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terça-feira, 28 de julho de 2015

UMA OBRA... VÁRIOS ESTILOS (4) - SCARAMOUCHE

É no trágico ambiente feroz da Revolução Francesa que Rafael Sabatini coloca a acção da sua bela e aplaudida novela “Scaramouche”, plena de romantismo e de aventuras com vários momentos de duelos à espada.
Rafael Sabatini nasceu a 29 de Abril de 1875 em Iesi (Itália) e faleceu a 13 de Fevereiro de 1950 em Adelboden (Suíça). De origem italiana, tinha também a nacionalidade inglesa e daí que seja “usurpado” pelos intelectuais de ambos os países.
Na sua bibliografia, salientam-se títulos como “The Lovers of Yvonne”, “The Lion’s Skin”, “The Sea Hawk”, “The Romantic Prince”, “The Black Swan “ e “The Lost King”, havendo dois romances de aventuras que se colocam no topo dos seus escritos, “Capitão Blood” e, sobretudo, “Scaramouche”.
Pela Banda Desenhada, “Scaramouche” tem quatro (no mínimo) registos de monta, a saber:

HENRY C. KIEFER - para os “Classics Illustrated”, depois com edição em português no Brasil, na “Edição Maravilhosa” #50 (1952).
Capa e pranchas de "Scaramouche", por Henry C. Kiefer, in "Edição Extra Maravilhosa" #50 (1952)

FRANÇOIS CRAENHALS - este saudoso desenhista belga adaptou, numa curta, a versão cinematográfica de George Sidney, que foi publicada em português no “Cavaleiro Andante” #110, em Fevereiro de 1954.
Pranchas de "Scaramouche", por François Craenhals, in "Cavaleiro Andante" #110 (1954)

FERNANDO BENTO - este português e nosso desenhista de honra criou a sua versão de “Scaramouche” para o “Cavaleiro Andante” do #395 ao #425 (1959-1960), que ainda não foi recuperada em álbum (?!).
Capa e pranchas de "Scaramouche", por Fernando Bento, in "Cavaleiro Andante" (1959-60)

DOUG HANSEN - ilustrador norte-americano, realizou, nos anos 70, uma adaptação algo livre desta obra.
Pranchas de "Scaramouche, the Greatest Swordsman in all the France",
 por Doug Hansen (1978)

Rodapé: Há versões para o Cinema e a Televisão, realizadas em 1923, 1952, 1956 e 1976, sabe-se lá com que “aproximações” dignas do romance original de Sabatini!...

Registamos o nosso agradecimento ao apoio prestado por Carlos Gonçalves.
LB

sexta-feira, 19 de junho de 2015

UMA OBRA... VÁRIOS ESTILOS (3) - BEAU GESTE


A Legião Estrangeira, a francesa (porque houve e talvez ainda exista a espanhola... bem mais violenta), sempre foi um fascínio e/ou um fantasma romântico da Literatura e do Cinema. Só isso, para fazer pulsar paixões de todo o género, mas sem força de qualquer verdade na crueza plena do seu autêntico realismo. É que a Legião Estrangeira é só para homens de acentuada virilidade e de coragem absoluta, pois senão...que a tal ninguém se arrisque.
Muito e muito, quase mais que as areias do deserto, se tem escrito e descrito sobre a valente Legião Estrangeira. Valente, briosa e honrosa!
Pois é por esta força de Honra e do seu conotado romantismo, que aqui nos focamos agora.
O tema de “Beau Geste” tem apaixonado assolapadamente, sobretudo escritores e cineastas, não se escapando também a outras vertentes artísticas. E pela Banda Desenhada, para além de inúmeras outras apostas, citamos apenas dois exemplos, talvez os mais conseguidos:
HENRY C. KIEFER , que desenhou para a publicação “Classics Illustrated”, depois com esta sua versão editada em português, no Brasil, na “Edição Maravilhosa” #47, em 1952.
"Beau Geste", por Henry C. Kiefer (in "Edição Maravilhosa", #47, 1952)
Capa de Antonio Euzébio 

FERNANDO BENTO, exímio artista da BD Portuguesa, nesta sua adaptação aprimorou-se com uma das suas criações de honra que até foi, em devido tempo, editada na Bélgica, pelo menos em edição flamenga. Em Portugal, a versão foi editada semanalmente no “Cavaleiro Andante” do #1 ao #52. Posteriormente, em 1982, surgiu em álbum, hoje esgotado, pelas extintas edições Futura. É urgente
ler ou reler esta versão-BD!
"Beau Geste", por Fernando Bento (in "Cavaleiro Andante", #1 a #52)

