quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (160)

CONCOMBRES AMERS - Edição Marabout. Autor: Séra.
Finalmente este anunciado álbum, “Concombres Amers” (Pepinos Amargos) de Séra (aliás, Phoussera Ing). É uma obra soberba, intensa e trágica, versando a história do Camboja, de 1967 a 1975.
Séra, que vive em Paris, levou cerca de seis anos a documentar-se exaustivamente e a elaborar esta sua obra, histórica e real. Para tal, várias vezes se deslocou ao seu Camboja natal. E a obra aí está, bem conseguida, registando sem contemplações toda a tragédia que o seu país de origem foi sofrendo, com as investidas dos países vizinhos, com as jogadas da China e dos Estados Unidos e com a sanguinária e terrível ditadura do genocida Pol Pot.
Uma obra admirável que, no seu decorrer, denuncia verdades e o cair das máscaras políticas, ao mesmo tempo que nos emociona com toda uma natural e humana angústia.
Uma obra criada com coragem, ternura e interna dor, pela parte do seu autor.
Bravo, bravo e bravo, amigo Séra!


LA CHUTE DE TROIE - Edição Glénat. Autores: argumento de Clotilde Bruneau e arte de Pierre Tarazano, com supervisão do historiador Luc Ferry.
“La Chute de Troie” (A Queda de Tróia) é o terceiro e último tomo de “L’Iliade” (segundo Homero), da maravilhosa série “La Sagesse des Mythes”.
A Guerra de Tróia” parece interminável... Entretanto, bravos heróis, tanto gregos como troianos, vão morrendo (Pátroclo, Heitor, Aquiles, o rei Príamo...).
É então que o valoroso e astuto Odisseus (dito, Ulisses), rei de Ítaca, engendra o lendário cavalo...
E Tróia cai! Assim venceram os Gregos... Na confusão sem piedade, salvam-se dois notáveis lutadores: o grego Odisseus e o troiano Eneias, que darão origem a épicas aventuras e outras obras literárias, respectivamente, “A Odisseia” de Homero e “A Eneida” de Virgílio.
“La Sagesse des Mythes” (A Sabedoria dos Mitos) é uma série a acompanhar em pleno.


KIVU - Edição Lombard. Autores: argumento de Jean Van Hamme, arte de Christophe Simon e prefácio de Colette Braeckman.
A rica em minas região do Kivu (com as subdivisões Norte e Sul), pertence à República Democrática do Congo (ex-Congo Belga, ex-República do Zaire) e é cenário violento e abominável das mais terríveis crueldades. Mesmo, hoje em dia!...
Interesses  capitalistas de diversas nações (Estados Unidos, China e alguns países europeus) e intragáveis rivalidades e ódios étnicos, fazem do território um palco de diárias tragédias e crimes sobre o seu natural e pacífico povo simples.
Dois exemplares personagens reais aqui são heróis de plena honra: os médicos Denis Mukwege (congolês) e Guy-Bernard Cadière (belga). Incansáveis a curar e a salvar vidas!
O extraordinário argumentista Jean Van Hamme e o jovem e já marcante desenhista Christophe Simon (que foi discípulo do saudoso mestre Jacques Martin), ao Kivu se deslocaram para se documentarem devidamente ante a realidade, para o frontal registo que esta obra relata e denuncia.
“Kivu” é uma criação BD de leitura obrigatória e que convida a uma urgente edição em português!...
LB

sábado, 8 de dezembro de 2018

ATÉ SEMPRE, JORGE!


Eu e o Jorge Magalhães, observando revistas com trabalhos de Caprioli, na exposição comemorativa do Centenário do Nascimento deste autor, ocorrida em Moura, em 2012.


Um amigo meu partiu, há precisamente uma semana, para o panteão desta Arte que designamos por BD.
Chamava-se Jorge. Ou melhor… chama-se Jorge, porque o Jorge não morreu. Continuará presente na minha vida e na vida de muitos outros. Especialmente daqueles que gostam de banda desenhada.

