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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

HERÓIS INESQUECÍVEIS (60) - CHICK BILL

Interessante esta concorrência paralela no “western” com muito humor: Lucky Luke pelo belga Morris (1923-2001) e Chick Bill pelo francês Tibet (1931-2010).
A popularidade de um e de outro andou (e anda) sempre de braço dado no panorama bedista francófono. Já em Portugal, Lucky Luke foi sempre ultrapassado ante as heroicidades de Chick Bill... Ele há coisas!...
São consequências de certas “jogadas” a nível de publicação e de “convencer” o público (quiçá desatento), segundo a vontade de quem se julga que sabe tudo e que tem o cofre do Tio Patinhas nas mãos...
Capa dos Cadernos Sobreda BD 1995
(edição extra), com desenho inédito
de Tibet com os seus personagens
Morris veio uma vez (talvez duas...) a Portugal; conheci-o de passagem num jantar de uma das edições “Amadora-BD”. Tibet veio apenas uma vez, em 1995, para ser homenageado ao vivo pelo conjunto da obra, na edição das “Sobreda-BD” desse ano.
Num caso e noutro, destes heróis, acontece o que é frequente em outras séries: o personagem titular não é o que tem mais e melhor protagonismo. Já deram por isso? Ora vejamos.
Com Lucky Luke, os mais aplaudidos são o cavalo Joly Jumper, o cão palerma Rantanplan e os danados irmãos Dalton. No caso Chick Bill, este é ultrapassado pelo sempre furibundo xerife Dog Bull e pelo seu eterno e trapalhão ajudante Kid Ordinn (deve pronuncia-se Ordine, segundo me alertou o próprio Tibet, pois o personagem é norte-americano e não francês). Mas, até Tintin é também ultrapassado por Comandante Haddock, Bianca Castafiore, Prof. Tournesol e os policiais Dupond/t... E o Astérix, pelo Obélix e o infeliz bardo Assurancetourix...
Chick Bill, sempre acompanhado pelo seu amigo, o indiozinho Petit Caniche (que nada tem a ver com o Yakari, de Derib), é sempre o herói valoroso, altruísta e apaziguador dos violentos problemas que surgem e das confusões e trapalhadas entre Dog Bull Kid Ordinn.
Pois é o tal Kid, que se faz notar em beleza hilariante, pois em vez de ser um corajoso adjunto do xerife, é mais e sim, “o idiota da cidade de Woody City”. Nada mais a fazer, senão rir!
Chick Bill e os seus companheiros surgiram a 30 de Abril de 1953, numa publicação belga. Em Portugal, a estreia aconteceu em 1970, teoricamente na edição portuguesa da revista “Tintin”.
Curiosamente, no início, os personagens desta série não tinham fisionomias humanas, mas de outros bichos que não o bicho-homem.
 
Alguém sugeriu (e bem!) a Tibet que alterasse o “esquema” e este logo acatou e mudou o ideal gráfico nesta série brincalhona. E resultou!
Mesmo assim, o traço e a idade das figuras foi evoluíndo paulatinamente... 
Num apanhado geral - e excluindo os “Integrais” -, desta série, na versão original francófona, existem apenas setenta álbuns. Que maravilha!...
Em Portugal, a nível de álbuns há apenas seis editados, a saber: dois pelas edições Ibis (“Pânico em O.K. Corral” e “Kid Gatilho”); dois pela Bertrand (“O Inocente da Aldeia” e “O Cowboy de Ferro”) e mais dois pelas edições D. Quixote (“O Duro dos Duros” e “Casanova Kid”).

Esta série também “passou” pelos periódicos “Nau Catrineta” e pela edição portuguesa da revista “Tintin”.
Por agora, e à boa expressão latina: Dixit!
LB

"Os Milhões de Kid Ordin", por Tibet, in revista Tintin #30 (10.12.1977)

"A Corrida para a Água", por Tibet, in revista Tintin #39 (09.02.1980)

Capa da revista Tintin #11 (14.º ano) (27.07.1981)
"O Truque Trocado do Xerife", por Tibet (desenhos) e A.P. Duchateau (texto), in revista Tintin #11 (25.07.1981)


"O Filão Rachado do Vigarista Pérfido", por Tibet, in revista Tintin #43 (07.03.1981)

 

sábado, 14 de julho de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (150)

COMMENT RÉUSSIR UN ASSASSINAT - Edição Lombard. Autores: argumento de Zidrou e grafismo de Simon Van Liemt, depois de Duchâteau e Tibet.
É o tomo mais recente da série “Ric Hochet”.
Mas que grande trapalhada, com alguma paródia mal camuflada! Além disso, esta aventura é... chata!
O famoso romancista e argumentista Henri Vernes (“Bob Morane”), é aqui personagem e suspeito!... Há uma “guerra” implacável  entre editoras... Há um casal que já não se suporta, em que, um e outro, procura matar a outra parte num “crime perfeito”...
E, para além de outras confusões, uma pertinência: ante um suicida, é ele o assassino dele próprio?...


