sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (32) - PUIU MANU (Roménia)

Puiu Manu
Ora cá está ele, tão honrosa e merecidamente: mestre Puiu Manu!
É um invejável exemplo/talento de uma longevidade sempre jovial e activa. Exacto!
Nasceu em Bucareste, a 14 de Setembro de 1928, e, por vezes, usou o pseudónimo de Vasile Baciu.
As suas impecáveis longevidade e actividade imparável, comparam-se muito às do nosso mestre José Ruy.
Puiu Manu, com obra vastíssima e de alta qualidade, varia de estilo (e quiçá, de traço), consoante os temas que aborda, desde a ficção científica ao humor, passando pelo histórico. 
Capa de "Trei Luni de Vacantá în Trecut" (Três Meses de Férias no Passado)
Pranchas de "Trei Luni de Vacantá în Trecut" (Três Meses de Férias no Passado)
O traço humorístico de Puiu Manu

Capa de "Soimii Moldovei" (Falcões moldavos)
Pranchas de "Soimii Moldovei" (Falcões Moldavos)
Capa de Baladá Eroicá (Balada Heróica)
Prancha de Baladá Eroicá (Balada Heróica)
Mas também se achegou a clássicos da Literatura, como “O Homem Invisível” (Omul Invizibil) de H.G.Wells...
...ou “David Copperfield” de Charles Dickens.
Cursou no Instituto de Artes Plásticas de Bucareste.
É um justificado e justificável ídolo da 9.ª Arte da Roménia, que bem o estima e admira. Já foi editado em alguns países vizinhos. E em Portugal, quando?...
Ainda sob a regime comunista (do insaudoso Nicolau Ceaucescu) no seu país, arrojou publicar-se com “Vinea Si Mihas” na revista local “Luminata”.
E depois, sempre intenso e sempre diverso, o seu talento admiravelmente criativo, ainda não parou. Ainda bem!
Com ilustrações do jovem desenhista romeno Alexandru Ciubotariu, o nosso amigo (e nosso correspondente na Roménia) Dodo Nitá, editou há algum tempo, a biografia deste fabuloso mestre mestre da BD Romena, “Puiu Manu, O Monografie”. Bravo!
E sempre se compara: o idioma romeno, maioritariamente também latino, com calma, não é complicado de se entender. Vai uma cultural aposta?
Nesta rubrica do BDBD, hoje o nosso texto pode ser um tanto curto... mas compensado com as ilustrações que o acompanham. O que importa é apreciar, pelo menos nos exemplos apostos, este grande talento da BD da nossa Europa.
Viva Puiu Manu!!
LB
Capa e prancha de "Toate Pânzele Sus" (Todas as velas para cima)

         
Dois belos cartazes de Puiu Manu

Puiu Manu na televisão romena

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

CENTENÁRIO DE UM GIGANTE: ETCOELHO (2)

Por: José Ruy

Como o BDBDBlogue anunciou no anterior artigo, a 4 de janeiro de 2019 comemorou-se o centenário do nascimento do grande autor português de histórias em quadrinhos Eduardo Teixeira Coelho, nascido na Ilha Terceira, nos Açores.
Todos os meses, até dezembro de 2019, o Clube Português de Banda Desenhada está a promover na sua sede na Avenida do Brasil, 52 - A, na Amadora, exposições temáticas da obra deste autor ímpar.
Desde 2 de fevereiro está patente a exposição «Os Animais na Obra de Teixeira Coelho» com meia centena de quadros.
Mantem-se o critério de mostrar as ilustrações a preto e branco, sem a cor que por vezes perturba a clareza do traço, e na dimensão em que o autor as desenhou.
Como exemplo, juntam-se em alguns casos os dois aspetos, para comparação.


