terça-feira, 6 de outubro de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS (80)

JIM DEL MÓNACO / Especial - Edição Asa /Leya. Argumento de Tozé Simões, arte de Luís Louro e prefácio de Rui Zink.
Bravo, bravíssimo, bravo!...
O admiradíssimo herói Jim del Mónaco (bem como a sua exuberante e sensualona noiva Gina, o astuto servidor Tião e o vilão Aristides) festejam trinta anos em 2015. E parabéns por esta gloriosa efeméride!
Ei-los que são magnificamente “ressuscitados” (tal e qual e acertadamente não envelhecidos) num álbum especial com quatro novas aventuras: “Stalking Dead”, “As Bordabundas”, “O Cemitério dos Elefantes” e “O Macaco de Bili”.
Que maravilha!... Só se fica com pena quando a leitura do álbum chega ao fim...
Mas este tomo tem mais tentadoras “coisas” para além das quatro narrativas e do prefácio de Zink e, de entre elas, que Louro aplicou as cores com o apoio do computador; e, na terceira história, encontramos o humorista Nuno Markl a servir de modelo a um dos personagens. Um delírio!
Por mil e uma razões e mais alguma, é bem obrigatório ler-se este álbum, sendo também mais do que obrigatório que Louro e Simões não “matem” pela segunda vez esta série, bem portuguesa e nossa. Vamos a isso?


BAGDAD INC. - Edição Lombard, na colecção “Troisième Vague”, que aqui se inicia no modelo “álbum único”. Autores: argumento de Stephen Desberg e traço de Thomas Legrain.
Não se perdoa aqui a paranóia do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, no seu capricho em inventar as armas de destruição massiva (que não existiam) de Sadam Hussein, só para disfarçar a sua voraz cobiça pelo petróleo iraquiano.
E depois, tudo descamba num ambiente escaldante e destruidor pelos imensos mercenários, agora chamados de forças de segurança privada, a soldo de uma cambada de gente poderosa que se rivaliza e que a todo o custo quer dominar e sugar as riquezas do Iraque. E neste conflito infernal, está uma incorruptível advogada (Chalene Van Evera) aliada a um não vendável “mercenário” (Jackson Baines) para acertarem contas com um fanático assassino em série, fugido e banido do seu país de origem, a República Sul-Africana...
Um argumento denunciante e sem medo e uma arte de pleno agrado.
Uma obra a ler, segurando os nervos!


SOUS LE SOLEIL DE MINUIT - Edição Casterman. Autores: o argumentista Juan Diaz Canales, com a arte de Rúben Pellejero.
É o 13.º tomo da série criada pelo saudoso mestre italiano Hugo Pratt. E é também, o triunfal regresso de Corto Maltese, agora “trabalhado” fielmente e com todo o cuidado , tanto no traço como no espírito desta série-ícone da Banda Desenhada europeia. Bravo!
A “rentrée” de 2015/2016 da BD, começa muito bem com dois maravilhosos regressos: Jim del Mónaco e Corto Maltese.
É proibido não ler este novo tomo de Corto Maltese, que se espera bem, esteja em edição portuguesa muito em breve, o que aliás, é urgente... Para já, parabéns à francófona Casterman e aos hispânicos autores, perfeitos e leais continuadores da obra de Pratt.


ANTARES / 6 - Edição Dargaud. Autor: Leo (aliás, Luís Eduardo Oliveira).
Depois do “ciclo Aldebaran” (5 tomos) e do “ciclo Betelgeuse” (5 tomos), o terceiro “ciclo” (Antares) conclui-se neste belo sexto tomo, sendo todos os “ciclos” partes da espantosa série “Les Mondes d’Aldebaran”, dita de ficção-científica...
Leo, que em 2000 foi homenageado ao vivo no respectivo
Salão-BD Internacional da Sobreda, não só tem o talento gráfico de nos fazer viajar, deslumbrados, por situações e mundos fantásticos, como nos projecta a pertinentes análises dos personagens que atravessam esta maravilhosa série.
Este álbum encerra com uma entrevista a Leo conduzida
por Marc Gauvain.
Obviamente, virá em breve um novo “ciclo” desta série...


