terça-feira, 22 de janeiro de 2019

CENTENÁRIO DE UM GIGANTE: ETCOELHO (1)

Associando-se às Comemorações do Centenário de ETCoelho promovidas pelo Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), o nosso blogue inicia hoje a publicação de uma pequena série de artigos relacionados com as exposições, que o CPBD inaugurará mensalmente, dedicadas a este consagrado vulto da BD portuguesa e europeia.
Ao ritmo de um post por mês, José Ruy deixará aqui, de relance, pequenas notas sobre cada uma das exposições que o CPBD manterá patente na sua sede até ao final de 2019, aguçando, quem sabe, o apetite aos nossos leitores para uma visita mais demorada e atenta.


A 4 de janeiro de 2019 comemorou-se o centenário do nascimento do grande autor português de histórias em quadrinhos Eduardo Teixeira Coelho, nascido na Ilha Terceira, nos Açores.
O seu aparecimento mais visível para o grande público, foi no jornal O Mosquito, em 1942, mas a sua Arte de ilustrador começara no jornal Sempre Fixe, n’O Senhor Doutor, no Engenhocas e Coisas Práticas e na Coleção de Aventuras, estas duas últimas publicações propriedade das Edições O Mosquito.
Quis a sorte ou o destino, que os nossos percursos se cruzassem sem mais separação, e nem os meridianos que durante tempo se interpuseram, o conseguiram.
É com grande carinho que neste BDBDBlogue, que os amigos Carlos Rico e Luiz Beira me facultaram, destaco o trabalho deste excecional ilustrador.
Para comemorar data tão importante para o mundo das HQ, o Clube português de Banda Desenhada estabeleceu um plano de exposições e palestras durante todo o ano de 2019, pois um Artista desta envergadura não podia ser lembrado apenas num curto período de tempo, como nos «dias mundiais de algo» que no dia seguinte já ninguém se lembra.
Como foi já divulgado neste Blogue, em cada mês de 2019 está a ser realizada uma exposição sob um tema específico abordado por ETCoelho, e foram muitos.
Em janeiro abrimos com «INÉDITOS» e é dessa exposição que vos vou dar conhecimento, a todos que não vão ter possibilidade de se deslocarem à Amadora, à Avenida do Brasil, 52A, às instalações da sede do Clube.

Estão patentes 48 quadros, alguns mesmo originais, e a parte de maior interesse são 28 ilustrações desenhadas em formato A3 para um livro de autoria de Gilda Teixeira Coelho, a História dos Dias da Semana nos diversos países da Europa.
Destinava-se a uma edição conjunta entre vários países, e o Telmo Protásio, dono da Meribérica Liber dispusera-se a editar a obra, em 1999. Mas a editora sofreu um revés com a falência da distribuidora, e entretanto o editor faleceu sem concretizar o projeto.
ETCoelho pediu-me para tentar outros editores, e deixou os originais na minha mão. Contactei vários, que ficaram a estudar o assunto, mas acabaram por não responder. E que livro belíssimo podia ter sido publicado. E ainda pode.
O seu formato seria próximo do A3, para permitir observar os pormenores de cada ilustração, em bom papel e com uma encadernação cuidada.

Achei que a riqueza dos desenhos está no preto e branco, e se fossem coloridos perderiam alguma dignidade, e transmiti esta opinião ao ETCoelho, que concordou. Além disso, tornaria a edição mais barata. Alvitrei que em vez de preto, fosse usado um sépia escuro na impressão, para ficar mais agradável, e que levasse uma sobrecarga de uma cor neutra, muito leve, que ajudasse a explicar a intensão de cada composição. Fiz um ensaio que o ETC aprovou com agrado.
 

Junto uma carta que a Gilda me enviou por essa altura.
A sugestão de título que a Gilda refere, OS NOMES DADOS AO TEMPO, foi dada pela Maria José Pereira, na altura a trabalhar na editora Meribérica.
Os elogios destinam-se aos meus conhecimentos na técnica das artes gráficas, que o ETC apreciava e confiava.
Repare-se num pormenor desta ilustração, sob a boca do leão, no sombreado conseguido com o dedo, onde pode ver-se a impressão digital de ETCoelho.
Por vezes ele utilizava este tipo de meio para conseguir efeitos.
                

