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sábado, 8 de agosto de 2015

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (9) - PEDRO ÁLVARES CABRAL

Aqui nos toca hoje, com todo o respeito e admiração, lembrar esse grande e ilustre varão da História de Portugal, que foi PEDRO ÁLVARES CABRAL, nascido em Belmonte (em 1467 ou 1468) e falecido em Santarém em 1520, onde está sepultado.
Quase desprezado em Portugal, é admirado em absoluto no Brasil... Apesar de tudo, para além de ter figurado em selos e em notas monetárias tanto em Portugal como no Brasil, tem estátuas em Lisboa (que foi oferecida pelo Brasil), Belmonte e Santarém e, no Brasil, em Porto Seguro e em S. Paulo (Vila Mariana).
Pergunta-se agora: porque se fala tanto de Vasco da Gama, ofuscando a “missão” especial de Cabral?!... Teoricamente, Pedro Álvares Cabral terá “descoberto” o hoje Brasil, a 22 de Abril de 1500... Descobriu ou, intencionalmente, achou e confirmou tais terras para a Coroa Portuguesa?... A esta gloriosa navegação de Cabral, deveríamos chamar de “A Enigmática e Secreta Vagem de Pedro Álvares Cabral”... antes de prosseguir para a Índia. O resto compete à pertinente investigação de cada um.
Todavia, atente-se nisto: o “Brasil”, ou seja, as terras da América do Sul, segundo bem antigas “indicações”, já teria sido descoberto e visitado por arrojados navegadores fenício-cartagineses, bem antes da era cristã. Mais inquietante ainda, com pertinência ou especulação, no exemplar nº 19 da revista “Planeta” (Março-1974, S.Paulo, Brasil), consta um estranho e vasto artigo, “Quem Construiu as Sete Cidades?”, assinado por Antonio Zago, que, só para espevitar, diz assim no seu “resumo” inicial:
“Quando os fenícios chegaram ao Brasil há 3 mil anos, Sete Cidades já era apenas ruínas. Quem a teria construído?"...
Como é?!... E este assunto parece não ter nada a ver com as misteriosas e gigantescas pinturas extraterrestres que se observam do ar em Nazca (Peru e países vizinhos)...
De qualquer modo, bons séculos volvidos, pela Europa (corrigimos, por Portugal), já se “sabia” dessas terras ocidentais no Atlântico sul. Foi pois altamente conveniente a firme “política de sigilo” imposta por D. João II. Antes de 1500, quantas vezes se terão, secretamente ou por mera ousadia navegadora, aventurado por essas paragens os nossos corajosos homens das “caravelas”?!...  Como se isto não fosse apenas mera fantasia de ocasião, houve a firme imposição de D. João II, o “Príncipe Perfeito”, exigindo no Tratado de Tordesilhas, que o meridiano da “divisão” de terras a descobrir por esses mares, tais terras seriam até 370 léguas (e não 100, como queria Castela) a oeste do arquipélago de Cabo Verde...
D. João II (tomara nós termos hoje governantes deste calibre!) sabia muitíssimo bem o que salvaguardar e registar para o seu Reino. Porém, as glórias de Gama e de Cabral vieram a caber ao seu sucessor, D. Manuel I. Convém ler as obras referentes de doutos historiadores nossos, como Damião Peres, Jaime Cortesão, etc. A famosa “Carta” de Pêro Vaz de Caminha, é outra boa achega...
Cabral esteva pois designado para uma “missão secreta” antes de prosseguir até à Índia. Para sempre lhe caberá o ser o comandante do Achamento do Brasil.
Cabral era tido em grande conta na Corte, mas veio a desentender-se com D.Manuel I e afastou-se da Corte e de “serviços oficiais”, morrendo quase ignorado na capital da região do Ribatejo.
Só não se entende - que estranho! - a razão da ausência do nome de Cabral em “Os Lusíadas”!... Que bizarro “esquecimento” de Camões!...

A Banda Desenhada tem feito belas honras a Cabral.
Em Portugal, por Baptista Mendes...
"Pedro Álvares Cabral", por Baptista Mendes, in "Por Mares Nunca Dantes Navegados", Edições Futura (1983)

José Ruy...
"Nicolau Coelho", por José Ruy, "Editorial de Notícias" (1997)


José Garcês e A. do Carmo Reis (“História de Portugal em BD”)...
"A Grande Aventura" (volume 2 de "História de Portugal em BD"),
por José Garcês e A. do Carmo Reis, "Edições Asa" (1986)

Vítor Péon...
"Pedro Álvares Cabral, o Descobridor do Brasil", por Vítor Péon, in revista "Tintin" #12 (1968)

