e último tomo da versão integral de "Bruce J. Hawker", com a arte magistral de William Vance. Os textos são de André-Paul Duchâteau e as cores, elaboradas por Pétra (esposa de Vance).
A abrir o volume, um belo dossiê feito por Jacques Pessis. Aqui consta uma história curta, extra Bruce Hawker, "Bougainville et le Curé de Boulogne", com argumento de Michel Vasseur.
Quanto às aventuras de Hawker, elas são: "Le Puzzle", "Tout au Rien", "Les Bourreaux de la Nuit", "Le Royaume des Enfers" e ainda, uma "gracinha" em duas pranchas, "Top Secret".
Uma obra imprescindível!


JERRY SPRING / 5 - Pela Dupuis, "Jerry Spring, l'Intégrale" é o quinto e último tomo, por Jijë. E que tomo!... É o mais volumoso de todos e tremendamente irresistível.
Começa com um digno dossiê informativo e histórico. Seguem-se, numa espantosa beleza do preto-e-branco, as narrativas: "Jerry Spring Contre KKK", "Le Duel", "L'Or de Personne", "La Fille du  Canyon" e "Le Grand Calumet". As duas primeiras narrativas têm  argumento de Jacques Lob (1932-1990) e as outras três, de Philippe Gillain, filho de Jijë.
E como se tudo isto não bastasse, em "capítulo final", temos a pouco conhecida veia humorística de Jijë a funcionar com duas delirantes histórias curtas e onde ele se serve à mesma de Jerry Spring e de Pancho: "Que Barbaridad!", em seis pranchas, e "Le Baron Von Rischönstein Chez les Empa-pahutés".
Um verdadeiro bedéfilo não deixa escapar esta obra!


LE SOUFFLE DES DIEUX - Com argumento de Thierry Gloris e grafismo de Joël Mouclier, ambos franceses, "Le Souffle des Dieux", é o segundo tomo da série fantasista e bem ousada, "Merídia", sob edição Delcourt.
Ambientes estranhos, conflitos político-religiosos, convenientes mitologias, bizarros rituais e paixões homossexuais, tudo se marca e se embrulha em força nesta empolgante série, onde o grafismo de Mouclier é pura e simplesmente brilhante.


GUERRE URBAINE - Com edição Quadrants, "Guerre Urbaine", é o primeiro tomo da série "Nu-Men" de inteira criação de Fabrice Néaud.
Este autor escapa-se (e muito bem!) da sua habitual linha autobiográfica (série "Journal") e transporta-nos para um ambiente de um futuro próximo com aspectos angustiantes e de alerta, focando ousadias perigosas da Ciência e sufocos sócio-políticos, consequências que nos vamos apercebendo sem reagir... quando hoje é já o amanhã de ontem!
Uma obra que convém ler com muita atenção e sem se decretar como balela precipitada, que tudo isso não passa de mera fantasia da BD...


AO SERVIÇO DE SUA MAGESTADE - Com edição Asa, é um álbum especial sobre o mais recente filme de Astérix (Edouard Baer) e Obélix (Gérard Depardieu), "Ao Serviço de Sua Magestade", realizado por Laurent Tirard. Ao que é indicado, o filme é inspirado nos álbuns "Astérix Entre os Bretões" e "Astérix Entre os Normandos" (e, se calhar também, nas peripécias de James Bond...).
Pena que o álbum (que falha!) não indique também a respectiva ficha artística!... 
Por outro lado, os nomes dos personagens (vários deles) não deviam ser traduzidos/adaptados, pois não custa nada manter os nomes originais ou...como dizia o outro, "não havia nechechidade" .