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terça-feira, 20 de agosto de 2019

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (16) - O HINO NACIONAL


CONTRA OS BRETÕES, MARCHAR, MARCHAR!
Ou o que fez surgir "A Portuguesa"​


Assim começa a ​HISTÓRIA:
​A 2 de Fevereiro de 1387, D. João I de Portugal matrimoniou-se ​com a dama inglesa D. Filipa de Lencastre. Foi o solenizar de ​um Tratado, reafirmando-se assim, entre D. João I de ​Portugal e Ricardo II de Inglaterra, em Windsor, depois de ​já em1373, tal ideia ter sido concertada entre D. Fernando ​I de Portugal e o príncipe inglês John de Gant.
Mais ou menos, ​tudo isto foi a génese da famosa Aliança Luso-Inglesa que ​ainda hoje, de nossa parte, servilmente e com um certo ​toque de vazio romantismo tacanho, vamos aceitando…
Casamento de D. João I com Dª Filipa de Lencastre, em 1387
​Deste enlace, da inglesa Filipa e do português João, nasceram ​nove filhos, dois dos quais morreram crianças. Dos outros, os ​cinco filhos varões - Duarte, Pedro, Henrique, João e ​Fernando - firmaram a "Ínclita Geração". Mas, daí para cá, a vetusta "aliada" Inglaterra só nos tem enganado, ​traído, roubado e apunhalado. Uma descarada canalhice!
​Já lá irei à nossa gloriosa "A Portuguesa", mas cumpre-me antes, como português, fazer um breve apanhado histórico das britânicas patifarias ao nosso País, à nossa Pátria, tanto mais que imensos compatriotas nossos tais factos talvez ainda desconheçam!... Ora, vamos lá.
Muito antes deste conveniente matrimónio anglo-português já havia em plena Idade Média, acordos de pesca, ​navegação, comércio e determinadas políticas, entre o nosso ​País (ou Reino) com a Inglaterra, a Dinamarca e a Flandres…
​A 14 de Agosto de 1385, aconteceu a gloriosa vitória de Portugal vencer Castela em Aljubarrota. Foi cá um estoiro contra o ávido Reino aqui mesmo ao lado!... Para aqui, os ​Ingleses apenas enviaram uma diminuta força de apoio de archeiros, que terão ensinado aos Portugueses a ​famosa "técnica do quadrado"...
Batalha de Aljubarrota (1385)
Algum tempo volvido, ​resultou uma das maiores crises políticas: o Reino de ​Portugal, num processo de traição e outras porcarias, caiu ​nas garras do ambicioso Reino de Castela… Já então, a ​Inglaterra, a França e a Holanda, sobretudo, não queriam ​portugueses nos seus horizontes e glórias… Pois, pois!...
​Por estes tempos, um pirata inglês (dito, corsário), o senhor Francis Drake, atacou e fez violentos estragos em terras lusas, ​sobretudo no Algarve, Cascais e Açores. Por esses tempos ainda, D. António I de Portugal, cognominado "o Rei Efémero", após a sacrificada e heróica derrota em Acântara, pediu o apoio aos Ingleses que lhe viraram as costas… e ​veio a morrer, bem infeliz, na zona de Paris, pois foi acolhido ​pela França.
Em 1640, Portugal e a Catalunha lutaram pela ​restauração dos respectivos reinos, então sob Castela. O ​astuto e muito diplomático cardeal Richelieu, então primeiro ​ministro de França, nestas rebeliões, acabou por ajudar ​Portugal. Obrigado, França! Perdoa-nos, Catalunha!... E ​por aqui, a "doce" Inglaterra não tugiu nem mugiu!...
