sábado, 15 de novembro de 2014

A VIDA INTERIOR DAS REDAÇÕES DOS JORNAIS INFANTO-JUVENIS na memória de José Ruy (2)


2 - A PLANTA DA REDAÇÃO DE "O MOSQUITO"

Conforme descrevi no artigo anterior, a redação de "O Mosquito" a partir de 1939 passou em definitivo para a Travessa de São Pedro, no Bairro Alto em Lisboa. Era em simultâneo redação, administração e oficinas.
A instalação abrangia várias divisões de uma antiga casa de habitação que foi perfeitamente adaptada à função.
Numa sala com duas janelas, de esquina para a Rua dos Mouros e para a Travessa de São Pedro, estava instalado o prelo para o «transporte litográfico» dos desenhos para as chapas de zinco Offset que imprimiam diretamente na máquina Rolland. Numa dessas janelas estava a bancada onde eu desenhava nas chapas de zinco Offset a seleção das cores do jornal. Na outra havia uma mesa destinada à montagem dos «deitados» ou «planos», ou seja a planificação das páginas de cada número do jornal. O técnico transportador era o experiente José Baptista Moreira que viera da litografia Castro, como muitos dos outros elementos.

Para uma melhor compreensão junto um esquema da planta.
Nesta perspetiva que desenhei para o livro «História da BD Publicada em Portugal» pelas
Edições «Época de Ouro», em 1995, mostro como era a Redação/Oficina de "O Mosquito".

1– Patamar da escada. 2– Entrada para a cave onde estava instalado o «granidor» de recuperação das chapas de zinco usadas. 3– Porta da Redação. 4– Corredor principal. 5– Guiché de receção ao público. 6– Casa da máquina de impressão Offset «Rolland». 7– Gabinete do Tiotónio onde estava instalado o telefone. 8– Ligação entre a casa da máquina e a secção de transporte. 9– Secção de montagem, transporte e desenho litográfico; a) Mesa de desenho das cores; b) Mesa da montagem litográfica; c) Prelo litográfico. 10– Secção de tipografia; a)– Bancada tipográfica; b) Impressoras tipográficas automáticas «Minerva»; c) Secretária do contabilista, sogro do Tiotónio. 11– Casa da dobra do jornal e também da expedição de encomendas; a) Máquina de Offset «Rolland» de pequeno formato; b) Bancada da dobra. 12– Gabinete de reuniões; a) Na parede, dois grandes retratos de António Cardoso Lopes e Raul Correia. 13– Casa do corte de papel; a) Guilhotina. 14– Corredor de ligação. 15 e 16– Gabinetes com arquivos de originais e números antigos de «O Mosquito». Roussado Pinto ocupou o gabinete 15 aquando da sua estada na redação. 17– WC e duche. 18– Saguão a céu aberto.

Como funcionava a redação de "O Mosquito"

Um jornal deste tipo pode ter histórias muito bem escritas e desenhadas, mas se não tiver uma orientação bem estruturada pode resultar num falhanço. Chamo a atenção do que aconteceu aos jornais que o Tiotónio dirigiu (embora artisticamente, pois era de uso na época haver também um diretor literário) depois da sua saída. Ele tinha a perceção exata do que o público precisava, sem cair na tentação de lhe dar o que lhe seria mais fácil de assimilar. Por isso "O Mosquito", sendo simplesmente um jornal de entretém, foi considerado pelos seus leitores, ao longo dos tempos, como de cariz didático.
O Cardoso Lopes, Tiotónio, era quem escolhia a colaboração do estrangeiro - Inglaterra e Espanha - e os temas da que era realizada em Portugal. Era ele quem detinha o exclusivo do material inglês, e quando mudou do "Tic-Tac" para criar "O Mosquito", levou as séries consigo.
Não havia repetição de temas na gama das Histórias em Quadrinhos nem das novelas de texto. Os autores destas últimas, Raul Correia, Fidalgo dos Santos, José Padiña, Lúcio Cardador, Orlando Bertoldo Marques ou Roberto Ferreira recebiam indicações para o ambiente da novela que deviam escrever a seguir. Não admitia repetição de temas simultaneamente, e por exemplo, se havia em curso uma história de barcos passada na atualidade, só era aceite outra se fosse vivida na antiguidade.
Por curiosidade, mostro em baixo uma página d’ "O Mosquito" N.º 229, de 30 de Maio de 1940, onde o Raul Correia responde a uma carta do Orlando Marques, que começou a colaborar por essa altura com as suas novelas.
A página d’ "O Mosquito" com a resposta à carta de Orlando Marques
e ao lado o pormenor para se poder ler o conteúdo.

