sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (140)

A ÚLTIMA NOTA - Edição Escorpião Azul. Autores: argumento de André Mateus e arte gráfica de Filipe Duarte.
A nova geração portuguesa dedicada à Banda Desenhada tem estado a marcar pontos positivos. É o caso desta parceria, A. Mateus e F. Duarte, com esta obra dramática, onde os dois personagens centrais, e Alexandre, tentam salvaguardar a sua amizade de sempre, apesar de no passado terem amado, em vão, a mesma mulher...
No decorrer da narrativa, o drama adensa-se e... bem, tem um final trágico, quiçá lógico neste tipo de histórias... Contudo, a obra é bela e de leitura aconselhável.

NEM TODOS OS CACTOS TÊM PICOS - Edição Polvo. Autora: Mosi, que é mais um valor jovem da nossa Banda Desenhada, com destaque especial para o facto de ser uma desenhista. E com demonstrado valor!
Com esta narrativa muito bem construída, há um clima de poesia, ternura, amor e encanto entre duas amigas. E há a necessária crítica social.
Aplausos plenos!

FUTURO PROIBIDO - Edição Escorpião Azul. Autor: Pepedelrey.
Pois: é uma das raras tentativas, pela nossa BD, abordando a ficção científica, ou o futurismo, ou o que lhe quiserem chamar...
Gostaríamos, sinceramente, de lhe atribuir uma calorosa ovação, mas não é possível. Apesar do esforço e da tentativa do autor, que já tem apresentado bons trabalhos, desta vez tudo nos pareceu um “déjà vu”... Paciência!

OS BRINCALHÕES DO TRIÂNGULO CINZENTO - Edição Gailivro (grupo Leya). Autor: Pedro Leitão.
Pedro Leitão (que nasceu em Luanda em 1965) é um caso raro na BD Portuguesa, pois fugindo às diversas linhas criativas desta Arte, dedica-se, com entusiasmo e de uma forma construtiva e pedagógica, a criar 9.ª Arte para os leitores mais pequenos, para os petizes. Bravo!
Neste tomo, o 11.º da série “As Aventuras de Zé Leitão e Maria Cavalinho”, através do “mundo da Magia” e da diversão, aponta-se para se aprender a conhecer o “feitiço” e a importância do Alfabeto.
LB

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A ILHA DO CORVO QUE VENCEU OS PIRATAS (12)

Em setembro de 2017 fizemos referência ao Painel de azulejos que vai ser colocado na Ilha do Corvo, no local de onde os corvinos, no século XVII, repeliram os piratas que tentavam invadir o território.
Como os leitores já sabem, este Painel corresponde ao livro em Banda Desenhada que também têm vindo a acompanhar numa dezena de artigos, e que está programado para ser lançado neste primeiro trimestre de 2018.
Imp€dimentos de força maior levaram a Direção Regional de Cultura a adiar o investimento recuperável nesta edição, como havia sido programado atempadamente.
Mas a determinação, zelo e dedicação da Câmara Municipal da ilha mais pequena do Arquipélago, o Corvo, em área e população, levou a que esta assumisse parte do compromisso da aquisição de exemplares para as Bibliotecas e escolas dos Açores, da edição projetada pela Âncora Editora de Lisboa.
Mais não fosse por este gesto, o Corvo guinda-se a uma dimensão cultural e moral muito para além do seu tamanho territorial. Isto pelas pessoas que vivem e lutam nesse vulcão colocado no ponto mais ocidental da Europa.

Mas vamos mostrar como o desenho escolhido para figurar no painel de azulejos vai ser executado, a «par e passo».
Recordamos o desenho escolhido e o local onde vai ser colocado,
assinalado com a seta a vermelho, num ângulo contrário ao do desenho.
Vamos mostrar como se está a processar esta realização sobre azulejos. 
Exemplos de fases mais avançadas, só para terem uma ideia do moroso trabalho.

Mas comecemos pelo princípio pelas palavras de Mário Duarte, o responsável pela «Cerâmica da Praia», na Ilha Terceira, a azulejaria que está a fazer o trabalho:
Apresentam-se, a seguir, três páginas onde começa o processo do trabalho: a imagem total do painel, e nas duas páginas seguintes, a separação dos dois tons de azul em cores Pantone. Na primeira, o tom mais claro; na segunda, o tom mais escuro.

