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sexta-feira, 15 de abril de 2016

OBRAS RARAS (5)

Vítor Péon
A CASA DA AZENHA
Quando, pelo ano de 1949, o híper activo criador de Banda Desenhada (e não só) Vítor Péon (aliás, Vítor Amadeu Batista Péon Mourão, nascido em Luanda a 3 de Abril de 1923 e falecido em Carnaxide a 5 de Novembro de 1991) criou o vigoroso personagem-detective Ted Kirk para a revista “O Mosquito”, foi um choque que sacudiu os bedéfilos de então. Um safanão aliás bem positivo e aplaudido.
Foi com a narrativa “A Casa da Azenha” (iniciada no #1027 e concluída no #1085), então já, uma banda desenhada bem para o leitor adulto.
Houve apenas mais uma segunda aventura de Kirk, "Tormenta" (recuperada no #16 de “Cadernos Sobreda-BD”, em 2001). No entanto, é “A Casa da Azenha” que se demarca como uma das obras mais importantes da nossa Banda Desenhada. Com cores de Catherine Labey, esta narrativa foi finalmente reeditada, agora na versão álbum (esgotado) pelas edições Asa, em 1994.
Na bela e extensa bibliografia de Péon, contam-se títulos como: “Tomahwak Tom” (série), “A Reconquista de Angola”, “João Davus”, “A Palavra de Egas Moniz”, “Gesta Heróica” (dois tomos), “O Buda de Marfim”, “Yataca” (série publicada em França), “A Vingança do Jaguar”, etc.






Carlos Alberto Santos
CAMÕES 
Carlos Alberto (aliás, Carlos Alberto Ferreira dos Santos, nascido em Lisboa a 18 de Julho de 1933), se bem que mais admirado pela magnificência da sua Pintura, tem também uma relevante obra pela Banda Desenhada, embora curta.
É das suas criações pela 9.ª Arte que se destaca, com toda a força, “Camões, Sua Vida Aventurosa”, que, em 1972, a hoje extinta Agência Portuguesa de Revistas editou como um mini-álbum especial do “Mundo de Aventuras”. Raríssimo
de se encontrar!
Com texto de José de Oliveira Cosme, esta narrativa foi reeditada a cores (é álbum também esgotado) em 1990, sob edição Asa. De qualquer modo, é bem preferível a primeira edição, a preto-e-branco... Opiniões!
Da bibliografia de Carlos Alberto destacam-se títulos como: “História Maravilhosa de João dos Mares”, “Ousadia Triunfante”, “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, “O Capitão Bravo”, “O Santo Condestável”, “O Combate de Pembe”, “O Infante Santo”, “A Espada Nazarena”, “O Almirante das Naus da Índia”, “Em Busca de Provas” ,etc.




Eugénio Silva
INÊS DE CASTRO 
“Inês de Castro” é um maravilhoso álbum e uma indiscutível glória para o seu autor, Eugénio Silva (aliás, Eugénio Rafael Pepe da Silva, nascido, onde reside, no Barreiro a 25 de Fevereiro de 1937).
Este álbum, correcta e belissimamente elaborado, foi publicado pela Meribérica em 1994. Estranha-se bem que esteja considerado esgotado e que ainda não tenha sido reeditado! Ai, que há para aí editoras-BD que são ceguetas!...
Da bibliografia de Eugénio Silva, já a salientámos quando anteriormente nos referimos a outra obra sua, “Matias Sándor”.
LB

sábado, 6 de julho de 2013

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (2) - INÊS DE CASTRO

Túmulos de Dona Inês de Castro e de D. Pedro, no Mosteiro de Alcobaça.

