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terça-feira, 25 de junho de 2019

HERÓIS INESQUECÍVEIS (64) - RAMIRO

Mestre William Vance (1935-2018), enquanto imparável a criar séries e heróis, por esta fogosa senda ansiava realizar algo no apaixonante ambiente medieval. Nasceu assim Rodric (1973) - depois, na versão álbum, como Roderic (1979) -, com argumentos de Lucien Meys. Foi uma efémera série, apenas com dois episódios, que não resultou como Vance esperava...
Mas o mestre belga não esmoreceu pois a 8 de Maio de 1974, com argumento de Jacques Stoquart, surgiu a primeira aventura do bravo Ramiro, donde nove álbuns de 1977 a 1989. Stoquart escreveu até ao sexto episódio, tendo depois o próprio Vance tomado conta dos argumentos, embora se conste que, anonimamente, André-Paul Duchâteau deu uma achega a estas três aventuras últimas de Ramiro.
Cedo também, a partir da segunda aventura, as cores foram da responsabilidade de Petra Van Cutsen, esposa de Vance e irmã de Felicisimo Coria.
Quatro destes álbuns foram editados entre nós pela Meribérica-Líber: “O Bastardo” (1974), “Cilada em Conques” (1977), “O Segredo do Bretão” (1979) e “Os Guardas de Bierzo” (1980).
Mesmo assim, nesta parca situação, aventuras de Ramiro também foram publicadas em páginas de “Flecha 2000”, “Jornal da BD” e TV Guia”.
Quase toda a acção da série se desenrola no centro e norte da Espanha de então (dividida em vários reinos), no tempo da chamada e célebre Reconquista, onde Portugal também deu a sua colaboração.
Afonso VIII foi um dos mais batalhadores reis de Castela/Leão. Ramiro, sempre acompanhado pelo seu fiel escudeiro Jos, é um filho bastardo do citado monarca, que lhe confia missões bem arrojadas e difíceis.
A primeira tarefa de Ramiro consistiu em acompanhar e proteger os peregrinos a Santiago de Compostela. Depois, deveria apoderar-se de um tesoiro visigodo, que era escoltado pelos moiros... E as aventuras vão acontecendo.
De notar a grande riqueza gráfica por Petra e Vance, que reproduz fielmente a Espanha medieval.
 
Ramiro (e a respectiva série) é um herói criado com muita classe, admirável mesmo, assim de pode dizer.
LB

segunda-feira, 25 de junho de 2018

BREVES (59)

100 ANOS DE FASCÍCULOS DE AVENTURAS EM PORTUGAL

Inaugurou a 4 deste mês, na Biblioteca Nacional (Amadora) a exposição "Três Vinténs: 100 Anos de Fascículos de Aventuras em Portugal", numa parceria entre a própria Biblioteca Nacional e o Clube Português de Banda Desenhada
A mostra - comissariada por Carlos Gonçalves, Joel Lima e Paulo Cambraia - pretende dar a conhecer um pouco da história dum género de literatura popular (cujos títulos mais emblemáticos foram o Capitão Morgan ou Texas Jack) que chegou a ter uma popularidade equivalente à que hoje detêm o cinema e a televisão.
As obras expostas são pertença da Biblioteca Nacional e das colecções particulares de Américo Coelho, Aurélio Lousada, Carlos Gonçalves e Joel Lima.
Mais informação pode ser consultada aqui.



O Batman de Marini
BATMAN, SEGUNDO ENRICO MARINI

Aplaudido e admirado por multidões de bedéfilos, o italiano Enrico Marini, criador de séries famosas como “Gipsy”, “Predadores”, “O Escorpião” (que vai continuar) e “As Águias de Roma” (também em continuação), abraçou, em 2017, o herói Batman (Homem-Morcego), que já vai no segundo e triunfal tomo.
Marini, que apesar de nascido e residente na Suíça mantém a nacionalidade de seus pais, a italiana, continua imparável e, com o seu talento, a dar muito boa conta de várias séries que tanto entusiasmam os leitores. Bravo, Enrico Marini!



William Vance (1935-2018)
VANCE POR VANCE

A revista mensal francesa “Casemate”, no seu exemplar deste Junho, publica uma “especial” entrevista-autoretrato do genial autor belga William Vance (1935-2018), sob coordenação de Jean-Marc Vidal, director desta citada revista.
Um belo registo a ler, onde Vance (falecido este ano, a 14 de Maio) citou (ou... cita): “Sou um pequeno autor que gosta de arranhar, de especular com as coisas”.
Ah, e como ele tão bem nos arranha com a sua inimitável Arte!...



