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domingo, 9 de setembro de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (3) - MARC DACIER


Marc Dacier é um jovem atrevido e temerário que, empenhadamente, ambiciona ser repórter. A direcção do periódico "L'Éclair", talvez para se ver livre dele, submete-o a uma arrojada prova: em menos de quatro meses e sem o mínimo apoio financeiro, Marc deve elaborar uma série de reportagens à volta do mundo. E ele aceita e parte!...
Jean-Michel Charlier e Eddy Paape
Assim, com a fértil imaginação do argumentista Jean-Michel Charlier (1924-1989) e o belo e nervoso grafismo de Eddy Paape (1920-2012), a série "Marc Dacier" nasceu no n.º 1059 da revista belga "Spirou" (Ed. Dupuis) a 31 de Julho de 1958. Viria a dar azo a treze álbuns.
"Au-delà du Pacifique" (capa e prancha)
Porém, Marc Dacier não sofre apenas os sobressaltos das suas aventurosas peripécias. Sofre também, pela parte da publicação das mesmas, um desnorteio editorial, apesar do êxito popular das suas aventuras... Após a sexta aventura, a Dupuis desinteressa-se da série!...
Mas, ao notar o empenho da concorrente Éditions Deligne em pegar em Marc Dacier, dá uma reviravolta e edita os restantes álbuns.
Marc Dacier pelas Éditions Michel Deligne 
Entretanto, Eddy Paape incompatibilizou-se com a Dupuis e passou para a Lombard onde, com argumentos de Greg, iniciou a notável série Luc Orient.
O argumentista Charlier é que não se conformou e escreveu novo guião em duas partes (resultando em dois álbuns) com traço do catalão Artur Aldoma Puig. O clima das aventuras mantinha-se, mas o grafismo de Puig nada tinha a ver com o de Paape e tão pouco Dacier se justificava agora. Por isso, Marc Dacier é substituído por Brice Bolt. Não resultou e tudo acabou definivamente por aí.
 
As aventuras de Marc Dacier (nunca saberemos se ele cumpriu a sua corajosa volta ao mundo) têm sido seduzidas para reedições, até pela via "integral". Apesar do entusiasmo e da popularidade que cedo alcançou, também em Portugal Dacier não teve melhor sorte (será que houve bruxedo contra o jovem pretendente a repórter?), pois só a primeira aventura foi publicada na revista "Zorro" em 1962.
Mesmo assim, Marc Dacier filia-se na galeria dos belos clássicos da Banda Desenhada que vale a pena conhecer ou reler (em francês,claro!).

domingo, 8 de julho de 2012

SURCOUF, O " REI DOS CORSÁRIOS"


Antes de mais, é preciso não confundir pirata com corsário, se bem que, uns e outros, funcionassem de um modo mais ou menos semelhante. 
Consultando uma boa enciclopédia ou até mesmo a internet, aí se encontram definições. Os piratas eram cruéis ladrões e assassinos dos mares para proveito próprio. Os corsários serviam (e eram protegidos) os países a que pertenciam.


Robert Charles Surcouf, é um dos mais notáveis corsários franceses. Nasceu a 12 de Dezembro de 1773 em Saint-Malo e faleceu, aos 53 anos, em Saint-Servan, a 8 de Julho de 1827.E faleceu bem rico, com uma garatida vasta descendência e com o título de barão.Pela sua França, serviu-a enquanto monarquia, enquanto república e enquanto império. Actuou mais pelas águas e zonas costeiras do Oceano Índico. Atacava sobetudo os navios ingleses e portugueses (já que Portugal, servilmente, estava "aliado" à Inglaterra)e arrebatou escravos em Moçambique, embora tais actos lhe causassem repulsa, mas obedecia a ordens superiores e políticas. Amado pelas suas tripulações e admirado pelas damas, sempre cavalheiro no trato em qualquer circunstância, pelas suas bravuras foi cognominado o "rei dos corsários".
No Cinema, três longas metragens se fizeram sobre a sua figura: em 1924, com realização de Luitz-Morat e o actor Jean Angelo ; em 1966, em duas partes, com realização de Sergio Bergonzelli e Roy Rowland, tendo o actor Gérard Barray no papel principal.


E, na Banda Desenhada, nos anos 50, as Éditions Dupuis (Bélgica) publicaram os três álbuns com guião de Jean-Michel Charlier e o impecável traço de Victor Hubinon. Cremos que só as duas primeiras partes se editaram em português no "Cavaleiro Andante", do nº 302 ao 382... 



Em 1975, em versão integral num só álbum, as Éditions Michel Deligne reeditaram esta obra.

Neste 2012, as Éditions 12 Bis iniciaram a série "Surcouf" (agora a cores), cujo primeiro tomo tem por título, "La Naissance d'une Légende". No guião, estão Arnaud Delalande e Erik Surcouf (um sobrinho-bisneto do famoso corsário) e no grafismo, a marcante arte de Guy Michel, jovem talento do Haiti, residente em França desde 1986.
Uma versão-BD muito interessante, pois na necessária ficção incluída, quem narra a vida de Surcouf é um astuto espião inglês infiltrado.
E, ante as duas versões, a de Hubinon e a de Michel, a escolher a melhor, o nosso parecer, pura e simplesmente empata. São ambas grandiosas e dignas de quentes aplausos.