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sábado, 16 de setembro de 2017

OBRAS RARAS (10)

Leo (1944)
GANDHI - Com edição Astrapi e autoria de Leo (aliás, Luís Eduardo Oliveira), este álbum, “Gandhi, le Pélerin de la Paix”, foi editado em França em 1989. Tem argumento de Benoît Marchon.
Da parte dos autores, é uma bela homenagem a uma das mais gratas figuras do século XX: o advogado, político e filósofo pacifista, o indiano Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1914), mais conhecido por Mahatma Gandhi.
Estudou em Inglaterra e viveu vários anos, bem conturbados, na que é hoje a Republica da África do Sul, onde foi preso diversas vezes. Enquanto encarcerado, travou correspondência com o escritor russo Leon Tolstoi, que muito admirava.
As suas ideias galvanizaram os povos indo-paquistaneses que eram “amaldiçoados” pelos colonialistas ingleses.
Por cinco vezes, foi candidato ao Prémio Nobel da Paz, que nunca recebeu.
Foi assassinado a tiro, em Nova Deli, a 13 de Janeiro de 1948, por Nathuram Godse, um fanático um tanto tresloucado.
Em 1982, Richard Attenborough realizou o belíssimo filme “Gandhi” com Sir Ben Kingsley a interpretar magnificamente o personagem principal.
Uma famosa frase de Gandhi: “Olho por olho, e o mundo acabará cego”.


Tom of Finland
(1920-1991)
KAKE - Com edição Taschen, em 2008 foi editado este respeitável volume que reúne o fundamental da principal obra - a série “Kake” - do finlandês Touko Valio Laaaksonen (1920-1991), mais célebre pelo seu pseudónimo, Tom of Finland: 
“The Complete Kake Comics”. 
Tom, homossexual assumidíssimo, na sua obra, choca e chocará as mentes falsas e/ou mal formadas. Mas é isso mesmo que Tom quis: denunciar as hipocrisias, sobretudo as sexuais. Escabroso?... De modo algum! Exagerado, isso talvez...
Não se esqueça que através da sua arrojada obra, há sempre a linha do seu aguçado sarcasmo.
Tinha um estranho fascínio contraditório: tanto adorava as fardas, como elas lhe causavam uma bizarra repulsa!... Isto percebe-se bem em “Kake”.
Em 1979, Tom fundou a Sociedade Tom of Finland, para juntar e comercializar a sua obra. Esta sociedade continua e evoluiu para uma fundação sem fins lucrativos, orientada para a conservação e exposição de obras de arte homoeróticas.
Em 2017, o cineasta finlandês Dome Karukoski, realizou a longa-metragem “Tom of Finland”, supostamente biográfica, com o actor Pekka Strang no principal papel. No entanto, o filme terá desiludido a Crítica, que o considerou demasiado “conservador” e “inofensivo”...



Jijé (1914-1980)
DON  BOSCO - Belíssima criação de mestre Jijé, esta obra teve a sua primeira edição em 1950, pelas belgas Éditions Dupuis. Em 2015 ou 2016, as Editions du Triomphe reeditaram esta obra.
Italiano, Giovanni Melchior Bosco, dito Don Bosco e santo pela Igreja Católica desde Abril de 1934, nasceu em Castelnuovo d’Asti a 16 de Agosto de 1815 e faleceu em Turim, a 31 de Janeiro de 1888. É o padroeiro dos  editores, dos aprendizes e dos prestiditadores.
Dedicou a sua vida à educação de jovens desfavorecidos e fundou em 1850 a Sociedade de S.Francisco de Sales, mais conhecida como a Ordem dos Salesianos.
Sempre sofredor pelas misérias materiais e espirituais, foi um educador exemplar.
O seu nome, através do mundo, foi dado a ruas, escolas e igrejas, sendo também um dos padroeiros de Brasília, a capital do Brasil.
O Cinema já efectuou três filmes sobre a sua vida e obra: em 1988, com realização de Leandro Castellani e o actor Ben Gazzara; em 2004, a mini-série dirigida por Ludovico Gasparini, com o actor Flavio Insinna; e, em 2012, com realização de Jean-Michel Irsch, no Cinema de Animação.
LB

quarta-feira, 22 de março de 2017

OBRAS RARAS (9)

