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segunda-feira, 12 de maio de 2025

BREVES (123)


CAMÕES É TEMA PARA EXPOSIÇÃO-BD...

Moura vai ter patente a exposição "Camões na Banda Desenhada", entre os próximos dias 25 de maio e 1 de Junho. 
São cerca de três dezenas e meia de versões sobre a vida e a obra do nosso maior Poeta. 
A produção é da Câmara Municipal de Moura e do Gicav - Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, com o apoio da Câmara Municipal de Viseu, da Viseu Marca e do Instituto Português do Desporto e Juventude.
A mostra está inserida na Feira do Livro de Moura e decorre no Cine-Teatro Caridade (mesmo junto à tenda gigante que alberga a Feira). Em Agosto seguirá para Viseu, como habitualmente, para poder ser visitada na Feira de São Mateus, em datas ainda a confirmar. Depois, seguirá para escolas, bibliotecas e outras entidades que mostrem interesse na sua digressão.



...E REVISTA/FANZINE!

No sábado, dia 31 de Maio, pelas 16:30, na Feira do Livro de Moura, será também lançado o fanzine/revista "Camões na obra de Carlos Alberto Santos e Lembranças de Carlos Alberto".
São 48 páginas profusamente ilustradas, numa edição da Câmara de Moura com texto de João Manuel Mimoso, que dará uma pequena palestra sobre o tema.
Será a 32ª publicação(!) de banda desenhada, promovida em 30 anos pela autarquia mourense!
Uma edição de coleccionador... a não perder, como é evidente!
CR

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DO MOURA BD (2) - 1991: começa a aventura

Texto e pesquisa: Carlos Rico
Fotos: Orlando Fialho, Pinto Moreira e Luiz Beira

Publicado que está, há mais de três anos, o artigo inaugural desta série, e tendo nessa altura apelado (mediante o anúncio que continua visível na coluna da direita do BDBD) para que os nossos leitores nos facultassem eventuais fotografias ou vídeos que tivessem relacionados com o tema, não obtivemos, até hoje, praticamente qualquer contributo para juntar aos nossos arquivos.
Apesar de ainda mantermos a esperança de poder receber uma imagem ou um vídeo inéditos, que nos façam recordar momentos por nós entretanto esquecidos, decidimos não esperar mais e avançar para a publicação destas "Memórias do Moura BD". 
Se entretanto aparecer algum material extra (fotos, vídeos, recortes de imprensa, testemunhos...), ele será muito bem-vindo e, naturalmente, acrescentá-lo-emos ao respectivo post.  
Comecemos, então, esta verdadeira viagem no tempo...


Em 1991, num ano capicua (sinal de sorte?), surgiu o Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura, uma iniciativa inédita na altura por terras alentejanas (só uma década e meia mais tarde surgiria o Festival de Beja) que veio colocar no mapa da BD a cidade de Salúquia.
Mais tarde conhecido pelos amantes da 9.ª Arte como "Moura BD", o salão teve, contudo, nas primeiras quatro edições outras designações: "Exposição de BD de Moura" ou "Expo BD de Moura". Como se percebe até por estes pormenores, eram tempos em que o salão ainda gatinhava e procurava encetar o seu próprio caminho...
A edição inaugural incluiu, apenas e só, a primeira de várias digressões que as Jornadas Internacionais de Banda Desenhada da Sobreda (Sobreda BD) fizeram a Moura. Para tal contribuíram a vontade e o entusiasmo de Luiz Beira - fundador do Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS) e o grande obreiro da Sobreda BD - e o empenho do Director da Escola Secundária de Moura na altura, Prof. António Borralho, que, tendo visitado por acaso o salão sobredense, logo aceitou a sugestão de uma digressão a Moura, com algum do material em exposição.
E assim aconteceu: a 20 de Maio de 1991 (uma segunda-feira!) a Escola Secundária de Moura abria portas à banda desenhada e dava início a uma aventura que durou mais de duas décadas.

Entrada da Escola Secundária de Moura (anos 90)

A exposição, basicamente constituída por cópias de pranchas, capas e biografias de autores, ficou patente no átrio por essa altura utilizado como sala de convívio dos alunos. Hoje em dia esse espaço já não existe, infelizmente, em virtude das polémicas obras sofridas pela escola há alguns anos, que reformularam por completo - e sem necessidade, diria eu - todo o edifício...

