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domingo, 24 de setembro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (128)

LA MONTAGNE DES MORTS - Edição Casterman. Segundo a série original “Alix” de Jacques Martin, este sexto tomo da série “Alix Senator”, tem argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Démarez e cores de Jean-Jacques Chagnaud.
A situação está muito complicada para Alix e o seu protegido Khephren, o filho carnal de Enak. Andam pelo Egipto, onde o rebelde filho de Enak procura encontrar uma mágica estátua de Cibele, para se tornar num segundo Alexandre, o Grande, e também, para se curar (provavelmente) da aparente castração que sofreu (no episódio anterior) às mãos de uma sinistra seita religiosa de eunucos.
Enak, por sua vez, banido politicamente na região, só secretamente se encontra com Alix, seu íntimo amigo de sempre.
Neste ambiente escaldante, o povo Siwi é implacável, pois odeia de morte todos os que ocuparam o território que é deles, sejam egípcios, gregos ou romanos...
Para baralhar esta feroz situação, o clero egípcio de Amon, na mais dissimulada acção, pactua com políticos romanos corruptos...
Tudo se vai agravando e o tomo termina com uma situação bem angustiante: Enak acaba de ser cruelmente enterrado vivo pelos siwis...
A ver vamos se se salva e como... lá para o sétimo tomo.


LA NUIT MANGE LE JOUR - Edição Glénat. Maravilhosamente a preto-e-branco, tem argumento de Hubert Boulard e arte gráfica de Paul Burckel.
Obra espantosamente difícil, ferozmente chocante e admirável, que no livro logo indica: “Para pessoas advertidas”... Topam? É pois numa implacável e infernal atmosfera que tudo se desenrola... sem quaisquer contemplações.
No mundo da noite ou das sombras quotidianas das sociedades, na frontal linha homoerótica, desenrola-se todo um ambiente pesado e de quase total sufoco, entre três personagens: o jovem adulto Thomas, o quarentão (provável) de musculado físico Fred e o “fantasma” do belo e pervertido jovem Alex...
Cenas de sexo explícito são constantes, como também as de ternura, bem como eventuais momentos de sadomasoquismo e, até, de intrigantes suspeitas de crimes de morte que ficam apenas no imaginário dos leitores...
Lemos, a propósito deste obra-BD, “La Nuit Mange le Jour” (A Noite Devora - ou Come - o Dia), o seguinte: “Uma exploração sem precedentes nas vertentes obscuras das maneiras de ser da homossexualidade masculina. Um mergulho cativante em toda a sua tensão ao interior dos personagens e dos seus desejos”.
E agora, há que ler esta obra com calma, inteligência e sem preconceitos suspeitos...


KURDY MALLOY ET MAMA OLGA - Edição Dupuis. Autor: Hermann.
Este 35.º álbum da série de culto “Jeremiah”, concebida pelo extraordinário Hermann, traz-nos uma surpresa muito interessante: Jeremiah nunca aparece e toda a história está focada na juventude, ou melhor, no fim da adolescência, de Kurdy Malloy, bem antes de conhecer e de vir a ser amigo inseparável do dito Jeremiah.
Desta vez, Hermann, leva-nos, no seu estilo belo e implacável, a conhecer os primeiros tempos de notabilidade do desbragado e simpático Kurdy. E a imensa Olga, de físico, idade e astúcia, vai ajudar Kurdy a tentar salvar o seu amigo Chorizo, que está internado (ou prisioneiro?) num bizarro, intragável e desumano “campo de reabilitação”...
Mas o melhor, ò bedéfilos, é ler e apreciar este belo álbum.
LB

sábado, 25 de março de 2017

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (18) - RALF KÖNIG (Alemanha)

