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sábado, 5 de fevereiro de 2022

NOVIDADES EDITORIAIS (231)

LA VOIE DU MAL - Edição Glénat. Autores: argumento de Jean-Marc Rivière, traço de Gabriel Andrade Jr. e cores de Elvire De Cock. É o primeiro tomo da série "Les Enquêtes de Machiavel".
Grande vulto da Renascença, o italiano Niccoló dei Machiavelli (Nicolau Maquiavel, em português), nascido a 3 de Maio de 1469, em Florença, onde faleceu a 21 de Junho de 1527, é sobretudo célebre pelo seu livro "O Príncipe". Mas tem muito mais glórias na sua vida, pois foi filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico.
"O Príncipe" terá sido escrito em 1513 e, teoricamente, era dedicado a Lorenzo de Medici, mas acabou por sê-lo a César Bórgia, onde foca toda a dinâmica do poder.
Maquiavel experimentou muitas situações na vida, mormente na sua juventude aventureira, observadora e registadora... Este primeiro tomo termina com a execução (assassinato, claro!) na fogueira do clérigo Girolamo Savonarola, que ele tentou salvar...


DIÁRIO DE UMA QUARENTENA EM RISCO - Edição Pim!. Autor: Nuno Saraiva.
No pandemónio da pandemia do Covid 19, o autor brinca e satiriza com os pânicos das gentes. E fez muito bem, pois temos de ser positivos e deixar de estarmos em constantes lamúrias.
Este livro alivia-nos com uma certa graça.
Obrigado, Nuno Saraiva!



ABANDONOS - Edição Escorpião Azul. Autor: Ricardo Santo.
É uma obra dramática e terna em defesa das situações dos povos e da natureza do nosso Portugal tão mal estimado.
De certo modo, uma sentida denúncia, um libelo acusatório.
Tomara que quem de direito, sobretudo os nossos ávidos e vaidosos políticos, atentassem nas situações que esta obra aponta e/ou propõe.
A ver vamos, pois os actos positivos são urgentes e necessários e não devem esvoaçar apenas pelos histéricos blá-blás das campanhas eleitorais...

LB

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

BREVES (90)

BDTECA - MOSTRA DE BANDA DESENHADA REGRESSA... CONDICIONADA
A 15.ª edição da BDTECA - Mostra de Banda Desenhada de Odemira decorre entre os meses de Janeiro e Março de 2021, na Biblioteca Municipal José Saramago, numa iniciativa promovida pelo Município de Odemira, em parceria com a Sopa dos Artistas - Associação Local de Artistas Plásticos. 
A BDTECA tem este ano a programação limitada devido à pandemia Covid-19, sendo o início marcado pela 15.ª edição do Concurso Nacional de Banda Desenhada de Odemira, cuja fase de apresentação de trabalhos termina no próximo dia 19 de Fevereiro, sendo dirigido a maiores de 16 anos. Os trabalhos têm tema livre e serão avaliados de acordo com a criatividade, originalidade e qualidade gráfica. 
O concurso tem como prémios 500,00€ para o 1.º classificado, 250,00€ para o 2.º e 125,00€ para o 3.º lugar. Os trabalhos devem ser originais, apresentados com o máximo de 4 pranchas, em língua portuguesa e em formato A3. Cada concorrente poderá concorrer com mais do que um trabalho, desde que enviados separadamente e com pseudónimos diferentes.
Os concorrentes devem enviar as BD’s por correio até ao dia 19 de fevereiro de 2021, para a morada: Município de Odemira, Praça da República, 7630 - 139 Odemira.
Os trabalhos realizados em suporte digital deverão ser enviados para o endereço electrónico: biblioteca@cm-odemira.pt


LAERTE TESTA POSITIVO PARA COVID-19...
A cartunista brasileira Laerte Coutinho anunciou na sua página do Twitter que testou positivo para Covid: "Gentes queridas - peguei covid. Tou sob bons cuidados e a evolução está satisfatória. Fico grata pelas emanações e preocupações! Vocês, máscaras, mãos lavadas e o possível de isolamento…"
Milhares de fãs manifestaram o desejo de melhoras da cartunista, aos quais o BDBD também se associa, evidentemente.


