quarta-feira, 5 de março de 2014

A BD A PRETO E BRANCO (8) - As escolhas de Luiz Beira (8)

JOSÉ MANUEL SOARES (1932). 
Português (infelizmente acamado há uma porção de anos), para além da sua admirável Pintura, tem muitas criações na Banda Desenhada, embora poucas em álbum. Salientamos: "Zeca", "De Angola à Contracosta", "Luis Vaz de Camões", "O Morcego de Veludo" e ainda, com bela distinção, "A Ala dos Namorados".

Prancha de "A Ala dos Namorados"
Prancha de "Luis Vaz de Camões" (edição da C.M. Odemira)



JOSÉ MUÑOZ (1942). 
Nasceu na Argentina, mas reside há muito em Barcelona onde, em parceria com o seu compatriota Carlos Sampayo, tem criado os mais notáveis exemplos da sua arte. De aplauso, as séries "Alack Sinner, Detective Privado" e "Carlos Gardel, a Voz da Argentina".


Prancha de "Nicaragua"
Prancha de "Alack Sinner"


JOSÉ PIRES (1935). 
Nascido em Elvas (Alentejo), reside desde há muitos anos na região de Lisboa. Tem obra publicada em Portugal, Bélgica e França. Para além do seu tão apreciado traço a preto e branco, também enveredou pela cor e, ultimamente, elabora a sua arte com apoio do computador. Foi homenageado na Sobreda e em Moura.


Prancha de O Perro Negro: "Sangue Bretão"
Prancha de "A Dama Pé-de-Cabra" (inédito)

Nota: A rubrica "A BD a Preto e Branco" é subdividida entre as escolhas pessoais de Luiz Beira (10 posts e 30 autores) e de Carlos Rico (idem), num total de 60 autores! As duas imagens que ilustram a obra de cada autor foram criteriosamente escolhidas por Luiz Beira e Carlos Rico e por esta ordem serão sempre apresentadas.

domingo, 2 de março de 2014

HERÓIS INESQUECÍVEIS (24) - O CAVALEIRO BRANCO

Excluindo a versão "integral", as aventuras na Idade Média deste tão popular herói englobam 13 álbuns. O primeiro tomo, que abarca três episódios, tem argumento de Raymond Macherot (1924-2008) e arte de Fred Funcken (1921-2013).
Entretanto, Funcken conhece, apaixona-se e casa com Liliane, que passa a ser também a sua constante parceira nos argumentos, traço e cores (exceptuando o décimo álbum, "Le Trésor des Cathares", que teve argumento de Didier Convard).

Raymond Macherot, Fred e Liliane Funcken e Didier Convard

Em pleno século XIII, quando Jehan de Dardemont e o trovador seu amigo Tristan regressam das Cruzadas a França, deparam com este país em lutas angustiantes ante a ferocidade de opressivos e poderosos senhores e um povo cada vez mais sofredor e explorado. Todavia, há um misterioso justiceiro: o Cavaleiro Branco. Este é, nem mais nem menos, que o pai de Jehan.
Falecido o defensor dos oprimidos, Jehan assume, por sua vez, a identidade do Cavaleiro Branco.
Esta série estreou-se a 7 de Outubro de 1953 na edição belga da revista "Tintin". Em Portugal, estreou-se a 1 de Janeiro de 1955, no n.º 157 do "Cavaleiro Andante", onde os três episódios, sob o título comum do nome da série, foram
sucessivamente publicados. 
Em 1960, foi a vez de "Sem Piedade" (o 3.º álbum) e em 1962, "O Agressor Desconhecido" (o 6.º tomo), tendo, neste mesmo ano, sido publicado o episódio "A Sombra do Gládio" (o 8.º tomo) no n.º 95 da colecção "Álbum do Cavaleiro Andante".
Prancha de "Sem Piedade"
Prancha de "O Agressor Desconhecido"

Para tristeza de um largo número de bedéfilos portugueses, cremos que não consta mais nenhuma edição entre nós, o que nos tem mantido privados de admirar, pelo menos através desta maravilhosa série, a obra de Liliane e Fred Funcken, onde, para além da aventura pela aventura dos enredos, há o rigor do retrato da época através da arte gráfica que aí consta.
Note-se que muito e muito têm a aprender os novos (desenhistas e argumentistas) com a obra de aposta auto-exigente dos Funcken, em especial com a série "Cavaleiro Branco". Por outro lado, estes álbuns mostram entusiasmantes lições e cultura da História. Pois, amigos, o saber não ocupa lugar!..
LB