Foi através do meu parceiro de blogue, Luiz Beira, que contactei com o Jorge pela primeira vez.
Estávamos em 2000, ano em que o Salão Moura BD tinha como tema o “Western”. O Beira disse-me que o Jorge Magalhães era um grande entusiasta e entendido no assunto e eu lembrei-me de o convidar a escrever um texto para inserir no programa-catálogo.
Embora eu já conhecesse o Jorge Magalhães enquanto argumentista, articulista e coordenador editorial, nunca nos tínhamos cruzado nos diversos salões e festivais que ambos habitualmente frequentávamos.
Telefonei-lhe, apresentei-me e disse-lhe o que pretendia. Do outro lado respondeu-me a voz de um homem afável e educado, que, vez por outra, gaguejava quando as palavras não acompanhavam o ritmo alucinante do seu raciocínio, e que usava com alguma frequência a expressão “Bem entendido”, quando queria esclarecer melhor alguns pontos da conversa.
O Jorge disse-me que, por coincidência, até tinha um texto - intitulado “O Western na BD Portuguesa” - que começara a escrever em tempos e que estava "praticamente" terminado (como mais tarde eu perceberia, para o Jorge os seus textos nunca estavam verdadeiramente terminados; havia sempre mais qualquer coisa a acrescentar ou a rever…) mas que não sabia se caberia no catálogo.
- Quanto espaço é que vocês têm? - perguntou.
Eu respondi que umas quatro páginas A5, no máximo.
- Isso não chega nem para metade do texto! - retorquiu ele do outro lado do telefone.
Propus-lhe, então, a publicação de uma brochura fotocopiada, sem limite de páginas e com ilustrações em preto e branco, para distribuição gratuita pelos visitantes. O Jorge, com a humildade e a simpatia que o caracterizavam, concordou com a proposta e não colocou qualquer entrave, apesar do aspecto verdadeiramente modesto da edição. 
Sete anos depois, a Câmara de Moura reeditaria este opúsculo, numa edição de luxo a cores, revista e aumentada, que deixou o Jorge satisfeitíssimo.
Tratava-se do segundo número da Colecção “J.M.”, título que ele, a princípio e por modéstia, não queria utilizar mas que, por insistência minha, acabou por aprovar, chegando um dia a dizer-me, com indisfarçável sorriso nos lábios, que, para além dele, mais ninguém se poderia orgulhar, no meio bedéfilo português, de ter uma colecção com o seu próprio nome.
Capas da primeira e segunda edições de "O Western na BD Portuguesa" (2000 e 2007)
Edição da Câmara Municipal de Moura
O Jorge, acompanhado pela sua inseparável companheira Catherine, visitou o Moura BD 2000 e desde logo ficou encantado com o ambiente do salão e com a qualidade das exposições. Foi, a partir daí, um admirador incondicional e uma visita regular do mesmo (seria muito justamente premiado com o Troféu Balanito Especial, em 2002).
Encetámos, assim, uma relação cordial que rapidamente se transformou numa grande amizade, com vários episódios que valeria a pena aqui focar, mas que deixaremos para uma outra ocasião, de maneira a não tornar este texto ainda mais extenso.

