sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

UM OUTRO MILO MANARA

Murílio (Milo) Manara
Quem é nos nossos bedéfilos, aquele ou ​aquela, que diz que não gosta da arte de ​Milo Manara?
​Pois este desenhista italiano, que já veio a ​Portugal a edições do Salão-BD da Amadora, é ​pessoalmente afável, é bom observador e tem a ​sua arte específica, plenamente tombado para a ​linha erótica e às vezes mesmo, resvalando pela ​pornografia.
É o seu furor de simpatias… Mas que é um grande artista, lá isso é!...
De seu nome próprio Murílio Manara, nasceu em ​Luson (Itália) a 15 de Setembro de 1945... e até agora, ​vai brilhando bem na sua carreira. Mas, quem é o outro Manara?
​Há uma outra vertente, onde a sua arte também bem ​merece aplausos: as suas histórias curtas, um tanto ​biográficas, que o nosso saudoso Jorge Magalhães teve ​a atenção e a coragem de publicar na revista "Mundo ​de Aventuras". Recordemos:

O PROCESSO A NERO - com texto de Mino Milani, foi ​publicado no "Mundo de Aventuras" 278, em Fevereiro de 1979, relatando ​a vida e o provável julgamento da História do Imperador ​Nero, de seu nome completo, Nero Cláudio C​ésar Augusto ​Germânio (37-68 D.C.). Sobre este safado imperador ​romano, há muitas verdades e muitas lendas. No entanto, ​a seu lado, em relação ao tresloucado imperador Calígula, Nero aí... foi um "santinho"...
"Processo a Nero", por Manara (desenhos) e Milani (texto),
in "Mundo de Aventuras" (2.ª fase) #278 (1.2.1979)

ÁTILA - terrível líder que veio da Ásia, terá vivido de 406 a ​453. A sua feroz sede de conquista, com muitas crueldades interpostas, era insaciável, incluindo o dominar em absoluto a ​sedutora e distraída Europa…
Regista-se porém, que o ​Papa Leão I se atreveu corajosamente, a dialogar com Átila. ​E daqui aconteceu a paz!
"Átila, o flagelo de Deus", por Manara (desenhos) e Milani (texto), 
in "Mundo de Aventuras" (2.ª fase) #378 (8.1.1981)


OPPENHEIMER - Segundo as lendas bíblicas, desde que Eva ​traiu Adão, Caim assassinou seu irmão Abel, que uns safardanas venderam o irmão José aos egípcios, etc, etc, ​toda a Humanidade jamais parou de violências, escândalos, ​canalhices e poucas vergonhas. Gulas pessoais cobiçando ​luxúrias, dinheiro, sexo desbragado e poder desnorteado.
​Pois, como julgar este senhor Julius Robert Oppenheimer (1904-1967), norte-americano sábio, tão génio como, ​involuntariamente, uma besta contra a Humanidade?
​Certo é que morreu completamente angustiado e de memória ​esfarrapada, desde que soube que a sua invenção, a infernal ​bomba atómica, fora aplicada pelos poderosos de Washington ​em Hiroxima e em Nagasáqui.
"Oppenheimer, o pai da bomba atómica", por Manara (desenhos) e Milani (texto),
in "Mundo de Aventuras" (2.ª fase) #423 (19.11.1991)

CORTEZ - Na História da imperialista Castela (dita Espanha), entre os ​seus heróis existe, por exemplo, o nome e os maus gestos ​de um tal Hernán Cortés (1485-1547)... Um herói festejado, ​até certo ponto, pelo Reino de Castela.
​Ora acontece que nesses tempos, o ambicioso Cortés ou Cortez, ​foi cruel, abominável e canalha até ao extremo, traindo estes e ​aqueles, para se apressar a ser dono do que é hoje o México.
​Neste seu plano pessoal, aplicou tudo quanto é repulsivo e violento…
Cedo acabou por perder o Império Mexicano e acabou mesmo por ser deitado abaixo pela própria Castela.
"Cortez", por Manara (desenhos) e Milani (texto),
in "Mundo de Aventuras" (2.ª fase) #399 (4.6.1981)


ROSBEPIERRE - O odioso e tarado político francês Maximilien ​François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794), que até ​era advogado, é também, e sem qualquer dúvida, uma das ​odiosas e repugnantes personagens dos tempos da mais do ​que sangrenta e desnorteada Revolução Francesa.
​Conseguiu um "poder revolucionário" à custa de execuções incríveis, como por exemplo a do rei Louis XVI de França e, ​até, a do seu amigo e aliado revolucionário G. Jacques Danton…
​A sua insuportável ditadura foi tamanha, que acabou baleado ​a 27 de Julho de 1794 e, mesmo assim, ferido e prisioneiro, ​foi guilhotinado no dia seguinte. Quem com ferro mata, com ​ferro morre!
"Robespierre", por Manara (desenhos) e Milani (texto),
in "Mundo de Aventuras" (2.ª fase) #438 (4.3.1982)