Ralf König
Aqui está um exemplo muito especial: o alemão Ralf König. Este artista é irreverentemente divertido, e nos diverte também. Com um salutar sarcasmo, empenha-se em ferir positivamente a apagada, entupida e vil tristeza dos retardados mentais que ainda circulam por aí, qual zombies mal nascidos... Como dizia o outro: "estou certo ou estou errado"?
Pois este “implacável” Ralf König tem uma especial inclinação em focar as angústias e as alegrias do mundo homossexual.
E por que não?!...
O seu traço é... digamos, quase “troglodita”. Todavia, as suas “acusações” são ironicamente implacáveis e dignas de aplausos, por muito que a arte de Ralf horrorize os que deambulam vazios por este mundo, com oportunas máscaras e/ou estranhas carapaças... Irra, que dói tanta hipocrisia!...
Com “Iago” e “Lysistrata”, por exemplo, ele atreveu-se (e que bem!) aos clássicos da Literatura.

E até já abordou temas ditos sagrados como da “Bíblia e do Corão”.

Nos assuntos cínicos da actualidade, tem um dos seus mais notáveis álbuns, “O Preservativo Que Mata”.

Das outras sempre tão irresistíveis obras, indicam-se alguns títulos das edições em francês: “Marrons Glacés”...

“Étalons de Troie”...

“Les Onze Mille Vierges”...

“Cornets d'Amour”...

“Pain d’Épice”, etc. Uma deliciosa loucura!

Um dia, um jornalista perguntou atrevidamente a Ralf se ele também era “gay”... E, prontamente, Ralf respondeu:
- Que eu saiba, o Walt Disney fartou-se de desenhar o Pato Donald e ele não era nenhum pato!
Ora toma!...
Besten dank, herr Ralf König! (Muito obrigado, senhor Ralf König!).
Ralf König nasceu a 8 de Agosto de 1960 em Soest, na Alemanha. A sua obra está sobretudo editada na Alemanha e em França. E, em Portugal, quando será? Quando?...
LB

sábado, 23 de março de 2013

ENTREVISTAS (11): FABRICE NÉAUD

Nascido em La Rochelle a 17 de Dezembro de 1968, Fabrice Néaud, estudou Artes e Filosofia. Ligado à Banda Desenhada (onde consta uma série autobiogáfica) e ao Teatro, é também um empenhado paladino contra a homofobia. Conhecemo-lo em Novembro de 2012 no Festival de BD da Amadora, donde veio a resultar esta entrevista, onde conta de si próprio e das suas ideias.

BDBD - Quem é Fabrice Néaud, autor de BD?
Fabrice Néaud (FN) - Nasci em La Rochelle a 17 de Dezembro de 1968 e estudei durante quatro anos numa escola de Artes. Um ano após o último dos meus estudos, iniciei-me como autor de Banda Desenhada, por volta de 1992.
A minha primeira obra, "Journal 1" (Diário 1), foi publicada em 1996. Até 2002, mais três tomos se seguiram. Em 2012, surgiu "Nu-Men" pelas Éditions Quadrants, obra que estou a prosseguir para o segundo tomo.Também tenho narrativas em "colectivos", dos quais me orgulho de "Alex ou La Vie d'Après", com argumento de Thierry Robberecht, publicada pela associação bruxelense de prevenção Ex Aequo.
Há quatro anos que trabalho também para o Centro Dramático de Orléans, sobre uma "carta branca" renovável em cada temporada teatral, o que me proporciona uma criação transversal.

BDBD - Como desenhista, marcaste bem o teu "lugar ao sol" com a série autobiográfica "Journal". Uma obra plena de coragem, não é verdade?
FN - Honestamente, ao princípio, não pensava fazer alguma coisa de extraordinário. Longe disso! Para mim, era simples e evidente fazer e dever fazer esse trabalho. Desde logo, tinha necessidade de contar a minha vida, pelo menos um período da minha vida, ligada a uma história de amor bastante dolorosa e de a ancorar no quotidiano de uma cidade de província que se parecia muito com aquela em que eu então vivia. É sobretudo o terceiro tomo, mais desenvolvido que os outros, que exigiu que eu precisasse as apostas de uma autobiografia desenhada: as já descritas no primeiro tomo (história de amor, cidade de província), mas também as apostas sociais (a precaridade devido ao facto de querer viver como artista na província), a violência homofóbica e, sobretudo, a dificuldade de dever desenhar gentes arriscando-se a se reconhecerem e de tal não gostarem...