Uns anos depois, em 2015, publiquei um post num outro blogue, acerca do meu western favorito: “Shane”.
O Jorge leu o post e comentou-o, dizendo que esse também era um dos seus filmes de eleição e acrescentando que o argumento fora extraído de um excelente livro de Jack Schaefer, com edição em português.
Ao perceber que eu desconhecia este facto, o Jorge prometeu emprestar-me o livro na próxima vez que nos encontrássemos.
O tempo, contudo, foi passando e eu acabei por (quase) esquecer este assunto, pensando que o Jorge - assoberbado com projectos - também o tivesse esquecido.
Até que, em Junho último, me desloquei em serviço a Cascais (onde o Jorge vivia) e, naturalmente, logo combinámos tomar um rápido cafezinho, só para matar saudades.
Assim aconteceu.
Eu, a Catherine e o Artur Jr. (filho do malogrado Artur Correia, e também morador em Cascais) sentámo-nos na esplanada de uma pastelaria que fica em frente à casa da Catherine e do Jorge, enquanto aguardávamos por este, que ficara a procurar qualquer coisa.
Quando finalmente apareceu, trazia na mão uma pasta amarela. Sentou-se ao meu lado, abriu a pasta e dela retirou um pequeno livrinho de bolso. Na capa do livro, em letras vermelhas, a palavra “Shane” e por baixo, numa moldura oval, a imagem de um vaqueiro cavalgando no deserto.
- Tome, Carlos, é para si! Comprei-o num alfarrabista de propósito para lhe oferecer! – disse-me o Jorge, tentando esconder um sorriso mal disfarçado.
Completamente surpreendido - com um sorriso que, pelo contrário, não disfarcei -, peguei no livro e, em segundos, apreciei a capa, folheei e cheirei algumas páginas e li, rapidamente, as primeiras duas linhas.
- E aqui tem a versão em filme, que lhe arranjei na semana passada! - acrescentou de seguida, estendendo-me uma caixa de DVD com a figura de Alan Ladd na capa, quase sem me dar tempo para agradecer tanta amabilidade.
As prendas do Jorge, que guardarei para sempre com especial carinho

O Jorge era uma pessoa importante neste pequeno grupo a que chamamos “bedéfilos”.
Era mesmo muito importante.
Ele fez tanta coisa pela BD, ao longo da vida!... Além de leitor e coleccionador, foi investigador de prestígio, argumentista ímpar, tradutor, chefe de redacção de várias revistas, coordenador editorial, editor de fanzines, publicou artigos em inúmeros jornais e revistas… Ultimamente, optara por publicar os seus textos em blogues, que ia criando à medida que necessitava de falar sobre assuntos diferentes (O Western, Caprioli, “O Mosquito”…).
O Jorge, para além de ser uma autêntica Enciclopédia viva, era extremamente rigoroso no trabalho.
Por isso atingiu um patamar onde muito poucos conseguiram chegar e menos ainda se conseguiram manter.
“Carlos, ao escrevermos um texto ou paginarmos um livro, não devemos descurar nenhum detalhe pois quando é que isto poderá ser reeditado outra vez? Se calhar nunca mais…” - dizia-me ele, numa das longas conversas que mantínhamos ao telefone, que por vezes duravam mais de duas horas, mas que hoje me parecem insuficientes e breves.
Ah, como eu gostaria de conversar uma vez mais com o Jorge - uma vez só que fosse!…
Conversaríamos, como sempre, sobre o Caprioli, o Carlos Gimenez, o Geoff Campion ou qualquer outro dos grandes desenhadores clássicos europeus...
Ou sobre os nossos Péon, Bento e Coelho...
Ou sobre “O Mosquito”, o “Cavaleiro Andante” e o “Mundo de Aventuras”...
Ou sobre o Trigo, o Jobat e o Carlos Roque, que ele admirava profundamente como artistas e como Amigos.
Ou sobre o salão e as publicações de Moura, que o Jorge sempre cobria de elogios.
Ou sobre o “Shane” e outros western de referência.
Ou sobre o Garra d’Aço, o Gringo, o Major Alvega e tantos outros personagens famosos, hoje praticamente esquecidos pelo público mas que o Jorge recordava como um menino de oito anos...
Ou sobre um milhão de coisas mais…

Um dia, certamente, essa conversa acontecerá. Será inevitável.
Até lá, resta-me pensar que tive muita sorte por ter privado de perto com alguém da dimensão humana e profissional do Jorge, que, com o seu exemplo, me ajudou a ser uma pessoa melhor. 

Até sempre, Jorge!

Carlos Rico

Em 2000, na primeira vez que visitou Moura, observando a exposição sobre "O Western",
com o desenhador José Pires, com quem manteve uma estreita amizade e colaboração.

Recebendo o "Troféu Balanito Especial", durante a cerimónia de Encerramento do salão Moura BD 2002.