Este critério do Tiotónio era aplicado também nas Histórias em Quadrinhos, com aventuras espaciais, policiais ou decorrentes em zonas exóticas do mundo, já descoberto ou não. Também o género de desenho «sério» era equilibrado com o «cómico» ou humorístico como se passou a chamar. Esse material era de origem inglesa e espanhola. Só muito mais tarde viria a publicar originais dos Estados Unidos da América. Os títulos sempre bem inspirados eram conseguidos pelo Raul Correia num repente, sem ter que pensar muito.
Eis o equilíbrio estabelecido entre histórias humorísticas e de carácter sério, atingindo assim os variados gostos dos muitos leitores. Conheci na altura rapazes que compravam o jornal só por causa de uma das histórias de que gostavam muito. E como eram séries contínuas, estes leitores tornavam-se como que «vitalícios».
A colaboração disponível que vinha do exterior impunha os temas base, por isso o que era construído entre nós tinha de preencher o que faltava no critério de escolha da programação do jornal.
Ao diretor literário Raul Correia competia traduzir os textos e criar uma literatura própria que transformou por completo a qualidade dos argumentos, melhorando-os muito. Escrevia as novelas que contrabalançavam os «Quadrinhos». Era um verdadeiro Poeta e durante muitos anos manteve sem falhar a rubrica «O Avozinho», escrita numa bela prosa rimada.
Se um autor trazia à redação uma história já pronta, focando um tema que se equiparava a um que estava a ser publicado, o Tiotónio guardava-a para a inserir no jornal numa melhor oportunidade. As suas personagens «Zé Pacóvio & Grilinho» tiveram uma grande popularidade, mas n’ "O Mosquito", devido às muitas solicitações ligadas à gerência da oficina e das variadas publicações que aí se publicaram, tiveram pouca presença, embora se publicasse um álbum: «Novas aventuras de Zé Pacóvio e Grilinho».
As personagens do Tiotónio n’ "O Mosquito" e no álbum com uma história completa.
(continua)

No próximo artigo: AS DECISÕES NA ORIENTAÇÃO DO JORNAL

terça-feira, 11 de novembro de 2014

ENTREVISTAS (18) - ARLINDO FAGUNDES

Arlindo Fagundes
ARLINDO Terra FAGUNDES nasceu em Ovar a 3 de Julho de 1945, residindo há vários anos em Braga. 
De 1967 a 1974, esteve exilado em França.
Pelas artes diversas, tem um currículo bem pleno: ilustrador, capista, banda desenhista, pintor, ceramista, caricaturista, cineasta, etc. Frequentou Desenho e Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Diplomou-se em Cinema no Conservatoire Libre de Cinéma Français. Concebeu o "Manual Prático de Introdução à Cerâmica". Leccionou "Técnica de Comunicação" e "Técnicas Multimédia" na Escola Profissional de Braga e leccionou também Fotografia na Escola Calouste Gulbenkian. 
Realizou alguns documentários para a RTP-Porto. 
Como caricaturista, colaborou para diversos periódicos.
Recebeu o 1.º Grande Prémio de Design Artesanal na Bienal de Vila Nova de Cerveira, em 1997. 
Tem sido o ilustrador e capista da colecção juvenil "Uma Aventura" com textos de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.
Algumas das capas da colecção "Uma Aventura"