O PROCESSO DE HELENA - Este episódio, histórico-lendário ​foi editado no "MA" em duas partes, nos números 113 e ​140.
​Pois, convenhamos, a belíssima e sensual Helena, esposa do ​rei espartano Menelau, segundo a homérica lenda, está na ​origem da terrível e arrastada "Guerra de Tróia"... 
​Há muita fantasia nesta homérica epopeia, "A Ilíada", mais ou menos histórica: Helena existiu? De tão bela e oferecida, ​foi mesmo raptada pelo também belo e incauto príncipe ​Páris de Tróia? Será que ela se entregou em vontade ​leviana, querendo escapar-se ao seu nada apetecível e ​feioso régio marido?...
​O tema de amor-guerra-ódio e etc, tem sido apaixonante através dos tempos. Manara, dá-nos aqui a sua versão.
"Processo de Helena", por Manara (desenhos) e MIlani (texto),
in "Mundo de Aventuras" (2.ª fase) #113 e #140

​São estas, seis histórias especiais desenhadas por Manara que agora registamos. Haverá mais?
LB

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (163)

LA PLUS BELLE FEMME DU MONDE - Edição La Boîte à Bulles. Autores: Wilkiam Roy (texto) e Sylvain Dorange (arte).
​A actriz Hedy Lamarr (1914-2000), nascida na Áustria ​e falecida nos Estados Unidos, foi uma das mais belas ​mulheres do Cinema, donde filmes como: "Mulher ​Ardente" (1958), "A Minha Espia Favorita" (1951), "​Sansão e Dalila" (1949), "Compra-me um Marido" ​(1941), "Camarada X" (1940), "A Dama dos Trópicos" (1938), etc.
De origem judaica, escapou-se com a família para os Estados Unidos, fugindo ao regime nazi. E em Hollywood, ela concretiza o seu sonho: ser actriz de Cinema. Bela, inteligente e irresistivelmente sedutora (casou seis vezes e teve vários amantes), contracenou, entre outros, com Bob Hope, Victor Mature, James Stewart, Clarke Gable, George Nader, Robert Taylor, etc.
Mas, Hedy Lamarr, não foi apenas uma actriz… Também se dedicou à Ciência e, em colaboração com George Autheil, foi também inventora, donde o ser uma precursora do Wi-Fi!...
É da sua incrível vida que trata este álbum, "La Plus Belle Femme du Monde" (A Mais Bela Mulher do Mundo), ou seja, "The Incredible Life of Hedy Lamarr".
Uma obra imperd​ível!...



STARLEGACY - ​Edição Escorpião Azul. Autor: João Monteiro.
Obra bem intencionada na sua agitada proposta pela ficção científica, agrada de um modo geral, embora peque um pouco pelo traço inseguro e notoriamente influenciado pelo estilo mangá.
De qualquer modo, tem nota positiva.



LISA E JOEY - Edição Arcádia. Autores: Philippe Charlot (texto)​Xavier Fourquemin (traço) e Scarlett Smulkowski ​(cores). É o segundo tomo, há tanto esperado, da bonita e ​dramática série "O Combóio dos Órfãos".
​Com os seus sofredores personagens, que têm o ​nosso emotivo carinho, por este tomo viajamos, ​intercaladamente, entre o passado e o presente…
​Que pena que se demore tanto a publicação de ​um tomo para outro, o que quase nos faz perder ​"o fio à meada"!
​Mas é uma série realista que nos cativa.



TERRA E SANGUE - ​Edição Escorpião Azul. Autor: Miguel Santos. ​Da série "Ermail", este é o segundo tomo.
​Na proposta, utópica (claro!), a situação é uma ​balbúrdia confusa que quase baralha e confunde ​as nossas meninges. No entanto, é interessante o que vamos acompanhando ​por esta cruel saga "portuguesa"...



JUVEBÊDÊ #74 - Revista da Associação Juvemedia.
Recebemos mais um número da revista Juvebêdê, referente a Novembro de 2018, como sempre com boa apresentação gráfica, óptimo papel e excelente impressão. Com uma interessante reportagem fotográfica sobre a última edição da Comic Con Portugal (onde se destaca uma conversa com Maurício de Souza e os Vencedores dos Galardões BD) e muita divulgação editorial (portuguesa e estrangeira), a revista publica, também, uma crónica de Miguel Cruz ("O Mundo à nossa volta e o nosso Mundo").
Contactos:
www.juvemedia.pt
www.juvebede.blogspot.pt
www.facebook.com/juvebede
LB/CR

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (32) - PUIU MANU (Roménia)

Puiu Manu
Ora cá está ele, tão honrosa e merecidamente: mestre Puiu Manu!
É um invejável exemplo/talento de uma longevidade sempre jovial e activa. Exacto!
Nasceu em Bucareste, a 14 de Setembro de 1928, e, por vezes, usou o pseudónimo de Vasile Baciu.
As suas impecáveis longevidade e actividade imparável, comparam-se muito às do nosso mestre José Ruy.
Puiu Manu, com obra vastíssima e de alta qualidade, varia de estilo (e quiçá, de traço), consoante os temas que aborda, desde a ficção científica ao humor, passando pelo histórico. 
Capa de "Trei Luni de Vacantá în Trecut" (Três Meses de Férias no Passado)
Pranchas de "Trei Luni de Vacantá în Trecut" (Três Meses de Férias no Passado)
O traço humorístico de Puiu Manu