...ASSIM COMO NUNO SARAIVA
Escassos minutos depois de termos colocado on line este post demo-nos conta de que Nuno Saraiva também anunciava na sua página de facebook (e de forma bem humorada e original) que está infectado com o Coronavírus. Também para ele vão os nossos votos de rápida recuperação.


FALECEU JEAN GRATON
Jean Graton (1923-2021)
Nascido em Nantes (França), pelos anos 20, passou a residir na Bélgica: JEAN GRATON faleceu aos 97 anos, a 21 de Janeiro deste ano decorrente.
Famoso pelo seu herói de honra, Michel Vaillant, cujas aventuras automobilísticas têm sido publicadas em revistas e álbuns em Portugal, tem, no entanto, muitos outros heróis ou narrativas. 
Visitou Portugal algumas vezes, não só para se documentar, como abrilhantou uma edição do Festival da Amadora. 
Sem a sua presença física, foi homenageado no salão "Sobreda-BD 89".
Em breve, aqui publicaremos, na rubrica "Capas", um alusivo e devido post que, aliás, já estava em preparação.



ANIVERSÁRIOS EM FEVEREIRO
Dia 09 - Eliseu Gouveia (Zeu), José de Matos-Cruz e David B. (francês)
Dia 11 - Pedro Morais
Dia 13 - Philippe Jardinet (belga)
Dia 14 - Fernando Santos Costa
Dia 15 - Matt Groening (estado-unidense)
Dia 17 - Alejandro Jodorowsky (chileno)
Dia 20 - Sergei e Enrique Abuli (francês)
Dia 21 - Luís Pinto-Coelho
Dia 24 - Yuval Harari (israelita)
Dia 25 - Eugénio Silva
Dia 29 - Paolo Eleuteri Serpieri (italiano)
CR/LB

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

DE ACTORES A HERÓIS DE PAPEL (21) - AMÁLIA RODRIGUES

Amália (1920-1999)
Após um arrastar de pesquisas consegui, ​por fim, forjar este post para o BDBD.
É o ​segundo nome português que aqui se regista, ​pois o primeiro foi dedicado a Carmen Miranda, a 9 de Fevereiro de 2018. Outros valores da Cena Portuguesa bem mereciam figurar nesta galeria ​como Laura Alves, Vasco Santana, António Silva, etc, ​mas dos nossos desenhistas ainda nenhum a tal se ​arrojou…
​Aqui se firma a nossa grande e única Amália Rodrigues, ​onde há uma imensidão de aspectos a focar, tão vasta, sofredora e gloriosa foi a vida espantosa que a marcou, ​como mulher e como artista. Daí que, obviamente, tudo ​seja aqui focado de um modo reduzido…
​Oriunda de uma família modesta, nasceu em Lisboa em ​1920 (a 1 ou 23 de Julho?...), onde faleceu a 6 de ​Outubro de 1999, estando dignamente sepultada no ​Panteão Nacional.
​Com uma voz única e inimitável, ficou para sempre ​famosa no mundo inteiro.

Sua irmã Celeste, falecida em 2018, também ​foi uma cativante fadista.
Amália adorava ver e rever os filmes ​com Fred Astaire.
Era amiga de todos, incluindo as ​saudosas Hermínia Silva e Laura Alves, como também de ​Edith Piaf e Marlene Dietrich. E o actor-cantor Charles ​Aznavour (1924-2018), criou para ela o tocante primeiro ​fado em francês, "Ay Mourrir Pour Toi".
Se hoje até já se canta o fado em idiomas locais, como ​em Espanha, França, Brasil (com o natural sotaque), no ​Japão, Sérvia, Israel, etc, tal se deve à nossa Amália ​Rodrigues.
No entanto, Amália não cantou só o fado, ​tendo interpretado também em idiomas originais, canções ​em castelhano, francês, inglês, italiano… A sua versão de ​"Summertime" (letra de Dullowe Heywant e música do grande George Gershwin) é um marco sem medida na ​sua carreira.
Num "outro" Moçambique onde, na Cidade ​da Beira, residia Francisco Cruz (seu primeiro marido), ela ​exigia que nas suas actuações nessa cidade fosse ele um ​dos acompanhantes guitarristas.
​Seu segundo marido foi César Seabra. Não resultaram ​filhos de nenhum dos casamentos.
Amália interpretando o fado "Gaivota"

Mas Amália não foi ​apenas cantadeira, pois foi também actriz e poetisa.
​Participou no Cinema e/ou Televisão, em Portugal, Brasil, França, México, Estados Unidos, Alemanha… Principais filmes: "Capas Negras" (1947), "Fado, História de uma Cantadeira" (1947), "Vendaval Maravilhoso" (Brasil, 1949), "Os Amantes do Tejo" (Portugal/França, 1955), "Sangue Toureiro" (1958), "Fado Corrido" (1964) ou "As Ilhas Encantadas" (França/Portugal, 1965).

