terça-feira, 20 de agosto de 2019

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (16) - O HINO NACIONAL


CONTRA OS BRETÕES, MARCHAR, MARCHAR!
Ou o que fez surgir "A Portuguesa"​


Assim começa a ​HISTÓRIA:
​A 2 de Fevereiro de 1387, D. João I de Portugal matrimoniou-se ​com a dama inglesa D. Filipa de Lencastre. Foi o solenizar de ​um Tratado, reafirmando-se assim, entre D. João I de ​Portugal e Ricardo II de Inglaterra, em Windsor, depois de ​já em1373, tal ideia ter sido concertada entre D. Fernando ​I de Portugal e o príncipe inglês John de Gant.
Mais ou menos, ​tudo isto foi a génese da famosa Aliança Luso-Inglesa que ​ainda hoje, de nossa parte, servilmente e com um certo ​toque de vazio romantismo tacanho, vamos aceitando…
Casamento de D. João I com Dª Filipa de Lencastre, em 1387
​Deste enlace, da inglesa Filipa e do português João, nasceram ​nove filhos, dois dos quais morreram crianças. Dos outros, os ​cinco filhos varões - Duarte, Pedro, Henrique, João e ​Fernando - firmaram a "Ínclita Geração". Mas, daí para cá, a vetusta "aliada" Inglaterra só nos tem enganado, ​traído, roubado e apunhalado. Uma descarada canalhice!
​Já lá irei à nossa gloriosa "A Portuguesa", mas cumpre-me antes, como português, fazer um breve apanhado histórico das britânicas patifarias ao nosso País, à nossa Pátria, tanto mais que imensos compatriotas nossos tais factos talvez ainda desconheçam!... Ora, vamos lá.
Muito antes deste conveniente matrimónio anglo-português já havia em plena Idade Média, acordos de pesca, ​navegação, comércio e determinadas políticas, entre o nosso ​País (ou Reino) com a Inglaterra, a Dinamarca e a Flandres…
​A 14 de Agosto de 1385, aconteceu a gloriosa vitória de Portugal vencer Castela em Aljubarrota. Foi cá um estoiro contra o ávido Reino aqui mesmo ao lado!... Para aqui, os ​Ingleses apenas enviaram uma diminuta força de apoio de archeiros, que terão ensinado aos Portugueses a ​famosa "técnica do quadrado"...
Batalha de Aljubarrota (1385)
Algum tempo volvido, ​resultou uma das maiores crises políticas: o Reino de ​Portugal, num processo de traição e outras porcarias, caiu ​nas garras do ambicioso Reino de Castela… Já então, a ​Inglaterra, a França e a Holanda, sobretudo, não queriam ​portugueses nos seus horizontes e glórias… Pois, pois!...
​Por estes tempos, um pirata inglês (dito, corsário), o senhor Francis Drake, atacou e fez violentos estragos em terras lusas, ​sobretudo no Algarve, Cascais e Açores. Por esses tempos ainda, D. António I de Portugal, cognominado "o Rei Efémero", após a sacrificada e heróica derrota em Acântara, pediu o apoio aos Ingleses que lhe viraram as costas… e ​veio a morrer, bem infeliz, na zona de Paris, pois foi acolhido ​pela França.
Em 1640, Portugal e a Catalunha lutaram pela ​restauração dos respectivos reinos, então sob Castela. O ​astuto e muito diplomático cardeal Richelieu, então primeiro ​ministro de França, nestas rebeliões, acabou por ajudar ​Portugal. Obrigado, França! Perdoa-nos, Catalunha!... E ​por aqui, a "doce" Inglaterra não tugiu nem mugiu!...
​Quando a infanta D. Catarina (filha de D.João IV e de D. Luísa de Gusmão), por casamento, se instalou em Londres ​e para lá levou o "vício do chá", como dote matrimonial, Portugal ofereceu aos "sagrados aliados" as nossas cidades de "Além-Mar", de Tânger, Bombaim e Columbo. Isto não impediu que a ​Inglaterra deixasse de andar sempre voraz por tudo quanto ​cheirasse a Português!
​Com a "crise" napoleónica, Wellington e Beresford vieram em auxílio (?!…) de Portugal, onde se refastelaram, como se ​Lisboa fosse um bairro de Londres!... Até ousaram assassinar ​(enforcar) o grande general Gomes Freire de Andrade!...
​Outro ignóbil surripianço bretão a Portugal: as ilhas do Atlântico Sul, que embora não propriamente povoadas pelos ​portugueses, eram ainda terras nossas insulares à luz do ​Tratado de Tordesilhas (7 de Julho de 1494): Ascensão, Santa Helena, Tristão da Cunha e Gonçalo Álvares. As esquadras portuguesas escalavam-nas com frequência, sobretudo Santa Helena, cujo primeiro habitante fixo foi o soldado Fernão Lopes, e onde bem mais tarde acabou os seus dias o admirável Napoleão Bonaparte… Pois em inícios do século XIX, os hipócritas Bretões, sem dizerem água vai, ocuparam definitivamente tais ilhas!... E Portugal não reagiu!... Medo de Londres?!…
Agora, dou aqui dois convenientes saltos (lá chegarei à "Portuguesa"...) no tempo cronológico, aqui registado de um modo breve:
1 - Na Primeira Grande Guerra Mundial, enquanto as tropas Inglesas fugiam apavoradas (com "as calças nas mão"?...), bem como os poucos dos nossos, ante um feroz ataque alemão, um único português fez heroicamente frente às tropas de Berlim: o magnífico ​e ímpar "Soldado Milhões". E, nesse clima infernal, ainda ​teve o nobre gesto de salvar um médico escocês que ia ​morrendo afogado.
​2 - A 11 de Novembro de 1965, o corajoso Ian Smith proclamou unilateralmente a independência da Rodésia ​(hoje, Zimbábuè), território que tinha apoio quase total ​de abastecimento no porto da Beira (Moçambique). Londres, ​com uma esquadra sua, logo decretou o bloqueio (e provável ​desembarque de tropas) da Beira!... Não funcionou bem, pois ​logo os Franceses para aí enviaram forças navais para defender ​o território que ainda era português e, por sintonia, a Rodésia.
​Smith, para não complicar a vida a Lisboa (que discretamente o ​apoiava) optou - embora fosse bem mais caro - por se abastecer ​de quase tudo, via os portos sul-africanos de Durban e Cape Town.
​Se tiverem tempo devido, procurem saber das opiniões justas ​e sarcásticas de dois génios literários Irlandeses, George Bernard ​Shaw e Oscar Wilde, sobre os Ingleses (ou Bretões).
​Concentro-me agora no fulcro deste pertinente e histórico texto, e ​também em aplauso sentido aos nossos desenhistas em relação ao ​tema.
​Acontece que houve ​a vil jogada política em relação à tão cobiçada ​África na famosa Conferência de Berlim, que delimitou o que é ​que pertencia a quem… A França e a Alemanha, cedo aceitaram ​as propostas lusas, mas a Inglaterra…
Por esses tempos, raros e ​heróicos sertanejos se aventuraram a "conhecer" África, de ​França, Itália, Inglaterra, Portugal… Nós, aplicámo-nos em ​admiráveis odisseias, épicas e terrestres, donde alguns nomes ​mais notáveis: António Ferreira Silva Porto, Hermenegildo ​Capelo, Roberto Ivens e Alberto Serpa Pinto.
Silva Porto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo e Serpa Pinto
O mapa cor-de-rosa
Pelo lógico pensamento político euro-africano da época, a nossa ideia era ligar Angola a Moçambique, o célebre "Mapa Cor-de-Rosa", num só território luso-africano.
Teria ​sido bonito e glorioso para a respeitável lusofonia, mesmo ​que tais territórios, no futuro, dessem origem a certos e novos ​países africanos…
​Foi então que o safado (é o suave adjectivo possível) de um ambicioso e intriguista político bretão (britânico, inglês ou o raio que…), um tal de Cecil Rhodes, alucinou Londres com outra ideia: em vez do "Mapa Côr-de-Rosa" português e em ​latitude, "de Angola à Contracosta", devia a Inglaterra impor-se ​e possuir em pleno, e em longitude, o "Cape to Cairo", ou seja, ​da África do Sul ao Egipto. Que sinistro e traiçoeiro canalha!
​Então, Londres enviou um escabroso ultimato a Lisboa a 11 de ​Janeiro de 1890: Portugal, ou ocupava em pleno tal espaço ou ​a Inglaterra "tomava conta" do mesmo.
O ultimato da Inglaterra a Portugal visto pelo caricaturista Raphael Bordallo Pinheiro
Nós estávamos, económica ​e militarmente, num tempo bem infeliz e El-Rei D. Carlos cedeu às ​ameaças prepotentes da "nossa ancestral aliada" (Salvo seja!).
​E então nasceu o nosso tão belo e emotivo Hino Nacional, "A ​Portuguesa"!
O Povo Português aceitaria melhor uma desastrosa e trágica guerra contra a Inglaterra, em vez de um "acocoranço"… mas não ​houve guerra e a cambada de além Canal da Mancha, ganhou!
​Vozes (ou escritos) de notáveis ao lado do nosso Povo, como ​Guerra Junqueiro, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, bem criaram ​os seus vigorosos textos, mas de nada valeu. Portugal estava impotente!
​Valeu, sim, a parceria do poeta HENRIQUE LOPES DE MENDONÇA e do compositor ALFREDO KEIL que, num momento intenso e vibrante, criaram "A Portuguesa", o nosso Hino Nacional. No entanto, veio a acontecer uma "emenda ou alteração imperdoável" nos versos justos e de sentida revolta de Lopes de Mendonça (que até ficou proibido de frequentar a Corte): no original, não é "contra os canhões" que devemos marchar mas sim "contra os bretões". Mais uma vez, Lisboa teve medo que Londres amofinasse e uivasse!...
Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça
Ainda há um lógico e justo filme sobre todos estes aspectos, mas a nossa Banda Desenhada, na medida do possível, registou a história de "A Portuguesa" pelo menos em duas versões: uma, em duas pranchas, por CARLOS BAPTISTA MENDES... 
"A Portuguesa", por Baptista Mendes,
in "Jornal do Exército" (1972)