As últimas imagens foram fotografadas da própria exposição pelo nosso amigo António Martinó, que gentilmente as cedeu para esta apresentação no BDBDBlogue. 

Por esta simples mostra podem verificar que não devem perder a exposição, patente até final de janeiro, pois são 28 ilustrações com esta categoria. 
Quem sabe, talvez na Cidade de Moura se possa fazer esta mostra, ainda este ano...

Estaremos de volta a descrever a próxima exposição, a inaugurar a 2 de fevereiro de 2019 na sede do Clube Português de Banda Desenhada, na Amadora, que consta: «Os Animais na Obra de ETCoelho».


José Ruy

sábado, 19 de janeiro de 2019

AS HISTÓRIAS QUE RESIDEM NA GAVETA (7) por José Ruy

Na sequência das histórias que tenho mantido na «gaveta das não publicadas», retiro agora esta, que tenho preparada há mais de seis anos.
É um tema muito trabalhado em «Quadrinhos», mas que mantém sempre grande interesse, principalmente pelo mistério que envolveu a sua extinção.
Trata-se de «Os Templários».
Por isso mesmo tentei abordar o assunto de uma maneira diferente. Conto-vos como tudo começou.
Um professor meu amigo, com quem tenho trabalhado em algumas sessões em escolas onde ele vai sendo destacado, fez-me este desafio, pois é natural de Tomar e gostaria de ver este tema tratado por mim. Isto passou-se em 2012, e nessa altura afigurou-se-me a possibilidade de publicação, por isso meti «ombros à obra».
Há muito que esta Ordem religiosa e militar me fascina, sobretudo pelo mistério que a envolve aquando da sua extinção criminosamente perpetrada por um monarca de cognome Belo, mas que de beleza de alma nada tinha.
Ao longo dos anos tenho reunido documentação, por isso foi-me fácil abordar o assunto. Imaginei um argumento, como sempre faço, de modo a envolver os factos históricos, mas com qualquer coisa de diferente do que conheço das várias versões publicadas já em Quadrinhos.
O enredo inicia-se em Portugal no princípio da nossa nacionalidade, como podem acompanhar nos esboços juntos.
Como tenho informado nos artigos anteriores faço sempre um registo destas histórias, pois normalmente o seu ciclo passa por um período de observação nas editoras e assim estou salvaguardado e à vontade ao fazer esta divulgação.
O texto, embora esteja já desenhado nos balões, estará sujeito a uma revisão por parte dos editores antes da publicação, por isso nesta fase não me preocupo muito, havendo por vezes gralhas devido à velocidade com que faço o trabalho. Não se admirem se as encontrarem.
Esta rubrica das «Histórias Residentes na Gaveta» foi inspirada na ideia do amigo Luiz Beira, coautor deste Blogue, de dar ao conhecimento do público leitor o material que os autores de Histórias em Quadrinhos têm prontas e não conseguem publicar, por uma ou outra razão.
Prontas totalmente, de modo a poderem ser publicadas de imediato.
No meu caso, estas histórias estão neste estádio de esboço acabado, antes de executar os originais definitivos a tinta da china. É a prévia planificação desenhada de toda a história, com a pesquisa indispensável e o texto já elaborado, o que para mim significa ser o mais trabalhoso. Por isso em qualquer altura posso completar «rapidamente» as pranchas para serem publicadas.
Mas tive já uma história totalmente pronta, mesmo com a cor dada nos originais, durante 8 anos à espera de editor. E de repente surgiu a oportunidade de a publicar em parceria com dois editores numa coedição. Foi «A Ilha do Futuro» levada à estampa pela «Faialentejo Editora» (dos Açores) e a «Meribérica/Liber» (do continente).
É preciso ter paciência e não desistir. 

