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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (19) - ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Fosse este post de teor irónico e eu (LB) diria que este notável "rebelde" da História de Portugal, mesmo que involuntariamente, quis ultrapassar o nosso rei D. Sancho I, dito "O Povoador"... O certo é que o famoso cônsul português em Bordéus, foi um verdadeiro "povoador": ele e sua esposa, Maria Angelina, foram progenitores de catorze filhos (dois faleceram muito jovens)! Mesmo assim, este nosso herói também teve uma aventura sentimental extra com a francesa Andrée Cibial-Rey, que muito o amava, donde uma filha... Só algum tempo depois de ter enviuvado, é que casou com Andrée e perfilhou a filha de ambos.
Aristides Sousa Mendes
(1885-1954)

Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, nasceu em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal) a 19 de Julho de 1885 e, doente, amargurado e pobre, faleceu em Lisboa a 3 de Abril de 1954, assim "acabando" na nossa Pátria apodrecida...
Vertical, católico, monárquico, leal ao espírito da Pátria Portuguesa, fez tudo pelo valoroso nome do nosso País. Não actuava para a glória e vaidades pessoais, mas sempre pelo seu (nosso) País e pelo seu Bom Povo Português.
Irmão gémeo do seu sempre apoiante mano César, Aristides também singrou pela carreira diplomática e, por aqui e por ali, funcionou em Zanzibar (que era ilha-sultanato, hoje integrado na Tanzânia), Brasil, Espanha, Estados Unidos, Bélgica, até à França que o heroicizou para sempre.
Serviu, mesmo contrafeito, o regime do ditador António Salazar, até que disse: "BASTA!". E daí, toda a heróica amargura na sua vida e de sua família. Aristides foi corajosamente firme, após breves dias de sofrimento, recolhido em justa meditação, com a ajuda plena de sua esposa e dos filhos. Um exemplo!
A paranóia e total demência assassina de um austríaco (de origem judaica), o tal Adolf Hitler, ia esturrando a irrequieta Europa, sobretudo em relação aos judeus, homossexuais, ciganos, prováveis comunistas, incluindo ainda vários católicos. Que sinistro canalha! Um horror histórico na destruição da espécie humana!
Salazar, sempre teimosamente opaco (mais os seus servis "capangas"), não perdoou ou não quis compreender a muito nobre e humana rebeldia de Aristides. Apenas o "amigo íntimo" do ditador português, o cardeal Manuel Cerejeira, terá criticado com uma certa indignação, as paranóias hitlerianas...
Aristides, em plena e absoluta consciência, com astúcia, inteligência e bem atrevido humanismo, salvou milhares de vidas, "apagadas" por Hitler, por Mussolini, pelo titubeante papa Pio XII, e pelos "ambíguos" ditadores ibéricos, Franco e
Salazar...
Foi duas vezes condecorado pelo rei belga Leopoldo III. Conviveu com várias celebridades, como o escritor Maurice Maerterlick e o cientista Albert Einstein.
Pelo mundo do espectáculo, constam-nos três exemplos dignos: dois filmes, "Désobeir" (2008, França) realizado por Joël Santoni e com o actor Bernard Le Coq, e, em 2011, "O Cônsul de Bordéus", com o actor Vitor Norte e realização de João Corrêa/Francisco Manso. 


Já neste 2020, a Companhia Contracanto Associação Cultural de Nelas (Viseu), levou à cena uma magnífica versão musical, ou seja, a opereta "Aristides, o Musical", com brilhante interpretação de Rúben Madureira e a bela participação da acriz Manuela Maria, espectáculo que a RTP 2 transmitiu. Bravo!

​Finalmente, pela Banda Desenhada e/ou Ilustração, temos:
"Aristides de Sousa Mendes, Herói do Holocausto", sob edição Âncora, com a arte de Mestre José Ruy.  
Esta obra foi, também, traduzida e editada em hebraico e, em 2016, teve novas versões revistas e actualizadas, nas línguas francesa e inglesa...
 
Capa e pranchas de "Aristides de Sousa Mendes - herói do holocausto", por José Ruy (texto e desenhos),
Ed. Âncora Editora (2004)

Por deferência de Mestre José Ruy, apresentamos quatro pranchas (que actualizam o álbum) produzidas recentemente, e que se mantêm inéditas até uma posterior reedição desta obra.

