segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ENTREVISTAS (5) - BAPTISTA MENDES

De seu nome completo Carlos Fernando da Silva Baptista Mendes, nasceu na capital angolana, Luanda, a 4 de Março de 1937. Com pouco mais de dez anos, veio com a família para Lisboa, onde estudou no Liceu Gil Vicente.
Estreou-se como banda desenhista em 1959, na 2ª fase da revista "Camarada". Colaborou depois para diversas publicações, como por exemplo "Cavaleiro Andante",  "Pim-Pam-Pum", "Falcão", "Mundo de Aventuras", "Revista da Armada", "Jornal do Exército", "Alentejo Popular", "Anim'arte", etc. Tem vários álbuns editados, donde se salientam os títulos  "Por Mares Nunca Dantes Navegados" (esgotado), "O Infante Dom Henrique", "História de Penamacor", "História de Trancoso" e ainda participou no álbum colectivo "Salúquia: A Lenda de Moura em Banda Desenhada".
Foi homenageado ao vivo nos Salões da Sobreda (1992) e de Moura (1996).
De há uns tempos para cá, tudo fazia crer que tinha abdicado da sua carreira. Foi rebate falso! Para além de muitas criações suas "na gaveta", esteve a preparar dois álbuns que já deviam estar impressos, mas que ainda não estão!... Isto levou-nos a desafiá-lo para a breve entrevista que se segue:

BDBD - Constava que estavas parado, mas afinal tens dois álbuns prontos a ser editados...
Baptista Mendes (BM) - Sim. Um é "A Vida de Luiz Vaz de Camões", que há muitos anos saiu nas páginas centrais do "Jornal do Exército". Agora será um álbum com uma nova planificação e nova paginação.
Pranchas 13 e 37 de "A Vida de Luis Vaz de Camões", por Baptista Mendes
BDBD - E o outro?
BM - O outro é "Guimarães", que era para sair no início de 2012, mas tive um problema com a vista que me obrigou a parar, donde até, o ter sido operado. Mas ficou pronto e desde Abril que está entregue na editora, que é a Âncora Editora.
Capa e prancha 1 de "Guimarães", por Baptista Mendes
BDBD - Mas são ou não são editados?
BM - Eu estou à espera que sim. Só a minha lealdade com a Âncora é que me tem feito esperar.
BDBD - E a BD de ficção, não a fazes?
BM - Agora, neste altura, não estou a pensar nisso, pois nem sei se teria saída. Interessa-me mais o campo das biografias históricas, estando até a documentar-me na figura do Marquês de Pombal. Vamos a ver...
BDBD - Que pensas dos novos da nossa Banda Desenhada?
BM - Como sempre e em qualquer geração, há gente com valor e que triunfa, como há aqueles que desistem.
E ficámos por aqui, com um apelo à Âncora Editora para que não tarde em publicar este dois anunciados álbuns de Baptista Mendes.

Capa do álbum "A Vida de Luis Vaz de Camões", por Baptista Mendes

2 comentários:

  1. Parabéns por mais uma boa entrevista :)
    Como alguém de uma geração mais recente, existe duas constantes que verifico tanto neste autor como noutros autores nacionais aqui focados anteriormente. Por um lado a sua arte está a par de alguns dos melhores a nivel europeu (e acredito inteiramente nesta afirmação), acho mesmo que o traço da geração em causa é bem mais sólida do que a nossa geração actual de desenhadores que tem tido (merecidamente) alguma atenção, mas (menos positivo na minha opinião) é a quase totalidade de obras ou históricas ou biográficas.
    Atenção, não quero com isto criticar os autores, mas parece-me a mim que foi uma tendência da sua geração que não sei até que ponto afectou a BD nacional (imaginem se Moebius só se ocupasse com biografias históricas francesas. Podemos apostar que não teria tido o impacto que teve.)
    Só digo isto porque adorava ver o talento destes grandes senhores da nossa praça aplicado a outro tipo de registo que não o histórico.
    É claro que se calhar aqui o que fez falta foi mais bons escritores de Bd, mas mesmo assim, vendo os desenhos destes autores, fico sempre a imaginar como se saíriam numa aventura de Sci-Fi, Western, ou mesmo Terror.

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    1. Caro Luís Sanches:
      Bem entendi as suas palavras de grato incentivo aos nossos desenhistas. Eu próprio nisso tenho insistido... Mas todos eles, se bem que com um mal escondido brilho nos olhos, parecem estar desalentados e desmotivados. Falta de argumentistas? Um certo tipo de cansaço? Falta de devido apoio das editoras?...
      Um abraço
      Luiz Beira

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