Em 2003, recebeu o Troféu Zé Pacóvio e Grilinho no Festival da Amadora e, em 2004, recebeu o Troféu Sobredão no Salão-BD da Sobreda. 
O seu herói-ícone na BD é o famoso Pitanga, que figura também num selo editado em 2004 pelos Correios de Portugal. O herói Pitanga, barbeiro ao domicílio e bem aventureiro, tem dois álbuns editados pela Caminho: "La Chavalita" e "A Rapariga do Poço da Morte". 
Este herói conhecerá o terceiro álbum, "O Colega de Sevilha", nos inícios de 2015. Desta vez será com côr, aplicada por José Pedro Costa.
Arlindo Fagundes não quis salientar nomes dos seus colegas nacionais, mas, fora da entrevista, percebemos-lhe um certo e entusiasmado brilho nos olhos ao referir-se à obra de Fernando Bento e aos primeiros tempos da carreira de Fernando Relvas... E assim foi a nossa entrevista:

BDBD - Finalmente o terceiro tomo de Pitanga, o teu herói por excelência. Porquê tanto tempo de espera?
Arlindo Fagundes (AF) - Primeiro, porque sou lento... Sempre fui. Depois, porque entre outros trabalhos, estes passam à frente da Banda Desenhada. Além disso, uma banda desenhada de ficção obriga a muita e diversa investigação, o que leva tempo.
Pitanga, o personagem ícone de Arlindo Fagundes

BDBD - Mesmo assim, essa tua justificada demora não poderá ser também considerada como um certo tipo de traição aos olhos dos teus leitores?
AF - Creio que não... (ri-se) Eles já se habituaram a estas demoras. Para além disso, este terceiro álbum é a cores, o que implica muito mais cuidado. Cores que serão dadas pelo José Pedro Costa, que, neste sentido, já fizera uma experiência na história de prancha única, "O Paradoxo do Barbeiro".

BDBD - Como te inspiraste na criação do Pitanga? Foi na figura real do saudoso António Variações, como se diz?
AF - Tinha de conciliar várias coisas. Era preciso criar um certo herói. Um herói diferente, um herói que mexesse. Ao contrário do que se diz por aí, não foi por causa do António Variações, que só entrou depois. Mas, de qualquer modo, um barbeiro é sempre um personagem diferente. Que tem clientes, que fala com muita gente... Quando estive exilado em França, tive um colega português que, além de ser resineiro, também era barbeiro, o que me começou a despertar para forjar o Pitanga. Foi assim que, tudo junto, a figura se foi marcando.

BDBD - E o Variações como entra?
AF - O Pitanga era... é, um herói de papel. Com o Variações, ele tem um colega que é uma figura real. Isso reforçou a história. Muitos heróis de papel, como o Corto Maltese, também contracenam com personagens reais. É sempre uma boa referência.
Prancha de "La Chavalita", onde se pode observar António Variações como personagem
BDBD - Quais os teus colegas nacionais que mais admiras?
AF - De um modo geral admiro todos. Não vou mencionar nomes...

BDBD - E dos estrangeiros, podes indicar algum nome?
AF - Sim, posso... Por exemplo, a dupla Abuli e Bernet, o Jacques Tardi, o Hugo Pratt... Claro, de algumas coisas do Jijé... Ah, devo ainda acrescentar o Edgar-Pierre Jacobs!

BDBD - Vais começar a fazer a quarta grande aventura do Pitanga?
AF - Até já tenho ideias... Mas tudo depende do tempo e (rindo-se) da esperança de vida.