BDBD - E daí?...
FN - Na verdade, foi este ponto que me pôs mais problemas, até a privar-me de prosseguir este trabalho, com tanta gente pronta a me censurar o menor traço que poderia acusá-los (pelo menos, segundo eles). Com o tempo, parecia que tudo me agarrava de novo: a violência homofóbica, a malevolência das mentes provincianas que não suportam que se "afixem" a este ponto no seu território... Não é em vão que se possa dizer que esta "obra" está plena de "coragem", com efeito... para não se dizer que se tornou numa empreitada mais do que temerária, quase suicidária.

BDBD - Uma vez narrada a homossexualidade, isso é ainda uma situação amarga em França, mesmo em BD?
FN - Oh, sim! E desafio qualquer um que diga o contrário. Muitas pessoas, com certos jornalistas à cabeça, parecem querer pintar-nos um mundo BD cor-de-rosa e maravilhoso, onde todos os discursos são possíveis... mas é forçoso constatar que as narrativas de Banda Desenhada sobre este assunto, simplesmente não reflectem, de um ponto de vista estatístico, a realidade quotidiana e os factos. Mas aposto que a não-evolução é sobretudo devido à autocensura dos próprios autores e não a uma possível intolerância ou frieza dos editores sobre este tema.
Prancha de "Journal IV"
BDBD - Na tua obra, também tens outros estilos e outras ideias. Por exemplo "Nu-Men", que nos propõe um argumento e um traço numa linha bem oposta à que conhecíamos de ti. O que é que te entusiasmou para esta obra de alerta mundial?
FN - Estou a elaborar o segundo tomo de "Nu-Men", que se intitula "Quanticafrique". Aliás, estou um pouco atrasado neste projecto, devido ao meu empenho na luta local contra a homofobia... Mas sempre desejei fazer ficção científica. Realizo aqui esse velho sonho, de que gosto muito. Permite-me desenvolver mais temas que em "Journal". Pelo menos, de uma maneira mais geral e não unicamente através do filtro de um único narrador. De resto, aqui estou a ser muito (demasiado?) guloso... Há muitos personagens nesta história. Desenvolver tudo isto é verdadeiramente ambicioso. E difícil.
Prancha de "Guerre Hurbaine" (Nu-Men 1)
BDBD - Na tua opinião, "Trois Christs" (uma obra colectiva em que participas), é ou não um desafio controverso  ou polémico?
FN - A minha participação em "Trois Christs" é  muito modesta: seis pranchas a preto-e-branco num conjunto de cerca de oitenta pranchas a cores. Esta modesta participação indica que não participei na elaboração global da obra, se bem que estivesse ao corrente do que aí se ia contar, donde aderi consensualmente. Assim, se houve "controvérsia", não estou informado nem me meto nisso. Confesso que o meu trabalho "Nu-Men", é um desafio muito mais arriscado e audacioso, embora sem um êxito imediato. Por acréscimo, alimentei esta narrativa de preocupações sociais que me inquietam diariamente.
Prancha de "Trois Christs"
BDBD - Que pensas de Portugal e do Festival da Amadora?
FN - Só conheço o Festival pela edição de 2012, logo não posso falar dele. Mas fiquei encantado por ter participado. Achei a exposição sobre a autobiografia muito bela e a cenografia muito interessante. Foi num belo local, vasto, e fiz aí belos encontros. A equipa recebeu-me maravilhosamente. Já uma vez tinha estado em Lisboa, creio que em 1999, no mês de Maio. Estava então um belo tempo. Agora, estando menos belo, Lisboa é uma cidade magnífica, mesmo que eu não tenha tido tempo de a visitar como ela merece. Mas o director do Festival, Nelson Dona, proporcionou-me um dia quase inteiro, antes do meu regresso, para visitar os principais lugares. E fazê-lo em companhia de alguém que conhece a história da sua cidade e do seu país, é uma ocasião apaixonante. Uma recordação muito bela!