Prancha de "L'Héritier de la Horde d'Or"

"Le Trésor des Cathares", único álbum, até ao momento, com argumento de Convard


Prancha de "Le Nectar Magique"

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

NOVIDADES EDITORIAIS (49)

O ESSENCIAL DE CALVIN & HOBBES - Edição Gradiva. Autor: o norte-americano Bill Watterson, que recebeu este ano o Grande Prémio de Banda Desenhada no Festival de Angoulême.
Esta sua fenomenal série é também muito popular e aplaudida em Portugal. Atendendo a que os álbuns estavam praticamente esgotados, em boa hora a Gradiva resolveu reeditá-los (e não só). Assim, este "O Essencial de Calvin & Hobbes", engloba os tomos "Calvin & Hobbes" e "Há Monstros Debaixo da Cama?", mais um trabalho inédito de Watterson.
Que os leitores saibam merecer este digna edição/reedição com mais de duzentas páginas. Parabéns, Gradiva!


LE FILS DE LA PERDITION - Edição Soleil. Autores: argumento de Christophe Bec, traço de Andrea Mutti e cores de Paolo Francescutto.
Uma obra maravilhosamente assustadora, profética e apocalíptica! Um tema, quiçá assustador e inquietante, que tem tanto de bíblico como de anti-bíblico.
A denúncia de uma terrível realidade ou apenas o relato das divagações de uma iluminada? Estarão bem à vista os confrontos do "fim dos tempos"? O sofredor personagem central, o maquinista do metropolitano de Paris, Perkis Sambatan, arrasta-se atormentado devido a um acidente de que não teve culpa alguma: atropelou mortalmente uma jovem grávida que se julgava portadora no seu ventre do Anticristo... Será, alguma vez, o suicídio (há vários registados nesta narrativa) a solução para os traumas?
Curioso: cita-se na abertura  deste álbum, uma frase de Denis Diderot, que diz: "Se há mil danados por um salvo, o Diabo tem sempre a vantagem, pois nunca abandonou o seu filho à morte"...


MAUVAIS GENRE - Edição Delcourt. Autora: Chloé Cruchaudet, segundo a obra "La Garçonne et l'Assassin" de Fabrice Virgili e Danièle Voldman. Baseado em factos reais, quase se pode considerar este álbum como uma obra-prima.
Paul e Louise amam-se e casam. Mas a Primeira Grande Guerra estoira e separa-os. Porém, Paul, dê lá para onde der, anseia escapar-se do inferno das trincheiras, deserta e encontra Louise em Paris. Está são e salvo, mas condenado a permanecer escondido num quarto de hotel. Para pôr fim à sua clandestinidade, Paul imagina então (com a cumplicidade de Louise), uma solução: mudar de identidade. Daí em diante, ele será Suzanne, pois o seu travestismo parece resultar.
Entre confusões de géneros e traumatismos da guerra, o casal vai então conhecer um destino para além do normal...


PERICO - Edição Dargaud. Autores: argumento de Régis Hautière, traço de Philippe Berthet e cores de Dominique David.
Tudo começa em Cuba, sob a ditadura imbecil (como imbecis são todas as ditaduras) do então presidente Fulgêncio Batista e, o senhor Fidel Castro programava a sua "salvadora" e "democrática" revolução...
Bem na linha negra, esta obra, que terminará no segundo tomo, narra com realismo e sem qualquer contemplação, a angustiante vivência sócio-politico-económica de um dos mais marcantes países insulares da América Latina, onde vigoravam corrupções, mafiosos, perigosas e sedutoras beldades femininas, traficantes sem qualquer escrúpulo, etc.
É nesta nada recomendável situação, que Joaquin, um jovem e apagado criado de um hotel, e a bela (e venenosa) cantora Elena, se vão cruzar e dar vazão a uma narrativa de peso...