​Quando a infanta D. Catarina (filha de D.João IV e de D. Luísa de Gusmão), por casamento, se instalou em Londres ​e para lá levou o "vício do chá", como dote matrimonial, Portugal ofereceu aos "sagrados aliados" as nossas cidades de "Além-Mar", de Tânger, Bombaim e Columbo. Isto não impediu que a ​Inglaterra deixasse de andar sempre voraz por tudo quanto ​cheirasse a Português!
​Com a "crise" napoleónica, Wellington e Beresford vieram em auxílio (?!…) de Portugal, onde se refastelaram, como se ​Lisboa fosse um bairro de Londres!... Até ousaram assassinar ​(enforcar) o grande general Gomes Freire de Andrade!...
​Outro ignóbil surripianço bretão a Portugal: as ilhas do Atlântico Sul, que embora não propriamente povoadas pelos ​portugueses, eram ainda terras nossas insulares à luz do ​Tratado de Tordesilhas (7 de Julho de 1494): Ascensão, Santa Helena, Tristão da Cunha e Gonçalo Álvares. As esquadras portuguesas escalavam-nas com frequência, sobretudo Santa Helena, cujo primeiro habitante fixo foi o soldado Fernão Lopes, e onde bem mais tarde acabou os seus dias o admirável Napoleão Bonaparte… Pois em inícios do século XIX, os hipócritas Bretões, sem dizerem água vai, ocuparam definitivamente tais ilhas!... E Portugal não reagiu!... Medo de Londres?!…
Agora, dou aqui dois convenientes saltos (lá chegarei à "Portuguesa"...) no tempo cronológico, aqui registado de um modo breve:
1 - Na Primeira Grande Guerra Mundial, enquanto as tropas Inglesas fugiam apavoradas (com "as calças nas mão"?...), bem como os poucos dos nossos, ante um feroz ataque alemão, um único português fez heroicamente frente às tropas de Berlim: o magnífico ​e ímpar "Soldado Milhões". E, nesse clima infernal, ainda ​teve o nobre gesto de salvar um médico escocês que ia ​morrendo afogado.
​2 - A 11 de Novembro de 1965, o corajoso Ian Smith proclamou unilateralmente a independência da Rodésia ​(hoje, Zimbábuè), território que tinha apoio quase total ​de abastecimento no porto da Beira (Moçambique). Londres, ​com uma esquadra sua, logo decretou o bloqueio (e provável ​desembarque de tropas) da Beira!... Não funcionou bem, pois ​logo os Franceses para aí enviaram forças navais para defender ​o território que ainda era português e, por sintonia, a Rodésia.
​Smith, para não complicar a vida a Lisboa (que discretamente o ​apoiava) optou - embora fosse bem mais caro - por se abastecer ​de quase tudo, via os portos sul-africanos de Durban e Cape Town.
​Se tiverem tempo devido, procurem saber das opiniões justas ​e sarcásticas de dois génios literários Irlandeses, George Bernard ​Shaw e Oscar Wilde, sobre os Ingleses (ou Bretões).
​Concentro-me agora no fulcro deste pertinente e histórico texto, e ​também em aplauso sentido aos nossos desenhistas em relação ao ​tema.
​Acontece que houve ​a vil jogada política em relação à tão cobiçada ​África na famosa Conferência de Berlim, que delimitou o que é ​que pertencia a quem… A França e a Alemanha, cedo aceitaram ​as propostas lusas, mas a Inglaterra…