Em 2007, no Salão Moura BD, observando atentamente a exposição "Coleccionando Tex"
Com Fabio Civitelli, durante o salão Moura BD 2007

Em Moura (2007), com a sua companheira, Catherine Labey, durante o almoço de confraternização do festival
Com o casal Baptista Mendes e João Amaral, à porta do Cine-Teatro Caridade,
após a sessão de homenagens do salão Moura BD (2007) 

Com Luiz Beira, Carlos Rico e Maria José Silva (Vereadora da C.M. de Moura)
durante a inauguração da exposição comemorativa do Centenário de Franco Caprioli (Junho de 2012)

Em Viseu, numa foto de grupo durante a inauguração da exposição de Franco Caprioli (Agosto de 2012)

Com António Amaral, Catherine Labey e António Mata, durante a inauguração
da exposição de Franco Caprioli, em Viseu
Com Pedro Massano, durante o almoço de confraternização do salão Moura BD 2013

Com António Amaral, durante o Moura BD 2013.

Em 2013, com Leonardo De Sá nas ruas de Moura, de visita ao último salão daquela cidade

Nota: os créditos de algumas das imagens que ilustram este post são de Jorge Machado Dias, Dâmaso Afonso, Cristina Amaral, Osvaldo de Sousa, José Carlos Francisco e do arquivo fotográfico da CM Moura. A todos o nosso obrigado.

sábado, 1 de dezembro de 2018

BREVES (64)

A 46.ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, ou FIBD, acontecerá entre 24 e 27 de Janeiro próximo mas, como habitualmente, há muito que tem a imagem gráfica definida.
Aliás, se quisermos ser correctos, tem mais do que uma imagem pois para além do cartaz de Richard Corben (autor premiado com o Grand Prix, em 2018), o festival convidou dois outros artistas de diferentes nacionalidades a realizarem também cartazes, um hábito iniciado este ano e que se pretende pôr em prática nos próximos cinco, pelo menos.
O norte-americano Richard Corben, nascido em 1940, prestou um sincero tributo a uma das séries de quadrinhos que, sem dúvida, o influenciaram: "Tales from the Crypt". Publicada pela revista EC Comics, a série assinada por William Gaines e Al Feldstein lançou as bases para os quadrinhos de horror e fantasia que Richard Corben explorou.
Bernadette Després, que assina o segundo póster, é co-criadora das séries Tom-Tom e Nana, com Jacqueline Cohen. O seu trabalho é uma homenagem a Bécassine, Tintin, Gédéon, Zig e Puce ou Fenouillard, um dos primeiros quadrinhos franceses. Uma viagem no tempo e uma saudação aos pioneiros, em suma.
Finalmente, o autor de mangá japonês Taiyo Matsumoto oferece o mais recente cartaz. Nascido em 1967, ele assinou nomeadamente Amer Béton, Ping-pong e Número Cinco. Na França, é traduzido e publicado em Tonkam, Delcourt ou Kana.
Explica a organização do FIBD que um tema comum une estes três cartazes: "um auto-retrato do artista enquanto criança, descobrindo os quadrinhos ou comics, fundadores da sua paixão ou até mesmo vocação".
Nos próximos cinco anos, os cartazes serão confiados a três artistas de diferentes nacionalidades, celebrando, simbolicamente, a riqueza dos quadrinhos. Todos estes desenhos serão, então, apresentados como parte de uma exposição que celebra o 50.º aniversário do Festival.


PROGRAMAÇÃO DE DEZEMBRO NA BEDETECA DE BEJA

Exposições:

A Personagem Incompleta
De 15 de Dezembro a 26 de Janeiro
Exposição de Ilustração de João Letria
Apresentação do livro homónimo (editado pela Alfarroba), com texto de Paula Serra
Inaugura dia 15, às 18:30
Org. CM Beja - Bedeteca de Beja

Parte, por favor - bilhetes e outras coisas vulgares
De 15 de Dezembro a 26 de Janeiro
Exposição de Desenho e Ilustração de Cristina Viana
Inaugura dia 15, às 18:30
Org. CM Beja - Bedeteca de Beja

Mattotti - cartazes
Até 26 de Janeiro
Exposição de cartazes de Lorenzo Mattotti.

