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sábado, 5 de agosto de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (126)

VALHARDI, L’INTÉGRALE 3 - Edição Dupuis. Autores: argumentos de Yvan Delport (para o primeiro episódio) e de Jean-Michel Charlier (para os outros três) e grafismo de Eddy Paape.
Este espantoso e precioso tomo integral de Jean Valhardi, engloba as narrativas “Jean Valhardi et les Êtres de la Forêt”, “Le Chateau Maudit” (uma icónica narrativa da série), “Le Rayon Super-Gama” e “La Machine de Conquérir le Monde”. Estas três últimas foram publicadas em português, a primeira num Número Especial do Cavaleiro Andante, nos anos 50, e as duas últimas, no próprio “Cavaleiro Andante”.
Mas este volumoso tomo engloba ainda, a abrir, um bem informativo dossíê por Christelle e Bertrand Pissavy Yvernault e, a concluir o álbum, as biografias de Jean-Michel Charlier, Yvan Delporte e Eddy Paape.
Um álbum imprescindível!



STATUE SQUAW - Edição Asa. Com argumentos e arte de Achdé, segundo Morris, trata-se do terceiro tomo da série “Kid Lucky”.
Lucky Luke, quando ainda era cachopo, já era terrível nas suas diabruras e traquinices. São essas loucuras que bem nos divertem neste álbum, aconselhável à boa disposição de cada um.



SYBERIA - Edição Lombard. Autores: o argumentista Hugo Sokal e o grafismo de Johann Blais.
Uma obra interessante focando as inquietações do jovem Hans... Ele vive encerrado no seu mundo cheio de mecanismos e de autómatos. Mas ele tem também uma ideia fixa: os mamutes.
E pergunta: também há mamutes na Europa?... Sim, há muitos e muitos anos existiam, mas agora, só na delirante imaginação do pequeno Hans.


MATRIOCHKAS - Edição Lombard. Autores: argumento de Emmanuel Herzet, grafismo de Alain Queireix e cores de Didier Ray, com base em “Alpha”, personagem criado por Jigunov e Renard.
“Matriochkas”, é o quarto tomo da série “Alpha-Premières Armes”, série paralela à original (“Alpha”) que já tem doze álbuns e com o 13.º  (“Le Syndrome de Maracambe”) anunciado, mas eternamente adiado!...
Ele, na verdade, chama-se Dwight Tyler e tem por qualidades extremas, ser inteligente, observador e patriota, tendo sido treinado para operações táticas da aviação militar. Predicados sedutores que levam a CIA a empenhar-se para o cativar para os seus serviços.
Mas este homem destemido, é teimoso e gosta de ser independente.
Além disso, há muito que alguém transformou a sua vida num inferno. Por isso, antes de aderir em pleno na CIA, com o nome de código Alpha, ele quer vingar-se ou fazer justiça (tanto faz!...).
E por aqui, comunistas da União Soviética e CIA, andam na sua peugada, completamente baralhados com as suas impiedosas acções pessoais...
“Alpha” e “Alpha-Premièrs Armes” são séries de aplauso.
LB

terça-feira, 27 de agosto de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (17) - BUCK DANNY

Um certo cidadão belga, Georges Troisfontaine, era, por esses recuados tempos, o fundador e dirigente da World Productions / World Press, uma agência de distribuição de bandas desenhadas por diversos periódicos. 
Victor Hubinon e Jean-Michel Charlier
Embora sem se conhecerem, Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon trabalhavam para ele. Troisfontaine apresentou-os e propôs-lhes um plano: a criação de uma série para a revista "Spirou". Ele próprio já escrevera as primeiras doze páginas. 
Os três eram apaixonados pela aviação e daqui, Charlier concluiu o argumento desta primeira aventura, enquanto Hubinon se dedicou ao grafismo. 
Consta que, fisica e fisionomicamente, o personagem principal teve como modelo o próprio Troisfontaine...
E é assim que nasce Buck Danny, um piloto da Força Aérea Norte-Americana, com a sua estreia no n.º 455 da "Spirou" a 2 de Janeiro de 1947, com a aventura "Les Japs Attaquent", que viria a originar o primeiro álbum. Hoje, já existem 52 e mais três na versão integral.
É na terceira narrativa, "La Revanche des Fils du Ciel", que aparecem Jerry Tumbler Sonny Tuckson. E desde então, os três, Buck, Jerry Sonny, tornam-se inseparáveis companheiros e amigos. Por sua vez, é o no 16.º álbum, "Menace au Nord", que surge pela primeira vez a "inimiga de estimação", a bela e sinistra Jane Hamilton, mais conhecida como "Lady X".
Victor Hubinon vem a falecer em 1979, tendo desenhado os quarenta primeiros álbuns da série. Francis Bergèse é quem o substitui, desenhando as seguintes doze narrativas.
Entretanto, Charlier faleceu em 1989... É Jacques De Douhet quem escreve o argumento  do 45.º tomo, "Les Secrets de la Mer Noire" e logo a seguir, Bergése torna-se criador absoluto da série, Todavia, já garantiu que "Cobra Noir", o 53.º tomo a aparecer em Setembro deste ano, terá novos autores: o argumentista Frédéric Zumbichl e o desenhista Francis Winis.
Francis Bergése, um dos continuadores da série
As aventuras e heroicidades de Buck Danny, Tumbler Tuckson, são marcos de alta popularidade, pelo menos no panorama bedéfilo francófono. Estranhamente, poucas foram as narrativas editadas em Portugal: apenas treze (todas com o traço impecável de Hubinon) e sem nenhum álbum. Buck Danny estreou-se entre nós no "Cavaleiro Andante" n.º 340 (Julho de 1958) com a aventura "O Tigre da Malásia", que é a 19.ª narrativa. Publicaram-se nove no "Mundo de Aventuras", uma na revista "Zorro" e duas na efémera edição portuguesa de "Spirou". Na verdade, ante a qualidade e a popularidade da série, é uma inexplicável bizarria a ausência de muitos mais episódios nas edições em português!...
LB