Por esses tempos, raros e ​heróicos sertanejos se aventuraram a "conhecer" África, de ​França, Itália, Inglaterra, Portugal… Nós, aplicámo-nos em ​admiráveis odisseias, épicas e terrestres, donde alguns nomes ​mais notáveis: António Ferreira Silva Porto, Hermenegildo ​Capelo, Roberto Ivens e Alberto Serpa Pinto.
Silva Porto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo e Serpa Pinto
O mapa cor-de-rosa
Pelo lógico pensamento político euro-africano da época, a nossa ideia era ligar Angola a Moçambique, o célebre "Mapa Cor-de-Rosa", num só território luso-africano.
Teria ​sido bonito e glorioso para a respeitável lusofonia, mesmo ​que tais territórios, no futuro, dessem origem a certos e novos ​países africanos…
​Foi então que o safado (é o suave adjectivo possível) de um ambicioso e intriguista político bretão (britânico, inglês ou o raio que…), um tal de Cecil Rhodes, alucinou Londres com outra ideia: em vez do "Mapa Côr-de-Rosa" português e em ​latitude, "de Angola à Contracosta", devia a Inglaterra impor-se ​e possuir em pleno, e em longitude, o "Cape to Cairo", ou seja, ​da África do Sul ao Egipto. Que sinistro e traiçoeiro canalha!
​Então, Londres enviou um escabroso ultimato a Lisboa a 11 de ​Janeiro de 1890: Portugal, ou ocupava em pleno tal espaço ou ​a Inglaterra "tomava conta" do mesmo.
O ultimato da Inglaterra a Portugal visto pelo caricaturista Raphael Bordallo Pinheiro
Nós estávamos, económica ​e militarmente, num tempo bem infeliz e El-Rei D. Carlos cedeu às ​ameaças prepotentes da "nossa ancestral aliada" (Salvo seja!).
​E então nasceu o nosso tão belo e emotivo Hino Nacional, "A ​Portuguesa"!
O Povo Português aceitaria melhor uma desastrosa e trágica guerra contra a Inglaterra, em vez de um "acocoranço"… mas não ​houve guerra e a cambada de além Canal da Mancha, ganhou!
​Vozes (ou escritos) de notáveis ao lado do nosso Povo, como ​Guerra Junqueiro, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, bem criaram ​os seus vigorosos textos, mas de nada valeu. Portugal estava impotente!
​Valeu, sim, a parceria do poeta HENRIQUE LOPES DE MENDONÇA e do compositor ALFREDO KEIL que, num momento intenso e vibrante, criaram "A Portuguesa", o nosso Hino Nacional. No entanto, veio a acontecer uma "emenda ou alteração imperdoável" nos versos justos e de sentida revolta de Lopes de Mendonça (que até ficou proibido de frequentar a Corte): no original, não é "contra os canhões" que devemos marchar mas sim "contra os bretões". Mais uma vez, Lisboa teve medo que Londres amofinasse e uivasse!...
Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça
Ainda há um lógico e justo filme sobre todos estes aspectos, mas a nossa Banda Desenhada, na medida do possível, registou a história de "A Portuguesa" pelo menos em duas versões: uma, em duas pranchas, por CARLOS BAPTISTA MENDES... 
"A Portuguesa", por Baptista Mendes,
in "Jornal do Exército" (1972)