ETCoelho estudou do natural, exaustivamente e durante anos, todos os animais, na sua forma, no comportamento e na reação às diversas situações que se lhes deparam na vivência em liberdade.
Em 1948 iniciou no jornal O Mosquito um verdadeiro tratado de anatomia animal com a história «A Lei da Selva».
Estão nesta exposição expostas vinhetas com espetaculares sequências, onde o visitante pode apreciar o movimento e a graciosidade da composição, o equilíbrio das manchas de sombra distribuídas no desenho em contraste com o fino traço fluido e seguro.
As ilustrações estão isentas de qualquer texto para que a atenção não se divida, permitindo, assim, focar-se unicamente no desenho.
ETCoelho, além do estudo no Jardim Zoológico de Lisboa, e para melhor criar posições quase incríveis mas muito bem estruturadas dos felinos, na própria redação/oficina de O Mosquito pedia a um rapazito que ali ajudava em pequenos trabalhos, o José das Neves, que segurasse o gato residente que tinha por missão dar caça aos ratos também locatários, e, de uma altura calculada, o deixasse cair de patas para cima
Instintivamente o animal volteava no ar para «aterrar» nas quatro patas. Essas mirabolantes reviravoltas eram desenhadas numa rapidez de frações de segundo, e permitiu ao desenhador verificar situações de verdadeira elasticidade do animal.
ETCoelho não se limitou a desenhar bem os animais, conseguiu que se libertassem da gravidade, tal como fazia nas cenas espetaculares de grupos humanos em «pancadaria» que galvanizavam os leitores.
Por iniciativa da Autarquia da Amadora, está a ser preparada uma mega exposição com originais deste autor, na Bedeteca dessa Cidade, comissariada pelo diretor do Festival Internacional de Beja com parceria do CPBD, a inaugurar em abril próximo e patente até setembro, e depois também no Festival de BD da Amadora em 2019.

Desde já os parabéns ao Pelouro da Cultura e à direção da Bedeteca pela iniciativa.

Voltaremos ao contacto em março, aquando da próxima exposição de ETCoelho, sob o tema: «ETCoelho e a Figura Humana».

sábado, 2 de fevereiro de 2019

HERÓIS INESQUECÍVEIS (61) - FLASH GORDON

Flash Gordon por Al Williamson

Pronto, cá o temos!...
Nas loucuras e entusiasmos por aventuras-viagens no Tempo e no Cosmos, há um certo número de heróis... digamos, “os sete magníficos” deste género de aventuras, a saber:
Pelos Estados Unidos - Buck Rogers (1929) por Philip Nowlan e Dick Calkins; Brick Bradford (1933) por William Ritt e Clarence Gray; e, Flash Gordon (1934) por Alex Raymond.
Pela Inglaterra - Garth (1943) por Steve Dowling; e, Dan Dare (1950) por Marcus Morris e Frank Hampson.
Por França/Bélgica - no mesmo ano de 1967, Luc Orient por Greg e Eddy Paape; e, Valérian, por Pierre Christin e Jean-Claude Mezières.
Tintin e alguns dos seus companheiros, na sua notável viagem à Lua, não se filiam neste esquema.
Alex Raymond (1909-1956)
De todos os citados, Flash Gordon é indubitavelmente o mais famoso mundialmente. Foi idealizado em 1933 por Joseph Connoly (um dos “patrões” da King Features Syndicate), que queria um digno herói da ficção-científica que fizesse concorrência ao já popular Buck Rogers.
E, para início, essa ideia foi posta em prática segundo a mestria de Alex Raymond.
Muitos outros o continuaram, como Dan Barry, Mac Raboy, o cubano Ric Estrada, Frank Bolle, o letão Gil Kane, Al Williamson, Paul Norris, Jim Keefe, etc. Também vários foram os argumentistas apostados nesta série, como Don Moore.
Todos sabem que Flash Gordon, a sua eterna noiva Dale Arden e o Prof. Hans Zarkov, por um estranho percurso, vão aterrar no bizarro planeta Mongo, governado tiranicamente pelo cruel imperador Ming... E por aqui se iniciam infindáveis e empolgantes aventuras.
"Flash Gordon", por Alex Raymond, in "Mundo de Aventuras" #129,
Ed. Agência Portuguesa de Revistas (18.03.1976)

Em Portugal, Flash Gordon, chegou a ser tratado por "Roldan", "Roldão, o Temerário", "Capitão Relâmpago"...
Exemplos de publicações portuguesas com diferentes designações para Flash Gordon


Foi editado num extenso universo de publicações como "Mundo de Aventuras"... 
"O Cometa do Fogo", por Mac Raboy e Don Moore, in "Mundo de Aventuras" (2.ª série) #400 (1981)
"Mundo de Aventuras Especial"... 
"Capa do "Mundo de Aventuras Especial" #26 (Janeiro de 1981), por Augusto Trigo
"Espaço"...
"Capitão Relâmpago em Perigo na Floresta Submarina", por Dan Barry,
in "Espaço" #8 (Ed. Agência Portuguesa de Revistas, 1961). Capa de Carlos Alberto Santos 

"Colecção Audácia"...
"Roldan"in "Colecção Audácia" (volume 1, fascículo 11), Ed. Aguiar & Dias, Ld.ª

"As Grandes Aventuras de Flash Gordon"...
Colecção "As Grandes Aventuras de Flash Gordon" #2 e #4, Ed. Portugal Press (1978)
com capas de Carlos Alberto Santos.