"Q.I." #134 - Edição EGO.
Mais um número do fanzine "Q.I." ("Quadrinhos Independentes") que o seu activo editor, Edgard Guimarães, teima (e muito bem!) em publicar com uma regularidade impressionante.
Neste número, para além das habituais rubricas "Fórum", "Edições Independentes", "Mantendo Contato" e "Poeta Vital", temos outros artigos de interesse como o que o próprio Edgard Guimarães dedica ao Capitão América, ou o que o nosso amigo Carlos Gonçalves escreve sobre "Patagónia", a primeira aventura de Tex publicada em Portugal.
Como "brinde" deste número, temos o pequeno mas bastante útil encarte "O Mundinho dos Quadrinhos", onde Edgard aponta e corrige alguns equívocos de "O Mundo dos Quadrinhos", obra de referência nas HQ's brasileiras, de Ionaldo Cavalcanti.

domingo, 4 de outubro de 2015

BREVES (15)

José Vilhena (1927-2015)
FALECEU  JOSÉ VILHENA
Nascido a 7 de Julho de 1927, José Vilhena (aliás, José Alfredo de Vilhena Rodrigues), que há muito estava doente, faleceu a 3 de Outubro do corrente ano.
Grandioso no seu humor cáustico e implacavelmente mordaz, fundou e dirigiu famosas revistas, como “O Mundo Ri”, “Gaiola Aberta”, “Fala Barato”, “O Cavaco” ou “O Moralista”.
Foi igualmente o autor de dezenas de delirantes livros (textos, ilustrações e fotos), donde, alguns títulos: a trilogia “História Universal da Pulhice Humana” (“Pré-História”, “O Egipto” e “Os Judeus”), “Branca de Neve e os 700 Anões”, “Julieta das Minhocas”, “Arre Burro!”, “O Depoimento de Américo Thomaz”, “O Evangelho Segundo José Vilhena”, “Os Reis de Portugal, suas Taras e Pulhices”, “Cinto de Castidade”, “O Filho da Mãe”, “A Vingança do Filho da Mãe”“A Boa Viúva”, etc.
Escreveu também Teatro, como “Os Infiéis Defuntos” e “As Calcinhas Amarelas”. Esta farsa estreou nos anos 70 no então Teatro Laura Alves (Lisboa) com interpretações de Irene Izidro, Barroso Lopes, Carlos Miguel, Luís Horta, Teresa Ziloc, Manuela Maria e outros, tendo sido um enorme êxito.
José Vilhena deixou-nos fisicamente, mas a sua obra fica e é para ser lida e relida. Que descanse em paz!



Liliane Funcken (1927-2015)
ADEUS, LILIANE!
Foi com muita tristeza pelo mundo bedéfilo que se soube do falecimento, aos 88 anos, de Liliane Funcken no passado dia 26 de Setembro. Viúva do seu companheiro de sempre, sobreviveu apenas dois anos à morte do marido, Fred Funcken (1927- 2013).
Liliane Schorils nasceu também em 1927, vindo a adoptar o apelido do marido quando se casou em 1959. Foi neste ano que se viram pela primeira e, num amor à primeira vista, ele durou para sempre.
Fred e Liliane, além de um casal exemplarmente apaixonado, formavam uma dupla extraordinária pela extensa Banda Desenhada que criavam. Sempre muito cúmplices nos seus trabalhos e nas suas investigações, dificilmente se consegue separar o que era de Fred e o que era de Liliane.
Que descanse em paz. Adeus, Liliane!




BALBÚRDIA TINTINESCA
Volta não volta, os media, tocam no assunto: os herdeiros de Hergé (Fanny Rodwell e Nick Rodwell) vão ou não permitir um novo álbum de Tintin, ante tanta e mais alguma pressão com que constantemente são bombardeados neste sentido?
Proibiram a conclusão de “Tintin et l’Alpha Art”, mas o jovem canadiano Yves Rodier, admirador absoluto da obra de Hergé, atreveu-se a ir em frente: com dados que tinha, concluiu o álbum que tem versões em francês, em inglês, em castelhano e em português (no Brasil).
Os Rodwell pensaram depois em editar “Tintin Entre os Sovietes” a cores... mas a ideia foi por água abaixo. Agora, para que ao fim de 70 anos da morte do autor, não percam os direitos e estes passem para o domínio público em 2053, põem a hipótese de que uma outra narrativa há muito iniciada e depois posta de parte pelo mestre, “Tintin et le Thermozéro”, seja retomada e concluída até... 2052!
Será? E terá mesmo de ser nessa data limite?
O corajoso jovem Yves Rodier já tentou pegar no tema...
LB

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

ENTREVISTAS (20) - JOSÉ PIRES (2.ª parte)

(conclusão da entrevista iniciada no post anterior)