Júlio Ribera (1927-2018)
FALECEU JÚLIO RIBERA

Júlio Ribera, nascido em Espanha, em 1927, refugiou-se e estabeleceu-se em França (escapando-se à ditadura do general Franco), onde faleceu, a 27 de Maio último, com 91 anos.
Tem vasta e admirada obra, como “Capitaine Tempête”, “Dracurella”, “Je Suis un Monstre”, “Montserrat”, “Tony Sextante”, “Viva Maria e, sobretudo, a conhecida série “O Vagabundo dos Limbos” (com argumento de Godard), que também foi editada em Portugal, pela Bertrand.
Colaborou igualmente para “Histoire de France en Bandes Dessinées”.



ANIVERSÁRIOS EM JULHO

Dia 03 - Arlindo Fagundes
Dia 06 - Mário Correia
Dia 07 - Ionut Popescu (romeno)
Dia 10 - Juan Espallardo (espanhol)
Dia 11 - João Mascarenhas
Dia 12 - Ricardo Cabrita
Dia 15 - Yorgos Botsos (grego)
Dia 16 - Hugues Barthe (francês) e Miguelanxo Prado (espanhol)
Dia 17 - Hermann (belga)
Dia 19 - Rui Mendes e Jordi Planellas (andorrano)
Dia 23 - José Garcês
Dia 25 - Attila Fazekas (húngaro)
Dia 27 - André Carrilho
Dia 31 - António Lança Guerreiro

terça-feira, 15 de maio de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (147)

LA STRATÉGIE  DU CHAOS - Edição Casterman. Autores: argumento de Roger Seiter, arte de Régric e cores de Bruno Wesel, segundo Jacques Martin.
“La Stratégie du Chaos” é o 29.º tomo da série “Lefranc”.
Intrigante e perigosa aventura que sofre aqui o destemido Guy Lefranc, jornalista e detective, pelo ano de 1956. O herói é enviado para a Austrália para fazer a cobertura dos Jogos Olímpicos desse ano em Melbourne. A meteorologia está péssima por essa região, e o hidrovião onde viajam Lefranc e seu amigo Jean Duval, é forçado a fazer uma amaragem...
Surge então um enorme e estranho navio que recolhe todos os passageiros, o que complica o destino destes, sobretudo porque essa nave é comandada por um louco pronto a destruir todas as nações...
Um apaixonante episódio desta popular série.

O LEGADO DE JÚPITER - Edição G. Floy Studio. Autores: Marc Millar e Frank Quitely e cores de Peter Doherty.
As lendas, a mitologia, as ambições e a confusão sem piedade na actualidade, dominam todo este enredo.
Os sonhadores e idealistas do passado tornam-se super-heróis e procuram manter a democracia sobre os povos. Mas no futuro, os seus descendentes, cínicos e um tanto cruéis, agem de outro modo...
Uma obra de grande fôlego que nos proporciona uma bem grata leitura e nos desafia a pensar melhor em relação a este mundo cada vez mais caprichoso.

BOB MORANE, INTÉGRALE / 8 - Edição Lombard. Autores: Henri Vernes nos argumentos e William Vance na arte gráfica. Antecedendo as aventuras, um belo e informativo dossiê por Jacques Pessis.
Este volume compila cinco aventuras de Bob Morane e seu constante companheiro Bill Ballantine, a saber: “L’Oeil du Samouraï”, “Panne Sèche à Serado” (publicada como “Sem Gasolina em Serado” na edição portuguesa da revista “Tintin”), “Les Géants de Mu”, “Le Temple des Dinosaures” e “Les Sortilèges de l’Ombre Jaune” (publicada na edição portuguesa da revista “Tintin”, sob o titulo “Os Sortilégios do Sombra Amarela”).
É sempre grato descobrirmos, lermos ou relermos, estas tão movimentadas e “escaldantes” aventuras, especialmente quando narradas com a arte magnífica de William Vance, como é o caso deste 8.º integral.
Um sincero e bem sonoro “Bravo!” aos autores e às Éditions du Lombard.
LB

domingo, 10 de janeiro de 2016

OBRAS RARAS (2)

William Vance
C’ÉTAIENT DES HOMMES
O belga William Vance (aliás, William Van Custen), nascido em 1935, é um dos mais perfeitos e marcantes desenhistas da Europa. Pelos anos 60, para a revista “Tintin”, elaborou diversas histórias curtas, focando grandes homens da História. É a maioria  destas narrativas que em 1976, num exuberante a preto-e-branco, são reunidas em álbum pelas Editions Michel Deligne: “C’Étaient des Hommes”.
É espantosamente belo o traço do desenhista nestas breve biografias sobre personagens autênticos.
Na bibliografia de William Vance, contam-se as séries “Howard Flynn”, “Ringo”, “Bruno Brazil”, “Bob Morane”, “Ramiro”, “XIII”, “Bruce J.Walker”, etc, etc.