E a entrevista ficou por aqui. É provável que uma nova conversa surja daqui a uns tempos.
LB

Capa e prancha de "La Chavalita" (Editorial Caminho)
Capa e pranchas de "A Rapariga do Poço da Morte" (Editorial Caminho)

"Pitanga e os Animais", in "O Mosquito" (V série), n.º 11 (1985)
Prancha única, a cores, publicada em "Mundo Universitário" (18.04.2007)

domingo, 9 de novembro de 2014

NOVIDADES EDITORIAIS (62)

PONTAS SOLTAS - Edição Asa. Autor: Ricardo Cabral.
Antes de mais, felicitamos o jovem autor pelos trabalhos apresentados neste álbum, compilação feliz de quatro pequenas histórias que criou entre 2004 e 2013: "Hi No Tori", "The God Tracking Station", "Webtrip" e "O Caso Doca 21".
A grande vedeta deste álbum, que figura notoriamente nas quatro histórias, é a cidade de Lisboa, atentamente "fotografada" pelo grafismo de Ricardo Cabral.
Força Ricardo e que venham mais álbuns!


CUBA LIBRE - Edição Casterman. Argumento de Roger Seiter e grafismo de Régric (aliás, Frédéric Legrain). 
"Cuba Libre" é o 25.º tomo da série "Lefranc", criada por mestre Jacques Martin.
Praticamente, toda a história se localiza em Cuba, em 1958, quando as forças comandadas pelos irmãos Castro e pelo "Che", avançavam sem retorno para destituir o ditador Fulgêncio Batista.
E pelas pranchas passam três notáveis personagens reais: Fidel Castro, Ernesto "Che" Guevara e o escritor norte-americano Ernest Heminguay. Este, precisamente, convida Guy Lefranc a passar uns dias em sua casa (em Cuba), aproveitando conceder-lhe uma entrevista. Mas o verdadeiro motivo, é mostrar a Lefranc umas enigmáticas ruínas de uma cidade submersa com características greco-egípcias... Restos da lendária Atlântida?
"Cuba Libre" é uma das mais conseguidas aventuras de Lefranc.


SURVIVANTS / 3 - Edição Dargaud. Autor: Leo.
Os poucos sobreviventes terráqueos de um acidente no espaço, andam, com a protecção e amizade do povo Holoran, a "gastar" tempo no bizarro planeta GJ1347-4, onde acontecem anomalias quânticas e há perigosos mistérios para desvendar.
Não é feliz uma grande primeira parte desta narrativa. A situação arrasta-se monótona, acinzentada e com um clima de "ciumeiras telenovelescas". Só lá mais para diante é que a história ganha um bom impulso e começa a entusiasmar.
O grafismo de Leo continua correcto, mas o argumento tem altos e baixos, sobretudo estes.


TINT'INTERDIT - Edição Penthes/Cabédita.
Com coordenação e apresentação de Alain-Jacques Tornare, "Tint'Interdit" é um conjunto de paródias ao mundo de Tintin /Hergé. Para além dos textos, engloba imensas ilustrações, "pastiches", de variados desenhistas. Mas não é nada daquela sabida linha insultuosa que tanto tem sido publicada. Há apenas uma salutar diversão. E, pelas ilustrações, salientamos exemplos como Tintin feito Achile Talon (por Greg) ou vice-versa; Gaston Lagaffe mascarado como o Yéti a assustar Tintin Haddock; e até, numa gravura extra, por Alex, com Astérix trajado de Tio Patinhas, a mergulhar num grande monte de dinheiro...
E os tintinófilos que não amofinem!
LB

