sábado, 21 de janeiro de 2017

A ILHA DO CORVO QUE VENCEU OS PIRATAS (9)

Em setembro de 2016 terminei a primeira fase da série de artigos que tenho vindo a apresentar sobre a Ilha do Corvo, neste prestigiado Blogue «BDBD», com o texto que repito em baixo:

"Vão longos estes artigos, e a história vai caminhando em direção ao final. Faltam-me desenhar em definitivo pouquíssimas páginas, e agora a parte mais interessante será vermos as corvinas e os corvinos com o livro já impresso nas mãos, onde descrevo uma das histórias da sua Ilha, a que conta como os seus antepassados conseguiram sem armas vencer os piratas, apenas com pedras. É o registo de um acto heroico que as novas gerações precisam de saber e memorizar.

Voltamos ao contacto quando isso acontecer, que presumo seja no início do próximo ano de 2017.
Não deixarei de vos informar quando houver algo importante para assinalar.
Prometo.
Entretanto podem ficar a conjeturar como será o fim desta aventura.
Um pouco mais de paciência".

E como o prometido é devido, aqui estou a dar mais notícias deste trabalho aos fiéis leitores.
Tenho neste momento todas as pranchas desenhadas em definitivo e só não mostro as últimas porque é de ética não desvendar os finais de uma história antes da sua publicação. Mas podem observar mais algumas páginas para a frente das que já viram antes. 
Terminado o desenho a preto e branco, iniciei o trabalho de dar a cor, que, como já vos expliquei, faço presentemente através do Photoshop, com uma paleta criada por mim, muito semelhante à das aguarelas que utizava antes.
Sou de opinião de que a cor deve complementar o desenho a traço, sem no entanto abafar o original a tinta-da-china, por isso continuo a utilizar cores «pastel», suaves e transparentes. O negro dos contornos tem de ficar bem visível.
O colorido funciona assim apenas como um apoio, ajudando principalmente a desligar planos, e para isso utilizo a técnica de envolver por vezes partes inteiras do desenho em silhueta, numa mancha para definir rapidamente as distâncias em perspetiva. Também uso este processo para destacar qualquer pormenor que se encontre no meio da composição, e chamar a atenção do leitor.
Mas neste artigo pretendo mostrar principalmente a evolução da criação da capa, pois esta é a montra de qualquer livro, e é por essa via que o leitor ou as pessoas que passam pela livraria se apercebem de uma nova edição e do que trata.
O título ficara já definido com o Coordenador do Ecomuseu do Corvo, Eduardo Guimarães. Programei que este precisava de ter em destaque «A Ilha do Corvo», pois quando alguém fizer uma busca sobre essa Ilha, o nome deste livro aparece também.
No subtítulo um toque de mistério, que pudesse despertar nos jovens, corvinos ou não, a imaginação de uma aventura, afinal o verdadeiro objetivo desta Banda Desenhada. E como trata da defesa heróica dos ilhéus, do ataque dos piratas em 1632, acrescentei «Que Venceu os Piratas».
Temos portanto os ingredientes para despoletar o interesse em abrir o livro, folheá-lo e ver o seu conteúdo.
Posto isto, elaborei uma composição com os elementos referentes à história, a reação dos ilhéus face ao ataque dos turcos, e como homenagem aos corvinos atuais que tão generosamente se prestaram a servirem-me de modelo para as pesonagens.
Criei então como que um colar de «pérolas humanas» com os rostos das principais figuras da narrativa.
Fiz primeiro um esboço linear, à semelhança do que fizera para toda a história. A cena do combate também foi bem ponderada por mim, pois com a conjuntura mundial atual, não podia arriscar criar algum mal-entendido com esta narrativa gráfica. Claro que o interior do livro define bem que se trata de um episódio histórico do século XVII, mas quem vê apenas a capa, de passagem, pode não se aperceber desse pormenor. Não podia expor a Ilha do Corvo a essa apressada crítica.
Assim exemplifiquei a defesa dos ilhéus atirando pedras ao inimigo, sugerido pelas naus dispostas no horizonte e das barcaças que desembarcam os atacantes.
Chegado a esta composição que considerei harmoniosa, passei à fase seguinte, com um esboço mais definido.
Como sempre gostei de trocar impressões com as pessoas interessadas nas obras que realizo, enviei para o Eco Museu do Corvo, para apreciação do seu Coordenador Eduardo Guimarães.
Este observou com cuidado o rascunho e sugeriu que incluísse a imagem da Santa, que o vigário levara em procissão sobre a falésia, para proteção dos corvinos que estavam sob fogo dos piratas.
Como no geral a capa estava aprovada nos outros elementos, avancei para o desenho definitivo incluindo o pormenor da presença da Santa dos milagres, que coloquei no centro da composição.
Também o título já definido, com a cor sugerida embora ainda sem o colorido final.
Claro que enviei também ao meu editor para o seu conselho e apreciação que muito prezo.
Resolvi completar com a cor o conjunto da proposta de capa, para que esta fosse apresentada na Ilha do Corvo e apreciada e criticada pelos corvinos e corvinas.
A emoldurar o título, nuvens ameaçadoras de tempestade e no meio um halo como que o sol tentando romper, filtrado por um nevoeiro denso.
Nas figuras do colar humano, que correspondem aos rostos das corvinas e corvinos que posaram para mim e entram na narrativa, dei um toque de cor neutra, apenas para criar luzes de uma claridade difusa.
O céu vai aclarando na madrugada em que os piratas surgiram à vista da Ilha.
O tom escuro dos fatos dos defensores, mistura-se com o sóbrio ambiente da paisagem onde se vê a falésia abrupta sobre o mar.
Parece-me ter criado o dramatismo que está presente no episódio que marcou os habitantes da Ilha do Corvo em 1632.
No Corvo, o Eduardo Guimarães pôs a capa acabada à consideração da população, bem como do Presidente da Câmara, e deu-me já a resposta positiva dessa consulta. Caso houvesse alguma sugestão, teria todo o gosto em faze-la.
Em princípio será esta a cobertura do livro a sair neste trimestre, como está previsto.
Falta-me colorir apenas nove pranchas, o que terminarei dentro em muito pouco tempo.
Voltaremos ao contacto, logo que tenha mais novidades para vos dar.
Até lá desejo-vos boa leitura de Histórias em Quadrinhos, principalmente portuguesa.
José Ruy
Janeiro 2017

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