A sala de convívio dos alunos da Escola, onde a 1.ª Exposição de Banda Desenhada de Moura ocorreu, nuns painéis colocados na parede à direita.

O mesmo átrio, fotografado no ângulo oposto.

A banda desenhada holandesa foi um dos destaques da Digressão da Sobreda.
Infelizmente, esta foi uma das pouquíssimas fotos que se tiraram do salão.
Outros tempos, em que o telemóvel e as selfies eram apenas uma miragem...

Por sugestão e convite do Prof. Borralho, durante os cinco dias da semana fiz sessões de desenho ao vivo sendo essa a única actividade paralela que o salão incluiu no seu programa. No sábado, 25, último dia do salão, as presenças do grande ilustrador Carlos Alberto Santos (o autor "Convidado de Honra"), de Luiz Beira e de Hélder Carrilho (ambos em representação do GBS) foram o ponto alto da primeira edição.
Carlos Alberto Santos (cujo trabalho sempre admirei) conversando comigo,
durante a visita ao salão. Por trás de ambos, a única imagem existente
dos painéis com a exposição vinda da Sobreda.

Em jeito de balanço, podemos dizer que a exposição teve a grande virtude de “abrir caminho”, digamos assim, apesar de ser uma iniciativa virada quase exclusivamente para o público da própria Escola (o público em geral e as outras escolas não corresponderam). Mas ficou lançada a semente que, com os anos, cresceu, floriu e deu frutos…
(continua)



Biografia de
Carlos Alberto Santos

De seu nome completo Carlos Alberto Ferreira dos Santos, nasceu em Lisboa a 18 de Julho de 1933. 
Pessoa ultra-afável e genial artista, dedicou-se sobretudo à Banda Desenhada e à sua magnífica e gloriosa Pintura. 
Para além disso, tinha pessoalmente duas grandes paixões: a Ópera e... os gatos.
Das inúmeras e belíssimas capas que criou, salientamos as da colecção “Mundo de Aventuras”, a do álbum colectivo “Salúquia” (editado, em 2009, pela Câmara Municipal de Moura, na que seria a sua última participação como capista numa publicação BD) e as eróticas da revista “Zakarella”.
Para o “Jornal do Cuto”, elaborou também (para além de capas e ilustrações avulsas) as belas separatas “Quadros da História de Portugal” 
(sob o pseudónimo M. Gustavo).
Ilustrou várias colecções de cromos como "História de Portugal" (um rotundo êxito, com mais de vinte edições!), "Trajos Típicos de Todo o Mundo", "História de Lisboa", "Romeu e Julieta", "Pedro Álvares Cabral", "Camões", "Bandeiras do Universo", "A Conquista do Espaço", etc.
Ilustrou, também, textos de Raul Correia, para os Amigos do Livro, nas colecções "A Vida de Jesus", "Histórias do Avôzinho", "Histórias de Todo o Mundo Contadas às Crianças" e "Lendas Portuguesas".
Na sua BD, contam-se, entre outras: “A História Maravilhosa de João dos Mares”; “Camões” (com texto de José de Oliveira Cosme, publicado a preto e branco no “Mundo de Aventuras” e reeditado num álbum a cores, anos mais tarde, pela Asa); “O Rei de Nápoles” (com argumento de Jorge Magalhães), o seu último trabalho na 9.ª Arte, no álbum colectivo “Contos das Ilhas” (ed. Asa), mais tarde reeditado, a preto e branco, no semanário “O Louletano”; “O Infante Santo”; “O Santo Condestável”; “O Combate de Pembe”; “A Espada Nazarena”; “Ousadia Triunfante”; “Capitão Bravo”; “O Almirante das Naus da Índia” (com texto de Olga Alves); “O Escudo do Sarraceno” (com texto de Hermínio Rodrigo) e, segundo Júlio Diniz e em oito fascículos, “Os Fidalgos da Casa Mourisca”.
Afastado por largos anos da BD, por problemas que lhe afectavam a visão, dedicou-se exclusivamente à Pintura, donde imensos e deslumbrantes quadros, muitos deles patentes em entidades culturais de Portugal e do estrangeiro.
Com a sua partida, a 1 de Novembro de 2016, ficou mais um vazio no panorama cultural português.