Manuel Pinheiro Chagas (texto) e Artur Correia (desenhos e adaptação) em “História Alegre de Portugal”...
"História Alegre de Portugal" (volume 1), por Artur Correia (adaptação e desenhos)
segundo o texto de Manuel Pinheiro Chagas, "Bertrand Editores
" (2002/2003)

...António Gomes de Almeida (texto), ainda com ilustrações de Artur Correia, em “Os Descobrimentos a Passo de Cágado”...
"Os Descobrimentos a Passo de Cágado", por Artur Correia e António Gomes de Almeida, "Bertrand Editora" (2011)

...e o próprio Artur Correia, a solo, em “A Rota”...
"A Rota", por Artur Correia (inédito, 2000)

António Martins (“A Aventura de Cabral ou a Invenção do Brasil”)...
“A Aventura de Cabral ou a Invenção do Brasil”, por António Martins,
edição da Câmara Municipal de Santarém (2001)

...e José Pires (a solo) em “Pedro Álvares Cabral e o Brasil”...
"Pedro Álvares Cabral e o Brasil - Da Serra da Estrela à Costa do Descobrimento",
por José Pires, "Âncora Editores" (2006)

... ou em parceria com o argumentista Nuno Calado em "Ventos de Glória, Marés de Infortúnio"...
"A Viagem de Pedro Álvares Cabral - Ventos de Glória, Marés de Infortúnio",
por José Pires (desenhos) e Nuno Calado (texto), "Terramar" (1998)

...registando-se ainda as ilustrações de Oriana Gomes em “Chamo-me... Pedro Álvares Cabral”, com texto de Manuel Margarido...
"Chamo-me Pedro Álvares Cabral", por Manuel Margarido (texto) e Oriana Gomes (desenhos),
"Didáctica Editora" (2011)
... e "A Minha Primeira História de Portugal", com ilustrações de Fernando Bento para um texto de António Manuel Couto Viana.
"A Minha Primeira História de Portugal", por Fernando Bento e António Couto Viana, "Editorial Verbo" (1984)

Do BRASIL, consta-nos, até agora, “O Descobrimento do Brasil” (ed. da EBAL), pelo ítalo-brasileiro Nico Rosso, com capa de Antônio Euzébio.
“O Descobrimento do Brasil” por Nico Rosso, com capa de Antônio Euzébio (ed. EBAL)


..."O Paraíso das Índias" (da série "Capitão Brasil"), por Juliano, publicado apenas no site deste personagem...
"O Paraíso das Índias", por Juliano, in http://capitaobrasil.com.br/hq-descobrimento-do-brasil/ (2013)

Claro que as produções Walt Disney não poderiam deixar de assinalar este tema, especialmente com um personagem como Zé Carioca nas suas fileiras... 
"Zé Carioca Descobriu o Brasil", por vários autores, in "Almanaque do Zé Carioca" (2.ª série), Editora Abril (2013)

Também a famosa série brasileira "Sítio do Picapau Amarelo" teve - sem surpresa - uma aventura com esta temática... 
"Você Sabia? #5 - Quem Descobriu o Brasil?", por vários autores, Editora Globo (2007)

Se mais houver, aqui tal acrescentaremos.
Desde já, o nosso sincero agradecimento aos apoios prestados por Geraldes Lino, Baptista Mendes, José Manuel Vilela, Artur Correia, José Ruy, José Garcês, José Pires, Juliano e Câmara Municipal de Santarém.
LB

domingo, 16 de fevereiro de 2014

LITERATURA E BD (3) - JÚLIO DINIZ NA BANDA DESENHADA

Júlio Diniz (1839-1871)
Há quem escreva agora Diniz com um s final em vez do z!... Será que alguém teve autorização do autor para tal mudança?!... E há ainda quem pronuncie (será uma chiqueza parva?) Denis em vez de Diniz... Presunções!
Júlio Diniz é o pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nascido a 14 de Novembro de 1839 no Porto, onde faleceu a 12 de Setembro der 1871, vítima de tuberculose, doença que já fora fatal a sua mãe e que acabou por levar também os seus oito irmãos.
Terminou o seu curso de Medicina com alta classificação a 27 de Julho de 1861 na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Mas a doença já o minava e ia progredindo implacavelmente, e de nada lhe valeu o ir residir em ambientes mais puros (Grijó e Ovar, por exemplo), donde também a ilha da Madeira, vindo a falecer com quase trinta e dois anos.
Mas é uma glória portuguesa, sobretudo como escritor, ou seja, como Júlio Diniz.
Chegou a assinar alguns ingénuos textos com o pseudónimo de Diana de Aveleda.
Pela sua  bibliografia contam-se sobretudo, poemas ("Poemas", livro editado postumamente em 1873), contos, teatro ("O Casamento da Condessa de Amieira", "Os Anéis ou Os Inconvenientes de se Namorar às Escuras", "As Duas Cartas", "A Educanda de Odivelas", etc.) e, em posição de honra, os quatro romances que escreveu: "As Pupilas do Senhor Reitor" (1867), "Uma Família Inglesa "(1868, por alguns analistas considerado como uma obra-prima), "A Morgadinha dos Canaviais" (1868) e "Os Fidalgos da Casa Mourisca" (publicado postumamente em 1871, ano da sua morte).
Como cita Feliciano Ramos na sua "História da Literatura Portuguesa", "a estilização do artista não destruiu a nota de encantador regionalismo e, já que embuído pelos aspectos nortenhos de Portugal, foi um ponto intermédio, ou seja, um seguidor do idealismo romântico e um precursor do realismo".