PERDITION - Edição Glénat. Autores: Denis-Pierre Filippi (argumento ), Vicenzo Cucca (traço) e Fabio Marinacci (cores).
“Perdition” é o segundo tomo da série de ficção-científica “Colonisation”.
Milla Aygon e a sua equipa, estão prisioneiros de uns sinistros sobreviventes terrestres num planeta ensopado de toda a casta de perigos. Sobreviventes estes, a quem nada repugna o canibalismo!...
Como escapar destas (e de outras) sufocantes perigosidades?


À L’HEURE OÙ LES HYÈNES VONT BOIRE - Edição Lombard. Autores: Emmanuel Herzet (argumento), Alain Queireix (traço) e Didier Ray (cores). Este é o 5.º  tomo da série “Alpha-Premières Armes”.
O destemido e astuto Dwight Tyler, que mais tarde será conhecido pelo nome de código “Alpha”, resiste a ser elemento da famosa CIA, pois gosta de actuar a solo. Em vão!... Mais ou menos “sequestrado” pela força secreta norte-americana, é forçado a colaborar para destruir a organização internacional “Hiena”, potentado do crime, sobretudo no que toca ao terrorismo. Desta, quatro polos estão a funcionar em força em Hong Kong, na Argentina, em Portugal e na Tanzânia, para além das actuações de russos, israelitas, italianos, etc. O desafio é de arrojo, onde os fins justificam os meios. É mesmo a fazer doer!
De notar, neste álbum, as pranchas 8 e 9, onde Lisboa é, de certo modo, vedeta.
A reparar...
LB

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

EVOCANDO (22)... TIBET

Tibet (1931-2010)
Ele faleceu há sete anos, precisamente a 3 de Janeiro de 2010. Nasceu em França, em Marselha, a 29 de Outubro de 1931, vindo a falecer em Roquebrune-sur-Argens (França). Embora desde muito jovem residente com a família  na Bélgica, nunca deixou a sua nacionalidade francesa.
Veio pela primeira e única vez a Portugal para ser homenageado ao vivo, no salão “Sobreda-BD / 1995”, onde recebeu o Troféu Sobredão.
Tem uma obra imensa de Banda Desenhada, tanto na linha humorística (a sua favorita) como na realista.
De seu nome próprio Gilbert Gascard, ele é o inesquecível TIBET.
Gigante no seu traço claro, também foi um extraordinário caricaturista e cartunista. Como caricaturista, tem o seu álbum “La Tibetière”, abordando figuras de famosos da Política, das Artes e do Desporto, como Charlie Chaplin, Louis de Funès e até, uma auto-caricatura.
 Charlie Chaplin e Louis de Funès caricaturados por Tibet

Quando veio a Portugal, em sua homenagem, o Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS), editou-lhe  um mini-álbum extra da série-colecção “Cadernos Sobreda-BD”, onde se reúne uma breve biografia e se reedita a aventura em média metragem de Ric Hochet, “O Traidor Contrafeito”.

Da sua admirável obra, salientam-se as séries “Ric Hochet (94 álbuns)...

“Chick Bill” (60 álbuns)...
 

...e “Le Club Peur-de-Rien” (19 álbuns).

Mas da sua extensa bibliografia, devem-se registar ainda as efémeras séries, “Aldo Remy” (3 álbuns)...

...e “Dave O’Flynn” (2 álbuns).
Pela linha realista, o seu ponto alto recai na série”Ric Hochet”, com argumentos de André-Paul Duchâteau. Felizmente, esta série continua, mas isso agora, é outra aventura...
Em tempos que já lá vão, pelo Cinema, realizou-se a única (até hoje) aventura de Ric Hochet . Foi em 1968, com produção e realização de Raymond Leblanc, a média metragem “Signé Camélion”, com o malogrado actor belga Daniel Vigo no protagonista. 
Este filme “perdeu-se”!... Até o próprio Tibet, quando esteve na Sobreda, nos confessou que não tinha sequer uma cópia deste filme!... Acontece!
Nesse filme, ele próprio e o argumentista Duchâteau participam como dois pândegos polícias...
Até lá... VIVA TIBET!
LB
Ric Hochet e o actor Daniel Vigo que lhe deu corpo no cinema