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

EVOCANDO (12)... VÍTOR PÉON

Vítor Péon (1923-1991)
Foi precisamente num 5 de Novembro, como hoje, mas do ano de 1991, que a cruel e inultrapassável morte nos arrebatou esse gigante imenso da Banda Desenhada Portuguesa, Vítor Péonque então residia em Carnaxide.
Nascido em Luanda (Angola) a 3 de Abril de 1923, Vítor Amadeu Batista Péon Mourão, veio para Portugal quando tinha dez anos de idade. 
Aos 14 anos, iniciou-se como aprendiz de retocador de fotogramas... Assim foi o princípio de uma magnífica e brilhante carreira pelo mundo das Artes.
Positivamente sonhador, foi espantosamente intenso em criações suas: ilustrador, capista, banda desenhista, caricaturista, fundador e/ou co-fundador de publicações, pintor (o que lhe valeu belos conselhos estimulantes de mestre Almada Negreiros), criador de colecções de cromos, tendo abordado ainda o Cinema de Animação. Deu aulas de Banda Desenhada no IADE (Instuto de Artes, Design e Empresa) e elaborou os fascículos de "História da Banda Desenhada" e "A Banda Desenhada Como Arte", com edição do FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis).
Pela 9.ª Arte, abordou os mais diversos temas, com histórias isoladas e com heróis-séries, indo a sua preferência para o "western", aventuras nos mares e a História de Portugal. Ocasionalmente, passou também pela linha humorística.
Colaborou praticamente para todas as publicações do género, mas é em "O Mosquito" e "Mundo de Aventuras", que mais vasta criação sua foi publicada. No entanto, não se podem olvidar as revistas "Pluto", "Diabrete", "Titã", "Cavaleiro Andante", "Tintin" (edição portuguesa), "Jornal do Cuto", etc,etc. 
Capa de "O Mosquito" #1165, de 23.08.1950
Prancha de "Aventura na Selva" (in "Cavaleiro Andante" #352, de 27.09.1958)
Prancha de "Tomahawk Tom" (in "Colecção Audácia" #38 - II volume)

Foi admirador acérrimo de Reg Perrot, Alex Raymond, Will Eisner e Burne Hogarth. 
Descontente com a situação política em Portugal, seguiu o conselho de seu amigo e colega Eduardo Teixeira Coelho e emigrou, em 1958, primeiro para a Escócia, passando depois para Inglaterra.
Aqui, agora num estilo diferente, desta época se demarcam as séries "Simon Crane", "Rumbling Rose" e "O Alegre Flibusteiro" (com um álbum editado entre nós pela Futura). 
Regressou a Portugal em 1965, para tornar a emigrar, agora para França. Desde 1968, e durante três anos, viveu e trabalhou em Paris, donde se salienta em especial a sua arte na série "Yataca". 

Torna definitivamente a Portugal em 1974.
O Clube Português de Banda Desenhada homenageou-o em 1985 e em 1990 (sua última aparição em público). Entretanto, representado por seu filho e com apresentação por mestre José Ruy, foi homenageado no Salão SobredaBD/1989. 
É justamente na Vila da Sobreda que existe uma rua com o seu nome, por indicação do Grupo Bedéfilo Sobredense e gesto da respectiva Junta de Freguesia, que foi inuagurada em 2011 (em simultâneo com a Rua Fernando Bento). 
Em 2004 é editada pelos Correios de Portugal uma colecção de oito estampilhas dedicadas a heróis da BD Portuguesa.
E aqui constam os selos com Tomahawk Tom de Vítor Péon, Pitanga de Arlindo Fagundes, Espião Acácio de Fernando Relvas, Jim del Mónaco de Tó Zé Simões/Luís Louro, A Guarda Abília de Nuno Saraiva/Júlio Pinto, Quim e Manecas de Stuart Carvalhais, A Pior Banda do Mundo de José Carlos Fernandes e Simão Infante de Raul Correia/Eduardo Teixeira Coelho.
Quatro dos oito selos da colecção "Heróis Portugueses de Banda Desenhada",
onde se pode observar "Tomahawk Tom"

Álbuns e/ou mini-álbuns com histórias de Péon: "SOS na Idade da Pedra", "O Neto de Cartouche", "A Casa da Azenha", "A Vingança do Jaguar", "Gesta Heróica" (em dois tomos), "Tormenta", "Tomahawk Tom em O Espírito de Manitu", "O Alegre Flibusteiro", "Nos Mares da China", "O Regresso de Tomahawk Tom" e "O Buda de Marfim".