Pranchas inéditas de "Aristides de Sousa Mendes - herói do holocausto", por José Ruy

Num estilo completamente diferente, "Aristides de Sousa Mendes", por Mestre Artur Correia e texto de António Gomes de Almeida, na série "Super-Heróis da História de Portugal" (sob Ed. Bertrand, em 2004/6, reeditada posteriormente pelo Correio da Manhã, em 2016).


"Aristides de Sousa Mendes", in "Super-heróis da História de Portugal 2",
por António Gomes de Almeida (texto) e Artur Correia (desenhos) - Ed. Bertrand (2006)

Pela Didáctica Editora (2011), há uma simpática biografia por Manuel Margarido e ilustrações por Maria João Clemente e pela Pato Lógico/Imprensa Nacional Casa da Moeda (2015) uma outra biografia escrita por José Jorge Letria e ilustrada por Alex Gozblau.
Capas de "Aristides de Sousa Mendes", in Colecção "Chamo-me..." -  Ed. Didáctica Editora (2011) e de "Um homem de coragem", in Colecção "Vidas Portuguesas" - Ed. Pato Lógico/Imprensa Nacional Casa da Moeda (2015)

O Panteão Nacional é o justo lugar onde Aristides de Sousa Mendes deve estar, sempre, a repousar...
LB

Nota: Agradecimentos a José Ruy pela cedência de imagens para este post.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

​BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (18) - SALGUEIRO MAIA


De seu nome próprio Fernando José Salgueiro Maia, nasceu em Castelo de Vide (onde, a seu pedido, está sepultado em campa simples) a 1 de Julho de 1944 e faleceu em Lisboa a 3 de Abril de 1992. Era casado com Natércia Maia, donde dois filhos, Catarina e Filipe. Consta, sem provas, que terá um filho ilegítimo, possível fruto de um devaneio amoroso acontecido quando estava destacado na ilha de S. Miguel (Açores).... Em jovem e mesmo já adulto, viveu em Coruche, Tomar, Pombal, Leiria e Santarém. Chegou a integrar numa Companhia de Comandos na Guerra Colonial.
O Povo Português já há muito que ansiava por um gesto militar para o libertar dos sufocos ditatoriais do salazarismo. E, depois de várias tentativas falhadas, a vitória e a liberdade aconteceram a 25 de Abril de 1974. E as glórias máximas deste êxito cabem a Salgueiro Maia!
Humanista e generoso em absoluto, para ele próprio e para os outros, foi um impecável corajoso: teve a adesão total das suas tropas, em Santarém, quando lhes fez um aviso e desafio; enfrentou, firme e desarmado, a histeria de um tal brigadeiro Pais, no Terreiro do Paço (Lisboa), que ordenava que o prendessem ou o abatessem, só que todos os soldados em frente baixaram as armas e passaram-se para o "atrevimento" de Salgueiro Maia.
Depois, foi a grande ocasião em Lisboa, no Quartel do Carmo, cercado por um imenso povo eufórico: ordenou e conseguiu, que não houvesse "sangue". E também foi ele que, em paz, negociou a rendição de Marcelo Caetano (que não foi tão salazarista como isso...) e o protegeu para o avião que o levou ao exílio (Madeira primeiro, Brasil depois).

E a seguir?!... Como reza a História de sempre, as revoluções comem sempre os seus heróis. E ingratamente assim foi: já "invejado", foi transferido para a ilha de S. Miguel, ainda em 1975, voltando para a "sua" Santarém em 1979.
Recusou sempre qualquer cargo político. 

Foi promovido a major em 1981 e, mais tarde, a tenente-coronel.
Em 1989, foi-lhe diagnosticado um cancro e, apesar de cirurgias, faleceu a 3 de Abril de 1992.
Recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, o Grau de Grande Oficial da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a Medalha de Ouro de Santarém. E também, já a título póstumo, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa agraciou-o com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 25 de Abril de 2016.
Tem uma estátua em Santarém e um busto em Castelo de Vide. 