...e a outra, em formato álbum (com lançamento no próximo domingo, 25 de Agosto, em Viseu) por JOSÉ PIRES.
Bravo! Bravíssimo!
Capa e pranchas de "A Portuguesa: História de um Hino", por José Pires
Edição: Gicav/Câmara Municipal de Viseu (Agosto/2019)

Cá por mim (L.B.), sempre que tenha de cantar o nosso Hino utilizarei o termo original "Contra os Bretões"... E que o tão badalado "Brexit" lhes faça bom proveito!
Viva Portugal!
Luiz Beira

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (177)

ROSWELL - ​Edição Delcourt. Autores: argumento de Jean-Pierre Pécau, arte gráfica de Igor Kordey e cores de Anubis(!!).
Curiosamente, Anúbis, é um dos principais deuses da Mitologia Egípcia…
​"Roswell" é o 35.º tomo da tão apaixonante como especulativa série "L'Histoire Secrète", cuja respectiva intriga vai prosseguir…
​No início de Julho de 1947, um disco voador caiu no Novo México, perto da localidade de Roswell… e o coronel William Blanchard, da Força Aérea Norte-Americana, após investigação e actuação na zona, anunciou que havia recuperado um disco voador!... E logo nasceu (e prossegue) a balbúrdia de informações, contra-informações, atitudes ambíguas e estranhos secretismos.
Nesta obra-BD, Jean-Pierre Pécau atreve-se a ir mais longe (com a maravilhosa arte do croata Kordey), pois por aqui junta o episódio real do OVNI caído, a Mitologia Egípcia, a mal escondida e secreta Área 51, as teorias de "iluminados" escritores como Carlos Castañeda e René Guénon…
É uma intensa e maravilhosa amálgama de sedutoras teorias.
Serão mesmo só teorias?!...E o que é que os Arcontes, criados pelo deus Thot, andam a fazer e a querer lucrar nesta confusão espantosa?