BDBD - Queres deixar uma mensagem aos teus leitores portugueses?
FN - Vi que havia obras de autores portugueses que eu desconhecia de todo. E excelentes desenhadores. Especialmente o trabalho de Ricardo Cabral, que é magnífico. Apercebo-me, em cada viagem que faço, da vastidão da minha ignorância... Para os leitores portugueses, só posso encorajar a que se enriqueçam como já fazem com tantos autores estrangeiros...
É certo que a tradução das obras é um freio às suas difusões... Fiquei bem admirado ao ser convidado para um país onde não estou traduzido, mas onde mesmo assim, tinha leitores. Também estou sempre espantado por ver que os franceses são menos abertos e menos curiosos ante os outros, quando se trata de se interessar pelo trabalho de autores que não são do seu próprio país! Tenho alguma vergonha, como francês que sou, de eu mesmo sofrer deste vilão defeito. Apenas posso saudar a abertura de espírito dos leitores portugueses.

NOTA FINAL: na bibliografia de Fabrice Néaud, constam "Journal" (4 tomos), "Trois Christs" (colectvo), "Le Monde Diplomatique en Bande Déssinée" (colectivo), "Alex ou La Vie d'Après", "Carabas", "Émile" e "Guerre Urbaine" (primeiro tomo de "Nu-Men").





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ENTREVISTAS (10) - HUGUES BARTHE

Cidadão francês, Hugues Barthe, nasceu em Montbéliard a 16 de Julho de 1965, residindo actualmente em Rouen. Estudou Belas Artes, tendo-se diplomado em Angoulême. Com um grafismo peculiar, os seus álbuns são sempre e corajosamente autobiogáficos. Considera a Banda Desenhada como o "meio ideal de expressão". Já escreveu livros para crianças, onde se inclui um volume dedicado ao navegador português Fernão de Magalhães. Não se preocupa em ser editado pelas "grandes editoras", pois a sua obra vai crescendo e sendo muito aplaudida e, por vezes até, premiada.
Em Março próximo, estará editado o seu sétimo álbum, "L'Automne 79". Os seis anteriores, foram: "Jean-François Fait de la Résistance" (2004), "Miss Come Back" (2006, em colaboração com Caro), "Le Petit Lulu" (2006), o premiado "Dans la Peau d'un Jeune Homo" (2007), "Bienvenue dans le Marais" (2008) e "L'Été 79" (2011).
Pois... já podemos anunciar: Hugues Barthe estará presente, por Abril, no Salão MouraBD 2013, com um panorama da sua obra-BD, pelo que em merecida homenagem, receberá o "Troféu Balanito de Honra" para a categoria de desenhista estrangeiro.
Assim sendo, aqui se justifica para já, a entrevista que se segue, com algumas questões e respostas repescadas da entrevista que concedeu ao semanário "Alentejo Popular" a 22 de Dezembro de 2011.

BDBD - És o desenhista de honra estrangeiro a ser homenageado no Salão Internacional MouraBD 2013. Que pensas deste convite?
Hugues Barthe (HB) - Tal gesto dá-me um grande prazer. Espero que tal venha a incitar algum editor português a traduzir e publicar as minhas bandas desenhadas.

BDBD - E no entanto, tu já conheces Portugal, não é verdade?
HB - Sim, há alguns anos, visitei Portugal em férias. Conheço Lisboa, que muito apreciei.