Aristides de Sousa Mendes
Até 26 de Janeiro
Exposição de Banda Desenhada de José Ruy.

Chiado Revisited
Até 31 de Dezembro
Exposição de Arquitectura e Fotografia de Paulo Velosa
Inaugura dia 24 às 18:30
Org. Autor / CM Beja

Banda Desenhada Portuguesa - 22 autores contemporâneos
Até 31 de dezembro
Exposição de Banda Desenhada.
Com André Oliveira, António Jorge Gonçalves, Diniz Conefrey, Fernando Relvas, Filipe Abranches, Francisco Sousa Lobo, Joana Afonso, João Sequeira, Jorge Coelho, Marco Mendes, Maria João Worm, Marta Teives, Miguel Rocha, Mosi, Nuno Duarte, Nuno Saraiva, Osvaldo Medina, Pedro Leitão, Pedro Moura, Ricardo Cabral, Sofia Neto e Sónia Oliveira.

Nota: esta exposição esteve patente no Pavilhão Internacional da Fête de la BD/Strip Feest - Festival de Banda Desenhada de Bruxelas, entre os dias 14 e 16 de setembro do ano corrente. A exposição resultou de uma parceria entre a Embaixada de Portugal, o Instituto Camões, e o Município de Beja, representado pela Bedeteca de Beja.

Nas Trincheiras - histórias da Primeira Guerra
Até 31 de dezembro
Exposição de Banda Desenhada.
Com Carlos Baptista Mendes, David B., Filipe Abranches, Gipi, Jacques Tardi, Jean-Pierre Gibrat e José Mota.

Tarzan dos Macacos
Até 31 de dezembro
Exposição de Banda Desenhada.
Com Burne Hogarth, Harold Foster, Joe Kubert e Russ Manning.


Ateliês:

Banda Desenhada
Com Paulo Monteiro. Quartas-feiras, das 21:30 às 23:00.
Desenho e Pintura
Com Isa Carolina. Terças e quintas-feiras, das 15:00 às 18:00.
Ilustração
Com Paulo Monteiro. Quartas-feiras, das 21:30 às 23:00.
Jogos de tabuleiro
Com Pedro Felício. Sábados, das 14:00 às 20:00.
Modelismo estático
Com Simão Matos e João Calado. Sábados, das 14:30 às 17:30.


Livros do mês na Bedeteca:

Cicatriz (Polvo), de Sofia Neto
Deserto/Nuvem (Chili com Carne), de Francisco Sousa Lobo
O Maestro, o Cuco e a Lenda (Polvo), de Wagner Willian

Apoio a alunos e professores - Apoio a alunos e professores para a realização de projetos específicos na área da banda desenhada ou da ilustração.

Contactos e horários:
Bedeteca de Beja / Edifício da Casa da Cultura / Rua Luís de Camões / 7800-508, Beja
Tel.: 284313310 ou 284313318     Tlm.: 969660234    e-mail: bedeteca@cm-beja.pt
De segunda a sexta-feira, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30 (este horário não inclui o horário dos ateliês)



MOLELOS ACOLHE FESTIVAL INTERNACIONAL DE CARTOONS ESCOLARES
A Escola Secundária de Molelos (Tondela) está a promover um Festival Internacional de Cartoons Escolares.
A participação (para jovens entre os 10 e os 15 anos, de qualquer nacionalidade) pode ser feita até ao próximo dia 7 de Março sob o tema "Ambiente e Sustentabilidade".
Mais informação pode ser solicitada para ricardoferreira.escolatondela@gmail.com