A estas palavras do técnico da Azulejaria «Cerâmica da Praia» adiciono uma explicação sobre o termo «PANTONE» para quem não estiver familiarizado.
«Pantone» é uma terminologia das Artes Gráficas.
O sistema de cores normalizadas pela Empresa «Pantone» estão padronizadas em aplicação na ilustração e paginação e são «traduzidas» (se nos é permitido o termo) para a visualização em monitores RGB, |Rede (vermelho) Green (verde) Blue (azul)|, que é o sistema em que visualizamos nos ecrãs dos aparelhos televisivos e dos computadores.
O sistema de impressão Offset é diferente, é em CMYK, |Ciano (azul), Magenta (rosa, encarnado), Yelow (amarelo) e K (preto)|.
O sistema Pantone garante a impressão de uma cor 95% a 100% estabilizada, conseguindo uma maior proximidade do tom pretendido.
Por isso podem ver na cabeça de cada uma das páginas fornecidas por Mário Duarte apresentadas em cima, a palavra «Pantone» 278  e a cor (tom de azul) correspondente, e «Pantone» 281 antecedida da respetiva cor (outro tom de azul).

Muito trabalho falta ainda fazer neste processo moroso e complexo.
Vamos acompanha-lo rigorosamente.

No próximo artigo: Divisão do painel em 19 planos, correspondentes a 38 películas, duas por cada tom de azul. A oficina vista por dentro.


José Ruy
fevereiro de 2018

domingo, 18 de fevereiro de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (139)

DES MIETTES AU FESTIN - Edição Soleil. Autores: argumento de Olivier Pery e arte de Francesco Mucciacito. “Cosme 1er, Des Miettes au Festin”, é o 4.º  e penúltimo tomo da apaixonante série “Medicis”.
Interessante da série: tem um “narrador” que é, nem mais nem menos, que a própria cidade de Florença (Firenze), contando a sua agitada história, sobretudo, com o governo da famosa família Médici, uma atrevida, grandiosa e poderosa dinastia política.
No álbum, na contracapa, cita-se: “Nós, os Médici, somos os príncipes de um tempo novo, as nossas acções não têm a grandeza e a nobreza dos de antigamente, mas são a imagem das nossas batalhas. Sórdidas, sem coragem e oportunistas”.
Todos os Médici amaram, profundamente e à sua maneira, a região da Toscânia e a sua principal urbe, Florença. Por essa história, muita intriga (e alguns “convenientes” assassinatos), ambições políticas e não só, pois desta família existiram quatro Papas, e também a paixão e protecção pelas Artes, a par de muita depravação sexual.
Adolescentes, três primos são muito “amigos”: Alessandro (que será assassinado por Lorenzino, que por sua vez será assassinado em Veneza ), Lorenzaccio (o mesmo Lorenzino) e, o mais novo, Cosimo, aparentemente ingénuo e um tanto “gata borralheira” deste trio. Já jovem adulto, Cosimo, lutou por ele e pela sua Florença, sem se importar com os meios para atingir os fins. Foi o segundo Duque de Florença e o primeiro Grão-Duque da Toscânia.
É pois todo este período da sua vida (1519-1574) que é narrado neste tomo, com o belo grafismo de Mucciacito.

HORS D’OEUVRE - Edição Dupuis. Autores: traço de Luc Brahy, argumento de Delphine Lehericey e Fanny Demarès e cores de Bertrand Denoulet.
É o primeiro tomo da série “Étoilé”, a despertar gulosos apetites e com descaradas intrigas  no esquema.
Está na moda, nos jornais, revistas e televisão, falar-se ou escrever-se muito sobre culinária. E até há frequentes concursos televisivos!... Tudo para “encher a pança” e forjar vaidades nas vedetas deste ramo para bem comer...
A  Banda Desenhada tem estado atenta e agarrou o assunto, pelo menos, com uma série muito interessante, “Étoilé”, pela belga Dupuis.
E vai daí, aconselhamos esta obra com a bela arte de Luc Brahy.