 
Amália numa cena de "As Ilhas Encantadas" (1965)
Chegou a ser ​noticiado que ela e o malogrado actor Ruy Gomes iriam ​para o palco com "Chá e Simpatia", mas esta ideia do ​saudoso empresário Vasco Morgado "abortou". Que pena!
​Filipe la Féria encenou dois êxitos para o palco - "Amália" e "Uma Noite em Casa de Amália" - e o realizador Carlos Coelho ​da Silva dirigiu a longa-metragem "Amália".
​Depois da "Revolução dos Cravos" (1974), os tão empolgados ​esquerdistas portugueses insultaram Amália com todas as ​fúrias partidárias!... Amália jamais foi política! Mais: secretamente ​até terá financiado o Partido Comunista Português, quando ​clandestino. E defendeu sempre o seu querido compositor ​Alain Oulman, preso pela PIDE.
Para além da Fundação Amália Rodrigues, a nossa grande musa está registada na Caricatura, na Filatelia, na Estatuária, na Street Art e na toponímia de diversas urbes (em Portugal e no Estrangeiro).

Caricaturas de Amália por Fernando Veríssimo e António
Mural de Amália na cidade da Amadora, por Odeith
Imagem de Amália, idealizada por Vhils e desenhada com pedra da calçada, em Alfama, Lisboa. 

E, na Banda Dasenhada, temos: 

"​Tudo isto é Fado", por Nuno Saraiva, banda desenhada publicada por episódios (de quatro pranchas cada) na revista "Tabu" - suplemento do semanário "Sol" - que posteriormente foi reeditada em álbum, numa edição do Museu do Fado, que se julga esgotada.

"Tudo isto é Fado!", por Nuno Saraiva (texto e desenhos), Ed. Museu do Fado (2016)

"Amália Rodrigues", pela francesa Aude Samama, na edição BD/Fado, da FNAC.
Capa e pranchas de "Amália Rodrigues", por Aude Samama (texto e desenhos), Ed. Fnac

André Oliveira (texto) e Pedro Carvalho (desenhos) realizaram para a revista "Zona Monstra" uma BD em cinco páginas...
"Animália, Paris je t'aime", por André Oliveira (texto) e Pedro Carvalho (desenhos),
in revista "Zona Monstra" #6, Edição "Associação Tentáculo" (2011)

E, na capa de um disco da própria Amália, uma banda desenhada autoconclusiva por autor que não conseguimos identificar...
Capa do maxi-single em 45 r.p.m. "O Senhor Extraterrestre" (Columbia Records/Valentim de Carvalho, 1981)
Na colecção de biografias "Chamo-me...", há um tomo dedicado a Amália, pela Didáctica Editora, com texto de Maria Inês Almeida e ilustrações soltas de Sérgio Agostinho e Cláudia Dias.
"Chamo-me... Amália", por Maria Inês Almeida (texto) e Sérgio Agostinho e Cláudia Dias (ilustrações),
Edição Didáctica Editora (2010)


Maria do Rosário Pedreira (texto) e João Fazenda (ilustrações) publicaram "A minha primeira Amália", sob edição "D. Quixote", em 48 páginas... 
"A Minha Primeira Amália", por Maria do Rosário Pedreira (texto) e João Fazenda (ilustrações),
in Colecção "O Meu Primeiro...", Edição D. Quixote (2012)
A terminar, uma bela citação de Amália: "Fala-se tanto de felicidade, mas a felicidade o que é? Não se pode meter a vida toda numa palavra..."
LB

Nota: Agradeço o apoio prestado por Nuno Saraiva.


domingo, 2 de abril de 2017

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (12) - O "SOLDADO MILHÕES"