BDBD – Como editor de publicações amadoras, a sua actividade já tem alguns anos, sendo responsável (a solo ou em parceria com Jorge Magalhães e Catherine Labey, por exemplo) por excelentes fanzines, bem conhecidos da “tribo” bedéfila (Fandwestern, Fandaventuras, A Máquina do Tempo, entre outros). Quando e porquê surgiu esta sua faceta de faneditor?
JP - Isso surgiu quando conheci o Jorge Magalhães. Ambos decidimos publicar um Fanzine (Fandaventuras - 1998). Depois prossegui sozinho com o Fandwestern e outros. O Matt Marriott foi publicado pelo Mundo de Aventuras mas como o formato (tira diária) não se adequava ao A4 e afins, as vinhetas apareciam amputadas ou acrescentadas. E como os formatos eram menores, para meterem as legendas, os paginadores eram obrigados a invadir o espaço dos desenhos, destruindo todo o valor dos extraordinários enquadramentos do autor. Por isso me dediquei a publicar em fanzine as histórias do Matt Marriott em versão original. São 70 episódios eu tenho 64 - pas male!
A série Rob the Rover está neste momento a ser publicada em inglês e a ser exportada para toda a Escandinávia (Dinamarca, Suécia e Noruega) com bastante sucesso.
Uma página de Matt Marriott publicada no Mundo de Aventuras...
... e a mesma página, já restaurada por José Pires, no formato de tiras em que foi publicada em Inglaterra.
BDBD – A sua admiração pelos autores clássicos ingleses levou-o a recuperar digitalmente obras de referência como Capitão Meia-Noite, Rob the Rover ou o já referido Matt Marriott. Como teve a ideia (e a ousadia, no bom sentido) de se embrenhar nestes projectos?
JP - Os chamados “clássicos”, Walter Booth, Reg Perrot ou Tony Weare, etc... sempre incendiaram a minha imaginação - sempre desejei reunir em volume as páginas que eles publicavam semanalmente ou em tira diária. Há outros como Milton Caniff (Terry e os Piratas ou Steve Canyon) que também gostaria de publicar... se tivesse tempo para isso...
Capas de dois episódios de "O Gavião dos Mares""Matt Marriott",
séries restauradas e publicadas em fanzine por José Pires

BDBD – Para se abalançar a projectos desta envergadura é necessário ter uma grande colecção de revistas inglesas, muitos contactos com amigos e colecionadores, muita paciência e, essencialmente, muito amor a esta arte. É que não estamos só a falar no minucioso trabalho de restauro das pranchas e na tradução e legendagem das mesmas. Falamos, também, no esforço enorme que, por certo, fará para conseguir obter todas as tiras de cada uma das séries, e em condições mínimas de serem recuperadas… Em poucas palavras, quer explicar-nos como se processa a recuperação de uma obra como Matt Marriott ou Rob the Rover?
JP - Isso só se consegue com um brutal investimento ou tendo amigos “especiais”. O Américo Coelho, por exemplo, deve ter a maior colecção de BD que conheço. Tem mesmo o Puck desde 1920 a 1940, de onde foi retirado o Rob the Rover, o Capitão Meia-Noite ou o Gavião dos Mares, que já publiquei na íntegra.
O restauro das vinhetas é tarefa que só o computador consegue alcançar. Claro que o computador não trabalha sozinho e é preciso saber trabalhar com ele. Mas para quem foi um profissional, que o utilizava mais de uma dúzia de horas diárias durante mais de vinte anos, tudo se torna mais simples. É uma questão de vontade e aplicação.

BDBD - Em média, quanto tempo demora a recuperar cada volume?
JP - Depende do estado em que o material me vem parar às mãos. Se tem cores, se lhe faltam pedaços ou se estão deficientemente impressos - os problemas são múltiplos e variados - mas  pouca coisa o Photoshop, quando orientado por mãos experientes, é incapaz de resolver. Milagres, não há, mas capricho, boa vontade e alguma imaginação conseguem quase “milagres” - é tudo uma questão de trabalho e alguma paciência e jeito. Cada volume exige normalmente uns quinze dias de oito horas de trabalho.

O "Willy Prize", diploma com que José Pires
foi distinguido pelo seu trabalho por um grupo de
admiradores dinamarqueses da série "Rob the Rover"
BDBD - Para espanto de muito boa gente, as suas edições estão a ter sucesso lá fora! Quer explicar-nos como estão as coisas neste momento?
JP - A Internet teve um papel fundamental nisso. Amigos meus noticiaram nos seus blogues as minhas publicações e não tardou que a informação ultrapassasse fronteiras. Agora, como já disse, estou exportando o Rob the Rover em versão inglesa apenas para a Escandinávia, Inglaterra e Brasil. Dá imenso trabalho, mas também muito gozo. E ponho as meninges a trabalhar, em lugar de ir para um banco de jardim jogar à sueca.  

BDBD – Estará implícito nesse gosto que tem pela edição de publicações amadoras, a vontade, quem sabe, de um dia gerir ou criar uma editora profissional? Alguma vez pensou nisso?
JP -­ De colaboração com um professor fanático da BD, estamos a pensar abrir uma loja no e-bay para implementar a exportação dos fanzines em língua inglesa, o Rob the Rover especialmente: uma coleção de 30 volumes!... 