LE COSMOS EST MON CAMPEMENT - Edição Delcourt. Autores: segundo a novela de Alain Damasio, tem argumento e traço de Éric Henninot e cores de Gaétan Georges. É o primeiro tomo da série “La Horde du Contevent”.
Notória ficção amarga e seca. Tudo se passa num clima de pesadelo, num planeta árido, constantemente fustigado por ventos implacáveis. Alguns corajosos tentam chegar à fonte dos ventos e estancá-los. Mas...
Na continuação desta série, veremos onde tudo isto vai dar.


QI 148 - Editor: Edgard Guimarães (Brasil).
Recebemos mais um excelente número do fanzine "QI" - um caso raro de publicação amadora com vida tão longa e ininterrupta - e a verdade é que, com quase centena e meia de números editados, nos continua a impressionar pela sua qualidade gráfica e pelo interessante conteúdo. 
Começando pela capa (da autoria do próprio Edgard Guimarães), passando pela rubrica "Fórum" (sempre uma das mais consistentes), a entrevista ao malogrado Fernando Bonini, um interessante artigo de E. Figueiredo sobre "Robin Hood e o seu espírito maçom", o habitual catálogo de edições independentes recebidas e, também, mais um encarte, o 9.º da colecção "Artigos sobre Histórias em Quadrinhos", com texto e pesquisa de Carlos Gonçalves, desta feita sobre a monumental obra "A História do Oeste". 
Como sempre, nota dez para o meritório trabalho do nosso amigo Edgard!
Contacto: edgard.faria.guimaraes@gmail.com
Nota a posterioriO "QI" também pode ser obtido em pdf (embora sem todos os suplementos) aqui.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

BREVES (53)

PALESTRA NO CPBD
O Clube Português de Banda Desenhada vai continuar o seu ciclo de palestras sobre a 9.ª Arte, desta vez com um novo assunto: "Especialistas de Banda Desenhada falam sobre o tema no CPBD".
O convidado especial é o Prof. António Martinó de Azevedo Coutinho, prestigiado sócio do clube, que apresentará "Reflexões sobre a Linguagem da Banda Desenhada".
O evento decorrerá no próximo sábado, dia 17, às 16:00 horas, na sede do clube, sita na Avenida do Brasil, 52 A, na Amadora.




PELOS 70 ANOS DE ALIX


Personagem-herói da BD, Alix foi criado pelo saudoso mestre francês Jacques Martin, como é do conhecimento geral. Pois este ano, Alix festeja 70 anos de idade.
Para esta efeméride, a revista francesa “L’Histoire” dedicou-lhe um número extra (Fevereiro/Março-2018), “Les Mondes d’Alix”. Um valoroso e histórico exemplar.
Esteve à venda em Portugal (ainda estará?), mas é um sério candidato  a esgotar-se cedo.
Parabéns, Alix!





CATÁLOGO AIRE LIBRE


Com capa do suíço Cosey, as Éditions Dupuis (Bélgica) editaram um volumoso e precioso catálogo comemorando os 30 anos da colecção Aire Libre (Catalogue 1988-2018).
É uma obra de belo registo que, no entanto, não estará à venda.
A editora destina-o, cremos, a ofertas a jornalistas e a algumas entidades relacionadas com a Banda Desenhada.
Parabéns Aire Libre! Parabéns Dupuis!



ANIVERSÁRIOS EM MARÇO
Dia 04 - Baptista Mendes
Dia 05 - Vítor Borges
Dia 07 - Florence Magnin (francesa) e Peter Gross
(norte-americano)
Dia 10 - Jorge Miguel
Dia 17 - Yves H. (belga)
Dia 22 - Jorge Magalhães
Dia 23 - Miguel Ramos
Dia 29 - Fern (luxemburguês)
Dia 31 - Kas (polaco)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