A primeira aventura de Buck Danny no "Cavaleiro Andante".
Prancha de "Les japs attaquent", a primeira aventura de Buck Danny



Prancha de "Tonnerre sur la Cordillére", por F. Bergése
1.º tomo de "Buck Danny - L'integrale", pela Dupuis, onde se recupera
a primeira aventura deste herói ("Les japs attaquent")
Capa da 53.ª aventura de Buck Danny, com saída prevista para o próximo mês.

domingo, 9 de setembro de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (3) - MARC DACIER


Marc Dacier é um jovem atrevido e temerário que, empenhadamente, ambiciona ser repórter. A direcção do periódico "L'Éclair", talvez para se ver livre dele, submete-o a uma arrojada prova: em menos de quatro meses e sem o mínimo apoio financeiro, Marc deve elaborar uma série de reportagens à volta do mundo. E ele aceita e parte!...
Jean-Michel Charlier e Eddy Paape
Assim, com a fértil imaginação do argumentista Jean-Michel Charlier (1924-1989) e o belo e nervoso grafismo de Eddy Paape (1920-2012), a série "Marc Dacier" nasceu no n.º 1059 da revista belga "Spirou" (Ed. Dupuis) a 31 de Julho de 1958. Viria a dar azo a treze álbuns.
"Au-delà du Pacifique" (capa e prancha)
Porém, Marc Dacier não sofre apenas os sobressaltos das suas aventurosas peripécias. Sofre também, pela parte da publicação das mesmas, um desnorteio editorial, apesar do êxito popular das suas aventuras... Após a sexta aventura, a Dupuis desinteressa-se da série!...
Mas, ao notar o empenho da concorrente Éditions Deligne em pegar em Marc Dacier, dá uma reviravolta e edita os restantes álbuns.
Marc Dacier pelas Éditions Michel Deligne 
Entretanto, Eddy Paape incompatibilizou-se com a Dupuis e passou para a Lombard onde, com argumentos de Greg, iniciou a notável série Luc Orient.
O argumentista Charlier é que não se conformou e escreveu novo guião em duas partes (resultando em dois álbuns) com traço do catalão Artur Aldoma Puig. O clima das aventuras mantinha-se, mas o grafismo de Puig nada tinha a ver com o de Paape e tão pouco Dacier se justificava agora. Por isso, Marc Dacier é substituído por Brice Bolt. Não resultou e tudo acabou definivamente por aí.
 
As aventuras de Marc Dacier (nunca saberemos se ele cumpriu a sua corajosa volta ao mundo) têm sido seduzidas para reedições, até pela via "integral". Apesar do entusiasmo e da popularidade que cedo alcançou, também em Portugal Dacier não teve melhor sorte (será que houve bruxedo contra o jovem pretendente a repórter?), pois só a primeira aventura foi publicada na revista "Zorro" em 1962.
Mesmo assim, Marc Dacier filia-se na galeria dos belos clássicos da Banda Desenhada que vale a pena conhecer ou reler (em francês,claro!).

segunda-feira, 30 de julho de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (1) - BARBA RUIVA



RECORDANDO UM HERÓI CLÁSSICO: BARBA RUIVA
A 29 de Outubro de 1959, nasceu esta série/herói na revista francesa "Pilote", que iria rivalizar com as revistas belgas "Tintin" e "Spirou". 
O entusiasmo dos leitores logo se afirmou por Barba Ruiva (Barbe Rougeno nome original), com guiões de Jean-Michel Charlier e arte de Victor Hubinon, amigos de longa data e que já haviam colaborado para as séries "Buck Danny" e "Surcouf". Um êxito pleno, imediato e merecido.