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (10) - RIC HOCHET


Na linha de heróis-BD jornalistas, que tão em voga estiveram (e alguns ainda estão), em popularidade, Ric Hochet, está logo a seguir a Tintin.
Tibet e Duchâteau
Criado pelo argumentista André-Paul Duchâteau e pelo saudoso desenhista Tibet (aliás, Gilbet Gascard), tendo este estado em Portugal uma vez única, para ser homenageado ao vivo no Salão Internacional SobredaBD 1995, Ric Hochet, então ainda um garoto e a funcionar como um ardina do jornal (fictício) "La Rafale", estreou-se numa história curta, "Ric Hochet Mene le Jeu", a 30 de Março de 1955, na edição belga da revista "Tintin".
Capa da Revista "Tintin" (30.Março.1955)
marcando a estreia de Ric Hochet
Em Portugal, essa estreia aconteceu no "Cavaleiro Andante" n.º183, a 2 de Julho desse mesmo ano, com a mesma narrativa, então intitulada "Qual dos Três?".
Seguiram-se, pelo menos, mais duas histórias curtas (no futuro, outras iriam surgir...), em 1956 e em 1959 (é nesta que Ric conhece o comissário Segismond Bourdon. que virá a ser seu constante parceiro) e, onde se vai notando, graficamente, um natural crescimento do personagem
O êxito é tremendo e daí, Raymond Leblanc (um dos fundadores das Éditions du Lombard/ Bélgica) pede aos autores que avancem para uma série... E a primeira grande narrativa surge em 1961, com "Signé Caméleon". Imparável depois, as aventuras de Hochet (com algumas narrativas curtas e médias, de permeio).
Por aqui, outras figuras notáveis figurando com uma certa constância (referimo-nos só aos "bons"): Nadine (sobrinha de Bourdon, que acaba por se tornar a noiva de Hochet), o inspector Ledru, o misterioso pai de Hochet (Richard), o sempre refilão sábio (mas divertido) Prof. Hermelin, e até, o fiel e terno gato de Hochet... cremos que de nome Nadar...
Como acessórios de marca, em Ric Hochet, a sua gabardina, o seu casaco branco com pintinhas negras (modelo único!) e o seu carro Porsche amarelo...
Há incursões diversas na Rádio e na Televisão, destes personagens. Todavia, em 1968, Raymond Leblanc e a Belvision, produziram uma média metragem(experiência piloto), adaptação do álbum "Signé Caméléon", que até participou então no famoso Festival de Cannes... Mireille Baert foi Nadine, Jacques Lippe foi Bourdon e Ric Hochet foi vivido pelo actor Daniel Vigo (falecido em França há pouco menos de dois anos) e onde, os próprios Duchâteau e Tibet, divertidos, participaram como "polícias"...
Sobre Daniel Vigo, o próprio Tibet afirmou: "Era um talentoso jovem actor belga que se parecia muito com o personagem".
Porém, as crianças assustavam-se muito com a máscara do "Camaleão" e o filme foi retirado de qualquer exibição, de tal modo  que a ideia não teve continuação e "nem se sabe" onde existe o original ou eventuais cópias!... Nem o próprio Tibet, conforme nos disse  na Sobreda em 1995, sabia do destino deste filme, pois nem ele tinha sequer uma merecida cópia!...


Ric Hochet e o actor Daniel Vigo que encarnou o personagem em 1968 

Entretanto, noticiou-se que em 2003, terá começado a rodagem de treze episódios televisivos com o actor Yann Sundberg. Não conseguimos saber se tal foi mesmo conseguido...
Álbuns com as aventuras de Hochet, são em muitas dezenas. A própra Éditions du Lombard, na versão integral, editou em completo tal série, em vinte álbuns.
Por sua vez, quase logo a seguir, a exigente Hachette, também reeditou (ou está a reeditar) tudo sobre Ric Hochet.
Apesar da notável e incontestável celebridade (e popularidade), em Portugal, este herói-BD tem sido "maltratado", apenas publicado em edições avulsas. Em álbuns empenharam-se, sem uma devida regra e sensibilidade ao herói, aos autores e ao nosso público bedéfilo, a Bertrand, o Correio da Manhã, a Futura, a Dom Quixote e a Asa/Público. As responsáveis editoras de BD, no Portugal de hoje, não gostam nem percebem NADA de Banda Desenhada! Publicam aquilo que lhes pode dar fáceis cífrões... mas como quem arrota por um estranho empaturranço... Amen!
Em publicações, sairam aventuras de Ric Hochet  no "Cavaleiro Andante", "Mundo de Aventuras", "Tintin " (edição portuguesa), "Zorro" e "Cadernos Sobreda-BD".

   
Tibet (natural de Marselha) faleceu a 3 de Janeiro de 2010, mas por sua vontade, a série deve continuar. Esperemos que o argumentista Duchâteau encontre rápidamente um grafista digno de continuar Hochet e Tibet.

A terminar: em Bruxelas, na Rue du Bon Secours, há edifícios decorados exteriormente com motivos desta série. E, em 2002, em  Les Issambres, bairro de Roquebrune-Sur-Argens (sul de França) e onde Tibet passava habitualmente as suas férias, foi inaugurada a Alameda Ric Hochet. E esta?!...
 
Ric Hochet numa rua de Bruxelas
Prancha de "O Traidor Contrafeito"