DE ACTORES A HERÓIS DE PAPEL (19) - CARMEN MIRANDA

Carmen Miranda (1909-1955)
Nasceu portuguesa e como portuguesa morreu, pois jamais abdicou da sua nacionalidade. Ela é a fabulosa e eterna Carmen Miranda.
Como mulher artista de Cena, com tamanha celebridade mundial, a par dela, só Amália Rodrigues.
Nasceu em Várzea de Ovelha, no concelho de Marco de Canaveses, a 9 de Fevereiro de 1909.
Com pouco mais de um ano de idade, foi com sua mãe e sua irmã Olinda, para o Brasil, onde já residia o pai.
É já no Brasil que nasce outra irmã, Aurora Miranda (1915-2005), com quem actuou em quatro filmes. Só sua irmã Olinda, por motivos de saúde, tornou a Portugal, onde faleceu.
Espevitada, sempre alegre, gostava de cantar e de dançar.
Na sua juventude trabalhou numa casa de modas, confeccionando chapéus e daqui tomou o gosto pelos turbantes.
Em 1929 foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que a levou para o campo dos seus sonhos, o mundo do espectáculo. E logo nesse ano, o seu primeiro disco com dois êxitos (“Triste Jandaia” e “Iaiá Ioiô”) e, no ano seguinte, com uma das suas mais famosas criações: “Taí “ (originalmente, “P’ra Você Gostar de Mim”)... Estava aberta a porta para uma brilhante e invejável carreira!
Dos palcos e da Rádio, não tardou a ser chamada para o Cinema: participou em vinte filmes, catorze deles nos Estados Unidos e os restantes no Brasil. O primeiro foi “Degraus da Vida” (1930), sob realização de Lourival Agra, e o último “O Castelo do Terror” (Scared Stiff, 1953), sob realização de George Marshall, onde contracenou com a dupla Dean Martin e Jerry Lewis e onde este tem uma cena de paródia como “Carmen Miranda”.
Não foi a única paródia que lhe dedicaram pelo Cinema, pois em “A Caminho do Rio” (1947, Road to Rio), também Bob Hope fez o mesmo e até no Cinema de Animação o famoso Daffy Duckà sua maneira desastrada, a homenageou.
Daffy Duck como Carmen Miranda

Mas foi o seu quinto filme que a projectou, “Banana da Terra” (1939) dirigido por Ruy Costa, onde lançou “O Que É Que a Baiana Tem?” de Dorival Caymmi.
Alguns dos seus mais famosos filmes, para além dos já mencionados: “Sinfonia dos Trópicos “ (1940, Down Argentina Way), “Uma Noite no Rio” (1941, That Night in Rio), “Férias em Havana” (1941, Week-End in Havana), “Sinfonia de Estrelas” (1943, The Gang’s Are Here, ou na versão francesa, Banana Split), “Serenata Boémia “ (1944, Greenwich Village), “Copacabana” (1947) e “A Professora de Rumba” (1948, A Date With Judy).


Contracenou com grandes nomes do Cinema como Don Ameche, Oscarito, Grande Otelo, Betty Grable John Payne, Vivian Blaine, Phil Silvers, Abbott e Costello, Groucho Marx, Jane Powell, Elizabeth Taylor, etc.
Carmen Miranda e o marido
David Sebastian
Sua vida sentimental foi bem fogosa, pois namorou com vários nomes de prestígio, como o remador Mário Cunha, o músico Aloysio de Oliveira, o piloto da Força Aérea Brasileira Carlos Niemeyer, o actor mexicano Arturo de Cordoba e os actores norte-americanos John Payne e Dana Andrews.
No entanto só casou uma vez. Foi a 17 de Março de 1947, com o norte-americano David Sebastian (1908-1990), casamento que se foi degradando a pouco e pouco.
David, astuto, bem se governou com a paixão da esposa Carmen Miranda! Ele era sobretudo viciado nas bebidas alcoólicas e arrastou Carmen para tais vícios...
Carmen desejou ter filhos e quase passou por tal alegria, mas as hemorragias de um aborto repentino, travou-a de engravidar. Esta situação forçou às recaídas de Carmen pelo álcool...
Com idas e vindas, subidas e descidas, na sua vida e na sua carreira (mas sempre vivendo bem economicamente), quando actuava para o programa televisivo The Jimmy Durante Show, do saudoso actor cómico Jimmy Durante (1893-1980), teve um colapso e, no dia seguinte, a 5 de Agosto de 1955, foi encontrada morta em sua casa.
Actuou no Brasil e nos Estados Unidos e algumas vezes na Argentina.
Fez uma triunfal  digressão pela Europa: Inglaterra, Itália, Suécia, Finlândia, Bélgica e Dinamarca. Porém, nunca calhou Portugal... Paciência!
Na Filatelia, foram editados selos em sua honra, pelo menos, no Brasil e nos Estados Unidos.
Selos de correio do Brasil e dos Estados Unidos, com Carmen Miranda como protagonista.