BDBD – O José Pires foi/é argumentista, desenhador, legendador, colorista, coleccionador, tradutor, restaurador, paginador e faneditor! Um curriculum impressionante mas ao qual falta juntar a criação e edição de um blogue ou de uma página web onde divulgue o seu trabalho. Porquê esta pecha?
JP - Fui e sou tudo isso e até me dedico também à literatura. Tenho duas novelas escritas por publicar e concorri a diversos Jogos Florais (Cantanhede, Gandara e Castelo de Vide) onde arranquei os segundos prémios (os primeiros são sempre para os autóctones, claro). Mas também dá imensa auto-estima, palavra.
A organização de um blogue está fora dos meus projectos. Não tenho tempo para tudo isso. Outros que o façam. Editar os fanzines (e faço tudo sozinho!) já me dá um trabalhão dos diabos. Gosto imenso de trabalhar mas tenho a minha dimensão humana: não sou Super-Homem nenhum. E eu abomino os super-heróis, ainda por cima!

BDBD – Sei que tem uma história terminada, com argumento seu e desenho do João Amaral, passada no tempo dos Lusitanos, à espera que uma editora se interesse pela sua publicação. Por outro lado, desenhou um “western”, com argumento de Jorge Magalhães, que está a ser publicado apenas no fanzine brasileiro QI, pelas mesmas razões. Que opinião tem acerca do panorama editorial português? Porque é que há tantos autores portugueses com valor que não publicam regularmente? É um problema de falta de aposta das editoras, de uma má promoção e distribuição dos álbuns ou é o público que não compra?
JP ­- Essa história era baseada no Viriato e começou com um livro que escrevi.
"As Guerras de Fogo", trabalho com
argumento de José Pires (Gus Peterson)
e desenho de João Amaral (Jhion)
O João Amaral desenhou o primeiro volume (eram quatro) mas nem aqui nem em Angoulême se conseguiu vender a coisa. A publicação em álbum é um investimento muito elevado e as editoras só publicam o que lhes parece seguro - não entram em aventuras. 
western a que se refere (Buster from Texas Rangers) estava destinado à Bonelli, mas como fazia concorrência ao Tex ficou pelo primeiro episódio (50 páginas) e não foi aceite. Foi publicado pelo Edgard Guimarães no seu fanzine QI, sim senhor. Mas o argumento não foi do Jorge Magalhães, é também meu. Como dizia o Hermann, se sabes desenhar, também sabes escrever...
As editoras não entram em “aventuras”, como já disse. A minha editora nacional, Âncora Editora, só publica coisas minhas se tiver um patrocinador, como aconteceu com “A Batalha do Bussaco”. Tenho um outro álbum “A Portuguesa - a História do Hino Nacional” que ainda não foi publicado por falta de um patrocinador. Só foi publicado no Jornal do Exército. Os jovens autores nacionais, virados como estão para os Mangá e outras “japonezisses”, ainda estão mais lixados do que eu porque aí não há editora alguma que se abalance a isso. Só vai sobrando o José Ruy, que continua em acção, mau grado os seus oitenta e muitos! Mas ele, em tudo o que se mete tem patrocinador apontado: ele não brinca em serviço! 
Capa e prancha de "Buster from Texas Ranger"...
...e de "A História do Hino Nacional", dois álbuns que aguardam patrocinador...

BDBD – Que história gostou mais de desenhar até hoje, e porquê?
JP -­ Até agora a que mais gratificante e gozo me deu foi o “Irigo” do qual publiquei o suficiente para dois álbuns, nas páginas do Tintin, com o Jean Dufaux como argumentista. Mas a revista acabou antes que o Jean-Luc Vernal fizesse a vontade aos muitos leitores que pediam o Irigo em álbuns. Mas o “Alexandre Dumas” com argumento do Benoit Despas, é o meu álbum mais importante e melhor impresso. 
Página de "Irigo", publicada no "Tintin" belga

BDBD – Há algum tema, alguma história que quisesse abordar em banda desenhada e que ainda não o tenha feito?
JP -­ Tenho o projecto e o guião pronto de um álbum sobre o Capitão Pedro Teixeira, o conquistador da Amazónia, mas até agora não tive feed-back algum das editoras nacionais e brasileiras. 

BDBD – Quer deixar alguma mensagem aos jovens que sonham ser um dia autores de banda desenhada e que eventualmente estejam a ler esta entrevista?
JP ­- Façam! Trabalhem. Tentem fazer coisas que mais ninguém faça. Não sigam no "pelotão"! Sejam originais. Procurem ter qualidade. A qualidade é rara mas vence. Só a mediocridade falha de certeza. Pode mais quem quer do que quem pode. Não desistam. Insistam! 
CR

Capas de José Pires, para o "Cavaleiro Andante" e para "Zorro" (ambas de 1962),
assinadas ainda como "Zé".