Capa de "Soimii Moldovei" (Falcões moldavos)
Pranchas de "Soimii Moldovei" (Falcões Moldavos)
Capa de Baladá Eroicá (Balada Heróica)
Prancha de Baladá Eroicá (Balada Heróica)
Mas também se achegou a clássicos da Literatura, como “O Homem Invisível” (Omul Invizibil) de H.G.Wells...
...ou “David Copperfield” de Charles Dickens.
Cursou no Instituto de Artes Plásticas de Bucareste.
É um justificado e justificável ídolo da 9.ª Arte da Roménia, que bem o estima e admira. Já foi editado em alguns países vizinhos. E em Portugal, quando?...
Ainda sob a regime comunista (do insaudoso Nicolau Ceaucescu) no seu país, arrojou publicar-se com “Vinea Si Mihas” na revista local “Luminata”.
E depois, sempre intenso e sempre diverso, o seu talento admiravelmente criativo, ainda não parou. Ainda bem!
Com ilustrações do jovem desenhista romeno Alexandru Ciubotariu, o nosso amigo (e nosso correspondente na Roménia) Dodo Nitá, editou há algum tempo, a biografia deste fabuloso mestre mestre da BD Romena, “Puiu Manu, O Monografie”. Bravo!
E sempre se compara: o idioma romeno, maioritariamente também latino, com calma, não é complicado de se entender. Vai uma cultural aposta?
Nesta rubrica do BDBD, hoje o nosso texto pode ser um tanto curto... mas compensado com as ilustrações que o acompanham. O que importa é apreciar, pelo menos nos exemplos apostos, este grande talento da BD da nossa Europa.
Viva Puiu Manu!!
LB
Capa e prancha de "Toate Pânzele Sus" (Todas as velas para cima)

         
Dois belos cartazes de Puiu Manu

Puiu Manu na televisão romena

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

CENTENÁRIO DE UM GIGANTE: ETCOELHO (2)

Por: José Ruy

Como o BDBDBlogue anunciou no anterior artigo, a 4 de janeiro de 2019 comemorou-se o centenário do nascimento do grande autor português de histórias em quadrinhos Eduardo Teixeira Coelho, nascido na Ilha Terceira, nos Açores.
Todos os meses, até dezembro de 2019, o Clube Português de Banda Desenhada está a promover na sua sede na Avenida do Brasil, 52 - A, na Amadora, exposições temáticas da obra deste autor ímpar.
Desde 2 de fevereiro está patente a exposição «Os Animais na Obra de Teixeira Coelho» com meia centena de quadros.
Mantem-se o critério de mostrar as ilustrações a preto e branco, sem a cor que por vezes perturba a clareza do traço, e na dimensão em que o autor as desenhou.
Como exemplo, juntam-se em alguns casos os dois aspetos, para comparação.


ETCoelho estudou do natural, exaustivamente e durante anos, todos os animais, na sua forma, no comportamento e na reação às diversas situações que se lhes deparam na vivência em liberdade.
Em 1948 iniciou no jornal O Mosquito um verdadeiro tratado de anatomia animal com a história «A Lei da Selva».
Estão nesta exposição expostas vinhetas com espetaculares sequências, onde o visitante pode apreciar o movimento e a graciosidade da composição, o equilíbrio das manchas de sombra distribuídas no desenho em contraste com o fino traço fluido e seguro.
As ilustrações estão isentas de qualquer texto para que a atenção não se divida, permitindo, assim, focar-se unicamente no desenho.
ETCoelho, além do estudo no Jardim Zoológico de Lisboa, e para melhor criar posições quase incríveis mas muito bem estruturadas dos felinos, na própria redação/oficina de O Mosquito pedia a um rapazito que ali ajudava em pequenos trabalhos, o José das Neves, que segurasse o gato residente que tinha por missão dar caça aos ratos também locatários, e, de uma altura calculada, o deixasse cair de patas para cima
Instintivamente o animal volteava no ar para «aterrar» nas quatro patas. Essas mirabolantes reviravoltas eram desenhadas numa rapidez de frações de segundo, e permitiu ao desenhador verificar situações de verdadeira elasticidade do animal.
ETCoelho não se limitou a desenhar bem os animais, conseguiu que se libertassem da gravidade, tal como fazia nas cenas espetaculares de grupos humanos em «pancadaria» que galvanizavam os leitores.
Por iniciativa da Autarquia da Amadora, está a ser preparada uma mega exposição com originais deste autor, na Bedeteca dessa Cidade, comissariada pelo diretor do Festival Internacional de Beja com parceria do CPBD, a inaugurar em abril próximo e patente até setembro, e depois também no Festival de BD da Amadora em 2019.

Desde já os parabéns ao Pelouro da Cultura e à direção da Bedeteca pela iniciativa.

Voltaremos ao contacto em março, aquando da próxima exposição de ETCoelho, sob o tema: «ETCoelho e a Figura Humana».