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sexta-feira, 5 de março de 2021

CAPAS (16) - PEDRO MASSANO

Pedro Massano
Este grande e exigente desenhista português, Pedro Massano (aliás, Manuel Pedro Dias Massano dos Santos), nasceu em Lisboa a 15 de Agosto de 1948.
Pela sua infância-adolescência, viveu alguns anos na ilha de S. Miguel (Açores).
Foi homenageado nos salões-BD da Sobreda, Moura e Viseu.
​Tem vasta obra diversificada por vários estilos, mas poucos grandes álbuns. Colaborou para os mais diversos periódicos, como: "Diário de Lisboa", "A Capital", "A Luta", "Visão
" (revista BD), "A Bola", "República", "Povo do Algarve", o quinzenário "Eco Regional" (do qual foi fundador), os fanzines "O Ovo", "Aleph", "Cadernos Sobreda-BD", etc. 
Pela sua efémera editora PIM, publicou "Como Fazer Banda Desenhada". 
No "Eco Regional", ia publicando "Contacto em Lisboa", narrativa que não concluiu quando este periódico acabou... Que pena!
Também um apaixonado pela Música, a esta se dedica na sua morada refúgio, algures nas margens do Zêzere (zona de Tomar).
Seis álbuns fundamentais: "
Mataram-no Duas Vezes" (primeiro tomo de "A Lei do Trabuco e do Punhal"; desistiu da devida continuação), "Missão H...Orrível" (com a conhecida minhoca Tropicalda; não teve a prevista continuação), "A Conquista de Lisboa" (em dois tomos, estando previsto o terceiro e último) e "A Batalha/1385". Por França, a editora Glénat pensou na série em três tomos, "Le Deuil Impossible", com argumentos de Patrick Lizé. Publicou os dois primeiros, "Le Chevalier du Christ" e "Le Démon de l'Escurial", mas logo esta editora francesa, sem qualquer lógica, cancelou esta ideia (?!...). Aliás, a Glénat tem fama de traiçoeira.. Paciência!
Aí se seguem algumas belas capas elaboradas por Massano...
LB

quinta-feira, 4 de julho de 2019

OS ÁLBUNS "ENCALHADOS" (2)... E NÃO SÓ!

​A 12 de Janeiro de 2018, aqui editamos o post OS ÁLBUNS "ENCALHADOS", que agitou um pouco ​certas águas estranhamente adormecidas e plácidas…
​Mas foi dando alguns resultados positivos:
​Ainda em Abril desse ano, a Câmara Municipal de Moura (com a coordenação de Carlos Rico) editou ​o "Cadernos Moura BD" n.º 10, com duas histórias ​inéditas do nosso saudoso ARTUR CORREIA: "Donzela ​que Vai à Guerra" e "A Nau Catrineta".

"Cadernos Moura BD" #10, por Artur Correia - Edição C.M. Moura (2018)

​A tão ansiada obra "Zé do Telhado", por EUGÉNIO SILVA, registou-se bem no interesse de uma editora de Viseu, mas parece que a editora encalhou por sua vez… É um pecado de lesa-BD nacional, este álbum não estar ainda editado!

 Capa e prancha de "Zé do Telhado - de Lanceiro a Salteador"por Eugénio Silva (trabalho ainda inédito)

Entretanto, aproveitando este nosso alerta, JOSÉ RUY começou a colaborar com o BDBD, noticiando o que tem ​iniciado e/ou projectado, porém sem nenhum álbum
​completamente realizado.
Nesta linha, AUGUSTO TRIGO ​tem a ideia da adaptação de alguns contos guineenses, donde o em tempos anunciado "Turu Ban"; e EUGÉNIO ​SILVA vai realizando paulatinamente, a adaptação do ​conto "A Perfeição" de Eça de Queiroz…
Prancha de "A Perfeição", adaptação de Eugénio Silva (trabalho ainda inédito)

​Já neste ano corrente, JOSÉ PIRES editou na sua colecção de fascículos ou mini-álbuns "Fandaventuras", ​a então noticiada "A Morte do Lidador"...
"A Morte do Lidador", adaptação de José Pires, in "Fandaventuras" (2019)

...e, mais adiante, ​o seu álbum inédito "A Portuguesa, História de um Hino", ​será lançado a 25 de Agosto, em Viseu, numa edição da ​Câmara Municipal de Viseu/GICAV.
"A Portuguesa - História de um Hino", por José Pires - Ed. Gicav / CM Viseu (Agosto de 2019)


No 25.º Festival Internacional BD de Beja, a 1 de Junho, foi com todo o entusiasmo e justiça, lançada a terceira ​grande aventura de Pitanga, herói criado por ARLINDO FAGUNDES, "O Colega de Sevilha" (álbum que já aqui foi referenciado em "Novidades Editoriais"), sob edição Arcádia (do grupo editorial Babel).
Capa de "O Colega de Sevilha - Uma Aventura de Pitanga", por Arlindo Fagundes,
com cores de José Pedro Costa - Ed. Arcádia (2019)