BDBD - No teu sexto álbum, "L'Été 79" (O Verão de 79), confundes os teus leitores pois, embora te mantenhas autobiogáfico, a obra é ferozmente dramática. Porquê este registo?
HB - Quis agarrar um tom e tema diferentes. Quis fazer um livro que não fosse baseado na homossexualiade, para mostrar que podia oferecer outra coisa e para evitar ser demasiado catalogado e sujeito a repetir-me... Se este livro, "L'Été 79", é ferozmente dramático, é porque o tema assim o impõe. Não era possível fazer humor sobre a história de uma mulher sofrida, tanto mais quando se tratava da minha mãe. Nesta linha, "Le Petit Lulu", era já muito dramático, mesmo contendo algum humor.

BDBD - Em Março próximo, aparecerá o teu sétimo álbum, "L'Automne 79", continuação de "L'Été 79". Esta narrativa acaba aqui ou vai continuar com mais alguns tomos?
HB - "L'Automne 79" é o segundo e último tomo desta história autobiogáfica. Já trabalho em dois outros livros que serão muito diferentes.

BDBD - Nos teus primeiros cinco álbuns, misturas os teus dramas, as tuas angústias, os teus momentos cómicos e a tua frontalidade sexual. Hoje, és um auto-divertido ou apenas um sofredor?
HB - Em todos os meus projectos, há histórias dramáticas e divertidas, com ou sem personagens "homo". Continuarei a fazer coisas muito variadas.

BDBD - A homossexualidade, tão corajosamente revelada na tua obra, na tua França, ainda é um "clima" aflitivo? As dominadoras religiões serão responsáveis por esta caprichosa situação?
HB - A minha vocação é, sobretudo, contar histórias. Para mim, é o melhor meio de tentar fazer evoluir a sociedade. Não me preocupo muito com a religião. Mas, com efeito, a Igreja não evoluiu em nada em questão de costumes. É pena! E até conheço padres em França que são homossexuais, que são obrigados a esconder-se e a mentir para eles próprios. Estes casos não são nada raros!...
Prancha de "Dans la Peau d'un Jeune Homo"
BDBD - E a tua obra editada em português, gostarias? Tu falas de ti próprio, mas também tens a força digna de obrigar as pessoas a encontrarem-se e a se compreenderem...
HB - Gostaria imenso de ser traduzido e publicado em português e em várias outras línguas. Mas isso não depende de mim. E confesso que gostei muito das tuas palavras quando me dizes que "forço" as pessoas a encontrarem-se e a se compreenderem... É isso, exactamente, que quero fazer.... Até breve Portugal, até breve Moura!


O primeiro álbum de Hugues Barthe

    
Prancha de "Le Petit Lulu"
Prancha de "Bienvenue dans le Marais"

sábado, 12 de janeiro de 2013

A BD "HOMO"