O TESOURO DO CISNE NEGRO - Edição Levoir, em parceria com o diário "Público". Autores: argumento de Guillermo Corral e arte gráfica de Paco Roca, obra que recebeu em 2018, o Prémio Splash Sagunt. Este álbum pertence à série "Novela Gráfica" (5.ª fase).
Com base num escaldante processo político-jurídico entre o Reino de Espanha e os Estados Unidos da América do Norte, o romancista-argumentista Corral, logicamente, mascarou levemente alguns aspectos: a nau espanhola "Merced " (Nuestra Señora de las Mercedes) que vinha da América do Sul para Espanha, aqui chama-se "Cisne Negro"; pelos ingleses, foi criminosamente bombardeada e afundada, perto de Gibraltar, não em águas internacionais, mas portuguesas…
Depois, ávidos procuradores a abarbatadores de tesoiros de naus no fundo dos mares (norte-americanos, claro!), não pertencem à mencionada "Ithaca", mas à autêntica "Odyssey".
Pior que uma legião de "Tios Patinhas", a nada se poupam para roubar o que a outros pertence… Dólares e dólares, não é assim que tudo importa?!…
Este álbum tem um importante texto de apresentação pelo arqueólogo náutico Alexandre Monteiro.




LES MALÉFICES DE MEDÉE - ​Edição Glénat. Autores, segundo o atento e incansável projecto de Luc Ferry, tem argumento de Clotilde Bruneau, arte de Alexandre Jubran, cores de Scarlett Smulkowski e capa de Fred Vignaux.
Álbum da sedutora e cultural série "La Sagesse des Mythes", que ás vezes, é de tomo único (one shot), mas este é o terceiro (teoricamente o último) do episódio "Jason et la Toison d'Or".
Vamos a uma boa leitura? Cultura não ocupa lugar, mas consola muitíssimo!

LB

terça-feira, 13 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (176)

TINTIN, C'EST L'AVENTURE / 1 - ​É uma espantosa surpresa, o nascimento desta revista (assim se auto classifica) trimestral, publicada pela Geo em parceria com as Éditions Moulinsart. E justificam este aparecimento (Junho/Julho/Agosto-2019) festejando três aniversários em simultâneo: os 90 anos de Tintin, os 50 anos dos primeiros passos terrestres na Lua e os 40 anos da própria editora Geo.
Esta publicação, com mais de 160 páginas, deslumbra-nos completamente e espraia-se por diversos temas, sempre com Tintin como elo de ligação: há muita aventura, banda desenhada, fotografia, entrevistas pertinentes e elucidativas, um destac​ável desenhado por Bernard Yslaire ("Elle a Marché ​Sur la Lune"), alguns postais de Correio (também destacáveis), ​exemplos de inéditos elaborados por Hergé, etc, etc.
​Uma série de temas que se escancaram ao nosso entusiasmo, ​à nossa curiosidade e... à História. A não perder!