...e a outra, em formato álbum (com lançamento no próximo domingo, 25 de Agosto, em Viseu) por JOSÉ PIRES.
Bravo! Bravíssimo!
Capa e pranchas de "A Portuguesa: História de um Hino", por José Pires
Edição: Gicav/Câmara Municipal de Viseu (Agosto/2019)

Cá por mim (L.B.), sempre que tenha de cantar o nosso Hino utilizarei o termo original "Contra os Bretões"... E que o tão badalado "Brexit" lhes faça bom proveito!
Viva Portugal!
Luiz Beira

sábado, 14 de abril de 2018

VIVA ARTUR CORREIA!

Artur Correia e Luiz Beira, em 2013
Em vésperas da inauguração da grande e merecida exposição evocativa da obra de Artur Correia, a realizar-se em Moura e com sessão de honra no dia 21 de Abril, e conforme eu havia acertado com o meu parceiro deste blogue, é agora a minha vez de registar em firme memória a relação de admiração e amizade com mestre Artur Correia. De qualquer modo, ressalvo, palavras nunca exprimem devidamente o que se sente...
Já conhecia alguma obra deste inesquecível desenhista através das publicações “O Pagem” e “Cavaleiro Andante”. Pessoalmente, conhecemo-nos em Janeiro de 1977, quando eu era repórter e redactor do semanário “Branco e Negro”. Aqui laborava também, como cartunista, o Victor Mesquita que amigavelmente me deu os contactos para um trabalho que eu estava a programar sobre os nossos desenhistas.
De uma assentada conheci: Fernando Bento, Artur Correia, Fernandes Silva, Carlos Alberto, Vítor Péon, José Ruy e José Garcês. Tal reportagem foi publicada no mencionado semanário, a 18 de Janeiro de 1977.
Desde logo estes conhecimentos deram resultado a belas amizades, só apartadas com os falecimentos de alguns: Fernando Bento, Vítor Péon, Fernandes Silva, Carlos Alberto e, mais recentemente, a 1 de Março do corrente, de Artur Correia.
É triste reparar que os media, praticamente, só focaram a vertente exemplar de Artur Correia como cineasta do Cinema de Animação, esquecendo a sua obra imensa como desenhista e cartunista!...
Também grave e quase aberrante: raríssimos blogues focaram esta triste notícia!...
É a Pátria madrasta que não merece os geniais artistas que temos!
Da esquerda para a direita: Artur Correia, João Mascarenhas,
Baptista Mendes, José Ruy e Luiz Beira durante o Festival de Beja
Claro que, a pouco e pouco, fui conhecendo outros valores da nossa BD: José Manuel Soares, Ricardo Neto, Manuela Torres, José Antunes, Jobat (ou, José Batista), José Pires, Baptista Mendes, Eugénio Silva, Pedro Massano, Arlindo Fagundes, Santos Costa, Catherine Labey, Augusto Trigo, etc. O Vassalo de Miranda, já o conhecia de Moçambique, quando lá vivíamos. Cito apenas os veteranos...
Talvez porque éramos ambos muito irónicos e brincalhões, o relacionamento com o Artur Correia sempre foi mais intenso pois frequentemente telefonávamos um ao outro. Agora, tal como para os outros que entretanto “se foram da lei da morte libertando” (verso do grande Camões), só posso “telefonar” para o Além, na saudade e na dorida memória, até chegar a minha vez.
Artur Correia, que tantas vezes me salientou a sua admiração pela arte de Fernandes Silva e, nos mais novos, por Jorge Miguel, era não só um extraordinário homem das Artes (Cinema de Animação, Banda Desenhada e Cartune) como de uma impecável personalidade. E frequentemente me salientava o seu puro afecto por mim, pelo Carlos Rico, a que juntou depois, pelo “pessoal” do GICAV. Tinha um verdadeiro coração de oiro!
Para mim e tantos que te estimavam, acredita, estás firme entre nós.
Viva Artur Correia!
LB
             Cartune oferecido por Artur Correia a Luiz Beira em 2013  

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

BREVES (39)

PARABÉNS, CASEMATE! 


A prestigiosa revista mensal francófona, Casemate, está de parabéns, pois atingiu neste mês de Fevereiro o seu n.º 100.
Deste exemplar, salientamos o artigo dedicado ao primeiro álbum de Tintin que, finalmente, foi agora editado a cores.
E, sobre este assunto, também uma interessante e esclarecedora entrevista com o escritor e diplomata russo, Vladimir Fédorovsky, que - a propósito deste álbum que levantou então muitos protestos e insultos a Hergé - aqui o vem defender com lógica e pertinência.



HANURAM, O DOURADO
A Ericeira BD continua, corajosamente, a pugnar pela 9.ª Arte, e inaugura amanhã, sábado, pelas 17:00 horas, uma exposição de originais de Ricardo Venâncio, (uma antevisão do seu álbum "Hanuram, o Dourado"), numa parceria com a ComicHeart.
A exposição estará patente até 12 de Março.


