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quinta-feira, 4 de julho de 2019

OS ÁLBUNS "ENCALHADOS" (2)... E NÃO SÓ!

​A 12 de Janeiro de 2018, aqui editamos o post OS ÁLBUNS "ENCALHADOS", que agitou um pouco ​certas águas estranhamente adormecidas e plácidas…
​Mas foi dando alguns resultados positivos:
​Ainda em Abril desse ano, a Câmara Municipal de Moura (com a coordenação de Carlos Rico) editou ​o "Cadernos Moura BD" n.º 10, com duas histórias ​inéditas do nosso saudoso ARTUR CORREIA: "Donzela ​que Vai à Guerra" e "A Nau Catrineta".

"Cadernos Moura BD" #10, por Artur Correia - Edição C.M. Moura (2018)

​A tão ansiada obra "Zé do Telhado", por EUGÉNIO SILVA, registou-se bem no interesse de uma editora de Viseu, mas parece que a editora encalhou por sua vez… É um pecado de lesa-BD nacional, este álbum não estar ainda editado!

 Capa e prancha de "Zé do Telhado - de Lanceiro a Salteador"por Eugénio Silva (trabalho ainda inédito)

Entretanto, aproveitando este nosso alerta, JOSÉ RUY começou a colaborar com o BDBD, noticiando o que tem ​iniciado e/ou projectado, porém sem nenhum álbum
​completamente realizado.
Nesta linha, AUGUSTO TRIGO ​tem a ideia da adaptação de alguns contos guineenses, donde o em tempos anunciado "Turu Ban"; e EUGÉNIO ​SILVA vai realizando paulatinamente, a adaptação do ​conto "A Perfeição" de Eça de Queiroz…
Prancha de "A Perfeição", adaptação de Eugénio Silva (trabalho ainda inédito)

​Já neste ano corrente, JOSÉ PIRES editou na sua colecção de fascículos ou mini-álbuns "Fandaventuras", ​a então noticiada "A Morte do Lidador"...
"A Morte do Lidador", adaptação de José Pires, in "Fandaventuras" (2019)

...e, mais adiante, ​o seu álbum inédito "A Portuguesa, História de um Hino", ​será lançado a 25 de Agosto, em Viseu, numa edição da ​Câmara Municipal de Viseu/GICAV.
"A Portuguesa - História de um Hino", por José Pires - Ed. Gicav / CM Viseu (Agosto de 2019)


No 25.º Festival Internacional BD de Beja, a 1 de Junho, foi com todo o entusiasmo e justiça, lançada a terceira ​grande aventura de Pitanga, herói criado por ARLINDO FAGUNDES, "O Colega de Sevilha" (álbum que já aqui foi referenciado em "Novidades Editoriais"), sob edição Arcádia (do grupo editorial Babel).
Capa de "O Colega de Sevilha - Uma Aventura de Pitanga", por Arlindo Fagundes,
com cores de José Pedro Costa - Ed. Arcádia (2019)

BAPTISTA MENDES mantém na gaveta, por "traição" da prevista editora (a Âncora) "A História de Guimarães"...
Projecto de capa para o álbum "Guimarães", por Carlos Baptista Mendes (trabalho ainda inédito)
...e ​"A Vida de Luiz Vaz de Camões". Como é possível?!...
Projecto de capa para o álbum "A Vida de Luiz Vaz de Camões", por Carlos Baptista Mendes
(trabalho ainda inédito)
​​Aos solavancos, tudo indica que os "encalhados" não enferrujaram a 100%...
​No entanto, consta que a Polvo está interessada em reeditar (haja Deus!) o esgotadíssimo "Matias Sándor" por EUGÉNIO SILVA. Deste nosso estimado e meticuloso desenhista, também ​é urgente a reedição do álbum esgotado e tão procurado, "Inês ​de Castro", em vez da editora provável, a Arcádia, ter apostado ​na reedição de "Eusébio", acto que nos pareceu perdulário e ​oportunista devido à morte do dito Eusébio… 
Edições já esgotadas de "Matias Sándor" e "Inês de Castro", por Eugénio Silva
Também PEDRO ​MASSANO deveria ter reedições dos seus belos álbuns há ​muito esgotados!
​Quanto a obras bem gloriosas e preciosas, não "encalhadas" mas ​perdidas por espalhadas em revistas, temos por exemplo: "As ​Minas de Salomão", "O Pagem do Rei" e a série "Sherlock Holmes" ​por FERNANDO BENTO; e a breve série "O Ponto" e "Alice no ​País das Maravilhas" por FERNANDES SILVA.
E muito mais fica ​aqui por se citar… Talvez eu torne à carga...
​As principais editoras-BD de Portugal não devem ser tão lamurientas ​e precipitadamente calculistas ou assobiar para o lado. Devem ser ​mais sensíveis à Cultura, neste caso, à nossa tão apaixonante e tão ​válida Banda Desenhada.
​Viva a BANDA DESENHADA! Viva a 9.ª ARTE PORTUGUESA!