Capas de "O Poço da Morte" e "Homens do Oeste",
episódios de Will Shannon publicados pela Editorial Futura (1989)
Prancha de "A Louca Cavalgada Heróica de Vasco Granja" (com argumento de
Jorge Magalhães), inserida num álbum colectivo publicado pela Asa, em 2003.
Prancha de "Saluk Hiah: a Paixão Lendária de uma Princesa Árabe",
BD incluída no álbum colectivo "Salúquia", Ed. Câmara Municipal de Moura (2009)
Prancha dupla de "Alexandre Dumas: Le Diable Noir", Ed. Orphie (2010)
Prancha de "Buster from Texas Ranger", publicada no fanzine "Q.I." (2015)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

ENTREVISTAS (20) - JOSÉ PIRES (1.ª parte)

Tal como Luís Afonso, que entrevistámos há pouco tempo aqui no BDBD, José Pires é um autor que deita por terra a malfadada fama de preguiçoso que têm os alentejanos, trabalhando entusiástica e continuamente todos os dias, provando assim que uma coisa nada tem que ver com a outra. 
A energia deste homem é um caso notável no meio bedéfilo, pois nunca está parado. Como ele próprio diz: "Parado, só depois de morto".
Antes de passarmos à entrevista propriamente dita, vejamos um pouco do que José Pires tem feito ao longo de uma carreira com mais de cinquenta anos, recheada de actividade, quer em Portugal quer na Bélgica, sendo um dos poucos desenhadores portugueses que se podem ufanar de ter brilhado no estrangeiro.
José Pires, um dos "grandes"
da BD portuguesa
Nasceu em Elvas, em 1935.
Estreou-se no "Cavaleiro Andante" com "O Último Prato de Tenton Gant".
É autor da primeira capa da revista "Zorro" (1962).
Publicou no "Mundo de Aventuras", nos anos 80. Pouco depois, iniciou colaboração com a "Tintin" belga e com a "Hello BD" (1993) fazendo parceria com os argumentistas Jean Dufaux e Benoît Despas.
Como faneditor, tem títulos publicados (de parceria com Jorge Magalhães e Catherine Labey, ou a solo) como Fandaventuras (1989), Fandwestern (1995) e A Máquina do Tempo (1996).
Nos últimos anos tem-se dedicado, com assinalável sucesso, a restaurar e a editar em formato fanzine grandes clássicos ingleses como "Rob the Rover", "Capitão Meia-Noite" ou "Matt Marriott".
Editou vários álbuns, tanto em Portugal ("Homens do Oeste", "Gil Eanes e o Bojador: As Portas do Mito", "A Viagem de Pedro Álvares Cabral: Ventos de Glória Marés de Infortúnio", "História de Gouveia, a Princesa da Serra", "A Batalha do Bussaco", etc) como na Bélgica ("Les Templiers: Le Sang et la Gloire"; "Alexandre Dumas: Le Diable Noir").
Fez, também, ilustração, colecções de cromos e trabalhou, durante muitos anos, numa agência de publicidade.
Foi homenageado pelo conjunto da sua obra nos Festivais BD da Sobreda (1996), Moura (1998) e Amadora (2011).
Tem vários projectos "na gaveta", entre eles três álbuns já prontos a editar (um em parceria com João Amaral) que aguardam apenas patrocinador.
Aqui está, então, a entrevista que nos concedeu há poucos dias e que, devido à sua extensão, será distribuída por dois posts.


BDBD – O gosto pela banda desenhada julgo que lhe terá surgido precocemente, como em quase todos nós. Ainda se lembra da primeira revista de banda desenhada que folheou? Ou das primeiras vezes que tentou imitar os desenhos que via? Como foi que a chamada 9.ª Arte entrou na sua vida?
"Falsa Acusação", de Vítor Péon,
despertou no autor a vontade de "fazer BD".
José Pires (JP) - No Mosquito, claro. Foi a primeira história do Vitor Péon “Falsa Acusação” (1943). Cativou tanto a minha imaginação que foi daí p’rá frente que desejei também fazer "coisas" daquelas. Fartei-me de desenhar as vinhetas do Vitor Péon e foi assim que descobri que tinha algum jeitinho. Daí em diante nunca mais parei de desenhar