STAN LEE DEIXOU-NOS
Prestes a completar 96 anos de idade (o que aconteceria já a 28 de Dezembro), Stan Lee, co-criador de personagens míticos como Spiderman, X-Man, Fantastic Four, Iron-Man, Thor, Hulk, Daredevil, Black Panther, Magneto, Dr. Strange, entre tantos outros, deixou-nos no passado dia 12 de Novembro, após uma vida dedicada à BD e aos seus leitores. 
Depois do falecimento de Steve Ditko, em Junho passado, O Homem Aranha fica, assim, orfão dos seus criadores.
Stanley Martin Lieber nasceu em Nova Iorque, a 28 de Dezembro de 1922. Foi argumentista, editor, produtor, publicitário e actor (fez várias aparições como figurante em filmes do Universo Marvel). Foi também editor-chefe e presidente da Marvel Comics tornando-se, depois, presidente emérito desta.
Com o seu desaparecimento, a BD perdeu uma referência e ficou muito mais pobre.
R.I.P., Stan!


FALECEU ANTÓNIO DIAS DE DEUS
António Dias de Deus (1936-2018) recebendo o Troféu Balanito Especial, durante o Moura BD 99
As más notícias, contudo, não se ficam por aqui. Num ano bastante aziago para a 9.ª Arte, soubemos pelo nosso amigo Geraldes Lino do desaparecimento, no passado 15 de Novembro, de António Dias de Deus, destacado investigador e crítico de BD.
Nascido a 24.09.1936, em Vila Fernando, no Alentejo, António Dias de Deus, pediatra de profissão, publicou inúmeros artigos sobre banda desenhada, quer na imprensa escrita quer em fanzines (incluindo o "Boletim do CPBD", que ajudou a fundar).
Escreveu, também, obras importantes e de maior fôlego como "Os Comics em Portugal: Uma História da Banda Desenhada" (1997) e, em parceria com Leonardo De Sá, "Eduardo Teixeira Coelho: a Arte e a vida" (1998), "Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal" (1999), "José Garcês: as Fases Diversas" (2002) e "José Ruy: Riscos do Natural" (2005).
Em 1999 recebeu o Troféu Balanito Especial, durante o salão Moura BD.
Há muito que se encontrava doente e afastado do meio bedéfilo.



ANIVERSÁRIOS EM DEZEMBRO



Dia 01 - Joe Quesada (estado-unidense)
Dia 06 - Rafael Sales
Dia 13 - Leo (brasileiro) e José Carlos Francisco
Dia 15 - P. Trust Truscinski (polaco) e Carlos Zíngaro 
Dia 17 - Fabrice Néaud (francês)
Dia 24 - Mark Millar (escocês)
Dia 25 - Irene Trigo

terça-feira, 27 de novembro de 2018

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (30) - FLORENCE MAGNIN (França)


Florence Magnin
Pelo sector franco-belga e em relação a outros países, França deve ser onde se encontra maior percentagem de elementos femininos. Vejam-se uns brevíssimos exemplos soltos: as já  saudosas Annie Goetzinger e Liliane Funcken, Martine Boutin (que foi a segunda esposa do malogrado François Craenhals, de quem era a colorista), Catherine Labey (naturalizada portuguesa e esposa do argumentista Jorge Magalhães), Chantal De Spiegler (viúva de René Sterne, que ante a morte do marido, completou o tomo da série “Blake e Mortimer”, que ele estava a elaborar) e, a encerrar esta breve lista, temos ainda Florence Cestac, Claire Bretécher e Florence Magnin com a sua deslumbrante arte.
Florence Magnin nasceu em Paris a 7 de Março de 1950. Muito cedo, sentiu o irresistível apelo pelo Desenho e pela Pintura.
Fantasias oníricas, aventuras insólitas e a ficção-científica, vibram no seu entusiasmo criativo, que vai de capas, ilustrações soltas, ilustração de jogos de cartas e do tarot, até à Banda Desenhada.
Notável a sua acção (capas e ilustrações) para os tão procurados romances de “Les Princes d’Ambre” de Roger Zelasny, por volta de 1984. E terá sido por aqui, pelo entusiasmo do público, que Florence se foi aproximando e enveredando pela Banda Desenhada.
Já importante nesta Arte, afastou-se por algum tempo, para se dedicar em especial à cenografia teatral. De passagem...
Fez parceria com o argumentista Rodolphe para duas séries espectaculares: “L’Autre Monde” e “Mary La Noire”.
“L’Autre Monde”, regista-se com seis tomos, donde dois na versão Integral.
 