​LB

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

OS ÁLBUNS "ENCALHADOS" (1)

Hoje e agora, atrevo-me a um certo “libelo acusatório”, dado que sou frontal por hábito e feitio. E, neste caso, afronto as nossas editoras-BD, apesar de tudo com a minha sincera amizade e gratidão.
Já dizia um certo filósofo da Antiguidade, “se queres um amigo, bate-lhe”...
Pois há por aí (em Portugal) uma data de valorosos álbuns da nossa 9.ª Arte, que estão “encalhados”, “pendurados”, “engavetados” ou o que lhes quiserem chamar.
É um desrespeito total aos nossos tão dignos desenhistas e ante os infindáveis leitores bedéfilos que temos!
De um modo solto (mas não rigoroso), aponto alguns exemplos, referindo-me apenas a alguns exemplos veteranos:

Mestre ARTUR CORREIA, tem várias obras inéditas, donde e ao acaso, cito: “A Nau Catrineta”. Uma relíquia que se está a perder... Que mágoa!

EUGÉNIO SILVA, tão meticuloso e notável desenhista, não vê forma do seu tão esperado “Zé do Telhado” sair publicado!... Que estranho!...

De BAPTISTA MENDES, bizarramente, emperraram as anunciadas obras, “A História de Guimarães” e “Camões”! Sem comentários!...

De ARLINDO FAGUNDES, a tão esperada terceira aventura do famoso PitangaO Colega de Sevilha, não há forma de ver a luz do dia!... Um “esquecimento” infeliz!

JOSÉ ABRANTES, tem várias obras completas e inéditas, mas dele pouco se ouve falar!...
O imparável JOSÉ RUY, tem obras concluídas, que bem aguardamos ver editadas... tal como as de SANTOS COSTA.
AUGUSTO TRIGO CATHERINE LABEY... Como é?
E PEDRO MASSANO, andará também um tanto desiludido?...
E o RICARDO NETO, lembram-se dele?....

E chego a JOSÉ PIRES: tem seis álbuns inéditos, dos quais destacamos “A Portuguesa - História de um Hino”...

...e “A Morte do Lidador” (esta, publicada na revista belga “Tintin” em 1992).

Tem já um álbum publicado no Brasil: “Gil Eanes, o Herói de Lagos”. Mas há mais: no idioma fancófono, em 1991, foi publicado, pela Lombard, “Les Templiers, le Sang et la Gloire”; em 2009, com edição Orphie, foi publicado o álbum “Alexandre Dumas, le Diable Noir”. Estes dois últimos, estranhamente, jamais entusiasmaram (!!!) as editoras portuguesas. Ele há coisas!...

Grandes e apreciáveis editoras nossas (Asa, Gradiva, Âncora, grupo Babel, Bertrand, Porto Editora, Plátano... e talvez mais nenhuma), têm assobiado para o lado, ante este pertinente e justo assunto, bastas vezes com desculpas devidas e de modo algum convincentes... Diríamos, “esfarrapadas”. Da vero?
Todavia, há as heróicas editoras, ditas “menores”, que se esforçam nesta tão aplaudível lide. Sem desprimor por outras, destaco o valoroso trabalho da Polvo (coordenada por Rui Brito) e da Escorpião Azul (coordenada por Jorge Deodato).
Contra ventos e marés, não entram em estranhas jogadas e desafiam, corajosamente, as prováveis adversidades...
Mais: é notável, pois apostam sobretudo (mas não só) na BD Portuguesa! Bravo e bravo!... Os respectivos álbuns são publicados e é fácil vê-los nos escaparates, com procura e venda, mormente nas livrarias da Fnac.
De resto, ò grandes editoras nossas, é muito fácil contornar as sempre vossas lamurientas e apontadas “dificuldades”, desde que tenham a devida sensibilidade cultural, ou não?!... Depois, caríssimos e “scroogeanos” editores, quem não arrisca, não petisca!...
Para vós todos, editores-BD da nossa Pátria e pela nossa Cultura, Feliz 2018!
Dixit!
LB