Afinal, quem tem medo (e porquê?) da homossexualidade, quando este factor existe em todas as espécies zoológicas e até na botânica (nesta, através de frequentes exemplos de hemafroditismo)?...
Na Banda Desenhada há heróis e super-heróis definidos como homossexuais. E há autores que investem nesta linha, sendo ou não, também eles, homossexuais.
Walt Disney (imaginem!), numa das suas criações em Cinema de Animação, criou o terno "Ferdinand, o Touro", sendo o drama de um touro homossexual que era muito meigo e adorava cheirar flores...
Dos autores europeus, regista-se o alemão Ralf König, que quase sempre elabora com respeito, humor e ternura, BD's. sobre os "gays".
Uma vez, um jornalista perguntou-lhe se ele também era homossexual. Prontamente respondeu: "Walt Disney fartou-se de desenhar o Pato Donald e, que eu saiba, ele não era um pato". O jornalista entupiu!
Do francês Emmanuel Lepage ("Muchacho", editado em português) ao brasileiro Maurício de Sousa (exacto, o criador da famosa Mónica, nesta série integrou o petiz homo Caio), há plenas abordagens a este aspecto sexual. 
Caio, o personagem gay de Maurício de Sousa
Ou em obras mais "atrevidas", como "Bórgia" de Jodorowski e Manara (toda editada pela Asa), "Le Pape Terrible" de Jodorowski e Theo e ainda, "Merídia" por Gloris e Mouclier.
Imaginou-se em ávida e maldizente opinião, as ligações sentimentais entre Alix e Enak... O certo é que Jacques Martin, o criador de Alix, neste sentido, jamais tal o negou ou tão pouco o confirmou.
Há autores de todos os quadrantes geográficos (incluindo Portugal) que têm criado obras versando este tema, como o argentino Copi (homossexual assumido e genial criador de diversas artes), donde o irresistível álbum pelas Editions Glénat, "Le Monde Fantastique des Gays et de Leurs Mamans", ou o mais que esgotado "L'Avenir Perdu" (Ed. Humanoïdes Associés) por Annie Goetzinger, "Les Folles Nuits de Jonathan" por Jean-Paul Jennequin, "Le Pari" (da série "Tendre Banlieue") pelo espanhol Tito, etc. Não pode ser aqui esquecido esse ícone que é o autor finlandês Touko Laaksonen (1920-1991), mais conhecido com Tom of Finland. A sua obra exige interessante e largo debate, o que não tem aqui cabimento. O seu livro, volumoso e caro, "The Complet Kake Comics" (Ed. Taschen), mal aparece à venda, logo se esgota.
Gravura de Tom of Finland
Aquele adulado justiceiro (tipo cowboy valentão) que é o Rawhide Kid, é um exemplo notável. A série decaiu nas vendas... A editora reabilitou-o com novos responsáveis (argumentistas e desenhistas), mas exigiu que ele fosse "homo" (sem ser afeminado, claro). Resultado: as vendas subiram em flecha!
Rawhide Kid, o "cowboy" gay da Marvel
Dois augumentistas-desenhistas franceses, relativamente jovens, são marca de respeito e de aclamação pelos seus talentos e coragem, uma vez que são também, rigorosamente autobiográficos nos seus álbuns: Fabrice Néaud (que esteve presente no "AmadoraBD 2012") e o extraordinário Hugues Barthe. Fabrice, nos seus "Diários", é muito sério. Hugues, na sua já notável obra, por norma, dá um toque delicioso de humor auto-crítico. Ambos, transparentemente, descrevendo as suas vivências.

Fabrice Néaud e Hugues Barthe - dois autores onde a temática homo é trabalhada sem preconceitos
No plano dos super-heróis, aí então, é um ver se te avias!... Menos frequente o aspecto lésbico, pelo lado masculino, há muitos que se demarcam. Salientamos alguns apenas: 
Temos a dupla Batman Robin, onde em diversas histórias é clara a ligação para além da simples amizade ou companheirismo. E até, por estranha leviandade, se sabe de um "caso" entre "Batman" e "Superman"!... O argumentista de Batman há mais de vinte anos, o sr. Grant Morrison, confirmou numa entrevista para a famosa "Playboy": "Batman é muito, muito gay. (...) A homossexualidade faz parte de Batman, não no sentido perjorativo, pois é óbvio que enquanto personagem fictício ele é heterossexual, mas a base do conceito é absolutamente gay"...





   
Depois, temos o Lanterna Verde (enquanto Alan Scott). A editora DC Comics, em Junho de 2012, anunciou na revista "Earth 2" que o Lanterna Verde é homossexual e, nessa edição, aparece Allan Scott numa cena de amor com um amigo.
O Lanterna Verde assumiu a sua homossexualidade recentemente
A terminar este breves exemplos, temos o Estrela Polar (o Northstar do grupo "X-Men"), pela Marvel Comics. Na publicação "Astonishing X-Men", tudo é revelado: Northstar (aliás, Jean-Paul Beaubier ) pede ao seu namorado, Kyle Jinadu, que case com ele, evento esse que é publicado no n.º 51 desta revista, a 27 de Junho de 2012

E foram felizes para sempre!...
  
Northstar pedindo Kyle em casamento

Northstar e Kyle casaram... e foram felizes para sempre! (capa da revista "Astonishing X-Men" nº. 51) 
                 
Midnighter e Apollo

"Ferdinand, o Touro", filme de 1938, produzido por Walt Disney