A 7 de Janeiro de 1355, por sentença régia (D. Afonso IV), Inês de Castro foi executada (degolada) pelo carrasco, pois se não fosse nobre teria sido enforcada. Este justiciamento por "Razão de Estado", está registado no "Livro de Noa de Santa Cruz de Coimbra" e no "Breve Chronicon Alcobacense".
Mas, o fogoso romance de Pedro e Inês, marcou-se mais pelo sensual folhetim do que pela verdade da História. A Literatura, através dos tempos, aquém e além fronteira, tem, praticamente, imposto a vertente novelesca, "ignorando" o contexto da época e de toda a  realidade.
Ora, D.Inês, não era nada leal, casta e "santinha", pelo que não tem qualquer paralelo com Julieta ou Isolda. Traindo as regras da época (é conveniente sabê-las), não lhe importando se enganava a princesa D. Constança (a esposa de D. Pedro), de quem era "amiga e confidente" dama de companhia, como fazia o jogo ambicioso de seus irmãos Álvaro e Fernando, nobres galegos, que aspiravam conduzir os destinos de Castela e de Portugal.
Por sua vez, D. Pedro, nada tendo a ver com um Romeu  ou um Tristão, era um desbragado em todos os sentidos. Constava que era gago e que às vezes tinha ataques de epilepsia, mas perdia-se em folias, na caça, nas bebedeiras e no sexo sem limites (tanto lhe serviam mulheres como homens), donde Inês foi uma caprichosa paixão de honra.
É preciso ler - ou reler - o cronista Fernão Lopes e, entre outros, o biógrafo Mário Domingues e, até, ressalvando certos pareceres na mordacidade acutilante aplicada por Aquilino Ribeiro na biografia de D. Pedro I que escreveu.
O Teatro, o Cinema, a Televisão, a Ópera, o Bailado e um extenso e variado campo da Literatura, não esqueceram este caprichoso caso de amor. 
Na Banda Desenhada, ao que nos consta, há apenas três criações:

1 - A RAINHA MORTA, em quatro pranchas, numa adaptação feita pelo espanhol Felicisimo Coria (que actualmente continua a desenhar Bob Morane) do drama teatral homónimo de Henri de Montherlant. Foi editada no "Mundo de Aventuras".
Última prancha de "A Rainha Morta"

2 - Em nove pranchas pelo norte-americano Robert Ripley, a Western Publishing Company, editou em Dezembro de 1970 na revista "Gold Key", THE SKELETON WHO WAS QUEEN, numa versão "doida" e altamente fantasista com o fantasma de Inês de Castro a assustar os turistas...
Capa da revista "Gold Key" (Dezembro.1970)
Prancha de "The skeleton who was queen"

3 - Por fim, temos, em álbum que consta estar esgotado, essa criação magistral, INÊS DE CASTRO... A QUE DESPOIS DE MORTA FOY RAINHA, pelo nosso Eugénio Silva. São algumas dezenas de pranchas notáveis com a força gráfica com que este criador sempre nos brinda.
Capa do álbum "Inês de Castro... a que despois de morta foy Rainha",
com texto e desenhos de Eugénio Silva
Prancha 32...
...e prancha 33 do mesmo álbum.

Felicisimo Coria, Robert Ripley e Eugénio Silva


Uma referência, ainda, para "História de Portugal em Banda Desenhada", de A. do Carmo Reis (texto) e José Garcês (desenhos), edição em quatro volumes, sob chancela da ASA (publicados entre 1986 e 1989 e, mais tarde, reeditados por diversas vezes), onde este episódio é recordado em algumas pranchas...

... para a "História Alegre de Portugal" (1.º volume, Bertrand Editora), de Manuel Pinheiro Chagas (texto) e Artur Correia (desenhos), onde este episódio também não é esquecido...
 
"História Alegre de Portugal" (volume 1), de Manuel Pinheiro Chagas e Artur Correia

... e para o álbum "Luis Vaz de Camões", editado pela Câmara Municipal de Odemira em 1990, com texto de Raul Costa e desenho de José Manuel Soares, onde, numa só prancha, é feita referência ao canto de "Os Lusíadas" onde este episódio é relatado.

O pintor e desenhista Carlos Alberto, num dos seus maravilhosos quadros históricos, retrata a execução de Inês de Castro não por degola, mas por decapitação. De qualquer modo, a dita cuja, de modo algum foi "vilmente assassinada" pelos "facínoras" Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco, que eram apenas leais conselheiros de D. Afonso IV e que descobriram as tramóias que os irmãos Castro programavam para Portugal.
LB