ORPHÉE ET EURYDICE - ​Edição Glénat. Da belíssima série "La Sagesse des Mythes", ​neste álbum constam como responsáveis: Luc Ferry ​(coordenador), Clotilde Bruneau (argumento), Diego ​Oddi (traço e "story board"), Ruby (cores) e Fred ​Vignaux (capa).
​Nesta série da Mitologia Grega, será o álbum do ​Inferno (salvo seja!), pois tem dois relatos um tanto ​consequentes, nesse ambiente escaldante nas entranhas ​da Terra, regido pelo deus Hades, irmão de Zeus.
​Mas antes da história de Orfeu e Eurídice, há outra que ​a precede, a da deusa Deméter e de sua filha Perséfona, raptada para esposa, por seu tio Hades.
Deméter, inconformada ​e qual leoa feroz a defender a filha, abre "guerra" contra os ​culpados: Zeus e Hades. Lá chegarão a um "acordo"...
​Depois, vem a tocante história de amor de Orfeu e Eurídice…
​Jovens, belos e apaixonadíssimos um pelo outro, estavam acabados de casar quando Eurídice, indo colher figos, é picada por uma serpente e daí, morre de imediato. Orfeu, que fez parte da equipa de Jasão na aventura dos Argonautas, ​é músico e poeta cantante. Com a sua voz e o dedilhar da sua ​lira, encantava e apaziguava tudo e todos. A súbita morte de ​Eurídice, deixa-o destroçado. Inconformado, consegue ir, bem ​vivo e indignado e suplicante, ao Inferno, para dialogar e pedir ​clemência a Hades e a Perséfona. Hades lá cede e permite que ​Orfeu traga Eurídice à vida e ao ar livre, com uma condição: nesse ​caminho de regresso, ele jamais deveria olhar para trás. Porém, ​quase no fim, Orfeu olhou para trás e perdeu Eurídice para ​sempre.
Na superfície, Orfeu, vive solitário e num quotidiano misterioso… Mulheres de todas as situações se oferecem a ele, ​sempre repudiadas, pois só ama e amará uma única mulher: ​Eurídice. No entanto, quase diariamente, vai recebendo e ​passando as noites com jovens homens casados e alguns ​mancebos… Daqui, a lenda dos "Mistérios Órficos", dos quais ​ninguém sabe o que eram. Inventou-se que nestes encontros, ​havia ensinamentos a esses sensuais homens, que podiam ou ​não, incluir acções sexuais de parte a parte…
​O pior, foi o rancor e a frustração das esposas e mães que se ​viram repudiadas por Orfeu! Então, ferozes e como que drogadas, ​numa noite, invadem-lhe a casa, matam-no e esquartejam-no, ​atirando ao rio os pedaços do seu corpo.
São as sacerdotisas de ​Apolo (na ilha de Lesbos) que recolhem e juntam o seu corpo ​e lhe dão a definitiva e devida sepultura.
​De resto, é bom que leiam este álbum!


RETOUR SUR ALDEBARAN / 2 - ​Edição Dargaud. Autor: Leo.
​É mais um tomo de mais um ciclo de ficção-científica, a ​que o brasileiro Leo (residente em Paris) nos transporta sideralmente.
​E confunde-nos bem nesta bela e alucinante viagem pelo futuro (haverá tal futuro?...), da Terra e Sistema Solar a outras paragens: Aldebaran, Betelgeuse, Antares… Ou ​toda a bela idealização de Leo irá acabar numa utopia ​vazia?!…
​A continuação desta imensa saga tudo virá a contar.
LB

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (38) - PHILIPPE FENECH (França)

Philippe Fenech
​Suponho que todos os nossos (do BDBD) amigos ​visitantes já repararam que, neste marcante tema, ​não foco apenas os desenhistas veteranos mas também ​os de bom valor de gerações mais novas… Tudo bem?
​Pois hoje aqui temos o francês Philippe Fenech.
​Nasceu em Montpellier a 1 de Abril de 1976.

Foi depois ​de ter lido algumas aventuras do famoso Astérix que ​decidiu tornar-se desenhista, pois tal tendência já ​fervilhava no seu sangue e no seu âmago.
​Depois de breves e soltas apostas, em 1999 conheceu o argumentista Curd Ridel, donde a primeira obra em ​parceria, a série "Tuff et Koala", até agora com três ​álbuns e especialmente mais dedicada ao público ​infantil.

​Depois, em várias vertentes, colaborou com as produções Walt Disney, em paralelo como professor de desenho e ​de cinema.
​A partir de 2003 deixa tais actividades para se dedicar, quase em absoluto, à Banda Desenhada, na linha encantadoramente ​humorística que - parece - é a que melhor sente (mas não só).
​E, por esta tão prometedora e já marcante carreira, regista-se: ​"Anatole et Compagnie", com dois tomos editados.