Estátua de Salgueiro Maia, em Santarém, da autoria de Álvaro França
O seu nome consta na nossa toponímia e a Filatelia também não o esqueceu.
O Cinema Português honra-o com três longas-metragens. 
Em 2000, dois filmes: "Capitães de Abril", dirigido por Maria de Medeiros e com o actor italiano Stefano Accorsi no papel principal, e "A Hora da Liberdade", dirigido por Joana Pontes e com o actor Manuel Wiborg como Salgueiro Maia. 
Para estrear ainda em 2020, Sérgio Graciano realizou "Salgueiro Maia, o Implicado", com Tomás Alves no personagem titular.
Os actores Stefano Accorci, Manuel Wiborg e Tomás Alves

E cá estamos agora na Banda Desenhada... 
Só nos constam, até ao momento, duas obras: "Salgueiro Maia, o Rosto da Liberdade" com texto e traço de António Martins (1949-2012)...

...e, na série "Os Super-Heróis da História de Portugal", o fascículo "Salgueiro Maia", com texto de António Gomes de Almeida (1933) e arte de Artur Correia (1932-2018).

E por hoje, ficamo-nos por aqui, com a plena gratidão ao heróico Fernando Salgueiro Maia.
LB

domingo, 2 de abril de 2017

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (12) - O "SOLDADO MILHÕES"

Aníbal Augusto Milhais,
o "Soldado Milhões",

condecorado e ainda nas
trincheiras
Homem autenticamente honroso e honrador da coragem de ser português, Aníbal Augusto Milhais é um brilhante herói das glórias das nossa Pátria.
Nasceu a 9 de Julho de 1895, em Valongo (Murça), e faleceu nessa região, Valongo de Milhais, a 3 de Junho de 1970.
Profissionalmente era um humilde agricultor. Um invejável e respeitável agricultor, diga-se de passagem. Simples e naturalmente sem vaidades, ele foi de uma bravura incrível nas trincheiras infernais da Primeira Grande Guerra Mundial, destacando-se, para além do seu sempre corajoso espírito de valoroso soldado português, na famosa e violenta Batalha de La Lys, em 1918.
Sem medos, valente e astuto, destacou-se em acção temerária contra os seus adversários alemães, permitindo, sozinho e com a sua tão querida metralhadora, salvar os cobardolas (em fuga apavorada) soldados ingleses tendo ainda a ocasião, no meio de tal barafunda de guerra, de salvar da morte um médico escocês.
Foi nessa altura que ele, Aníbal Augusto Milhais, logo foi saudado pelo seu comandante Ferreira do Amaral que lhe disse: "Tu és Milhais, mas vales Milhões". E como MILHÕES se ficou e se celebrizou para todo o sempre!
Na sua região, Murça, existe um busto da autoria do escultor Laureano Eduardo Pinto Guedes.
O nosso Cinema, até agora, esqueceu-o imbecilmente!!!... Pela 7.ª Arte, há apenas um filme versando a nossa sacrificada participação na cruel Primeira Grande Guerra: o filme “João Ratão” (1940) pelo realizador Brum do Canto e com Óscar de Lemos, António Silva, Teresa Casal, Costinha, Manuel dos Santos Carvalho, etc. O argumento e o cenário são disso jogo de cena, mas do “Soldado Milhões”, nada feito!...
Por aqui, os nossos cineastas são amorfos e todas as nossas entidades culturais são ceguetas!... Dixit!
Em memória do exemplar e admirável “Soldado Milhões”, que nos valham os autores de outras tão dignas Artes, a saber:
Na Pintura, um valoroso quadro pelo nosso saudoso Carlos Alberto Santos (às vezes, M. Gustavo).
O Soldado Milhões, numa pintura de Carlos Alberto Santos
Na Literatura, o livro “Aníbal Milhais - Um Herói Chamado Milhões”, sob edição Pato Lógico - Imprensa Nacional/Casa da Moeda, com texto de José Jorge Letria e capa e ilustrações de Nuno Saraiva.
Capa de"Anibal Milhais - Um Herói Chamado Milhões",
por José Jorge Letria (texto) e Nuno Saraiva (desenho), Ed. Pato Lógico
E, aqui sim, pela Banda Desenhada:
Por José Garcês e A. do Carmo Reis, na “História de Portugal em BD”, a referência à Batalha de La Lys.
"História de Portugal em Banda Deenhada" (Vol. 4 - "A Revolução da Liberdade"),
por A. do Carmo Reis (texto) e José Garcês (desenho), Ed. Asa (1989)
A aplaudível versão humorística de mestre Artur Correia, “O Super-Soldado Milhões”, com texto de António Gomes de Almeida.
"O Super-Soldado Milhões", por António Gomes de Almeida (texto) e Artur Correia (desenho),
in "Super-Heróis da História de Portugal", Bertrand Editora (2004)