EXPOSIÇÃO DE CROMOS AINDA PODE SER VISITADA
Até 29 de Abril pode ainda visitar a exposição "Cadernetas de Cromos: 100 Anos do Cromo Colecionável em Portugal", na Biblioteca Nacional, em Lisboa.
A mostra é uma organização do Clube Português de Banda Desenhada, sendo comissariada por João Manuel Mimoso, o grande coleccionador e estudioso deste tema no nosso país.
Na exposição podemos ver cadernetas ilustradas por grandes nomes da BD portuguesa como Carlos Alberto Santos, Vítor Péon, Pedro Massano, José Garcês, José Baptista (Jobat), entre outros.
Estivemos lá, no dia da inauguração, e podemos assegurar que vale bem a pena uma visita.
Adenda: Na próxima quinta-feira, 2 de Março, pelas 17:30, o Clube Português de Banda Desenhada levará a efeito nova palestra que, desta feita, recordará a APR - Agência Portuguesa de Revistas e o grande ilustrador Carlos Alberto Santos (recentemente falecido, como sabemos).



...E TAMBÉM PODE VISITAR AINDA...


Se está, ou vai estar, por terras de Viriato até ao próximo dia 22 de Abril, pode ainda visitar a exposição "Luiz Beira: A paixão pelas Artes - O legado a Viseu", patente na Biblioteca Dom Miguel da Silva.
Trata-se de uma co-produção entre a Câmara Municipal de Viseu e o Gicav.
Aproveite, também, para visitar a Bedeteca Luiz Beira onde alguns milhares de documentos (álbuns, revistas, livros, DVD's...) aguardam por si.
A entrada é livre.


ANIVERSÁRIOS EM MARÇO
Dia 04: Baptista Mendes e Lorenzo Zaniratto (italiano)
Dia 05: Victor Borges
Dia 07: Miguel Rocha e Florence Magnin (francesa)
Dia 09: Alain Corbel (francês)
Dia 10: Jorge Miguel
Dia 13: João Paulo Cotrim
Dia 15: Francisco Ibañez (espanhol)
Dia 16: Carlos Gimenez (espanhol) e Agonia Sampaio
Dia 17 : Yves H. (belga)
Dia 22: Jorge Magalhães e Nuno Nisa
Dia 23: Miguel Ramos
Dia 26: Ângela Gouveia
Dia 31: Kas (polaco)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

FOI BONITA A FESTA, PÁ!