"Léo Passion Rugby", série iniciada em 2007 e já com três álbuns, com argumentos de Loïc Nicoloff.


Em 2010, começou a ser editada a sua série (dois tomos até agora) "Un Héros "Presque" Parfait", com textos de Mady e Ludovic Danjou. Uma diversão satírica e impagável!


​No ano seguinte, em 2011, surge a louca paródia à "Odisseia" ​de Homero, com "Ulysse!", já com dois tomos e com argumentos ​de Ludovic Danjou, Mady e do próprio Fenech. Uma ideia hilariante ​e muito louca!


​Por fim (por agora…), a sua mais do que popular série, "Mes Cop's", ​com mais de uma dezena de tomos e com argumentos de ​Christophe Cazenove.


Todavia, este talentoso e divertido desenhista, também se atreveu à linha realista… e nada mais nada menos, que ao tema ​da ficção científica (quem diria?!…). Foi para a série (apenas com ​um álbum) "L'Empire des Mecchas", sob argumento de Téhy.

​Desafio: vamos ler e descobrir este jovem talento francês?

LB

terça-feira, 6 de agosto de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (175)

Mais um impagável NAB - Edição Bamboo. Autores: argumentos de Patrick Goulesque e arte gráfica de Roger Widenlocher.
É o terceiro tomo da série "Les Nouvelles Aventures Apeuprehistoriques de Nabuchodinosaure". E chega esta edição em muito boa ocasião para nos refrescar as ideias neste tempo de prováveis canículas.
Com Nab (nome reduzido para os amigos), há sempre um hilariante festival de situações "doidas" a convidar-nos para a risota. E ainda bem!...
É muito salutar e positivo contra as nossas angústias do quotidiano, viajarmos em leitura pelas trapalhadas deste bizarro bicharoco que "existiu" na Terra, antes do Homem…
Toca a rir, pessoal!


BOB MORANE, INTÉGRALE 11 - ​Edição Lombard. Autores: argumentos de Henri Vernes e arte gráfica de Felicísimo Coria. Neste sistema de integrais, está de felicitações a Lombard, que não esquece o tão popular Bob Morane.
Neste tomo, conjugam-se os episódios "La Guerre des Baleines", "Le Réveil du Mamantu", "Les Fourmis de l'Ombre Jaune", "Le Dragon des Fenstone" e "Un Collier
Pas Comme les Autres" (que é uma história mais pequena).
A iniciar o álbum, um esclarecedor dossiê por Jacques Pessis.


VIRAVOLTA, L'ORCHIDÉE NOIRE - Edição Glénat. Autores: argumento de Arnaud Delalade, grafismo de Éric Lambert e cores de Filippo Rizzu.
O herói chama-se Pietro Viravolta, mas nas suas acções "clandestinas", tal como Zorro ou Batman, é o Orquídea Negra, funcionando como detective, agente secreto e justiceiro. Tudo no século XVIII…
Sendo veneziano, é oficialmente convidado para Paris, e para aqui se abala com a família e um fiel criado. Na capital francesa, reencontra o seu amigo, o famoso libertino Giacomo Casanova, então liberto das prisões de Veneza.
Arnaud Delalande, normalmente apenas romancista, já tinha usado este seu personagem favorito em livros. Agora, ambos se estreiam, e muito bem, na Banda Desenhada.
Todavia, o nosso especial aplauso vai para o desenhista Éric Lambert, que retrata em pleno, esse século XVIII de França, sob o reinado do monarca Louis XV. Bravo!
LB

sábado, 3 de agosto de 2019

AS HISTÓRIAS QUE RESIDEM NA GAVETA (12) por José Ruy

Caros leitores deste blogue, continuamos com a mostra das histórias mantidas na «gaveta» à espera de serem publicadas.