José Garcês
EURICO, O PRESBÍTERO
Com este título, é uma das obras máximas, na via romance, de Alexandre Herculano, o nosso historiador por excelência.
Tema desafiador ao Cinema e à Televisão, por aqui não passou até hoje!... Mas, pela Banda Desenhada, mestre José Garcês, em bom tempo nele pegou e com bela arte, num maravilhoso preto-e-branco.
Com 42 pranchas, esta narrativa, foi inicialmente publicada na já extinta revista “Modas e Bordados”, de Setembro-1955 a Junho-1956. Uma jóia da nossa BD que parecia “perdida”...
Todavia, em 1983, esta honra da nossa Banda Desenhada foi reeditada, agora em álbum, pela Editorial Futura, com uma ou outra prancha redesenhada.
Porém... “já foi!”. Este álbum é difícil de se encontrar, salvo se estiver mafiosamente “escondido”...


Didier Comès (1942-2013)
ERGÜN, O ERRANTE
Que belo espanto!
O já saudoso e admirável criador belga Didier Comès (1942-2013), foi sempre e justamente louvado pela sua impecável arte no preto-e-branco.
Mas, Comès também se arrojou com a côr... precisamente com um herói que criou e do qual apenas elaborou os dois primeiros tomos, Ergün l’Errant: “Le Dieu Vivant” (O Deus Vivo) e “Le Maître des Tenèbres” (O Senhor das Trevas).  Nenhum deles, ainda, em português!...
Mas, lá pelas zonas francófonas, eles foram editados e reeditados.
De qualquer modo, hoje, consta que estão esgotados...



José Ruy
O BOBO
E tornamos (ainda bem!) a mais um texto de Alexandre Herculano.
Desta obra, calha agora a arte de outro grande mestre da nossa 9.ª Arte, José Ruy, que a seu tempo, teve a dignidade e a coragem de adaptar à BD, o romance histórico “O Bobo”. Um bem louvável atrevimento!
Tudo se iniciou na revista “Cavaleiro Andante”, com 51 pranchas, do n.º 249 ao n.º 308 (1956 e 1957).
Em 1989, numa versão redesenhada, é finalmente esta obra publicada em álbum pela Editorial Notícias. Ainda bem!... Mas, ainda mal também, porque esta edição está...esgotada!
E agora?!...
LB

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

OBRAS RARAS (8)

Pedro Massano
MATARAM-NO DUAS VEZES - Até agora, e em princípio, é o único tomo da prevista série “A Lei do Trabuco e do Punhal”, por Pedro Massano (com texto de Luís Avelar)...
Este primeiro tomo, “Mataram-no Duas Vezes”, foi editado pela Europress em 1987. Foi grande êxito na altura e, de momento, o álbum envereda pela galeria dos “esgotados” ou muito difíceis de se encontrar.
Tudo ronda num passado mais ou menos recente, quando as guerrilhas políticas e a banditagem desassossegavam o nosso País, que parecia andar “sem Rei nem Roque”. Tempos amargos, de crimes e de angústias para o nosso povo, sobretudo com as acções de João Brandão.
Então, caro Pedro Massano, vamos a essa necessária continuação?


Francisco Marcatti
A RELÍQUIA - É incrível, mas em Portugal é um álbum praticamente desconhecido!...
“A Relíquia” é uma das mais brilhantes obras do nosso grande Eça, com a sua implacável e mordaz crítica social.
No Brasil, nasceu uma divertida e maravilhosa adaptação, em BD, desta obra. Que espanto! Uma monumental paródia a um texto de Eça pelo admirável desenhista Francisco Marcatti.
Teve edição pela Conrad, em 2007. No entanto, é lastimável que esta obra não tenha a respectiva edição no nosso país... Haja Deus!