 
Muitas outras notáveis obras suas aguardam ainda por uma bem-vinda edição em álbum, como " A Reconquista de Angola", "João Davus", "A Palavra de Egas Moniz", "Na Pista da Aventura", "O Rei dos Lobos", etc.
Prancha de "A Reconquista de Angola", publicada no "Mundo de Aventuras"
e depois no "Boletim do CPBD, em 2008
"A Palavra de Egas Moniz" numa capa do "Mundo de Aventuras"
A finalizar esta resumida mas justa evocação, lembramos que Tomahawk Tom é o seu herói-ícone. De notar ainda que Péon, para além de ter editado o álbum "O Regresso de Tomahwak Tom", também editou o "Vítor Péon Magazine" (três tomos) e o efémero jornal satírico-humorístico "O Mariola", de apoio à campanha do almirante Pinheiro de Azevedo à Presidência da República.
LB


Prancha de "A Vingança do Jaguar"
Prancha de "O Buda de Marfim"
Prancha de "Moedas Falsas" (in "Mundo de Aventuras" #340)
À esquerda, capa do fanzine "Vítor Péon e o Western" (um excelente artigo de Jorge Magalhães editado pela Câmara Municipal de Moura, em 2011) e, à direita, a capa original do "Mundo de Aventuras"

domingo, 2 de novembro de 2014

DE ACTORES A HERÓIS DE PAPEL (4) - BUCHA E ESTICA

Stan Laurel (Estica) e Oliver Hardy (Bucha)
Sem qualquer sombra de dúvida há uma ternura muito especial ao se abordar, com justa e sentida nostalgia, esta fabulosa parceria do Cinema: Stan Laurel (Estica) e Oliver Hardy (Bucha). Num estilo similar, outra parceria (que em breve aqui recordaremos), "Abbott e Costello", também se notabilizou glosando várias vezes os mesmos temas mas sem jamais se igualar a Laurel e Hardy...
Stan Laurel (1890-1965)
Stan Laurel nasceu a 16 de Junho de 1890, em Ulverston (Inglaterra). Aos 16 anos, estreou-se no Teatro, em Glasgow (Escócia). Chegou a actuar numa companhia teatral da qual também fazia parte Charlie Chaplin. E é por aqui que, em digressão, vão parar aos Estados Unidos onde Laurel se radica. Como actor, escritor e cineasta a sua carreira é gloriosamente imensa. Ao princípio e pelo Cinema chegou a participar em filmes em que Oliver Hardy tinha breves intervenções, como em "Lucky Dog" (1921). 
Faleceu aos 74 anos, de ataque cardíaco, a 22 de Fevereiro de 1965, em Santa Mónica (Estados Unidos). Um dos seus amigos que o visitavam assiduamente e com ele se aconselhava foi Jerry Lewis. 
Desde o falecimento de Oliver Hardy, Stan Laurel recusou voltar a fazer Cinema, pois não suportaria entrar num estúdio de filmagens e não encontrar mais o seu amigo e colega de mais de três décadas.
Oliver Hardy (1892-1957)
Oliver Hardy nasceu a 18 de Janeiro de 1892, em Harlem (Georgia, Estados Unidos) e faleceu aos 65 anos com um enfarte do miocárdio, a 7 de Agosto de 1957, em Los Angeles (Estados Unidos). Teve vários ofícios, sempre com a meta apontada para os palcos e as telas. Ainda antes dos anos 20, também chegou a trabalhar com Charlie Chaplin. Verdadeiramente, é em 1927 que nasce a genial parceria com Stan Laurel, graças a uma "imposição" do cineasta Leo McCarey que forçou a tempo e horas o nascimento dessa magnífica dupla de cómicos.
Como nota curiosa, recorda-se que há uns bons e largos anos, ou na revista "Flama" ou n' "O Século Ilustrado", com direito a capa, eles foram entrevistados e sabiam que eram bem populares em Portugal, onde os tratavam por "Stica and Butcha"...
Enumerar aqui a filmografia, mesmo a que consta já com a parceria firmada, nunca mais se chegaria à Banda Desenhada. Mas, com justiça, indicam-se alguns títulos de nomeada: "Beau Hunks" (paródia ao classico "Beau Geste"), "Saps at Sea " (Marujos Improvisados), "The Devil's Brother" (Fra Diavolo), "Sons of the Desert" (Filhos do Deserto), "Bonnie Scotland " (Apurados para o Serviço), "Great Guns" (Em Frente, Marche!), "Nothing But the Trouble" (Os Cozinheiros do Rei), "The Flying Deuces " (Bucha e Estica na Legião Estrangeira), "Babes in Toyland (Era Uma Vez... Dois Valentes), "The Bullfighters" (Toureiros) e "Atoll K", em 1951, com produção europeia e que foi o derradeiro filme de "Bucha e Estica".