Rodapé:
1)  A este tema, a Legião Estrangeira e extra-Beau Geste, pela Banda Desenhada, outras duas obras importantes: “Sob Duas Bandeiras” de Ouida e grafismo de Maurice Del Buorgo (em “Obras-Primas Ilustradas” #5), e “Palo Quiri” por José Garcês, que foi publicada em “Titã” (1955), “Mundo de Aventuras” (1980) e “Jornal de Almada” (1994).
2)  Dos inúmeros livros-crónicas, salientamos duas obras de peso: “Doze Anos na Legião Estrangeira” de Sidney Tremayne e tradução de Frederico Carvalho, sob edição Livraria Clássica Editora-1936, esgotado; e “Chegar É Já em Si Bastante” de José da Câmara Leme, sob edição Bertrand-1966.
3)  Pelo Cinema e afins, pois há por aí muita fantasia para fazer facilmente sonhar, suspirar e... algumas  versões até, para fazer rir. Para ver e esquecer!

Nosso habitual agradecimento aos apoios prestados por Carlos Gonçalves e a José Manuel Vilela.
LB

segunda-feira, 25 de maio de 2015

UMA OBRA... VÁRIOS ESTILOS (2) - AS MINAS DO REI SALOMÃO

Descendente de uma família dinamarquesa, Henry Rider Haggard, nasceu em Inglaterra a 22 de Junho de 1856, onde faleceu a 14 de Maio de 1925.
De 1875 a 1882, viveu na África do Sul, onde exerceu cargos de cariz político. Mas foi sobretudo um notável romancista, de cuja obra se salientam alguns títulos: “She”, “Cleópatra”, “Nada the Lily”, “Ayesha”, “As Aventuras de Allan Quatermain, “A Filha de Montezuma”, “O Anel da Rainha de Sabá”, etc, tendo como “cereja no topo do bolo”, o admirável romance “As Minas do Rei Salomão”, com primeira publicação em 1885.
Esta obra teve (e terá?) várias adaptações, muito bem aldrabadas, diga-se em boa verdade, ao Cinema e à Televisão.
Com correcto rigor, a Banda Desenhada também tem adaptações diversas  deste romance de aventuras. Destas, salientamos as três mais dignas de aplausos.

HENRY C. KIEFER adaptou para a série anglófona “Classics Illustrated“ #97, "As Minas do Rei salomão" (depois publicada em português no Brasil na colecção da EBAL, “Edição Maravilhosa” #85).
"As Minas do Rei Salomão", por Henry C. Kiefer (in "Edição Maravilhosa" #85, EBAL, 1954)

Porém, em beleza gráfica e de melhor fidelidade à obra original, ombro a ombro, registam-se as criações do argentino José Luís Salinas e do português Fernando Bento.
JOSÉ LUIS SALINAS, o mesmo que desenhou “Cisco Kid”, tem uma bela versão em álbum, editada em Espanha em 1982, pela Totem Comics na “Coleccion Grandes Maestros”.
"Las Minas del Rey Salomón", por José Luiz Salinas (Edição "Totem Comics", 1982)

FERNANDO BENTO, numa admirável criação que incompreensivelmente ainda não existe em álbum, publicou no “Diabrete”, do #716 ao #817 (1950-1951), a sua versão com o seu atento e elegante estilo. Um encanto que um bom e honesto bedéfilo não se cansará de reler (ou descobrir)... no “Diabrete”, claro.
"As Minas de Salomão", por Fernando Bento (in "Diabrete" #716 a #817, 1950-51)

Já este post havia sido editado, quando descobrimos mais alguns desenhistas ante este mesmo tema. Um deles foi o espanhol Angel Pardo (1924-1995), que elaborou o #156 da série “Joyas Literarias Juveniles”, sob edição Bruguera.
"Las MInas del Rey Salomón", por Angel Pardo (in "Joyas Literarias Juveniles" #156, Ed. Bruguera)

Uma nota também para os Estúdios Disney que, sem surpresa, também já adaptaram esta obra. Por curiosidade, deixamos aqui apenas duas capas (com pouca resolução, infelizmente) das quais desconhecemos os autores.
Capas de "Tio Patinhas e as Minas do Rei Salomão", por Walt Disney (editora Abril - Brasil)

Por último, descobrimos neste excelente blogue uma versão inédita, desenhada por Frank Bellamy, projectada para a revista Eagle mas que não chegou a ser publicada.
"King Solomon's Mines", por Frank Bellamy (inédito)

Rodapé:
1 - O nosso Eça de Queiroz traduziu tão admiravelmente esta obra, que alguns “tontos” se atreveram a exagerar e a especular que “As Minas do Rei Salomão” era da autoria de Eça e não de Haggard!...
2 - O Cinema e a Televisão, de um modo mais ou menos espalhafatoso, fizeram adaptações em 1937, 1950, 1985 e 2004, para além de uma versão inglesa em Cinema de Animação em 1986.