Também na estatuária não está esquecida no Brasil, nos Estados Unidos e em Portugal.
Estátua de Carmen Miranda, com dois metros de altura,
inaugurada no centro de Marco de Canaveses a 05.08.2017
Na toponímia, está glorificada com o seu nome numa praça em Hollywood e em várias urbes do Brasil. Em Portugal, há ruas com o seu nome em Cascais, Amadora, Seixal e Portimão, faltando “pecaminosamente” em Marco de Canaveses...
Não se pode afirmar que Carmen Miranda é também uma heroína-BD, mas tem sido recordada, parodiada e citada em tantos cartunes e/ou tiras, que por isso se justifica que lhe dediquemos este post com toda a nossa admiração.
"Cartoon" de Glenn
"Cartoon" de Nani
Tiras da série "Sherman's Lagoon", por Jim Toomey

Tira de Pryscila
Tira da série "Soup to Nutz", por Rick Stromoski
Tiras da série "Mother Goose and Grimm", por Mike Peters

Capas de "Zé Carioca" com Rosinha no papel de Carmen Miranda

Capa da revista Magali #71, Edições Globo (Março 1992)

Homenagens múltiplas a Carmen Miranda nas séries "Estrumpfes" (agora chamados "Smurfs"),
"The Simpsons" e "American Dad".

Carmen Miranda , nas suas espectaculares exibições sempre cativou todos, pois juntava aos requebros dos seus passos e à sua voz, uns maravilhosos adereços dela própria: os seus vivos olhos, as suas mãos e o seu sorriso.
Maravilhosa actriz-cantora que nunca nos renegou! Obrigado, Carmen Miranda!
LB

domingo, 4 de fevereiro de 2018

HERÓIS INESQUECÍVEIS (53) - WLADIMYR

Criação do casal Monique e Carlos Roque (1936-2006), ela belga, ele português, Wladimyr é um pato que vive quase todas as suas aventuras em meias-pranchas de quatro vinhetas, contracenando com outros personagens como a rã Élodie, o cão Ygor, uma avestruz, um ouriço, um bode, um hipopótamo, etc.
Surgido na revista Spirou, entre 1969 e 1983, Wladimyr nasceu por inspiração de Monique. Foi esta quem propôs ao marido, Carlos, a realização de uma série humorística com um pato, cujas aventuras decorreriam num pequeno lago. 
Monique e Carlos Roque
A princípio Carlos não se mostrou demasiado entusiasmado com a ideia, dado que "já existiam muitos patos na banda desenhada", aludindo à família de patos da Disney.
Monique não se deixou convencer e, enquanto apresentava duas ou três ideias para "gags", argumentou que este pato seria diferente dos demais e que o lago onde habitava poderia ser visitado por outro tipo de bichos, que, assim, fariam a ligação com o "mundo exterior".  
Carlos ficou entusiasmado com os "gags" (que, de facto, "só funcionavam com um pato"), reconsiderou e decidiu mesmo avançar para a série, com uma pequena condição: os personagens não seriam antropomorfizados, como os de Walt Disney. "Nada de animaizinhos de chapéu e gravata, que soubessem conduzir e tocar piano!"...
Nascia, assim, Wladimyr, um herói verdadeiramente inesquecível...
Em Portugal, as aventuras de Wladimyr foram publicadas na revista "Selecções BD" (2.ª série), a partir de 1998.








Por vezes, Carlos e Monique incluiam Wladimyr e Élodie em cartões de Boas Festas que enviavam a amigos, como é o caso que a seguir apresentamos.

Há quem considere que Wladimyr seria o alter ego de Carlos Roque, assim como a rã Élodie seria o de Monique.
A publicação de uma curiosa BD de duas pranchas na revista "Spirou" (belga) veio, talvez, reforçar esta ideia... que Monique acha exagerada, reconhecendo, contudo, que algo da personalidade dos dois autores se reflectia nestes simpáticos personagens...

Com Wladimyr, o casal Roque obteve em Bruxelas, no ano de 1976, o prestigiado Prix Saint-Michel.
Uma pena que até hoje nunca tenha sido editado, quer em Portugal, quer na Bélgica, ao menos um álbum que recuperasse algumas tiras desta excelente série humorística...
CR