CONTOS DAS ILHAS - Com edição Asa, em 1993, foi editado um belo álbum, “Contos das Ilhas”, hoje esgotado e avidamente procurado.
Sob coordenação atenta e correcta do argumentista Jorge Magalhães, aqui participam os nossos desenhistas: Eugénio Silva (também autor da capa), com “O Coelho Branco”; José Garcês, com “O Mestre das Artes”; Catherine Labey, com “A Terra dos Enganos”; e Carlos Alberto Santos no seu derradeiro trabalho em BD, com “O Rei de Nápoles”.
Uma preciosidade da nossa 9.ª Arte em quatro episódios distintos! Uma obra que exige uma bem merecida reedição!
LB

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

OBRAS RARAS (7)

Édouard Aidans e Yves Duval
DESTINATION DESERTAS
Com arte do belga Édouard Aidans (sob argumento de Yves Duval), é um álbum da série “Les Franval” que, muito particularmente nos emociona, pois é localizado em Lisboa e no Arquipélago da Madeira.
Pressupõe-se que Aidans tenha visitado os espaços portugueses que retrata nesta sua obra... O que não acatamos bem, é que este álbum não exista editado no nosso País!!!...
Que tristeza: os estrangeiros divulgam-nos e elogiam-nos e nós, em contrapartida, assobiamos para o lado e com a mais opaca “vista grossa”!... E, com esta alfinetada, mais não dizemos por esta falha, não vá o Diabo tecê-las!
Acrescentamos apenas que esta aventura da família Franval, foi pela primeira vez publicada na Bélgica (Ed. Lombard) em 1967.
E, se as Câmaras Municipais de Lisboa e do Funchal, projectassem e apoiassem uma (pelo menos) edição deste álbum dos talentosos Aidans e Duval em português?...  Que haja menos “lagosta ao pequeno almoço” e mais sensibilidade actuante pelo que é devido!




Jean-Claude Forest
LA JONQUE FANTÔME VUE DE L’ORCHESTRE
O título da obra é um tanto esticado, mas a obra é um fabuloso espanto! É da autoria do grande e saudoso francês Jean-Claude Forest (1930-1998).
Obra belíssima e especial, leva-nos maravilhados, pelo enredo e pelo traço, às fantasias absolutas e encantadoras, do insólito, do erotismo, da poesia, etc.
Dir-se-ia que é pecaminoso não se conhecer e não se vibrar com este portentoso e pertinente exemplo da Banda Desenhada Europeia!
O álbum foi publicado pela Casterman, ficando cedo esgotado, tendo sido reeditado em 2002.
Em Portugal... é aquele lamento de Camões: “ò vil tristeza!”... Ou será vil mesquinhez , que o Poeta quis dizer?




Eddy Paape e André-Paul Duchateau
LA MONTRE AUX 7 RUBIS
Os títulos da obra (La Montre Aux 7 Rubis) e o da série (Udolfo), resumem-se a um único álbum.
Ficou-se, infelizmente, por aí...
No entanto e resumindo, tudo se regista assim ante esta estranha raridade.
Tem argumento de André-Paul Duchâteau e arte de Eddy Paape (com a colaboração do colega alemão Andreas) e foi publicado na edição belga de “Tintin”, em 1978, e na edição portuguesa, em 1980. Pela versão álbum, em português, não consta que exista.
Terá sido em 1980 que esta narrativa surgiu em versão álbum (em francês)... que é difícil de se encontrar.
Por aqui, a arte de Paape e muito apreciável e o argumento de Duchâteau mergulha-nos naquela fronteira esquisita entre este mundo e... e o outro!...
LB