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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS (83)

DEMAIN L’APOCALYPSE - Edição Glénat. Autor: Milo Manara.
Que espanto! Com este álbum, autêntico libelo acusatório, com a incontestável arte (texto e grafismo) deste gigante italiano da Banda Desenhada, quase ficamos cilindrados.
Por norma, conhece-se bem Manara pelas suas narrativas na linha erótica, algumas vezes um tanto abusivas e especulativas. Mas ele teve outras vias criativas...
Desta vez, com “Demain l’Apocalypse” (Amanhã, o Apocalipse), ele arrasta-nos e entusiasma-nos para a ficção-científica através de duas narrativas num só álbum: “Révolution” e “La Fugue de Piranèse”. Sem falhar na sua pontuação de cenas eróticas, o que seriamente importa nestas duas histórias são os temas de acusação sem piedade a situações hipoteticamente futuras, da sociedade e da política, do mundo louco, decadente e prepotente em que vivemos. Não se pode assobiar para o lado ante o que Manara aqui nos alerta! Não, não podemos ignorar estes temas!...
Em “Révolution”, há um paranóico e cruel líder que se faz chamar de “Robespierre”, que instaura implacavelmente a guilhotina... e é a hecatombe de decapitações... Feroz, até certo ponto, este Robespierre até tem alguma razão. Ele “defende” o povo de uma “nova nobreza” capitalista que anestesia e vicia o povo, sobretudo através da sinistra televisão...
Em “La Fugue de Piranèse”, há a paranóia de se querer controlar a Humanidade pelos processos mais incríveis e abomináveis, em nome da “paz”  e da “felicidade total”!... A que preço?
“Demain l’Apocalypse” é um álbum que exige a sua urgente edição em português!


 
BERNARD PRINCE Reeditado - O nosso post a 29 de Novembro de 2012 foi dedicado ao tão popular herói Bernard Prince, cuja série foi quase totalmente desenhada por Hermann. Nunca é demais recordarmos certos heróis-BD, pois tal nunca é tema esgotado devido à sua imensa força de pleno agrado.
A parceria Edições Asa/Leya e jornal Público, já há muito nos habituou, positivamente, às suas periódicas edições de álbuns-BD. Ainda recentemente nos brindou com uma dose de Ric Hochet. Mas este herói tem uma quantidade tal de aventuras que, certamente, dará azo a futuras outras doses...
Agora, finalmente, calha a vez a Bernard Prince: de 11 de Novembro a 27 de Janeiro, às quartas-feiras e com o jornal Público, aí vão estar doze álbuns, albergando quinze aventuras. Quinze, pois três deles, englobarão uma segunda narrativa mais curta, todas com argumento de Greg.
Os onze primeiros têm a arte de Hermann e o último, a de Dany, colega e amigo de Hermann. Com boa vontade e algum lógico “esforço”, a série poderia ficar completa com mais uma meia dúzia de tomos...ou não?
Assim, ficam excluídos, pela arte de Hermann, “A Fortaleza das Brumas”, “Objectivo Cormoran”, bem como o mais recente, criado bons anos mais tarde, “Menance Sur Le Fleuve” (com argumento de Yves H.); e também, as sete curtas e primeiríssimas aventuras de Prince (muitas delas com argumento do próprio desenhista) e as cinco curtas, de uma época bem posterior, pois todas elas, as de “ontem” e as de “hoje”, davam um precioso tomo. Os coleccionadores e os muitos admiradores deste herói, ficariam muito contentes e agradecidos
E para completar - completar mesmo! - tudo ficaria óptimo com a inclusão de “Orage Sur le Cormoran” por Dany e as duas narrativas desenhadas por Edouard Aidans: “La Dynamitera” e “Le Poison Vert”.
E, porque não, muito em breve?


ARÈNE DES BALKANS - Edição Les Humanoïdes Associés. Com base numa ideia de Darko Macan, tem argumento de Philippe Thirault e arte gráfica do jovem português Jorge Miguel, com apoio nas cores de Javi Montes.
Toda a trama, localizada no Canadá e nos Balcãs (Croácia e Bósnia) é inventada, se bem que se inspire em factos reais, Atenção, pois!...
O cidadão Frank Sokol, vinte anos mais tarde, torna do Canadá aos Balcãs, para o funeral de sua mãe. Já viúvo, acompanha-o seu filho, ainda petiz e que não fala o idioma croata... E toda a história é um pesado drama, nada piegas, que nos empolga. Fortemente realista, o aplauso maior vai, com justiça, para a arte do nosso concidadão Jorge Miguel.


TEQUILA MOLOTOV POUR OSS 117 - Edição Soleil. Segundo uma obra de Jean Bruge, tem argumento de Ghief, traço de Pino Rinaldi, cores de Usagi e capa de Stéphane Perger.
Tudo muito bonito neste primeiro tomo da série, com “muita gente” em equipa. Tudo bem, pois os ingredientes deste género de aventuras estão lá todos e provocam um certo e lógico entusiasmo. ..
Mas, porém, todavia, contudo... a narrativa está descaradamente a calcorrear o que já sabemos das aventuras de James Bond!
LB

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (7) - BERNARD PRINCE

Sob a autoria de Hermann, Bernard Prince, apareceu pela primeira vez a 4 de Janeiro de 1966, na edição belga da revista "Tintin". Foram sete histórias curtas, as cinco primeiras com quatro pranchas e sob total autoria do próprio Hermann; a sexta, "Uma Lanterna para um Pequeno Polegar", é de seis pranchas e tem guião de Chaderic e a sétima, "A Fuga do Cormoran", também em seis pranchas, já tem argumento de Greg.
Greg e Hermann
É este argumentista (bem saudoso) que passa a assinar os guiões de todas as aventuras de Bernard Prince e desenhadas por Hermann, no total de vinte, entre longas, médias e curtas.
Dany
Greg assina também as três aventuras desenhadas por Dany ("A Cilada dos 100.000 Dardos", "Nictalope" e "Tempestade Sobre o Cormoran") e as duas desenhadas por Edouard Aidans ("La Dynamitera" e "Le Poison Vert").
  