No passado dia 27 de Janeiro, rumámos até à histórica cidade de Viseu para assistir à merecida homenagem que a Câmara Municipal de Viseu e o Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (Gicav) se propuseram prestar a Luiz Beira, meu prezado amigo há mais de 25 anos e colega de blogue há quase cinco.
Na manhã de 28, sábado, houve oportunidade para visitar o magnífico centro histórico da cidade após o que seguimos para almoço com Luís Filipe Mendes (do Gicav), outro amigo de longa data, e Luiz Beira.
Luis Filipe Mendes, Luiz Beira e Carlos Rico
A sessão teve início às 16:00 horas, na Biblioteca Municipal Dom Miguel da Silva, conforme estava previsto no programa. Aliás, toda a sessão decorreu a um ritmo assinalável, de forma contínua, sem pausas desnecessárias, o que se regista muito positivamente.
Começou com a actuação do viseense Grupo de Teatro Off, que interpretou um pequeno sketch humorístico e que, no final deste, convidou o próprio homenageado a juntar-se-lhe para... cantar as Janeiras.
Uma fase da actuação do Grupo de Teatro Off. À esquerda, Arlindo Fagundes,
Carlos Almeida e Geraldes Lino divertem-se com a cena (foto: CM Viseu/José Alfredo)
Luiz Beira, entre os actores do Grupo de Teatro Off, tentando cantar as janeiras... (foto: CM Viseu/José Alfredo)
Seguiram-se os indispensáveis discursos nestas ocasiões. A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Viseu, Dr.ª Odete Paiva, e a Presidente da Direcção do Gicav, Dr.ª Filipa Mendes, elogiaram o homenageado e a sua obra e deram natural destaque ao gesto altruísta de Luiz Beira que doou a Viseu uma grande parte do seu acervo pessoal de banda desenhada, originando, dessa forma, o nascimento da Bedeteca Luiz Beira, já lá vão quinze anos.
Vista parcial da sessão de homenagem, com a Vereadora da CM Viseu, Dr.ª Odete Paiva, a discursar. Em primeiro plano, uma enorme vitrina que albergava álbuns que Luiz Beira doou à Bedeteca, autografados por nomes grandes da BD portuguesa e franco-belga
A Presidente do Gicav, Dr.ª Filipa Mendes, tomando a palavra. Ao fundo, a Bedeteca Luiz Beira. 
A propósito da Bedeteca Luiz Beira, abrimos aqui um pequeno parêntesis para informar que, além dos álbuns de banda desenhada (que neste momento são cerca de 6000, mais precisamente 5968), Luiz Beira doou ainda:
Livros vários de teatro e cinema: cerca de 700
- DVD's: 133
- VHS's: 30
- Revistas de BD em colecção: 5 (que perfazem 645 fascículos)
- Publicações periódicas várias (números dispersos): 1875 fascículos
Total de documentos doados: 9351 (!)
Convenhamos que é obra!...
Uma das salas da Bedeteca Luiz Beira
Geraldes Lino na Bedeteca Luiz Beira
Fechado o parêntesis, retomamos a reportagem para dizer que se seguiu, naturalmente, o momento em que Luiz Beira tomou a palavra. Este começou por chamar para junto de si alguns amigos de longa data, do mundo da BD, que estavam presentes.
Da esquerda para a direita: Rafael Sales, Carlos Rico, Dr.ª Filipa Mendes, Arlindo Fagundes, Dr.ª Odete Paiva, Geraldes Lino, Luiz Beira, Artur Correia e Carlos Baptista Mendes
Após o breve discurso, a Dr.ª Odete Paiva ofereceu a Luiz Beira, em nome da Câmara Municipal de Viseu, uma placa comemorativa. Este agradeceu o gesto da autarquia viseense e do Gicav, à maneira moçambicana: Kanimambo!
Momento em que a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Viseu
oferece a Luiz Beira a placa comemorativa
Seguiu-se uma visita guiada à exposição, que ficou distribuída por dois andares: no primeiro, uma enorme vitrina com álbuns autografados, um painel biográfico e uma galeria de caricaturas e retratos originais que saíram directamente das paredes de casa de Luiz Beira para o átrio da Biblioteca Dom Miguel da Silva.
À entrada, a exposição de caricaturas e retratos originais de Luiz Beira

Algumas das caricaturas e retratos originais que poderão ser vistos nesta exposição.

Vitrina onde se podem observar álbuns de banda desenhada
autografados por nomes bem conhecidos da BD portuguesa
O casal Maria Belmira e Artur Correia, bem como Baptista Mendes, observando atentamente
algumas das preciosidades expostas na vitrina
Depois, subindo as escadas até ao andar seguinte, aguardavam-nos dezena e meia de painéis, uns com fotos do percurso de vida de Luiz Beira...
...outros com dedicatórias e autógrafos de alguns dos principais desenhadores da BD portuguesa e mundial (Hermann, Horacio Altuna, Dany, Craenhals, Morris, Convard, Jacques Martin, Tito, etc)...
...e, por fim, depoimentos de gente da BD, que não quis deixar de se associar a esta homenagem.
Luiz Beira, atento ao pormenor de um dos painéis fotobiográficos (foto: CM Viseu/José Alfredo)
A exposição de Luiz Beira foi vista com bastante interesse pelo público
A visita guiada decorreu bem, embora o numeroso público que participou acabasse por não nos deixar espaço para tirar algumas fotografias em plano aberto. Por isso regressámos, posteriormente, ao local e fotografámos a série de painéis, de forma a que os nossos leitores pudessem perceber melhor como estavam distribuídos...