Aníbal Augusto Milhais,
o "Soldado Milhões",

condecorado e ainda nas
trincheiras
Homem autenticamente honroso e honrador da coragem de ser português, Aníbal Augusto Milhais é um brilhante herói das glórias das nossa Pátria.
Nasceu a 9 de Julho de 1895, em Valongo (Murça), e faleceu nessa região, Valongo de Milhais, a 3 de Junho de 1970.
Profissionalmente era um humilde agricultor. Um invejável e respeitável agricultor, diga-se de passagem. Simples e naturalmente sem vaidades, ele foi de uma bravura incrível nas trincheiras infernais da Primeira Grande Guerra Mundial, destacando-se, para além do seu sempre corajoso espírito de valoroso soldado português, na famosa e violenta Batalha de La Lys, em 1918.
Sem medos, valente e astuto, destacou-se em acção temerária contra os seus adversários alemães, permitindo, sozinho e com a sua tão querida metralhadora, salvar os cobardolas (em fuga apavorada) soldados ingleses tendo ainda a ocasião, no meio de tal barafunda de guerra, de salvar da morte um médico escocês.
Foi nessa altura que ele, Aníbal Augusto Milhais, logo foi saudado pelo seu comandante Ferreira do Amaral que lhe disse: "Tu és Milhais, mas vales Milhões". E como MILHÕES se ficou e se celebrizou para todo o sempre!
Na sua região, Murça, existe um busto da autoria do escultor Laureano Eduardo Pinto Guedes.
O nosso Cinema, até agora, esqueceu-o imbecilmente!!!... Pela 7.ª Arte, há apenas um filme versando a nossa sacrificada participação na cruel Primeira Grande Guerra: o filme “João Ratão” (1940) pelo realizador Brum do Canto e com Óscar de Lemos, António Silva, Teresa Casal, Costinha, Manuel dos Santos Carvalho, etc. O argumento e o cenário são disso jogo de cena, mas do “Soldado Milhões”, nada feito!...
Por aqui, os nossos cineastas são amorfos e todas as nossas entidades culturais são ceguetas!... Dixit!
Em memória do exemplar e admirável “Soldado Milhões”, que nos valham os autores de outras tão dignas Artes, a saber:
Na Pintura, um valoroso quadro pelo nosso saudoso Carlos Alberto Santos (às vezes, M. Gustavo).
O Soldado Milhões, numa pintura de Carlos Alberto Santos
Na Literatura, o livro “Aníbal Milhais - Um Herói Chamado Milhões”, sob edição Pato Lógico - Imprensa Nacional/Casa da Moeda, com texto de José Jorge Letria e capa e ilustrações de Nuno Saraiva.
Capa de"Anibal Milhais - Um Herói Chamado Milhões",
por José Jorge Letria (texto) e Nuno Saraiva (desenho), Ed. Pato Lógico
E, aqui sim, pela Banda Desenhada:
Por José Garcês e A. do Carmo Reis, na “História de Portugal em BD”, a referência à Batalha de La Lys.
"História de Portugal em Banda Deenhada" (Vol. 4 - "A Revolução da Liberdade"),
por A. do Carmo Reis (texto) e José Garcês (desenho), Ed. Asa (1989)
A aplaudível versão humorística de mestre Artur Correia, “O Super-Soldado Milhões”, com texto de António Gomes de Almeida.
"O Super-Soldado Milhões", por António Gomes de Almeida (texto) e Artur Correia (desenho),
in "Super-Heróis da História de Portugal", Bertrand Editora (2004)

E, num plano mais apaixonantemente realista, as versões desenhadas por Carlos Baptista Mendes...
"O Soldado Milhões", por Carlos Baptista Mendes,
in "Portugueses na Grande Guerra (1914-1918)"Ed. Arcádia (2014)


...e Augusto Trigo / Guilhermino Pires.
"O Soldado Milhões", por Augusto Trigo (desenho). Adaptação de um texto
de Guilhermino Pires. 1.ª publicação no "Jornal do Exército" (#334 a #337 - 1988).
Reeditado no #1 dos Cadernos Moura BD (Ed. Câmara Municipal de Moura - 1999)

Pelo invejável “Soldado Milhões”, glória e aplausos aos nossos artistas da Pintura e da Banda Desenhada!
LB