Continuaremos no próximo artigo a publicar mais imagens e algumas informações sobre o desenrolar deste projeto.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

BREVES (66)

82 ANOS DE "O MOSQUITO"
Realiza-se no próximo sábado, 19 de Janeiro, a partir das 12:30, o já tradicional Almoço "O Mosquito", que comemora o 82.º aniversário daquela emblemática revista BD.
Tal como nos anos anteriores, o almoço decorrerá no restaurante Sabor Mineiro, na Av. José Malhoa, 16-D, em Lisboa (entre a Praça de Espanha e Sete Rios).
Os organizadores "esperam ser sempre numerosos a lembrar o acontecimento nesta já habitual grande confraternização anual para celebrar a banda desenhada portuguesa".
Quem quiser inscrever-se ou obter informações acerca do almoço pode fazê-lo para o seguinte endereço: leonardo.de.sa@gmail.com



ET COELHO INÉDITO


Continua patente na sede do Clube Português de Banda Desenhada, na Amadora, a exposição "ET Coelho Inédito".
Inserida nas Comemorações do Centenário do Nascimento de Eduardo Teixeira Coelho, pode ser visitada aos sábados, entre as 14:00 e as 18:30. 
Uma oportunidade única de ver trabalhos nunca antes mostrados em público de um dos maiores ilustradores da Banda Desenhada portuguesa.



EM JANEIRO NA BEDETECA DE BEJA...

Exposições:

De 4 a 26 de janeiro
Natureza em Contraste
Exposição de Desenho de Vilas

De 4 de janeiro a 8 de fevereiro
Nossa Senhora Flor Eterna - Ícones da Moldávia
Exposição de Bordado de Angela Machidon

De 12 a 31 de janeiro
Mostra de Fanzines
Exposição Bibliográfica na Bedeteca

De 28 de janeiro a 16 de março
Material Poético
Exposição de Banda Desenhada de Evandro Alves

Até 8 de janeiro
Aristides de Sousa Mendes
Exposição de Banda Desenhada de José Ruy

Até 26 de janeiro
Mattotti - cartazes
Exposição de cartazes de Lorenzo Mattotti

Até 13 de fevereiro
A personagem incompleta
Exposição de Ilustração de João Laia

Até 13 de fevereiro
Parte, por favor - Bilhetes de amor e outras coisas vulgares
Exposição de Desenho e Ilustração de Cristina Viana

Até 13 de fevereiro
Banda Desenhada Portuguesa - 22 autores contemporâneos
Exposição de Banda Desenhada com André Oliveira, António Jorge Gonçalves, Diniz Conefrey, Fernando Relvas, Filipe Abranches, Francisco Sousa Lobo, Joana Afonso, João Sequeira, Jorge Coelho, Marco Mendes, Maria João Worm, Marta Teives, Miguel Rocha, Mosi, Nuno Duarte, Nuno Saraiva, Osvaldo Medina, Pedro Leitão, Pedro Moura, Ricardo Cabral, Sofia Neto e Sónia Oliveira


Ateliês:

Banda Desenhada
Com Paulo Monteiro. Quartas-feiras, das 21:30 às 23:00
Desenho e Pintura
Com Isa Carolina. Terças e quintas-feiras, das 15:00 às 18:00
Ilustração
Com Paulo Monteiro. Quartas-feiras, das 21:30 às 23:00
Modelismo estático
Com Simão Matos e João Calado. Sábados, das 14:30 às 17:30


Clubes:

Jogos de tabuleiro
Com Pedro Felício. Sábados, das 14:00 às 20:00


Outros serviços:

Espaço Internet na Bedeteca - O Espaço Internet dispõe de um computador de acesso livre. Está aberto ao público dentro do horário de funcionamento da Bedeteca
Cedência de espaços para actividades - Apoio e cedência de espaços, a escolas e outras instituições, para a realização de reuniões e eventos na área da banda desenhada ou da ilustração
Apoio a alunos e professores - Apoio a alunos e professores para a realização de exposições ou outros projetos específicos na área da banda desenhada e ilustração