De salientar que, durante a sessão, Rafael Sales, Dani e Miguel Rebelo, três caricaturistas/cartunistas locais, animaram o espaço desenhando ao vivo caricaturas de Luiz Beira que depois lhe foram oferecidas.
 Luiz Beira observando atentamente o trabalho dos cartunistas Rafael Sales e Dani (foto: CM Viseu/José Alfredo)
Miguel Rebelo, cartunista da revista "Anim' Arte", desenhando o homenageado
Já depois da fase de "maior sufoco", quando o público começou a dispersar, Luiz Beira pode fazer uma visita mais demorada e atenta pela exposição que lhe era dedicada... 
Luiz Beira observando o primeiro painel da exposição, com texto biográfico (foto: CM Viseu/José Alfredo)
...e teve, enfim, tempo para umas fotos com a competente e abnegada equipa da Biblioteca/Bedeteca Municipal de Viseu.
Luiz Beira e a Dr.ª Teresa Almeida, responsável pela Bedeteca

Luiz Beira ladeado por Luís Teixeira e João Clemente, dois funcionários da Biblioteca
O casal Artur e Maria Belmira Correia e Carlos Baptista Mendes, num breve momento de descanso para retemperar forças
Ainda na Biblioteca, houve espaço para um pequeno beberete, onde foi servido um excelente "Dão de Honra" aos convidados. Foi o prelúdio certo para o jantar que se seguiu, no Restaurante "Os Templários", onde o convívio entre gentes de Lisboa, Braga, Aveiro, Tomar, Moura, Seixal e Viseu se prolongou noite dentro. 
Luiz Beira, durante o jantar, à cabeceira da mesa, ladeado por Carlos Carvalheiro, Carlos Alberto Almeida, Geraldes Lino, Arlindo Fagundes e Ju, a esposa deste.
Carlos Carvalheiro (do Grupo de Teatro "Fatias de Cá") e Carlos Almeida (do Gicav)
Geraldes Lino e Arlindo Fagundes
Carlos Baptista Mendes, um senhor da BD portuguesa
Luís Filipe Mendes (de camisola clara) foi um dos grandes obreiros desta homenagem, apesar de se ter mantido discreto durante praticamente toda a sessão. Vê-mo-lo aqui, durante o jantar, na companhia da filha, Joana, da esposa, Natália, e do colega José Carlos Costa (da Junta de Freguesia de Ranhados).
Depois do jantar, houve quem optasse por assistir, ali bem perto, ao espectáculo "Cantar as Janeiras" (desta vez já sem o Luiz Beira a fazer estragos...); outros preferiram "abanar o capacete" com a excelente banda viseense "Hi-Fi" que comemorava os seus dez anos de existência com um concerto livre; e outros - como foi o nosso caso - optaram por regressar ao Hotel e descansar de um dia extenuante (com muitas horas de viagem pelo meio) mas, também, muito gratificante.

Em resumo, estão de parabéns:
- O Gicav (com destaque para Luís Filipe Mendes e Carlos Alberto Almeida, os dois grandes obreiros desta bela iniciativa).
- A Câmara Municipal de Viseu, pelo forte contributo que, ao longo de tantos anos, tem dado e continua a dar à banda desenhada, caso muito raro no panorama autárquico nacional, como é sabido.
- A Biblioteca Dom Miguel da Silva / Bedeteca Luiz Beira (com uma palavra de apreço para a Dr.ª Teresa Almeida e a sua equipa, incansáveis na articulação com o Gicav na preparação desta homenagem).
- E, last but not least, Luiz Beira, meu amigo de longa data e colega de blogue, que mereceu, sem dúvida, esta bonita homenagem pelo muito que tem feito - e vai continuar a fazer - pelas Artes em geral, pela banda desenhada e por Viseu, em particular.

Mais uma vez - nunca é demais referir -, tudo foi preparado com extremo cuidado e decorreu muito bem. E, para cúmulo, nem faltou um pormenor delicioso no elevador do Hotel onde nos hospedámos... 
Como diria o grande Chico Buarque: "Foi bonita a festa, pá!".
CR
Pormenor do elevador do Hotel. Nem de propósito...
Nota 1: A exposição pode continuar a ser visitada até ao próximo dia 22 de Abril.
Nota 2: Agradecemos a cedência de algumas das fotos que ilustram este post à Câmara Municipal de Viseu/José Alfredo.