Victor Hubinon e Jean-Michel Charlier



Barba Ruiva tem o seu famoso navio "Falcão Negro" e por companheiros e cúmplices próximos, o atlético negro Babá e o astuto e filósofo coxo Pata Tripla... Não muito mais tarde, surge o bonitote Éric, que o terrível pirata salvou em criança e que adopta e educa como seu filho.
Barba Ruiva devassa todos os mares e chega, como corsário, a servir a coroa francesa, atacando sobretudo os ingleses e os espanhóis. 
Pelo período em que Hubinon adoeceu, o grafismo foi continuado por Jijé e Lorg (aliás, Laurent Gillain, filho de Jijé). Mas Hubinon vem a falecer e, depois, Jijé.

Então, em vias paralelas, a série continua, agora desenhada por Christian Gaty e por Patrice Pellerin. E é a vez de Charlier também falecer, sucedendo-lhe Jean Ollivier. Ainda surgiu um álbum desenhado pelo filipino Nestor Redondo, com guião de Christian Perissin. 
Todas estas mudanças não travam a tão admirada série. 
Didier Convard escreveu um guião que André Juillard desenhou. 
E assim prosseguindo, os guiões ficam-se por Perissin e o grafismo passa para Marc Bourgne.

Uma série de 26 episódios, em Cinema de Animação, foi realizada em 1997 sob direcção de Jean Chuband. 
Na série-BD "Astérix", Barba Ruiva e os seus companheiros, são frequentemente parodiados.

Em Portugal, este herói tem sido um tanto maltratado. 
Parcas aventuras saíram em algumas publicações e apenas cinco álbuns foram editados, uns pela Íbis e outros pela Meribérica-Líber, editoras hoje extintas. 
Entretanto, a Dargau já publicou, em onze álbuns, a versão integral.

domingo, 8 de julho de 2012

SURCOUF, O " REI DOS CORSÁRIOS"


Antes de mais, é preciso não confundir pirata com corsário, se bem que, uns e outros, funcionassem de um modo mais ou menos semelhante. 
Consultando uma boa enciclopédia ou até mesmo a internet, aí se encontram definições. Os piratas eram cruéis ladrões e assassinos dos mares para proveito próprio. Os corsários serviam (e eram protegidos) os países a que pertenciam.


Robert Charles Surcouf, é um dos mais notáveis corsários franceses. Nasceu a 12 de Dezembro de 1773 em Saint-Malo e faleceu, aos 53 anos, em Saint-Servan, a 8 de Julho de 1827.E faleceu bem rico, com uma garatida vasta descendência e com o título de barão.Pela sua França, serviu-a enquanto monarquia, enquanto república e enquanto império. Actuou mais pelas águas e zonas costeiras do Oceano Índico. Atacava sobetudo os navios ingleses e portugueses (já que Portugal, servilmente, estava "aliado" à Inglaterra)e arrebatou escravos em Moçambique, embora tais actos lhe causassem repulsa, mas obedecia a ordens superiores e políticas. Amado pelas suas tripulações e admirado pelas damas, sempre cavalheiro no trato em qualquer circunstância, pelas suas bravuras foi cognominado o "rei dos corsários".
No Cinema, três longas metragens se fizeram sobre a sua figura: em 1924, com realização de Luitz-Morat e o actor Jean Angelo ; em 1966, em duas partes, com realização de Sergio Bergonzelli e Roy Rowland, tendo o actor Gérard Barray no papel principal.


E, na Banda Desenhada, nos anos 50, as Éditions Dupuis (Bélgica) publicaram os três álbuns com guião de Jean-Michel Charlier e o impecável traço de Victor Hubinon. Cremos que só as duas primeiras partes se editaram em português no "Cavaleiro Andante", do nº 302 ao 382... 



Em 1975, em versão integral num só álbum, as Éditions Michel Deligne reeditaram esta obra.

Neste 2012, as Éditions 12 Bis iniciaram a série "Surcouf" (agora a cores), cujo primeiro tomo tem por título, "La Naissance d'une Légende". No guião, estão Arnaud Delalande e Erik Surcouf (um sobrinho-bisneto do famoso corsário) e no grafismo, a marcante arte de Guy Michel, jovem talento do Haiti, residente em França desde 1986.
Uma versão-BD muito interessante, pois na necessária ficção incluída, quem narra a vida de Surcouf é um astuto espião inglês infiltrado.
E, ante as duas versões, a de Hubinon e a de Michel, a escolher a melhor, o nosso parecer, pura e simplesmente empata. São ambas grandiosas e dignas de quentes aplausos.