FALECEU ARTURO ROJAS DE LA CAMARA
Arturo Rojas de la Camara (1930-2019)
Um dos grandes autores de banda desenhada humorística do país vizinho faleceu no passado dia 8 de Janeiro, aos 88 anos.
Arturo Rojas de la Camara nasceu em Paterna (Valência), em 1930, tendo assinado trabalhos também como Rojas, Red ou Red Arthur.
Trabalhou na Editorial Valenciana, primeiro, e na Editorial Bruguera, depois, onde criou inúmeros personagens icónicos como "Cucharito", "Eustáquio, el genio de la lâmpara", "Nabucodonosor y Pio, SL", "Don Percebe y Basilio cobradores a domicilio", "Anibal" ou o agente "77-Cero a la Isquierda".
Durante um breve período de tempo, nos anos 50, escreveu novelas populares de guerra e ficção-científica que publicou com assinalável êxito nas Editoras Toray e Valenciana sob o pseudónimo Red Arthur.
Regressou às histórias em quadrinhos em 1956 publicando "Don Fradique, Hidalgo venido a pique". Pouco depois, começou a trabalhar, também, para editoras europeias (França, Alemanha...). Em 2000 publicou o seu último trabalho, "Gasolino y Piston".
Nesse mesmo ano, foi homenageado pelo Ayuntamiento de Paterna que, com toda a justiça, atribuiu o seu nome a uma das ruas do município.
  

ANIVERSÁRIOS EM FEVEREIRO




Dia 07 - Alejandro Jodorowsky (chileno)
Dia 09 - José de Matos-Cruz e Zeu
Dia 11 - Pedro Morais
Dia 14 - Fernando Santos Costa
Dia 15 - Matt Groening (estado-unidense)
Dia 20 - Sergei
Dia 21 - Luís Pinto-Coelho
Dia 25 - Eugénio Silva 
Dia 29 - Paolo Eleuteri Serpieri (italiano)

CR/LB

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

NOVIDADES EDITORIAIS (162)

FUTUROSCÓPIO - Edição Arcádia/Babel. Autor: Miguel Montenegro.
Finalmente, cá temos um recente reencontro em edição álbum, pela arte de um dos grandes (e poucos) notáveis altos valores da nova Banda Desenhada Portuguesa, ou seja, a de Miguel Montenegro.
Este álbum, “Futuroscópio”, que é um desafio e um encanto para os nossos bedéfilos, reúne várias histórias curtas elaboradas em tempos por Montenegro e já,dispersamente, publicadas. Mas assim, no bloco de um álbum, estão salvaguardadas estss criações, e daí, os nossos primeiros parabéns, não só ao autor, mas também á atenta  sensibilização da editora.
Miguel Montenegro, que em breves episódios deste tomo teve as ocasionais e belas colaborações (como desenihistas) de Rui Gamito e de Nuno Sarabando, no conjunto, baralha-nos e maravilha-nos. Nem outra glória  seria de esperar do seu talento, sendo pena que as suas “aparições” sejam raras e que ele seja tão “esquivo” a um contacto, diálogo, entrevista... Serão... ”manias”?...
Mas aqui registamos em pleno a todo o bedéfilo nacional que se preze: é obra de leitura mais do que obrigatória.
Viva Miguel Montenegro!



LES RACINES - Edição Dargaud. Autores: Fred Duval (argumento) e Emen (arte gráfica). “Les Racines” é o primeiro tomo da série futurista, Renaissance. E que bela aposta, que será um tríptico!
Por norma e à cansativa aposta, os extraterrestres são quase sempre os perigosos e tenebrosos invasores da Terra... Isto, pela Literatura, a Banda Desenhada, o Cinema e a Televisão... Talvez se exceptuem aqui, apenas, os dois magníficos  filmes, “ET” e “Encontros Imediatos do Terceiro Grau”... De resto, é quase sempre a tentativa imbecil de apavorar o povo tonto e “fácil” do nosso mentalmente vazio e estonteado planeta...
A Terra está esgotada e moribunda... por sua própria culpa!.... Pois com esta série de Duval e Emen, o tema  é precisamente o inverso: a Terra à beira do seu aniquilamento total, mas...
Mais um “suspiro” descontrolado e acabou-se  a vida neste chamado “Planeta Doce e Azul”. Seria bom que assim fosse, seria!.... Longe, no estranho Cosmos , tão afinal próximo, funciona uma confederação planetária, a Complexo, onde evoluídos e inteligentes zeladores pelo equilíbrio de todos os sistemas, decretam que se deve salvar a Terra e a vida que aí ainda vai resistindo... Belíssima proposta via Banda Desenhada!
E que tal acompanharmos este bela série que nos projecta para um futuro rasgo de esperança de toda a actual estonteada Humanidade?