BAPTISTA MENDES mantém na gaveta, por "traição" da prevista editora (a Âncora) "A História de Guimarães"...
Projecto de capa para o álbum "Guimarães", por Carlos Baptista Mendes (trabalho ainda inédito)
...e ​"A Vida de Luiz Vaz de Camões". Como é possível?!...
Projecto de capa para o álbum "A Vida de Luiz Vaz de Camões", por Carlos Baptista Mendes
(trabalho ainda inédito)
​​Aos solavancos, tudo indica que os "encalhados" não enferrujaram a 100%...
​No entanto, consta que a Polvo está interessada em reeditar (haja Deus!) o esgotadíssimo "Matias Sándor" por EUGÉNIO SILVA. Deste nosso estimado e meticuloso desenhista, também ​é urgente a reedição do álbum esgotado e tão procurado, "Inês ​de Castro", em vez da editora provável, a Arcádia, ter apostado ​na reedição de "Eusébio", acto que nos pareceu perdulário e ​oportunista devido à morte do dito Eusébio… 
Edições já esgotadas de "Matias Sándor" e "Inês de Castro", por Eugénio Silva
Também PEDRO ​MASSANO deveria ter reedições dos seus belos álbuns há ​muito esgotados!
​Quanto a obras bem gloriosas e preciosas, não "encalhadas" mas ​perdidas por espalhadas em revistas, temos por exemplo: "As ​Minas de Salomão", "O Pagem do Rei" e a série "Sherlock Holmes" ​por FERNANDO BENTO; e a breve série "O Ponto" e "Alice no ​País das Maravilhas" por FERNANDES SILVA.
E muito mais fica ​aqui por se citar… Talvez eu torne à carga...
​As principais editoras-BD de Portugal não devem ser tão lamurientas ​e precipitadamente calculistas ou assobiar para o lado. Devem ser ​mais sensíveis à Cultura, neste caso, à nossa tão apaixonante e tão ​válida Banda Desenhada.
​Viva a BANDA DESENHADA! Viva a 9.ª ARTE PORTUGUESA!

​LB

sexta-feira, 23 de junho de 2017

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (13) - SERPA PINTO

Serpa Pinto
De olhos nos olhos, perguntamos: quem são os autênticos Heróis, exemplarmente marcantes em actos de valentia e sacrifício da nossa História?
Doentiamente, a maioria sabe muito dos futebolistas e pouco mais... Francamente!...
Admiráveis os feitos de alguns grandiosos nomes da nossa História, sobretudo quando realizados a solo, como foi o caso de Serpa Pinto!
Extremamente honrado e incorruptível, temerário e atrevido nos seus empenhos para glória do nosso país, Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto, nasceu no Distrito de Viseu, na zona de Cinfães, a 20 de Abril de 1846, vindo a falecer em Lisboa, a 28 de Dezembro de 1900.
Teve uma educação esmerada e os devidos estudos militares.
Coragem, ante qualquer guerra, nunca lhe faltou. Por exemplo: numa contenda a que assistia na Europa, perante as dificuldades sentidas pelas forças francesas, ofereceu-se para uma “doida” missão... E cumpriu-a com êxito, pelo que foi logo condecorado pelo exército francês.
Serpa Pinto em plena função histórico-científica, algures em África
Mas foi em África que ele sacrificou a sua vida... ousando, sozinho, atravessar esse continente, ligando Angola a Moçambique, apenas com a companhia e ajuda de alguns dedicados africanos. Ainda por cima, pela nossa “fraterna” Europa, esta andava a cobiçar-nos os territórios, com muita inveja e ambição: os ingleses, os alemães, os holandeses, os franceses e sabe-se lá quem mais!
Teoricamente, Serpa Pinto, deveria fazer tal travessia na companhia de dois outros valores, não menos heróis, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens... mas desaguisaram-se ante o itinerário a seguir, apesar dos sábios conselhos do sertanejo Silva Porto.
Serpa Pinto prosseguiu a solo, tendo sofrido muitas agruras: algures, no meio de África, foi alvo de fortes febrões e esteve às portas da morte, tendo-lhe valido os cuidados da família francesa Coillard, missionária no sertão; chorou copiosamente pela morte do seu animal de estimação (que o seguia como um fiel cão), a cabra “Cora”, morta num acidente; assistindo,lamentou com plena amargura, o tráfico de escravos; atreveu-se a medir as cataratas do rio Zambeze, preso à resistência duvidosa de lianas e sob a aflição dos seus fiéis acompanhantes negros...
Foi gloriosamente recebido na África do Sul de então. Mais tarde, foi nomeado governador do nosso (então) território de Cabo Verde.
Selo raro dedicado
a Serpa Pinto
O nome de Serpa Pinto existe na toponímia de muitas urbes do nosso País. Mas ele está também registado na Azulejaria (na Fortaleza de S.Miguel em Luanda, Angola), num busto na Cidade da Praia (República de Cabo Verde) e num selo
raro de 16 escudos na nossa Filatelia.
O nosso Cinema, por miopia ou incapacidade, até hoje, nunca abordou a sua vida e a sua epopeia...
Na Literatura, contam-se exemplos como “A Vida Breve e Ardente de Serpa Pinto” por Carlota Serpa Pinto, “Através do Continente Misterioso” por Adolfo Simões Müller, “Serpa Pinto, o Mistério do Sexto Império” por Pedro Pinto, “Alexandre Serpa Pinto: o Sonhador da África Perdida” por Luís Almeida Martins, “Serpa Pinto na Travessia de África” por Maria Helena Figueiredo Lima, e ainda, pelo punho do
próprio herói, “Como Eu Atravessei África”.