Édouard Aidans
Em 2010, Hermann retoma (para continuar?...) com este seu herói-ícone em "Ménace Sur le Fleuve", mas desta vez, com argumento de seu filho, Yves H. (aliás, Yves Huppen).
Bernard Prince filia-se naquele maravilhoso grupo de heróis-BD que tanto entusiasmaram e entusiasmam os leitores, como Bruno Brazil e Bob Morane.
A sua aparência física vai-se modificando com a evolução dos tempos e do talento consciente de Hermann. Nas suas primeiras (curtas) sete aventuras e na longa "Os Piratas de Lokanga", nota-se  bem o traço "primitivo"... diríamos melhor, "em rodagem", que dá sinais de mudança em "O General Satã".
Depois, funciona um traço constante até à última, "O Porto dos Loucos".
 

Na aventura mais recente, o salto é bem notável, pois Bernard Prince e o seu gordo e pândego companheiro Barney Jordan estão envelhecidos e  o garoto indiano adoptado por Prince, o traquina Djinn, está agora um mocetão atlético.
Utilizando os personagens desta série, Jacques Acar escreveu em tempos um romance (inédito em Portugal), "Mabuhay, Mister Prince!...".
Algumas aventuras de Bernard Prince foram editadas por cá em álbum, pela Bertrand, Editorial Ibis, Distri, Meribérica-Líber e Vitamina BD.
Entretanto, diversas histórias deste tão aplaudido herói, foram publicadas nas revistas "Tintin" (edição portuguesa), "Mundo de Aventuras" e "Selecções BD".
Por sua vez, todas as aventuras (excepto a última) de Bernard Prince, desenhadas por Hermann, foram reeditadas na versão "integral" (três volumes) pelas Éditions du Lombard. Uma reedição obrigatória de leitura por todos os "princeófilos", dado aos dossiês históricos e elucidativos que se inserem em cada volume. A bom entendedor...
Prancha de Bernard Prince por Édouard Aidans
O mais recente álbum de Bernard Prince, assinado por Hermann e Yves H.
Bernard Prince - Intégrale (tomo 1)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NA PISTA DE ÉDOUARD AIDANS

Às vezes há enganos aparatosos... O espanhol Horacio Diez, a 18 de Setembro de 2009, noticiou no seu blogue "Comic, Historietas, Tebeos..." que o artista belga Édouard Aidans havia falecido no ano 2000!... Claro que choveram protestos pois em Setembro de 2012 Aidans ainda está vivo e de saúde!
Édouard Aidans
Édouard Aidans nasceu em Andenne (Bélgica) a 30 de Agosto de 1930. Aos 16 anos publicou-se pela primeira vez na revista "Spirou", para onde depois desenhou várias curtas na série "Belles Histoires de l'Oncle Paul". 
Depois, passou a colaborar para as revistas "Line" e "Tintin" e até, ocasionalmente, para a "Pilote" e "Achillle Talon Magazine". 
Por um tempo efémero, tentou prosseguir com a criação original de Hermann, Bernard Prince, donde só resultaram duas aventuras: "La Dynamitera" (Ed. Blanco) e "Le Poison Vert" (Ed. Lombard).
Pelo conjunto da obra foi homenageado e agraciado por Bruxelas em 2006. Mas, já em 2001, o Centre Belge de la Bande Dessinée havia editado, sob coordenação de Michel Vandenbergh, um pequeno álbum sobre a sua vida e obra, "Sur la Piste d'Édouard Aidans".
Chegou a usar os pseudónimos de "Jok" e "Hardan".
Avulsamente, criações suas foram entre nós publicadas nas revistas "Cavaleiro Andante", "Pisca-Pisca", "Mundo de Aventuras", "Tintin" e "Zorro".
Das suas séries mais notáveis, demarcam-se "Tounga", "Marc Franval", "As Panteras", "Tony Stark" e, com argumento de Jean Dufaux, "La Toile et la Dague".
A série "Tounga", pelas Éditions Joker, já conheceu a versão integral em seis tomos e com capas novas. 
Por sua vez, a famosa série "Marc Franval", coloca este herói (mais sua esposa Cathy e o filho Didi) em três episódios em cenários portugueses: duas curtas, uma em Angola e outra em Moçambique (que nesse tempo eram territórios portugueses) e "Destination Desertas", uma longa passada na região de Lisboa mas, sobretudo, no arquipélago da Madeira. 
Que pena não existir ainda o álbum em português! E se metêssemos uma "cunha" ao Dr. Alberto João?...
Prancha de "Destination Desertas"
Algumas vezes, Édouard Aidans também abordou a BD humorística. Porém, é um perito na linha clássica realista que, através da sua obra, ainda não erradicou os emotivos sonhos do nosso quotidiano.
LB