terça-feira, 16 de março de 2021

CAPAS (17) - CARLOS ALBERTO SANTOS

Carlos Alberto Santos (1933-2016)
Já falámos aqui, por diversas vezes, de Carlos Alberto Santos (1933-2016), um dos ilustradores portugueses mais conceituados, que mais e melhores capas produziu ao longo da sua brilhante carreira. 
Dono de um estilo inconfundível, publicou banda desenhada no "Camarada" (onde se estreou), "Mundo de Aventuras", "Pisca-Pisca", entre outras, mas foi sobretudo como capista que se evidenciou, dado o volume imenso de ilustrações/capas que produziu para a Agência Portuguesa de Revistas.
Revistas de banda desenhada como "Mundo de Aventuras", "Policial", "Guerra", "Selecções do MA", "Jornal do Cuto", "Zakarela", "Heróis Inesquecíveis" (entre muitas outras), assim como outro tipo de publicações (cadernetas de cromos, livros infanto-juvenis ou colecções de novelas western ou policiais) usufruíram da Arte maior deste genial artista.
A sua última capa para uma publicação BD - produzida, ainda assim, com grande empenho e entusiasmo - foi a do álbum colectivo "Salúquia: a Lenda de Moura em Banda Desenhada", numa fase em que já só se dedicava à Pintura, por problemas de saúde que lhe afectavam a vista, e que não o deixavam trabalhar a escalas mais pequenas.
Aqui vos deixamos uma pequeníssima amostra do trabalho notável que Carlos Alberto Santos nos legou...
CR

sábado, 2 de fevereiro de 2019

HERÓIS INESQUECÍVEIS (61) - FLASH GORDON

Flash Gordon por Al Williamson

Pronto, cá o temos!...
Nas loucuras e entusiasmos por aventuras-viagens no Tempo e no Cosmos, há um certo número de heróis... digamos, “os sete magníficos” deste género de aventuras, a saber:
Pelos Estados Unidos - Buck Rogers (1929) por Philip Nowlan e Dick Calkins; Brick Bradford (1933) por William Ritt e Clarence Gray; e, Flash Gordon (1934) por Alex Raymond.
Pela Inglaterra - Garth (1943) por Steve Dowling; e, Dan Dare (1950) por Marcus Morris e Frank Hampson.
Por França/Bélgica - no mesmo ano de 1967, Luc Orient por Greg e Eddy Paape; e, Valérian, por Pierre Christin e Jean-Claude Mezières.
Tintin e alguns dos seus companheiros, na sua notável viagem à Lua, não se filiam neste esquema.
Alex Raymond (1909-1956)
De todos os citados, Flash Gordon é indubitavelmente o mais famoso mundialmente. Foi idealizado em 1933 por Joseph Connoly (um dos “patrões” da King Features Syndicate), que queria um digno herói da ficção-científica que fizesse concorrência ao já popular Buck Rogers.
E, para início, essa ideia foi posta em prática segundo a mestria de Alex Raymond.
Muitos outros o continuaram, como Dan Barry, Mac Raboy, o cubano Ric Estrada, Frank Bolle, o letão Gil Kane, Al Williamson, Paul Norris, Jim Keefe, etc. Também vários foram os argumentistas apostados nesta série, como Don Moore.
Todos sabem que Flash Gordon, a sua eterna noiva Dale Arden e o Prof. Hans Zarkov, por um estranho percurso, vão aterrar no bizarro planeta Mongo, governado tiranicamente pelo cruel imperador Ming... E por aqui se iniciam infindáveis e empolgantes aventuras.
"Flash Gordon", por Alex Raymond, in "Mundo de Aventuras" #129,
Ed. Agência Portuguesa de Revistas (18.03.1976)

Em Portugal, Flash Gordon, chegou a ser tratado por "Roldan", "Roldão, o Temerário", "Capitão Relâmpago"...
Exemplos de publicações portuguesas com diferentes designações para Flash Gordon


Foi editado num extenso universo de publicações como "Mundo de Aventuras"... 
"O Cometa do Fogo", por Mac Raboy e Don Moore, in "Mundo de Aventuras" (2.ª série) #400 (1981)
"Mundo de Aventuras Especial"... 
"Capa do "Mundo de Aventuras Especial" #26 (Janeiro de 1981), por Augusto Trigo
"Espaço"...
"Capitão Relâmpago em Perigo na Floresta Submarina", por Dan Barry,
in "Espaço" #8 (Ed. Agência Portuguesa de Revistas, 1961). Capa de Carlos Alberto Santos 

"Colecção Audácia"...
"Roldan"in "Colecção Audácia" (volume 1, fascículo 11), Ed. Aguiar & Dias, Ld.ª

"As Grandes Aventuras de Flash Gordon"...
Colecção "As Grandes Aventuras de Flash Gordon" #2 e #4, Ed. Portugal Press (1978)
com capas de Carlos Alberto Santos.