Na Arte da Banda Desenhada, Júlio Diniz não está esquecido:
Em oito fascículos, esgotadíssimos e editados pela extinta Agência Portuguesa de Revistas, publicou-se em 1954, "Os Fidalgos da Casa Mourisca" por Carlos Alberto (que não aprecia com bons olhos esta sua criação) com algumas capas por José Manuel Soares.
Capas de José Manuel Soares...

...e pranchas de "Os Fidalgos da Casa Mourisca", por Carlos Alberto (1954)

Por sua vez, Baptista Mendes adaptou à banda desenhada a biografia do grande escritor, em duas pranchas, publicadas no "Jornal do Exército" (em 1976), no jornal "Alentejo Popular" (em 2010) e, mais recentemente, no n.º 65 da revista "Anim'arte". 
"Júlio Diniz", por Baptista Mendes ("Jornal do Exército", 1976)

Baptista Mendes é também o autor de dois excertos de "As Pupilas do Senhor Reitor", publicados no "Jornal do Exército" e depois republicados no "Mundo de Aventuras": "Para Ver o Sol Andar" (MA/341) e "O Médico da Aldeia" (MA/416).
"Para Ver o Sol Andar...", por Baptista Mendes ("Jornal do Exército", 1978)

"O Médico da Aldeia", por Baptista Mendes ("Jornal do Exército", 1978)

E é no sempre atento e fraterno Brasil, que a extinta EBAL editou duas obras de Júlio Diniz: "A Morgadinha dos Canaviais" por Nico Rosso (de origem italiana) em "Edição Maravilhosa" n.º 147 (Maio de 1957)...


Capa e pranchas de "A Morgadinha dos Canaviais", por Nico Rosso
("Edição Maravilhosa", 1957)

...e "As Pupilas do Senhor Reitor" por Marcelo Monteiro e capa de Antônio Euzébio, em "Edição Maravilhosa" n.º 180 (Agosto de 1959).
"As Pupilas do Senhor Reitor", com capa de Antônio Euzébio...


...e pranchas de Marcelo Monteiro ("Edição Maravilhosa", 1959)

Seria fácil ficarmos por aqui, mas avançamos com mais umas achegas, embora noutras Artes, de adaptações da obra de Júlio Diniz, agora ao Cinema e à Televisão...

Terá sido entre 1959 e 1961, que a nossa RTP transmitiu uma adaptação de "Uma Família Inglesa" (ao fim e ao cabo, terá sido a nossa primeira telenovela). Lembro-me (eu, LB) de então ter visto alguns episódios... Contactei a RTP para obter melhores dados. Breve tempo depois, gentilmente, responderam-me que não me podiam valer pois nada lhes constava nos arquivos sobre este assunto!... Que estranho, mas paciência!

Entretanto, aconteceram filmes e seriados:

A MORGADINHA DOS CANAVIAIS, em 1949, com realização de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari; e em 1990, versão da qual não temos mais dados...
"A Morgadinha dos Canaviais" (versão de 1949)

OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA, em 1921,com realização de Georges Pallu; em 1938, com realização de Arthur Duarte; em 1964, com realização de Pedro Martins e, no Brasil, em 1972 (desconhecem-se melhores dados).

AS PUPILAS DO SENHOR REITOR, em 1924, com realização de Maurice Mauriad; em 1935, com realização de Leitão de Barros; em 1961, com realização de Perdigão Queiroga, com actores portugueses e brasileiros; em 1970, telenovela brasileira (desconhece-se o realizador); 1995, nova versão em telenovela brasileira (também se desconhece o nome do realizador); 2005, série portuguesa da RTP, com o nome de "João Semana", numa bizarra e trapalhona adaptação, talvez apenas para forçar a interpretação de Nicolau Breyner... (Acontece!).
Abertura da telenovela brasileira "As Pupilas do Senhor Reitor" (versão de 1995) 

E pronto! Se descobrirmos mais dados, eles aqui virão parar. Entretanto, procurem ler Júlio Diniz, que não vos faz mal nenhum.
LB