Artur Correia e António Gomes de Almeida
O PAÍS DOS CÁGADOS
É o irresistível humor do nosso mestre Artur Correia em plena força. Em hilariante caricatura, com texto de António Gomes de Almeida, relata a nossa História desde a queda da cadeira de António Oliveira Salazar até à eleição do general Ramalho Eanes.
Este divertido álbum, editado pelos autores em 1989, é definido pelos próprios como “um folhetim histórico-cómico contado a passo de cágado”. Em 2012, a Bertrand reeditou este álbum, a cores e com alguma actualização, mas, indubitavelmente, a primeira edição é a mais preciosa.
Na admirável bibliografia de Artur Correia, contam-se álbuns como “Aventuras de D. João e Cebolinha”, “O Romance da Raposa”, “Era Uma Vez Um Leão”, “Era Uma Vez Uma Águia”, “Era Uma Vez Um Dragão” (os três últimos, com argumento de Manuel Dias), “Esta Palavra Concelho” (com texto de Maria Alberta Menéres), “Auto da Barca do Inferno”, “História Alegre de Portugal” (em dois tomos, com texto de Manuel Pinheiro Chagas no primeiro e de António Gomes de Almeida, no segundo), "Os Nabos na Cozinha”, "Os Descobrimentos a Passo de Cágado” (estes, de parceria com António Gomes de Almeida), etc, etc.



Étienne Le Rallic
CAPITÃO FLAMBERGE
O francês Étienne Le Rallic (1891-1968) teve uma certa notoriedade pelas narrativas que foi desenhando com um esmero digno de aplauso. Foi também admirado em Portugal, onde várias das suas obras foram editadas.
Nos anos 50, elaborou exaustivamente, “Capitão Flambèrge” que será talvez, a “cereja no topo do bolo” de toda a sua obra. Foi publicada em álbum, em França, em 1979, pelas edições Glénat. O argumento é de Marijac (aliás, Jacques Dumas).
Este álbum nunca foi editado em Portugal, mas saiu por cá em duas partes: a primeira, semanalmente no “Cavaleiro Andante” do n.º 219 ao 339; a segunda e última parte, editou-se no “Álbum do Cavaleiro Andante” n.º 67.
Para quem gosta de narrativas de capa-e-espada,”Capitaine Flambèrge” é uma das mais belas e conseguidas.
Na bibliografia de Le Rallic, contam-se “Poncho Libertas”, “Les Mousquetaires de l’Océan”, “Jack Carter, Chevalier du Texas”, “Le Chevalier à l’Églantine”, etc.
LB

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A BD A PRETO E BRANCO (24) - As escolhas de Luiz Beira (14)

PEDRO MASSANO (1948).
Nascido em Lisboa, é um dos admiráveis veteranos da BD Portuguesa. Tem obra sua dispersa em jornais e revistas. Amante da Música (especialmente a clássica) e ilustrador de força, da sua bibliografia, salienta-se "Mataram-no Duas Vezes", "Missão H...Orrível", as séries "Os Passarinhos", "O Abutre" e "Dick Tetiv", a incompleta narrativa "Contacto em Lisboa", "A Conquista de Lisboa", "Angola 1971", etc, para além do seu volume, de bom ensino, "A BD Continua (Porquê?) - Como Fazer Banda Desenhada" e, recentemente, o belo álbum "A Batalha".

Tiras de "Contacto em Lisboa" (in "Eco Regional")
Prancha de "Angola 1971"




VALENTIN TÁNASE (1945).
É um dos mais notáveis e internacionais desenhistas da Roménia. Belíssimo no traço e nas suas "ousadias" (por alguns temas), infelizmente quase nada conhecido em Portugal, que se deslumbra mais em louvaminhar alguns "valores na moda"...
Valentin é um grande mestre no preto-e-branco. Como exemplos: "Inspectorul Florentin", "Morgan", "Temerarii Spatiului", etc, em diversos temas, incluindo o político, o western e o erótico.