"Flash Gordon"...
"Regresso a Mongo", por John Warner (texto) e Carlos Garzon (desenhos),
in revista "Flash Gordon" #1, Ed. Agência Portuguesa de Revistas (Novembro de 1980)
"Jornal do Cuto"...
"Flash Gordon em O Planeta da Morte", por Dan Barry, in "Jornal do Cuto" #125 (24.12.1975)
Capa de Carlos Alberto Santos

"Tigre"...
"Flash Gordon em O País do Esquecimento", por Dan Barry,
in "Colecção Tigre" #3 série 1 (Ed. Agência Portuguesa de Revistas, 01.06.1955)

..."Êxitos da TV"...
"Luta contra a Morte", in "Êxitos da TV" #9 (1979). Capa de Carlos Alberto Santos

"Colecção Condor"...
Capa e pranchas de "Uma Avantura em Marte", por Marc Robay (Raboy) e Don Moore,
in "Colecção Condor", (2.º volume, fascículo 16), Ed. Agência Portuguesa de Revistas

"Aventureiro"...
"Flash Gordon em Os Traficantes de Escravos", in "Aventureiro" #4,
Ed. Campo Verde (1979)

"Heróis Inesquecíveis"...
Flash Gordon em "O Planeta da Morte", in "Heróis Inesquecíveis" #12.
Capa de Carlos Alberto Santos
..."Chico Zumba", "Condor Popular", "Grilo", "Jaguar", "Pantera Negra", "Fantasma" (2.ª série), etc, etc. E, nos tempos do Moçambique português, no suplemento dominical "Notícias Infantil" e na efémera revista "Kurika" (1.ª fase).
Flash Gordon por Mac Raboy e Don Moore, in "Notícias Infantil" (1953 e 1954)

A nível de álbuns, constam: quatro pela Agência Portuguesa de Revistas, dois pela Futura e pela Presença, um pela TV Guia e outro pela Panini Comics.
Flash Gordon por Dan Barry, in "Antologia da BD Clássica" #4, Ed. Futura (1983).
Capa de Chico Lança
Flash Gordon II, por Al Williamson, in "Antologia da BD Clássica" #17, Ed. Futura (1986)
Capa de Augusto Trigo

"Flash Gordon" por Bruce Jones (texto) e Al Williamson (desenhos), Ed. TV Guia (1982)

"Flash Gordon", por Alex Raymond, in "Os Clássicos da Banda Desenhada" #20,
Ed. Panini Comics (2004)

Com periódicos e alguns álbuns, há uma exuberante força editorial entre nós, porém, muito dispersa (que pena!)...
O Cinema e a Televisão não esqueceram este popular herói.
Com realizadores diferentes, mas sempre com o actor Larry Buster Crabbe, foram feitos três longos seriados, em 1936, 1938 e 1939.
Curiosamente, em 1952, Crabbe interpretou Buck Rogers, o rival de Flash Gordon.
Em 1974 e 1989, foram realizadas paródias eróticas por Howard Ziehm, com o título “Flesh Gordon”.
Em 1980, então sim, uma bela longa-metragem por Mike Hodges, com um elenco de luxo: Sam Jones (Flash Gordon), Melody Anderson (Dale Arden), Topol (Hans Zarkov), Max Von Sydow (Ming), Timothy Dalton (príncipe Barin), Ornella Muti (princesa Aura), etc. A famosa banda sonora é do grupo Queen.

Nas adaptações para séries televisivas, destaca-se a realizada por Peter Hume nos anos 2007 e 2008, com o actor Eric Johnson.
Pelo Cinema de Animação, registam-se produções efectuadas em 1979, 1982, 1986/1987 e 1996.
Episódio da série animada de 1979

Obviamente, há muitas outras adaptações, talvez de menor importância. Aqui ficam apenas os registos mais fundamentais sobre esse inesquecível herói-BD que é Flash Gordon.
LB