Em relação às «Lendas Japonesas» têm sido várias as oportunidades de edição, como vos contei.
No artigo anterior apresentei uma dessas histórias ainda em esboço, que conta a situação de um cego, tocador de «Biwa» o alaúde indígena do Japão, que por um misterioso sortilégio se viu sem as suas duas orelhas.
Estas são as duas primeiras páginas.
Como nos primeiros esboços não faço logo as legendas desenhadas, vou guardar esta lenda para os artigos seguintes e assim mostra-la já com o texto para os leitores acompanharem melhor a narrativa.
E agora mostro-vos a Lenda de «Kadzutoyo», que se viu envolvido numa situação estranha e perigosa.
Todas as lendas no Japão têm um sentido de moral, por mais fantasiosas que sejam. A superstição está sempre presente, mas no final há um conceito, uma lição a tirar da narrativa.
Há também por vezes uma fronteira muito imprecisa entre a realidade e a ficção.
O desfecho desta história vou da-la no próximo artigo, pois é imprevisível. Até lá podem tentar discorrer o motivo que Kadzutoyo teve para tal acto violento.
Reparem que na linha dos direitos colocada no lado direito da página figura a editora Meribérica, pois era uma das lendas a publicar nas «Seleções BD», em 2001, mas pelo facto da revista ter interrompido a edição, não chegou a sair.

No próximo artigo apresento-vos o final desta lenda e mais outra.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (174)

PROMETEU E A CAIXA DE PANDORA - ​Edição Gradiva. Autores: Luc Ferry (coordenador e autor do dossiê histórico), Clotilde Bruneau (guionista), Didier Poli ("story board"), Giuseppe Baiguera (traço), Simon Champelovier (cores),
Fred Vignaux (capa) e Maria de Fátima Carmo (tradução).
Em "Breves (72)" do nosso post de 24/Julho, espevitámos a curiosidade e o interesse dos bedéfilos, anunciando que a série coordenada por Luc Ferry ia aparecer em português. Aí está o primeiro álbum de "A Sabedoria dos Mitos"!
É uma colecção-série magnífica, preciosa, fortemente cultural, diremos, de luxo. À editora Gradiva, os nossos quase infindáveis aplausos por ter tomado esta brilhante iniciativa. Para além de Luc Ferry, Clotilde Bruneau e Giuseppe Baiguera, são os nomes de mais destaque em toda esta equipa.
Zeus, com a sua "divina" família, reina tranquilo (porém, prepotente e quiçá, cruel) no Olimpo. Tudo está em paz e em ordem. No entanto, o tédio vai incomodando os deuses. Para o quebrar, Zeus ordena que o titã Prometeu crie vida, sobretudo o ser humano. Porém, Prometeu, amigo da Humanidade, dá a esta o fogo e as técnicas das artes. Zeus não tolerou esta leviandade, pois previa que os homens, embebidos pela húbris (ou hibris), ambicionassem desmedidamente igualar-se aos deuses… E decretou um sinistro castigo eterno a Prometeu.
E inventou também uma caixa (ou ânfora) que é entregue à enigmática Pandora, caixa essa que jamais deveria ser aberta… A sua curiosidade feminina foi mais forte: abriu a caixa e de lá se soltaram todos os males e pragas que se espalharam pelo mundo…
Luc Ferry, no seu belo texto, baseia-se nos escritos, com interpretações diferentes, de Hesíodo, Ésquilo e Platão. Cada leitor tirará as suas pessoais conclusões…
"A Sabedoria dos Mitos" é uma série de leitura e colecção obrigatórias!


O RASTO DE GARCIA LORCA - ​Edição Levoir, em parceria com o jornal "Público". Autores: ​Carlos Hernandez (que, em 2011, esteve presente na 17.ª edição do salão Moura BD) e Juan Torres. Prefácio de Pilar del Rio e ​Mercedes de Pablo. Tradução de Carlos Xavier.
​Ao abordar-se o genial e humaníssimo Federico Garcia Lorca, seja em que vertente for, parece que já tudo foi dito e ​que nada foi autenticamente dito…