PERDU DANS LE TEMPS - Edição Lombard. Autores: Laurent Queyssi (argumento) e Greg Tocchini (traço e cores). 
"Perdu Dans le Temps" é o primeiro tomo da série "Section Infini". 
Muito mistério bem ficcionado, tema que cai no gosto da maioria dos leitores. Podemos mesmo viajar no Tempo? Mais: ir ao futuro e vice-versa, é mesmo possível? E, se essa hipótese resulta, dará tranquilidade a cada um de nós?
É esta a grande proposta e o grande desafio desta série.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O MISTÉRIO FERNANDES SILVA

Fernandes Silva
Este é, talvez, um caso inédito (pelo menos, é o primeiro) do BDBD: que é feito de Fernandes Silva?... Quem nos ajuda a saber, o que quer quer seja, deste altíssimo valor da nossa BD? Deixamos aqui o nosso apelo, tão fraterno quão bedéfilo!
Ora agora vamos lá à vida, personalidade e invejável obra de Fernandes Silva.
De seu nome completo António Fernandes da Silva, nasceu em Lisboa a 18 de Agosto de 1931.
Frequentou a famosa escola-forja de desenhistas ilustres, Escola António Arroios.  
Há pouco mais de três anos, data em que terei (eu, LB) tido o último contacto pessoal com este mestre, vivia ele na Brandoa.
Como opção pessoal da sua personalidade, evitou (ou evita) de todo os "altos" convívios. Em encontros pessoais - mais duas ou três pessoas (ainda vá...) - era de uma afabilidade exemplar. Cuidado: digo "foi, era, é..." porque nada sei do mestre!
Eu telefonava-lhe sempre a 18 de Agosto, pelo seu aniversário, mas esse telefone já não existe!... Sabe-se, nos meios da BD, que tem um filho... de quem ninguém tem um qualquer contacto!...
Consegui-lhe duas entrevistas (que redundaram numa mútua amizade de encontros de ocasião), uma para o extinto semanário lisboeta "Branco e Negro" e outra para o "Almada BD Fanzine" n.º 6. 
Foi homenageado pelo conjunto da obra no Salão "SobredaBD/2000". Óbvio, não esteve presente, mas recebeu o respectivo "Troféu Sobredão" em sua casa, via correio postal, que agradeceu.
Até há pouco tempo, era normal encontrarmos Fernandes Silva, aos sábados de manhã, na FNAC (Chiado) ou na feira semanal de livros e postais, na  Rua Anchieta. Depois..."desapareceu". Ninguém sabe dele!... Nem eu, nem o seu amigo A.J.Ferreira, nem o Leonardo De Sá, nem o José Manuel Vilela, nem o Geraldes Lino... Que mistério!
Mestre José Ruy (mais ou menos seu vizinho), a meu pedido, incomodou-se a ir procurá-lo... Foi um incómodo amigo que deu no zero ou, como versejou o grande poeta Reinaldo Ferreira (filho), "um voo cego a nada". E agora?
Fernandes Silva pertence e pertencerá a um lugar de extrema honra de quatro grandes da Banda Desenhada Portuguesa de alto coturno: Eduardo Teixeira Coelho, Fernando Bento e, na linha explicitamente humorística, além dele próprio, também o extraordinário Artur Correia.
Ilustrador e desenhista (BD), Fernandes Silva estreou-se em 1950 no suplemento "República dos Miúdos" (do extinto jornal lisboeta "República"). 
Depois, demarcou-se bem nas publicações "Diabrete", "Cavaleiro Andante", "Flecha", "Pisca-Pisca" e "Camarada" (2.ª fase), sempre agarrando qualquer atento leitor bedéfilo tanto pelo seu traço fino e cativante como pela sua genial loucura do non sense da maioria da sua obra. Formidável!
Um dos seus primeiros heróis foi o traquina garoto "Cuca".
Aventura de "Cuca" publicada no "Cavaleiro Andante" (n.º 283)
Aventura de "Cuca" publicada no "Camarada" (n.º 10)

Mas o herói que o projectou com plena justiça e entusiasmo para a bela fama e popularidade, foi o incrível e avassalador "O Ponto", um detective de cabeça redonda e sem rosto e (lógico) fumador de cachimbo, tão herói como desastrado, que participou em três aventuras: duas no saudoso "Diabrete", que foram "Loja de Bonecos" e "Por Causa de uma Talhada de Melão" (esta, reeditada no n.º 8 dos "Cadernos Sobreda BD") e, na revista "Flecha", a terceira aventura que ficou tristemente incompleta porque a revista em questão se finou subitamente!...
"Loja de Bonecos"  ("Diabrete" n.º 856)