Prancha de "A L'acostage"
Prancha de "Inspectorul Florentin"





WILLIAM VANCE (1935).
Cidadão belga, William Vance é um dos "deuses" da BD, não só europeia como mundial. Qualquer obra com a sua arte, cilindra-nos. E ela é bem imensa e gloriosa. Exemplos do seu traço mágico: "Ringo", "Bob Morane", "Howard Flynn", "C'Étaient des Hommes","Ramiro", "Bruno Brazil", "Bruce J. Hawker", "Les Rois Vagabonds" e por aí adiante...


Prancha de Bruno Brazil em "Os Olhos Sem Rosto"
Prancha de "Les Entrailles du H.M.S. Thunder", in revista "Hop!" #56

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

HERÓIS INESQUECÍVEIS (35) - XIII

A impecável parceria belga Jean Van Hamme (argumentista) e William Vance (criador gráfico), em boa hora se lembrou de “inventar” uma das mais entusiasmantes séries da Banda Desenhada: XIII.
Série que hoje conta com 23 álbuns e mais outros, complementares, considerada unanimemente como “série de luxo”, terrivelmente apaixonante, no argumento e no grafismo.
Há que salvaguardar que os dezasseis primeiros tomos são da parceria Vance/Van Hamme. Depois, existe a intervenção, no traço, de outros autores, entre os quais Jean Giraud. Os tomos finais já são com argumento de Yves Sente e traço de Youri Jigounov. Mas vamos por partes, pelos criadores originais:
Jean Van Hamme
JEAN VAN HAMMEnasceu a 16 de Janeiro de 1939. Foi escuteiro na sua juventude. Tem o dipoma de engenheiro comercial pela Escola de Comércio de Solvay. Tem viajado muito e chegou a visitar a lusófona Angola. Tem recebido os mais diversos prémios e troféus.
Romancista que é, todavia é pela sua sempre inspirada imaginação pelos argumentos da 9.ª Arte, que se tornou famoso. Algumas séries que assinou: “Largo Winch”, “XIII”, “Thorgal” e “Wayne Shelton”. E também, por outras obras ocasionais, como “Mr. Magellan”, “Arlequin”, “História Sem Heróis / Vinte Anos Depois”, “O Grande Poder do Chninkel”, “Blake e Mortimer”, etc.
William Vance
WILLIAM VANCE (aliás, William Van Cusem), nasceu em Anderlecht a 8 de Setembro de 1935. Reside na Cantábria (Espanha), perto de seu cunhado, o desenhista Felicisimo Coria, a irmã deste, Petra, é a também habitual colorista das obras de Vance. Em 2010, segundo anunciou o jornal “Le Figaro”, Vance abandonou a BD (estava a elaborar a série “XIII”), porque foi apanhado pela danada da “doença de Parkinson”.
Espectacular, encantador e deslumbrante no seu grafismo, salientam-se alguns exemplos: “C’Étaient des Hommes” e “XHG-C3” e as séries “Ringo”, “Howard Flynn”, “Bruno Brazil”, “Bob Morane”, “Ramiro”, “XIII”, “Bruce J. Hawker”, “Marshall Blueberry”, “Roderic”, etc.
Recordemos então o enigmático XIII.
XIII pelo espectacular grafismo
de W. Vance
Tudo singra pela angustiante viagem de um herói que está amnésico e que “assume” várias identidades sob um esquema sinistro e político que usa e abusa dele, ao mesmo tempo que um mesquinho patife do submundo, um tal “Mangusto”, procura com todas as artimanhas limpá-lo do número dos vivos. Assim se comprova que tanto no mundo dos bons como no dos maus, há sempre canalhas!...
Em Portugal, nove álbuns foram publicados pela Meribérica-Líber e quatro episódios através de tímidas abordagens por dois periódicos.
Desde Dezembro de 2014 até Fevereiro deste ano, a parceria Edições Asa / jornal Público, editou às quartas-feiras e na versão de álbum duplo, toda esta maravilhosa saga.... que talvez ainda não tenha chegado ao fim.
 
Quatro dos volumes que a parceria Asa/Publico editou recentemente

XIII , para além de ter o “seu” selo de honra na Filatelia belga, foi também abordado pelos norte-americanos para uma longa-metragem em 2008 e para uma série televisiva (com duas temporadas) que... a nosso ver, são dois monumentais fiascos. Que pena!
LB
Prancha de "Todas as Lágrimas do Inferno"
Prancha de "Para Onde Vai o Índio..."
O selo de XIII, na Filatelia belga