BDBD – E como surgiu a hipótese de publicar banda desenhada pela primeira vez?
JP - Estava eu com 27 anos e trabalhava nas oficinas do Anuário Comercial (1962) onde era impresso o Cavaleiro Andante. O Artur Correia descobriu nos arquivos uma história que eu tinha entregue na redação, uns quatro anos antes, e apanhou-me de surpresa ao resolver publicá-la: era  “O Último Prato de Tenton Gant”, tirada de um conto publicado no Mosquito. Nessa altura eu procurava imitar o estilo do José Luis Salinas, autor do Cisco Kid, que eu admirava imenso. Ainda publiquei mais uma história, "Fumo de Pólvora em Gallows Crossing", como Burt Lancaster. Ainda tentei uma versão do “Eurico, o Presbítero”, como Charlton Heston, mas o preço que o Simões Muller pagava por página (150 paus!) levou-me a desistir. Mesmo assim ainda fiz a capa do n.º 1 da revista Zorro e mais três para o Cavaleiro Andante.
Fiz também uma coleção de cromos "Trajos de Todos os Tempos" para o Mário de Aguiar (APR, 1964), e outra "Os Cavaleiros do Céu", que também foi publicada em Portugal e na então Jugoslávia.
"O último prato de Tenton Gant" e "Fumo de pólvora em Gallows Crossing", 
dois dos primeiros trabalhos de José Pires publicados no "Cavaleiro Andante"

BDBD - Foi só nessa altura que teve a noção que queria, de facto, ser banda desenhista “a sério”, ou já antes tinha consciência de que era esse o caminho que pretendia seguir?
JP- Sempre desejei fazer “Histórias em Quadradinhos” e toda a vida procurei tornar-me um autor. Foi por causa disso mesmo que logrei um lugar de designer gráfico na CIESA-NCK (1964), agência de publicidade, onde eu desenhava os story-boards dos filmes publicitários (uma espécie de BD’s para mostrar a ideia nuclear aos clientes e cineastas.)

BDBD – O uso do computador mudou quase radicalmente a sua forma de desenhar ou de “fazer BD”. Que razões o levaram a ir por esse caminho e a deixar de lado as técnicas tradicionais, onde fez trabalhos a preto e branco que muita gente, ainda hoje, recorda com saudade?
JP - O uso do computador só apareceu nos anos 90 (95) pois o problema da cor era o que mais preocupava os autores de BD da época. Comecei apenas com a cor mas depressa engendrei técnicas próprias para aproveitar as potencialidades da máquina na resolução das deficiências que os processos ditos tradicionais enfrentavam. Desenhar o rodado de uma diligência, por exemplo. Mas o desenho tradicional continua a ser indispensável. Agora já não desenho as páginas mas apenas as vinhetas. Digitalizo as linhas para o computador (Photoshop), faço a montagem e meto a cor, vinheta por vinheta. E não tenho saudades nenhumas dos velhos processos. Longe disso. E o José Ruy, por mim influenciado, também já não quer outra vida.

BDBD – Não pensa, então, regressar à velha técnica do pincel, godé e tintas?!... Vê alguma hipótese de, um dia, voltar a desenhar uma história unicamente a preto e branco, com a célebre técnica do tracejado (que alguns confundem com o pontilhado de Franco Caprioli)?
JP -­ Ni hablar! Nunca me considerei um artista mas apenas um "fazedor de bonecos". Fiz alguns retratos a pastel ou a carvão e por aí me fiquei. O meu pontilhado, erradamente confundido com o do Caprioli (que era aleatório e o meu regular) foi retirado do Jean Giraud (Moebius) imitando as tramas fotográficas que então usava na Publicidade. Os belgas da Lombard (Tintin) até me chamavam o “Manara português”. Outra visão mais "avançada" das coisas…
Prancha de "Homens do Oeste", in "Mundo de Aventuras" (1980)

BDBD - O José Pires é, também, um dos poucos autores portugueses que publicaram com regularidade “lá fora”. Como foi essa aventura, como começou e porque acabou?
JP - Começou com o 25 de Abril. Os esquerdistas ameaçavam acabar com a Publicidade (a ponta de lança do capitalismo e da “sociedade de consumo”). Vendo o meu posto de trabalho em risco, decidi enviar os meus desenhos para as editoras belgas e francesas, pois aquilo era “a segunda coisa que eu melhor sabia fazer”. Respondeu afimativamente a Editions du Lombard. Emigrei assim sem sair de Portugal, enviando os originais pelo correio e eles mandando os francos por transferência bancária. Durou sete anos a brincadeira, publicando cerca de 200 páginas no Tintin e no Hello BD e um álbum, “La Sangre et la Gloire - a odisseia dos Templários, com guião do Benoit Despas, que teve edição bilingue em francês e flamengo. Foi na semana de lançamento o álbum mais vendido por terras francófonas. Belos tempos, esses... 
Tudo terminou porque o magazine Tintin acabou, por exigência dos herdeiros do Hergé (o título Tintin do magazine). O Hello BD demorou um ano a aparecer e esse ano de interrupção foi fatal - o magazine durou mais dois anos apenas. Agora a Lombard apenas publica álbuns.
"Irigo", uma BD que foi capa na Tintin belga, nos anos 80

BDBD - Gostava de voltar a publicar nesse ou em outros países europeus?
JP - Voltei a publicar em 2010 um álbum para as Éditions Orphie (“Alexandre Dumas - Le Diable Noir”). Estive em Angoulême (2010) mas não logrei vender coisa nenhuma - um contundente fracasso...
Capa e prancha de "Alexandre Dumas, le Diable Noir", Éditions Orphie (2010),
com texto de Benoit Despas