LIVINGSTONE - Edition Glénat. Autores: Rodolphe (argumento ), Paul Teng (traço), Céline Labriet (cores) e orientação histórica de Christian Clot.
Incrível!... Como é repulsiva a ignorância ou a inveja conveniência “nacionalista”, tanto de ingleses como dos franceses, ante a História de Portugal (e do Mundo)!... Ingénuo e insultuoso!
Pelos “extintos impérios colonialistas”, Portugal, levianamente resistente, foi o “último”... Foi?!....
Porém, a Inglaterra (fingida de Reino Unido), a França, os Estados Unidos da América do Norte, a Dinamarca e Holanda, por exemplo breves, não mantêm ainda e hoje em dia, as suas “colónias”?!.. 
Que não se barafuste por aí, à Esquerda ou à Direita!...Encare-se a verdade!
E que não nos venham com a treta da  Escravatura!... Ela funciona, desde antanhos tempos e até hoje, em países árabes, africanos e, até, na China! Que repugnância!....
Badala-se, por aí e por aqui, que David Livingstone (um cientista um tanto sonhador e auto-sofredor) e que Robert Stanley (a  soldo dos norte-americanos!) se encontraram na imensa África! Stanley, ao fim e ao cabo, se havia encontrado e “espiolhado” em Luanda com Serpa Pinto e depois bem usou “acolhimento” de Livingstone. Este “notável”, sempre foi um safado interesseiro para glória e fortuna pessoais! Um canalha!...
Por este período de “sertanejos através da apaixonante África, com ingleses, franceses, alemães, italianos, etc, em VÃ COBIÇA, os portugueses foram também heróicos e exemplares, estóicos e sofredores gloriosos, por exemplo com Alexandre Serpa Pinto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo, António da Silva Porto, e ainda entre outros bem dignos da nossa PÁTRIA, António Maria Cardoso ou Francisco Victor Córdon...
Que o BDBD seja perdoado pelas hipotéticas e involuntárias falhas!
Mas voltaremos ao “duelo”, que tem belo tema”...
LB

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (31) - DINO ATTANASIO (Itália)

Dino Attanasio
Muitas vezes se inventam mitos ou fantasias, por leviandade, fraca consciência ou bizarras conveniências. Isso aconteceu e ainda acontece, com a História, a Religião, a Política e, até, com a Banda Desenhada.
Neste caso e no exemplo de hoje, temos o grande e incansável desenhista italiano Dino Attanasio, nascido em Milão a 8 de Maio de 1925. Talvez devido a uma coordenação frouxa das editoras portuguesas, impôs-se que Attanasio é apenas um criador humorístico!... Há que desenganar os distraídos e os incautos...
Este artista milanês tem uma vastíssima obra, popular em vários países.
Foi sobretudo durante os vários anos vividos na Bélgica, que o seu talento se notabilizou, tendo também colaborado directamente  para publicações holandesas.
"Conny Wildschut", por Attanasio (desenhos) e Patty Klein (texto)

Em Portugal, para além de parcos álbuns, foi publicado em diversos periódicos (“Cavaleiro Andante”, edição portuguesa de “Tintin”, “Nau Catrineta”, etc).
Editaram-se, sobretudo, as séries humorísticas como “Spaghetti” (a sua série de honra)...
"O Espantoso Cruzeiro do Signor Spaghetti", por Attanasio (desenhos) e Goscinny (texto),
in revista "Tintin" #30 (10.12.1977)
"Spaghetti e o Tacão de Achille", por Attanasio (desenhos) e Goscinny (texto),
in revista "Tintin" #7 (27.06.1981)
"Spaghetti e o Tacão de Achille", por Attanasio (desenhos) e Goscinny (texto),
in revista "Tintin" #11 (25.07.1981)
...“Modeste e Pompom”, “Ambrósio e Gino”, “Johnny Goodbye” e, na linha realista (ora cá o temos!...), curtas como “Corsário à Força”...
Capa e prancha de "Corsário à Força", in "Cavaleiro Andante" #299 (1956)