Não o abandonou a nossa atenta Banda Desenhada, pelo que aqui temos os exemplos por Fernando Bento, que publicou, em 1951, na revista "Diabrete", uma biografia, mais tarde reeditada num mini-álbum, pelo Gicav (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), numa edição rara, há muito esgotada...
Gravura 1: Capa de "A Vida Aventurosa de Serpa Pinto", por Fernando Bento, publicada no
"Diabrete" #787 a #842 (1951). Gravuras 2 a 4: capa e pranchas da reedição em álbum pelo Gicav, em 1991

José Garcês e Agostinho Macedo publicaram, a cores e em prancha única, "Serpa Pinto", inserido no álbum colectivo "Grandes Portugueses"...
"Serpa Pinto", por Agostinho Macedo (texto) e José Garcês (texto),
inserido no álbum "Grandes Portugueses", edição da revista "Camarada" (1962)

Baptista Mendes publicou no "Jornal do Exército" uma biografia em duas pranchas...
"Serpa Pinto", por Baptista Mendes (texto e desenhos), in "Jornal do Exército"

...e José Pires publicou, em 2012, também no "Jornal do Exército" uma obra de fôlego, "A Portuguesa: História de um Hino", que aguarda publicação em álbum há alguns anos. Numa das páginas desta obra, que abaixo reproduzimos, aparece a figura de Serpa Pinto.
"A Portuguesa: História de um Hino", por José Pires, in "Jornal do Exército" (2012)

Mas ousámos pedir uma colaboração mais específica, amigavelmente elaborada e que aqui se estreia, com a nossa plena gratidão: as pranchas de Santos Costa...
"Como eu Atravessei a África - Serpa Pinto", por Santos Costa
(publicado no blogue: www.bandarra-bandurra.blogspot.pt) (2017)

...e Pedro Massano...
Quatro pranchas, até agora inéditas, desenhadas propositadamente
por Pedro Massano para o nosso blogue (2017)

...e um divertido cartune por Artur Correia.
Cartune inédito de Artur Correia (2016)
Aqui fica a nossa bem sentida evocação a um dos grandes heróis da História lusa. Que a Pátria nunca te esqueça, valoroso Serpa Pinto!
LB
Ilustração de Fernando Bento

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

OBRAS RARAS (8)

Pedro Massano
MATARAM-NO DUAS VEZES - Até agora, e em princípio, é o único tomo da prevista série “A Lei do Trabuco e do Punhal”, por Pedro Massano (com texto de Luís Avelar)...
Este primeiro tomo, “Mataram-no Duas Vezes”, foi editado pela Europress em 1987. Foi grande êxito na altura e, de momento, o álbum envereda pela galeria dos “esgotados” ou muito difíceis de se encontrar.
Tudo ronda num passado mais ou menos recente, quando as guerrilhas políticas e a banditagem desassossegavam o nosso País, que parecia andar “sem Rei nem Roque”. Tempos amargos, de crimes e de angústias para o nosso povo, sobretudo com as acções de João Brandão.
Então, caro Pedro Massano, vamos a essa necessária continuação?


Francisco Marcatti
A RELÍQUIA - É incrível, mas em Portugal é um álbum praticamente desconhecido!...
“A Relíquia” é uma das mais brilhantes obras do nosso grande Eça, com a sua implacável e mordaz crítica social.
No Brasil, nasceu uma divertida e maravilhosa adaptação, em BD, desta obra. Que espanto! Uma monumental paródia a um texto de Eça pelo admirável desenhista Francisco Marcatti.
Teve edição pela Conrad, em 2007. No entanto, é lastimável que esta obra não tenha a respectiva edição no nosso país... Haja Deus!



CONTOS DAS ILHAS - Com edição Asa, em 1993, foi editado um belo álbum, “Contos das Ilhas”, hoje esgotado e avidamente procurado.
Sob coordenação atenta e correcta do argumentista Jorge Magalhães, aqui participam os nossos desenhistas: Eugénio Silva (também autor da capa), com “O Coelho Branco”; José Garcês, com “O Mestre das Artes”; Catherine Labey, com “A Terra dos Enganos”; e Carlos Alberto Santos no seu derradeiro trabalho em BD, com “O Rei de Nápoles”.
Uma preciosidade da nossa 9.ª Arte em quatro episódios distintos! Uma obra que exige uma bem merecida reedição!
LB