Nasceu em Fuente ​Vaqueros (Granada) a 5 de Junho de 1898 e foi assassinado ​(fuzilado?!…), também em Granada, a 18 de Agosto de 1936.
​A sua morte continua um mistério absoluto, pois não se sabe quem o assassinou e porque motivo tal foi imbecilmente ​feito!!!... Tão pouco se sabe onde está enterrado!...
Há muitas ​teorias onde cada um "puxa a brasa à sua sardinha", mas ​nenhuma conclui todo este enigma sem deixar a mínima ​dúvida, pois são teorias mais ou menos convenientes. Este belo álbum-BD, editado originalmente pela Norma Editorial em 2011, mostra-nos uma dessas teorias.
Em 2018, surgiu outro similar álbum-BD (inédito em Portugal), "Vida y Muerte de Federico Garcia Lorca", com texto de Ian Gibson e arte gráfica de Quique Palomo. No Cinema, destaca-se "Morte em Granada", realizado em 1996 pelo porto-riquenho Marcos Zurinaga e com o actor cubano Andy Garcia no principal papel; o respectivo DVD já foi editado em Portugal.
Garcia Lorca foi (e é) extraordinário poeta (poesia sua está editada em português, traduzida por Eugénio de Andrade e por José Bento) e dramaturgo, cujas peças têm sido postas em palco por todo o mundo: "As Bodas de Sangue", "Yerma", "A Casa de Bernarda Alba", "Dona Rosinha, a Solteira", 
"A Sapateira Prodigiosa", etc.
Há quem afirme que foi assassinado por razões politicas, em plena Guerra Civil de Espanha, pois era claramente um homem de Esquerda, sem nunca se confirmar como comunista. Que estranho, pois Lorca tinha bons e poderosos amigos de ambos os lados da "barricada"! É preciso saber-se esta verdade!...
Outras versões, apontam o seu assassinato ante o facto de Lorca ser homossexual assumido, o que era um "incómodo" para a Espanha conservadora e católica de então… Todo o mistério continua!
Lorca conviveu com Luis Buñuel, Salvador Dali, Pablo Picasso e outros notáveis dessa época cultural. Viajou pelos Estados Unidos, Cuba e Argentina. Foi também um exímio pianista e cantante.
​Terminando este apontamento sobre o álbum "O Rasto de Garcia Lorca
", um dos seus pensamentos: "Olha à direita e à esquerda do tempo, e que o teu coração aprenda a estar tranquilo".



TINTIN E A LUA - ​Edição Asa (do Grupo Leya). Autor: Hergé. Tradução de ​Maria José Pereira e Paula Caetano.
​Comemorando os cinquenta anos da chegada à Lua por astronautas norte-americanos na Missão Apolo 11, a Asa teve o belo gesto de reeditar, agora num só álbum, "Tintin e a Lua", as duas aventuras do popular Tintin, na sua ida e volta ao nosso satélite natural: "Rumo à Lua " (Objectif Lune) e "Explorando a Lua " (On a Marché Sur la Lune).
​Tintin e alguns dos seus habituais parceiros (Comandante Haddock, o cachorrito Milu, o Prof. Girassol e os pândegos ​e trapalhões detectives Dupond e Dupont), chegam e ​poisam e caminham pela Lua, QUINZE anos antes dos ​verdadeiros astronautas tal tenham feito. Nesta ideia, imaginem apenas, Hergé, mesmo involuntariamente, acabou por ser um misto de Nostradamus, Leonardo da Vinci e Jules Verne!
Consta, na contracapa deste álbum, uma curiosa frase que Hergé escreveu: " À força de acreditar nos seus sonhos, o homem converte-os em realidade". Que bela mensagem!...
Estas duas espantosas aventuras, duas das mais belas e conseguidas de Tintin, galvanizaram doidamente os leitores quando, semanalmente, começaram a ser publicadas na revista "Cavaleiro Andante". Bons anos mais tarde, foram
publicadas em álbuns separados, primeiro pela Verbo e depois, pela Asa. Estas versões, estarão (a priori) esgotadas, pelo que este recente gesto da ASA, merece os mais quentes aplausos.
Atenção bedéfilos tintinófilos: esta é uma edição a não perder!

LB