Pois a Banda Desenhada não esqueceu estes delirantes génios de bem nos fazer rir, se bem que sem aquela força que encontramos na 7.ª Arte. São muitos os exemplos mas aqui se notificam apenas alguns mais relevantes.

Caricaturados por Albert Uderzo, Bucha e Estica participam numa aventura de "Astérix", onde são dois patuscos legionários romanos.
Caricaturados por Uderzo numa aventura de "Astérix"


Em "Prince Valiant", numa abordagem feita por Gary Gianni, eles também lá estão.
Em "Prince Valiant", sob traço de Gary Gianni


O português Oskar (Fernando Óscar Pinto Lobo) desenhou peripécias  de Bucha Estica na revista "O Senhor Doutor" em 1937...
Revista "O Senhor Doutor" #121, com desenhos de Oskar
O "Bucha e Estica" de Oskar


Mais ainda: caricaturados por Jorge Miguel, numa vinheta cheia de zombies, Bucha e Estica, figuram muito bem "azombiados" no primeiro tomo da série "Z Comme Zombies".
Prancha e vinheta de "Z Come Zombies", com desenho de Jorge Miguel


Com mais vigor e marcando-se como série, eles foram "heróis de papel", tanto nos Estados Unidos como em Inglaterra. Salienta-se o inglês George William Wakefield, que foi um dos primeiros desenhistas a "usá-los". 
"Laurel & Hardy" na revista "Film Fun" (anos 30), por George William Wakefield

Pela América do Norte, demarcam-se as aventuras editadas por Larry Harmon, que nunca mencionaram os respectivos desenhistas!

Aventuras de "Laurel and Hardy" editadas por Larry Harmon


Peter e Robert (Bobby) Timony, realizaram a aventura "Fright Knight!" que retirámos da net. Desconhecemos se foi alguma vez publicada em papel.
Os norte-americanos Peter e Bobby Timony criaram esta versão de "Laurel & Hardy"


Em França, entre 1934 e 1938, o desenhador Mat (Marcel Turlin) adapta as aventuras de Bucha e Estica no jornal "Cri-Cri".

Duas pranchas de "Les Mésaventures de Laurel et Hardy", por Mat (in jornal "Cri-Cri")


Bill Titcombe publicou no "TV Comic" (suplemento do "News of the World") algumas aventuras destes personagens.
"Laurel & Hardy" (in "TV Comic", #1035), por Bill Titcombe (1971)
Infelizmente não conseguimos imagens com melhor definição.


Por último, uma referência especial a uma excelente série em desenhos animados (156 episódios), com produção e realização dos Estúdios Hanna-Barbera, que se tornou muito popular no nosso país. 

"Laurel & Hardy" no episódio "Mutt Rut" (1966)


No Cinema ou na Banda Desenhada, "Bucha e Estica" continuam vivos!...
LB


"Laurel & Hardy", sob o traço de George William Wakefield

"Laurel & Hardy", sob o traço de George William Wakefield



 


Publicidade à revista "O Gordo e o Magro", publicada pela Editora Abril (Brasil), nos anos 70

Estátua de Stanley Laurel e Oliver Hardy no exterior do Coronation Hall Theatre,
em Ulverston (Inglaterra)