"Flash Gordon"...
"Regresso a Mongo", por John Warner (texto) e Carlos Garzon (desenhos),
in revista "Flash Gordon" #1, Ed. Agência Portuguesa de Revistas (Novembro de 1980)
"Jornal do Cuto"...
"Flash Gordon em O Planeta da Morte", por Dan Barry, in "Jornal do Cuto" #125 (24.12.1975)
Capa de Carlos Alberto Santos

"Tigre"...
"Flash Gordon em O País do Esquecimento", por Dan Barry,
in "Colecção Tigre" #3 série 1 (Ed. Agência Portuguesa de Revistas, 01.06.1955)

..."Êxitos da TV"...
"Luta contra a Morte", in "Êxitos da TV" #9 (1979). Capa de Carlos Alberto Santos

"Colecção Condor"...
Capa e pranchas de "Uma Avantura em Marte", por Marc Robay (Raboy) e Don Moore,
in "Colecção Condor", (2.º volume, fascículo 16), Ed. Agência Portuguesa de Revistas

"Aventureiro"...
"Flash Gordon em Os Traficantes de Escravos", in "Aventureiro" #4,
Ed. Campo Verde (1979)

"Heróis Inesquecíveis"...
Flash Gordon em "O Planeta da Morte", in "Heróis Inesquecíveis" #12.
Capa de Carlos Alberto Santos
..."Chico Zumba", "Condor Popular", "Grilo", "Jaguar", "Pantera Negra", "Fantasma" (2.ª série), etc, etc. E, nos tempos do Moçambique português, no suplemento dominical "Notícias Infantil" e na efémera revista "Kurika" (1.ª fase).
Flash Gordon por Mac Raboy e Don Moore, in "Notícias Infantil" (1953 e 1954)

A nível de álbuns, constam: quatro pela Agência Portuguesa de Revistas, dois pela Futura e pela Presença, um pela TV Guia e outro pela Panini Comics.
Flash Gordon por Dan Barry, in "Antologia da BD Clássica" #4, Ed. Futura (1983).
Capa de Chico Lança
Flash Gordon II, por Al Williamson, in "Antologia da BD Clássica" #17, Ed. Futura (1986)
Capa de Augusto Trigo

"Flash Gordon" por Bruce Jones (texto) e Al Williamson (desenhos), Ed. TV Guia (1982)

"Flash Gordon", por Alex Raymond, in "Os Clássicos da Banda Desenhada" #20,
Ed. Panini Comics (2004)

Com periódicos e alguns álbuns, há uma exuberante força editorial entre nós, porém, muito dispersa (que pena!)...
O Cinema e a Televisão não esqueceram este popular herói.
Com realizadores diferentes, mas sempre com o actor Larry Buster Crabbe, foram feitos três longos seriados, em 1936, 1938 e 1939.
Curiosamente, em 1952, Crabbe interpretou Buck Rogers, o rival de Flash Gordon.
Em 1974 e 1989, foram realizadas paródias eróticas por Howard Ziehm, com o título “Flesh Gordon”.
Em 1980, então sim, uma bela longa-metragem por Mike Hodges, com um elenco de luxo: Sam Jones (Flash Gordon), Melody Anderson (Dale Arden), Topol (Hans Zarkov), Max Von Sydow (Ming), Timothy Dalton (príncipe Barin), Ornella Muti (princesa Aura), etc. A famosa banda sonora é do grupo Queen.

Nas adaptações para séries televisivas, destaca-se a realizada por Peter Hume nos anos 2007 e 2008, com o actor Eric Johnson.
Pelo Cinema de Animação, registam-se produções efectuadas em 1979, 1982, 1986/1987 e 1996.
Episódio da série animada de 1979

Obviamente, há muitas outras adaptações, talvez de menor importância. Aqui ficam apenas os registos mais fundamentais sobre esse inesquecível herói-BD que é Flash Gordon.
LB