Registamos o nosso agradecimento pelo apoio prestado por Carlos Gonçalves.
LB

quinta-feira, 21 de maio de 2015

LITERATURA E BD (8) - WILLIAM SHAKESPEARE

William Shakespeare (1564-1616)
Pelo Destino, este real personagem nasceu e morreu com a cidadania inglesa. Viu a luz do dia na localidade de Stratford-Upon-Avon a 23 de de Abril de 1564, onde morreu a 23 de Abril de 1616, apesar de largos e trabalhosos anos vividos em Londres. Curioso: faleceu no dia do seu aniversário!...
O seu percurso pela vida e pela sua obra é apaixonante e maravilhoso.
Terá sido admirado e sempre bem recebido pela terrível rainha Elizabeth I de Inglaterra.
Constam intrigantes mistérios na sua vida, sobretudo nos aspectos sexuais e religiosos e também pelos seus enigmáticos poemas... No entanto, o mais importante é o imenso e admirável legado da sua obra literária pelo Teatro, onde foi também actor e encenador.
É tão intensa e maravilhosa esta obra (comédias, dramas e tragédias) que, desde o ano passado (2014) e até 2016, todo o mundo - o culto e civilizado claro - o manterá em dignos festejos evocativos. Daí que William Shakespeare não seja apenas um mero autor inglês, mas uma honrosa figura da cultura mundial.
Na sua obra, apostou sem medo em críticas severas à política e à sociedade mesmo que por vezes, jogasse com simbolismos ou determinadas “camuflagens”... Estes seus textos têm sido inúmeras vezes adaptados ao Cinema, Televisão, Banda Desenhada, Ópera e Bailado. Um glorioso esplendor!
Se “Romeu e Julieta” encanta sempre os adolescentes e as mentes melodramáticas, por ser talvez a “mais bela história de amor”, no plano mais contundente há a força política, feroz e angustiante em “Júlio César”, “Macbeth” e, terrivelmente arrasador, em “Hamlet”, talvez a sua verdadeira obra-prima.
E uma vez que aqui estamos com o “Billy” Shakespeare, vamos lá ver o que conseguimos apurar da sua vida e obra pela Banda Desenhada:

Existe uma biografia em quatro pranchas, elaborada pelo casal Liliane e Fred Funcken, publicada no Álbum do "Cavaleiro Andante" #78 (Novembro de 1960) e depois, na revista “Camarada” (2.ª série), a 13 de Junho de 1964.
"William Shakespeare", por Liliane e Fred Funcken, in "Camarada" (2.ª série)

Diversos desenhistas por aqui apostaram, muitos deles dos Estados Unidos, de Inglaterra e das Filipinas, havendo também algumas versões bem no estilo da BD japonesa. E claro, por dois grandes de Itália.
Pelas Filipinas, indicamos: Vicatan (“Júlio César”, “Othelo” e “Macbeth”), Nestor Redondo (“Romeu e Julieta”), Fred Carrilho (“Sonho de uma Noite de Verão”), Gerry Talaoc (“O Rei Lear” e “A Tempestade”), Nestor Leonidez (“Como Vos Agradar”), E.R. Cruz (“Noite de Reis”) e Juan Lofania (“O Mercador de Veneza”).

Pelo Japão, no melhor estilo mangá, há pelo menos uma versão de “Romeu e Julieta” por Adam Sexton e Yali Lin...
Capa de "Romeu e Julieta", por Adam Sexton e Yali Lin

No mesmo estilo temos, também, vários volumes da colecção "Manga Sheakespeare", onde diversas obras são ilustradas por autores britânicos como Sonia Leong, Emma Vieceli, Paul Duffield, Kate Brown, Faye Yong, Ylia, entre outros. 
Capa e prancha de "Romeu e Julieta" (colecção Manga Sheakespeare), por Sonia Leone
Capa e prancha de "Hamlet" (colecção Manga Sheakespeare), por Emma Vieceli
Outras capas da colecção britânica "Manga Shakespeare": "A Tempestade",
"Sonho de Uma Noite de Verão", "O Mercador de Veneza" e "O Rei Lear" 