“Mary La Noire”, compõe-se de dois tomos e um Integral, com o mundo terrível de corsários e piratas como pano de fundo.

A sua paixão pelas lendas e o folclore da Irlanda, transportou-a para o conseguido desafio: foi a autora absoluta da bela série “L’Heritage d’Émilie”, que engloba cinco tomos. O fantástico em força!

Em 2014, surgiu o álbum “Mascarade”, o seu último (mas certamente não o derradeiro) trabalho editado. Uma obra invulgar com drama, poesia e ternura.

Como acréscimo final, o registo das séries colectivas onde participou: “La Cuisine de Bertheline” e “Les Faiseurs de Nuées”, ou ilustrações e capas de “Contes Aux Quatre Vents”.
Bravo, Florence Magnin!

LB

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (159)

LA CITÉ DES POISONS - Edição Casterman. Autores, segundo Jacques Martin: argumento de Valérie Mangin, traço de Thierry Démarez e cores de Jean-Jacques Chagnaud. É o oitavo tomo da série “Alix Senator”...
Ainda em dolorosa angústia pela morte de Khephren, o filho de Enak, mas educado por Alix, este é enviado pelo imperador Augusto, em missão diplomática até à cidade de Petra, a “cidade dos venenos”...
Alix, seu filho Titus, Enak e o centurião Quintus, vão-se maravilhar com a beleza desta famosa cidade (hoje no território do reino da Jordânia) e com a sua faustosa corte. Faustosa, mas plena de sinistras ambições políticas com acções nada recomendáveis...
Em Petra, capital do Reino Nabateu, o monarca Obodas, está decadente e é ultrapassado na governação pelo seu cínico ministro Syllayos (que pensa destroná-lo), com a cumplicidade de seu filho intriguista, Alexandre. No entanto, a rainha Hagirú, apoiada pelo seu amante Rabbel, também conspira assanhadamente... E há punhais e venenos a serem usados, com usos e abusos, para os objectivos de uns e de outros...


CRAPULE / 2 - Edição Dupuis. Autor: Jean-Luc Deglin.
O primeiro tomo desta série, “Crapule”, foi êxito tamanho que o autor se dedicou a um novo álbum. E muito bem!...
Pois o “Crápula” (que nome injusto e horroroso para um encantador felino!...), é um gatinho preto, ainda menor, que como qualquer criança, é dado a brincadeiras e traquinices. Claro que há situações exasperantes... mas logo surge a compreensão e a ternura dos donos, neste caso, de uma jovem dona.
Ele, o gatito, porém, não tolera que - neste caso, um homem -, se envolva com a sua exclusiva dona. A ciumeira logo funciona... Daí, no entanto, ele não é, de modo algum, “uma verdadeira catástrofe sobre patas”...
Dizem certas lendas populares que “gato preto em casa protege o marinheiro no mar”, que se pode traduzir que ter um gato preto em casa, ele lá tem os seus poderes mentais, de proteger o dono quando ele está fora... Será? E por que não?
De resto, os gatos pretos são extremamente meigos; tal como os siameses, em outro exemplo, são destemidos zeladores do dono e do seu lar, pois perante um estranho, não rosnam como um buldogue, pois atacam logo.
Ah, gatos maravilhosos!