BDBD – No seu trabalho, é nítida a utilização de rostos de actores famosos como John Wayne, Gary Cooper ou Leonardo DiCaprio na concepção dos personagens. O Cinema é, para si, outra paixão ou usa, simplesmente os rostos desses actores como modelos?
JP - Manter a similitude de uma personagem em imagem realista é muito difícil. Não fui nem o último nem o primeiro a usar rostos de actores nos meus trabalhos. O Milo Manara usou e abusou do Alan Delon para o seu Giuseppe Bergman e o Jean Giraud, o Belmondo para o seu Lieutenant Blueberry. O Hernandez Palácios, o Robert Redford para o seu MacCoy. Este muito antes de eu usar o Gary Cooper no Will Shannon. E, claro, quem é que não gosta de cinema?...
"Will Shannon", personagem que José Pires "vestiu" com o rosto de Gary Cooper

BDBD – O “western” é, julgo saber, o seu género favorito. Sei que tem uma colecção fascinante de objectos e livros relacionados com este tema, que certamente lhe servirão de modelo para as suas histórias. É muito importante a preocupação com todos os pormenores (armas, selas, edifícios, vestuário…) que giram à volta das histórias, sejam elas “western” ou não…
JP - Quem como eu, começou com o Vítor Péon e a “Falsa Acusação” só podia preferir o western. Isso mais as "coboiadas" que eu via nas matinés do cinema de bairro, claro. A preocupação com os detalhes não é uma preocupação apenas minha. O Tony Weare (Matt Marriott) por exemplo, viajou durante mais de um ano pelos States, desenhando ao mesmo tempo as suas tiras e enviando os originais para Inglaterra, para melhor se integrar no ambiente da sua personagem. Mas um autor que se preze preocupa-se sempre com a autenticidade e rigor daquilo que desenha. Possuir um bom banco de imagens é indispensável.
CR
(conclusão da entrevista no próximo post)

domingo, 27 de setembro de 2015

BREVES (14)



Theo



MURENA: Novo Desenhista
Desde o falecimento inesperado a 28 de Janeiro de 2014 do desenhista francês Philippe Delaby (tinha 53 anos), que os imensos admiradores da série “Murena” andavam bem tristes.
Pois a Dargaud Éditeur já escolheu um novo desenhista para continuar a série, a ter novo álbum, muito provavelmente em 2016.
Trata-se do italiano Theo, que desenhou com toda a perícia as séries “Le Trône d’Argile” e “Le Pape Terrible”. Aguardemos pois!








FLASH GORDON: Novo Filme
Para 2016, prevê-se o início da rodagem de uma nova longa-metragem versando o herói-BD, Flash Gordon. Por enquanto, ainda não se conhecem mais pormenores...
Depois de Buster Crabbe, Steve Holland, Eric Johnson e Sam J. Jones, quem será o próximo protagonista deste herói?







JORGE MIGUEL: Triunfo no Estrangeiro
O talentoso jovem desenhista Jorge Miguel (“Camões” “ O Fado Ilustrado”), desiludido com o mundo sombrio das esferas editoriais do nosso país, apostou-se pelo estrangeiro, donde já, os dois divertidos tomos da série “Z Comme Zombie”.
Tem agora, pelas bandas francófonas, um novo álbum: “Arène des Balkans”.
Falaremos dele, quando o lermos. Até lá, Jorge Miguel está imparável, soma e segue.
Força, Jorge Miguel!





JOÃO AMARAL em Viseu
De 14 a 28 de Novembro, João Amaral vai ter exposição em Viseu, em espaço da respectiva Biblioteca Municipal.
A exposição incidirá em pranchas do seu mais recente álbum, “A Viagem do Elefante”, adaptado da obra homónima de José Saramago
Nota curiosa: por mera coincidência, a exposição é inaugurada no dia do aniversário natalício de João Amaral...
LB

terça-feira, 22 de setembro de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS (79)

UM CONTRATO COM DEUS - Edição Levoir, S.A. Autor: Will Eisner.
Este volume maravilhoso reúne quatro episódios: o que dá o título ao álbum, seguindo-se “O Cantor de Rua”, “O Zelador” e “Cookalein”, com dois prefácios do próprio Eisner.
Crítico implacável, Will Eisner, coloca os personagens destas quatro narrativas, em 1930, como inquilinos de um mesmo prédio na zona nova-iorquina da Bronx
Uma obra extraordinária e notável de leitura a não perder.