E, num plano mais apaixonantemente realista, as versões desenhadas por Carlos Baptista Mendes...
"O Soldado Milhões", por Carlos Baptista Mendes,
in "Portugueses na Grande Guerra (1914-1918)"Ed. Arcádia (2014)


...e Augusto Trigo / Guilhermino Pires.
"O Soldado Milhões", por Augusto Trigo (desenho). Adaptação de um texto
de Guilhermino Pires. 1.ª publicação no "Jornal do Exército" (#334 a #337 - 1988).
Reeditado no #1 dos Cadernos Moura BD (Ed. Câmara Municipal de Moura - 1999)

Pelo invejável “Soldado Milhões”, glória e aplausos aos nossos artistas da Pintura e da Banda Desenhada!
LB

domingo, 10 de janeiro de 2016

OBRAS RARAS (2)

William Vance
C’ÉTAIENT DES HOMMES
O belga William Vance (aliás, William Van Custen), nascido em 1935, é um dos mais perfeitos e marcantes desenhistas da Europa. Pelos anos 60, para a revista “Tintin”, elaborou diversas histórias curtas, focando grandes homens da História. É a maioria  destas narrativas que em 1976, num exuberante a preto-e-branco, são reunidas em álbum pelas Editions Michel Deligne: “C’Étaient des Hommes”.
É espantosamente belo o traço do desenhista nestas breve biografias sobre personagens autênticos.
Na bibliografia de William Vance, contam-se as séries “Howard Flynn”, “Ringo”, “Bruno Brazil”, “Bob Morane”, “Ramiro”, “XIII”, “Bruce J.Walker”, etc, etc.





Artur Correia e António Gomes de Almeida
O PAÍS DOS CÁGADOS
É o irresistível humor do nosso mestre Artur Correia em plena força. Em hilariante caricatura, com texto de António Gomes de Almeida, relata a nossa História desde a queda da cadeira de António Oliveira Salazar até à eleição do general Ramalho Eanes.
Este divertido álbum, editado pelos autores em 1989, é definido pelos próprios como “um folhetim histórico-cómico contado a passo de cágado”. Em 2012, a Bertrand reeditou este álbum, a cores e com alguma actualização, mas, indubitavelmente, a primeira edição é a mais preciosa.
Na admirável bibliografia de Artur Correia, contam-se álbuns como “Aventuras de D. João e Cebolinha”, “O Romance da Raposa”, “Era Uma Vez Um Leão”, “Era Uma Vez Uma Águia”, “Era Uma Vez Um Dragão” (os três últimos, com argumento de Manuel Dias), “Esta Palavra Concelho” (com texto de Maria Alberta Menéres), “Auto da Barca do Inferno”, “História Alegre de Portugal” (em dois tomos, com texto de Manuel Pinheiro Chagas no primeiro e de António Gomes de Almeida, no segundo), "Os Nabos na Cozinha”, "Os Descobrimentos a Passo de Cágado” (estes, de parceria com António Gomes de Almeida), etc, etc.



Étienne Le Rallic
CAPITÃO FLAMBERGE
O francês Étienne Le Rallic (1891-1968) teve uma certa notoriedade pelas narrativas que foi desenhando com um esmero digno de aplauso. Foi também admirado em Portugal, onde várias das suas obras foram editadas.
Nos anos 50, elaborou exaustivamente, “Capitão Flambèrge” que será talvez, a “cereja no topo do bolo” de toda a sua obra. Foi publicada em álbum, em França, em 1979, pelas edições Glénat. O argumento é de Marijac (aliás, Jacques Dumas).
Este álbum nunca foi editado em Portugal, mas saiu por cá em duas partes: a primeira, semanalmente no “Cavaleiro Andante” do n.º 219 ao 339; a segunda e última parte, editou-se no “Álbum do Cavaleiro Andante” n.º 67.
Para quem gosta de narrativas de capa-e-espada,”Capitaine Flambèrge” é uma das mais belas e conseguidas.
Na bibliografia de Le Rallic, contam-se “Poncho Libertas”, “Les Mousquetaires de l’Océan”, “Jack Carter, Chevalier du Texas”, “Le Chevalier à l’Églantine”, etc.
LB