...“Giuseppe Verdi”, “Rossini”, “Marconi”, “Guilherme Tell”, “Gutenberg”, “Horácio Nelson”, etc.
Capa e prancha de "Horácio Nelson", in "Cavaleiro Andante" #421 (1956)

No entanto, há que registar que foi ele o primeiro a adaptar à Banda Desenhada a série “Bob Morane” de Henri Vernes, sendo o responsável dos cinco primeiros tomos, que até agora, são inéditos em português.
Capa de "Bob Morane et l'Oiseau de Feu", por Henri Vernes (texto) e Dino Attanasio (desenhos),
Ed. Marabout (1960)
Prancha de "Bob Morane et l'Oiseau de Feu", Ed. Marabout (1960)
 Com criações entre o humor e/ou o realismo, apenas com um tomo, temos por exemplo, “Fanfan et Polo”, “Candide”, “L’Assaut de l’Everest” (com texto de H. Vernes)...
 
...“Le Soleil des Damnés”...
Capa e prancha de "Le Soleil des Damnés", por Ed Engil (texto) e Attanasio (desenhos)
Ed. Michel Deligne

...“Nic Perrin”, “Jimmy Stone”, “François Xavier, Conquérant de l’Asie”, “Decameron” (segundo Boccacio, com argumento de seu filho)...
Capa e prancha de "Le Décaméron", Ed. Claude LeFranc Editeur
...“Fawcett, le Naufragé de la Forêt Vierge” (com argumento de Vernes), “Il Était une Fois dans l’Oued” e por aí adiante.

A série “Bandonéon” (argumentos de Yves Delport), é uma paródia ao ambiente das pampas argentinas e não só...
Prancha de "Bandonéon"
A série “Johnny Goodbye”, em 8 tomos, é uma sátira atrevida à Mafia italiana. Desta, em tempos, foram editados dois álbuns pela Amigos do Livro: “O Regresso de Al Capone” e “O Valentão”.
Prancha de "Johnny Goodbye"
Na verdade porém, é “Spaghetti” a sua série de luxo, plena de situações hilariantes. Constam quinze álbuns e cinco Integrais, para além de outros tomos soltos, como acessórios.
 
 

Em Portugal, para além de publicações no "Álbum do Cavaleiro Andante", "Zorro" e "Tintin", constam os álbuns: “Os Quadros a Óleo/Encontro de Ciclistas/Spaghetti em Paris” (ed. Público/Asa); “Spaghetti em Veneza”, “Spaghetti em Paris”, “O Tesouro da Pirâmide e “Viva Spaghetti”, pela Distri; e, pela Íbis, “Spaghetti na Feira” e “A Vida Dupla de Pomodoro”. Um belo, porém relativo, panorama desta série.
"Spaghetti e a Vida Dupla de Pomodoro" e "Spaghetti na Feira",
por Attanasio (desenhos) e Goscinny (texto)
Colecção "Videorama" #3 e #7, Edição Íbis (1969 e 1970, respectivamente)
 
"Spaghetti em Veneza" e "Spaghetti em Paris", por Attanasio (desenhos) e Goscinny (desenhos)
Ed. Distri Editora (1983)
"Viva Spaghetti" e "O Tesouro da Pirâmide", por Attanasio (desenhos) e Goscinny (texto)
Ed. Distri Editora (1984)
"Os Quadros a Óleo/Encontro de Ciclistas/Spaghetti em Paris", por Attanasio (desenhos) e Goscinny (texto)
Ed. Público/Asa (2009)
Recorde-se  ainda que Dino Attanasio também esteve (ainda estará?) ligado ao Cinema de Animação, tendo participado na primeira longa-metragem italiana, “La Rosa di Bagdad”.
Ave, magnifico Dino Attanasio!
LB