Pela Itália, com arte gráfica de mestre Gianni De Luca, regista-se o deslumbrante álbum “Shakespeare na Banda Desenhada” (que, em português, ainda se pode encontrar entre nós... com uma aturada procura), que contém as peças, “Romeu e Julieta”, ”Hamlet” e “A Tempestade”.
Capa de "Shakespeare em banda desenhada", de Gianni de Luca
Prancha de "Romeu e Julieta"
Prancha de "A Tempestade"
Prancha de "Hamlet"


Outro grande desenhista italiano, Dino Battaglia, também “puxou” Shakespeare à sua arte na revista inglesa "Look and Learn"...
Duas pranchas de "Othello" (infelizmente com pouca resolução), por Dino Battaglia
Duas pranchas (também com muito pouca resolução) de "Péricles, Príncipe de Tiro", por Dino Battaglia

Pelos anglófonos, o panorama é vastíssimo, donde se salientam dois admiráveis norte-americanos: Henry C. Kiefer (“Júlio César”, “Sonho de uma Noite de Verão”, “Romeu e Julieta”, “Hamlet” e “ Macbeth”)...
Prancha de "Júlio César", por Henry C. Kiefer
Prancha de "Sonho de Uma Noite de Verão", por Henry C. Kiefer
Prancha de "Romeu e Julieta", por Henry C. Kiefer
Prancha de "Hamlet", por Henry C. Kiefer
Prancha de "Macbeth", por Henry C. Kiefer

...e Alex Blum (“Hamlet”, “Macbeth”, etc.).
Capa e prancha de "Hamlet", por Alex Blum (in "Classics Ilustrated" #99)

 
Capas de "Romeu e Julieta" e "Macbeth", por Alex Blum (in "Classics Ilustrated", #5 e #128)

E, alguns outros mais: Jon Haward ilustrou “A Tempestade”... 
Pranchas de "A Tempestade", com arte de Jon Haward e adaptação de John Mc Donald

...e "Macbeth".
Capa e prancha de "Macbeth", com arte de Jon Haward e adaptação de John Mc Donald

Jason Cardy/Kat Nicholson adaptaram “Sonho de uma Noite de Verão”...
Capa e prancha de "Sonho de Uma Noite de Verão"

...e Neil Cameron fez o mesmo com “Henrique V”... entre outros mais talentos.
Capa e prancha de "Henrique V"

O grande Will Eisner desenhou em dez pranchas "Hamlet on a Rooftop" ("Hamlet no Arranha-céu"!).
Pranchas de "Hamlet on a Rooftop", por Will Eisner (in revista "The Spirit" #29, 1981)

No Brasil, Maurício de Sousa transportou os seus famosos personagens Mónica e Cebolinha para o Mundo de "Romeu e Julieta"...
"Monica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta", por Mauricio de Sousa
(Revista "Cebolinha" #82, Editora Abril, 1979)

Também no Brasil, vários autores do país irmão adaptaram à BD as mais famosas obras de William Shakespeare numa interessante colecção editada pela Nemo.
Capas dos seis volumes da colecção Sheakespeare, publicada pela Editora Nemo

Desta colecção deixamos três exemplos: "A Tempestade"... 
Capa e prancha de "A Tempestade", por Lillo Parra (argumento) e Jefferson Costa (desenhos)

..."Macbeth"...
Capa e prancha de "Macbeth", por Lillo Parra (argumento) e Jefferson Costa (desenhos)

 ...e "Sonho de Uma Noite de Verão".
Capa e prancha de "Sonho de Uma noite de Verão", por Lillo Parra (argumento) e Wanderson de Sousa (desenhos)

A dupla Gotlib e Alexis publicou na revista "Pilote" uma versão hilariante de "Hamlet" que foi mais tarde inserida no primeiro tomo de "Cinemastock".
"Hamlet", por Gotlib e Alexis (in revista "Pilote" #640, 1972)

Na Bélgica, Denis Deprez adaptou "Othello"...
"Othello" por Denis Deprez - "Casterman"

Em Portugal, João Mascarenhas adaptou, numa aventura do Menino Triste, parte do diálogo inicial de "O Mercador de Veneza".
"O Menino Triste - A Essência", por João Mascarenhas (Edição "Qual Albatroz", 2008)

Fica aqui a homenagem do BDBD ao tão respeitável William Shakespeare (acrescentaremos outras prováveis achegas que nos forem chegando), informando ainda que em Londres, na Leicester Square, existe uma honrosa estátua deste autor.

Deixamos aqui a nossa gratidão à sempre amiga colaboração e devido apoio de Carlos Gonçalves. Agradecemos, ainda, os apoios de João Mascarenhas e de Carlos Carvalheiro.
LB