"Por Causa de uma Talhada de Melão" ("Diabrete" n.º 883)

Uma outra loucura da sua arte, é "O Estranho Caso do Dr. Rapioca", publicada no "Diabrete" (do n.º 867 ao 874) e reeditada no "Almada BD Fanzine", n.º 6.
Prancha publicada no "Diabrete" (n.º 867)

Mas, porém, todavia, contudo... para além da irresistível paixão por "O Ponto", a cereja no topo do bolo da obra belíssima de Fernandes Silva, assenta em pleno na sua espantosa adaptação à BD (considerada, invejável e internacionalmente, como uma das mais belas e conseguidas) do clássico literário de Lewis Carroll, "Alice no País das Maravilhas" (história publicada no "Cavaleiro Andante" do n.º 1 ao n.º 26, com as duas últimas pranchas, a quatro cores, no respectivo suplemento, "O Pagem").
Prancha publicada no "Cavaleiro Andante" (n.º 18)

Criminosamente - é o termo - nenhuma obra deste genial autor-BD existe, até hoje, em álbum!... O único, justo e respeitável carinho, aproximativo, foram os exemplares (esgotados) no "Almada BD Fanzine" e "Cadernos Sobreda BD", acima citados.
Capas das publicações da Sobreda BD dedicadas a Fernandes Silva

Muito, muito e muito aqui fica por se dizer sobre a admirável vida e carreira de Fernandes Silva, assuntos que ficarão para uma provável e futura abordagem. Até lá, e uma vez que os contactos com o detective "O Ponto" não estão a funcionar, perguntamos (em re-apelo de ajuda):
- Que é feito desse grande senhor da BD Portuguesa que assinava como Fernandes Silva? 
LB

N.º Especial do "Cavaleiro Andante" (Junho de 1953)


Ilustração para o "Pisca-Pisca" (n.º 1)

Ilustração para o "Pisca-Pisca" (n.º 3)
Ilustração para o "Pisca-Pisca" (n.º 3)

Agradecemos a Carlos Gonçalves a cedência de algumas imagens para este post.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A BD A PRETO E BRANCO (7) - As escolhas de Luiz Beira (7)


JESÚS BLASCO (1919-1995). 
Espanhol, é o mais famoso dos irmãos Blasco, que se dedicavam à Banda Desenhada. Será o mais internacional de todos. Abordou os mais diversos temas, incluindo o "western", e a série do seu pequeno herói "Cuto", é mais do que simplesmente admirada. Numa narrativa curta, "Jack, o Estripador" mostra bem a beleza do seu traço.
Prancha de "Jack, o Estripador"
 Prancha de "Garra de Aço", que Blasco desenhou magistralmente



JIJË (1914-1980). 
Belga, de nome próprio Joseph Gillain, é um dos fabulosos mestres da Banda Desenhada europeia. 
Do humor ao realismo, foi um guia inspirador e influenciador de tantos outros desenhistas. Participou em séries como "Jean Valhardi", "Barbe Rouge", "Tanguy et Laverdure", "Blondin et Cirage" e/ou, em tomos especiais, como "Baden Powell", "Don Bosco", "Charles de Foucauld" e "Christophe Colombo". 
Mas o ponto mais alto e mais aclamado de toda a sua imensa e marcante carreira assenta na série "Jerry Spring".
Prancha de "Jerry Spring"
Prancha de "Jean Vallardi"




JOSÉ LUÍS SALINAS (1908-1985).
Argentino, com um traço fino, elegante e pormenorizado, é bem conhecido pelo "seu" herói "Cisco Kid", série que tão bem desenhou. Mas há que lembrá-lo também por outras correctíssimas obras suas: "Hernán, el Corsario", "As Minas de Salomão", "Dick, o Goleador", "Os Três Mosqueteiros", "Capitan Tormenta"...


"Cisco Kid", o herói por excelência de Salinas
Primeira prancha de Cisco Kid
Nota: A rubrica "A BD a Preto e Branco" é subdividida entre as escolhas pessoais de Luiz Beira (10 posts e 30 autores) e de Carlos Rico (idem), num total de 60 autores! As duas imagens que ilustram a obra de cada autor foram criteriosamente escolhidas por Luiz Beira e Carlos Rico e por esta ordem serão sempre apresentadas.