LE FEU D’HADÈS - Edição Lombard. Argumento de Sylvain Runberg, traço de Louis (aliás, Stephane Louis) e cores de Véronique Daviet.
“Le Feu d’Hadès” é o primeiro tomo da série “Drones”.
Uma série de ambiente futurista (já em 2037?!...) e pleno de guerra.
A Europa parece ser uma só nação, com a “capital” em Copenhaga (Dinamarca). Guerreia com a China, mais propriamente com um indomável grupo separatista de cristãos(?!...). Duas mulheres se confrontam sem piedade: a europeia Louise Fernback e a chinesa cristã Yun Shao.
Uma série animada numa balbúrdia feroz de uma guerra moderna e num futuro mais ou menos próximo. Com jeito vai... a fantasia!


JUNGLE CITY - Edição Dupuis. Autor: Hermann.
“Jungle City” é o 34.º  tomo da actual série de honra de Hermann, “Jeremiah”.
Implacável e plena de violência, em retrato bem realista, a narrativa prossegue com as aventuras dos amigos Jeremiah Kurdy, desta vez com uma breve escala na caótica Jungle City, talvez mais infernal que selvagem...
A ler e a admirar a arte de Hermann, sempre impecável e avassaladora.


L’EMPIRE DES SOUVENIRS - Edição Lombard. Autores: argumento de Stephen Desberg e arte de Henri Reculé.
“L’Empire des Souvenirs” é o nono e derradeiro tomo da tão sedutora série “Cassio”, que se localiza em espaços cruzados, nos tempos do Império Romano e nos dias de hoje.
Pode alguém, por estranhos sortilégios, sobreviver à sua aparente morte, atravessar séculos e manter-se voluntariosamente activo para fazer justiça, ou seja, para consumar a sua vingança sobre os seus quatro traiçoeiros assassinos ?
Uma obra a ler com entusiasmo, para conhecer agora o desfecho da série. Um argumento que nos agarra, sob a bela arte de Henri Reculé.


DANS L’OMBRE DU MONDE - Edição Lombard. Autor: Philippe Gauckler.
Este é o segundo tomo da série “ Koralovski”, focada nas intrigas políticas e na indústria petrolífera, inspirada num facto real que se passou na inimizade do presidente russo Vladimir Putin e o industrial Khodorkovski.
Aqui, o presidente chama-se Vladimir Khanine e o industrial é Viktor Koralovski.
Por ordem do senhor da Rússia, Koralovski esteve preso durante dez anos. Conseguiu evadir-se por acção de um misterioso comando.
De qualquer modo, entre Khanine e Koralovski, a luta continua...
LB

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

HERÓIS INESQUECÍVEIS (39) - BUZ SAWYER

Não terá sido um herói que arrastou multidões, mas mesmo assim, teve a sua relativa boa dose de popularidade, incluindo em Portugal.
Roy Crane
Este herói nasceu a 1 de Novembro de 1943, sob autoria de Roy Crane (1901-1977), que já havia criado o “Captain Easy” (Capitão Águia, quando foi publicado no suplemento dominical do matutino “Notícias” de Lourenço Marques).
Buz Sawyer foi militar norte-americano, passou à vida civil e tornou à carreira militar... Coisas forjadas para a heroicidade especulada pelo nacionalismo norte-americano.
Sawyer teve como um dos seus principais parceiros o divertido Rosco Sweeney. Casou com a bela Christy Jameson, donde resultou o filho Pepper.
A série teve inicialmente argumentos de Edwin Granberry. Crane, praticamente, só assumiu o traço. Passou depois a ser apoiado pelo desenhista Henry G. Schlensker, que o substituiu plenamente após o seu falecimento.
Em 1983, é John Celardo quem toma conta do traço até ao final da série a 7 de Outubro de 1989.
No Brasil, este herói tinha o nome de Jim Gordon. Em Portugal, a situação foi ridiculamente anedótica, pois foi conhecido como Fred de Sousa, John de Sousa, Raio Solar(?!) e, finalmente, pelo seu nome autêntico, Buz Sawyer.
As suas aventuras, mais ou menos avulsamente publicadas, foram editadas no “Cavaleiro Andante” (1956), no 36.º “Álbum do Cavaleiro Andante” (1957) e depois, noutras revistas, como “Ciclone”, “Condor Popular”, “Mundo de Aventuras” (1.ª série), “Mundo de Aventuras” (2.ª série), “Jornal do Cuto”, “Herói” e “Tico”.
E por este herói-BD, relativamente (frisamos) popular, ficamos por aqui.
Agradecemos os apoios que nos foram prestados por Jorge Magalhães e José Manuel Vilela.             
LB

Pranchas de "Um Caso de Espionagem", in "Cavaleiro Andante" #236 (1956)


Pranchas de "Piratas do Ártico", in álbum do "Cavaleiro Andante" #36 (1957)

Pranchas de Buz Sawyer, in "Mundo de Aventuras" #263 (1978)