MACAU - Edição Asa. Autores: argumento de Philippe Graton e Denis Lapière e arte de Benjamin Benéteau.
Em nova fase (ou ciclo), prosseguem as aventuras/desafios do desportista automobilístico Michel Vaillant, criação original de Jean Graton (pai de Philippe).
É a segunda aventura de Michel Vaillant, no cenário do antigo território português de Macau. Numa primeira fase/ciclo, existe o álbum “Encontro em Macau”, ainda com a arte de Jean Graton.
A família e a empresa Vaillant estão em péssima situação económica e de sentimentos-emoções, sobretudo devido às canalhices de um tal Ethan Dasz, que ambiciona liquidar completamente tudo o que diz respeito à família Vaillant, ainda e também a sobreviver à dor do falecimento de Jean-Pierre (irmão de Michel).
De França para Macau (agora com bandeira própria da sua autonomia), é aqui que Michel Vaillant tudo fará e conseguirá, para levantar e unir o nome e a honra da família e dos seus negócios... Em paralelo, neste tomo, Steve Warson, amigo de Michel, é eleito senador democrático no estado do Texas...
Neste álbum, há técnicas marcantes e modernas aplicadas (fotografia, computador, etc.), que se aceitam razoavelmente. Por exemplo: a arquitectura de aspectos de Macau... tudo bem. Porém, a fisionomia dos personagens principais e habituais, não convence.
Há desenhistas que prosseguem outras séries e mantêm o devido “retrato” dos personagens originais com uma quase total perfeição, mas este é um dos tais casos em que tal não acontece... Que pena!
Que o “velho” Jean Graton perdoe os seus continuadores!...



DÉDALE ET ICARE - Edição Glénat. Autores, segundo orientação historiográfica de Luc Ferry: Clotilde Bruneau (argumento), Giulia Pellegrini (traço e guião), cores  de Chiara Zeppegno e capa de Fred Vignaux.
“Dédale et Icare” (Dédalo e Ícaro) é um dos mais recentes tomos da belíssima e tão didáctica série “La Sagesse des Myhthes”.
Quem estudou ou estuda História certamente estará a par desta lenda que envolve o rei Midas de Creta, o famoso e astuto inventor Dédalo e o seu filho Ícaro... Por aqui também, o famoso labirinto idealizado e construído por Dédalo (a pedido de Midas), onde é encerrado o terrível e voraz Minotauro, finalmente morto pelo príncipe Teseu (filho do rei Egeu) com o auxílio secreto da sua apaixonada Ariana (filha de Midas)... Dédalo e seu filho Ìcaro, cai em desgraça, e são encerrados no labirinto em questão, sem possibilidades de escape e condenados a morrer à fome e à sede....
Nesse sufoco, Dédalo, espicaçado pelo filho, inventa uma fuga pelo espaço: com asas de penas de aves coladas com cera, forçando as “asas” e assim se escapando...
No entanto, Dédalo, havia  avisado o filho para não se aproximar do sol (pois o calor derreteria a cera colante das penas) nem do mar (pois o sal dissolveria a mesma cera). Ícaro, juvenil e inconscientemente entusiasta, não seguiu nem cumpriu os conselhos do pai e teve o fim trágico que consta na lenda.
LB

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

AS HISTÓRIAS QUE RESIDEM NA GAVETA (5) - por José Ruy


Nesta sequência de histórias que se encontram empatadas sem publicação e que tenho vindo a mostrar, a próxima a ser retirada da «gaveta» é a «História de Coimbra».

Como tive ocasião de informar atrás, todas estas histórias também com argumento meu, estão registadas, por isso o à vontade em mostra-las nesta fase e sem terem sido publicadas ainda. É que mesmo em situações normais quando entrego uma história a um editor, para consulta, durante o período de análise não sei quem terá acesso a este material, e mais tarde sem saber já onde teria visto a ideia, lembrar-se de a fazer ou indicar a pessoa amiga para tal. É uma salvaguarda.
Mostro alguns estudos efetuados nos locais, em épocas anteriores, e que fazem parte do meu «banco de dados».

Em 1951 estive a fazer um trabalho em Coimbra, e aproveitei para esquiçar alguns ângulos dessa bela Cidade e arredores.
Este material facilitou-me quando, em 1998, se programou fazer esta História em Quadrinhos.

O argumento desenrola-se desde a pré história até aos nossos dias, incluindo lendas que têm feito de Coimbra um manancial de encantos e mistério.

No próximo artigo mostro mais páginas desta história em esboço, que se encontra há vinte anos no limbo das publicações.