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quarta-feira, 22 de março de 2017

OBRAS RARAS (9)

José Garcês
EURICO, O PRESBÍTERO
Com este título, é uma das obras máximas, na via romance, de Alexandre Herculano, o nosso historiador por excelência.
Tema desafiador ao Cinema e à Televisão, por aqui não passou até hoje!... Mas, pela Banda Desenhada, mestre José Garcês, em bom tempo nele pegou e com bela arte, num maravilhoso preto-e-branco.
Com 42 pranchas, esta narrativa, foi inicialmente publicada na já extinta revista “Modas e Bordados”, de Setembro-1955 a Junho-1956. Uma jóia da nossa BD que parecia “perdida”...
Todavia, em 1983, esta honra da nossa Banda Desenhada foi reeditada, agora em álbum, pela Editorial Futura, com uma ou outra prancha redesenhada.
Porém... “já foi!”. Este álbum é difícil de se encontrar, salvo se estiver mafiosamente “escondido”...


Didier Comès (1942-2013)
ERGÜN, O ERRANTE
Que belo espanto!
O já saudoso e admirável criador belga Didier Comès (1942-2013), foi sempre e justamente louvado pela sua impecável arte no preto-e-branco.
Mas, Comès também se arrojou com a côr... precisamente com um herói que criou e do qual apenas elaborou os dois primeiros tomos, Ergün l’Errant: “Le Dieu Vivant” (O Deus Vivo) e “Le Maître des Tenèbres” (O Senhor das Trevas).  Nenhum deles, ainda, em português!...
Mas, lá pelas zonas francófonas, eles foram editados e reeditados.
De qualquer modo, hoje, consta que estão esgotados...



José Ruy
O BOBO
E tornamos (ainda bem!) a mais um texto de Alexandre Herculano.
Desta obra, calha agora a arte de outro grande mestre da nossa 9.ª Arte, José Ruy, que a seu tempo, teve a dignidade e a coragem de adaptar à BD, o romance histórico “O Bobo”. Um bem louvável atrevimento!
Tudo se iniciou na revista “Cavaleiro Andante”, com 51 pranchas, do n.º 249 ao n.º 308 (1956 e 1957).
Em 1989, numa versão redesenhada, é finalmente esta obra publicada em álbum pela Editorial Notícias. Ainda bem!... Mas, ainda mal também, porque esta edição está...esgotada!
E agora?!...
LB

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

OBRAS RARAS (8)

Pedro Massano
MATARAM-NO DUAS VEZES - Até agora, e em princípio, é o único tomo da prevista série “A Lei do Trabuco e do Punhal”, por Pedro Massano (com texto de Luís Avelar)...
Este primeiro tomo, “Mataram-no Duas Vezes”, foi editado pela Europress em 1987. Foi grande êxito na altura e, de momento, o álbum envereda pela galeria dos “esgotados” ou muito difíceis de se encontrar.
Tudo ronda num passado mais ou menos recente, quando as guerrilhas políticas e a banditagem desassossegavam o nosso País, que parecia andar “sem Rei nem Roque”. Tempos amargos, de crimes e de angústias para o nosso povo, sobretudo com as acções de João Brandão.
Então, caro Pedro Massano, vamos a essa necessária continuação?


Francisco Marcatti
A RELÍQUIA - É incrível, mas em Portugal é um álbum praticamente desconhecido!...
“A Relíquia” é uma das mais brilhantes obras do nosso grande Eça, com a sua implacável e mordaz crítica social.
No Brasil, nasceu uma divertida e maravilhosa adaptação, em BD, desta obra. Que espanto! Uma monumental paródia a um texto de Eça pelo admirável desenhista Francisco Marcatti.
Teve edição pela Conrad, em 2007. No entanto, é lastimável que esta obra não tenha a respectiva edição no nosso país... Haja Deus!



CONTOS DAS ILHAS - Com edição Asa, em 1993, foi editado um belo álbum, “Contos das Ilhas”, hoje esgotado e avidamente procurado.
Sob coordenação atenta e correcta do argumentista Jorge Magalhães, aqui participam os nossos desenhistas: Eugénio Silva (também autor da capa), com “O Coelho Branco”; José Garcês, com “O Mestre das Artes”; Catherine Labey, com “A Terra dos Enganos”; e Carlos Alberto Santos no seu derradeiro trabalho em BD, com “O Rei de Nápoles”.
Uma preciosidade da nossa 9.ª Arte em quatro episódios distintos! Uma obra que exige uma bem merecida reedição!
LB

sábado, 7 de janeiro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (111)

PEREIRA PRÉTEND - Edição Sarbacane. Autor: Pierre-Henry Gomont, segundo o romance do ítalo-português Antonio Tabucchi.
Este grande senhor das Letras, nasceu em Itália, na região de Pisa, a 24 de Setembro de 1943. Esteve muito ligado à Universidade de Siena, mas apaixonou-se por Portugal, pela Literatura Portuguesa, casou com uma portuguesa e em Lisboa faleceu a 25 de Março de 2012.
Se sempre amou a sua Itália natal, jamais deixou também de amar Portugal que adoptou e o adoptou. Grazie, signore Tabucchi!
Sua obra de encanto: “Sostiene Pereira”, em português “Afirma Pereira”, agora em Banda Desenhada pela editora francófona Sarbacane, “Pereira Prétend”. Um luxo e uma honra!
Esta mesma obra deu lugar a um filme em 1995, realizado por Roberto Faenza, rodado sobretudo em Lisboa, com actores portugueses (Joaquim de Almeida, Teresa Madruga, Nicolau Breyner, etc.), franceses e, logicamente, italianos, como o saudoso e brilhante Marcello Mastroiani no personagem principal. Outro luxo!
Agora em Banda Desenhada, uma obra bem conseguida pelo talentoso francês Pierre-Henry Gomont, que visitou Portugal em 2015, para se documentar devidamente. E que belas são as ilustrações!...
“Pereira Prétend”, é obra de absoluta e obrigatória leitura.

A HISTÓRIA DE SILVES EM BD - Edição da Câmara Municipal de Silves. Autor: José Garcês.
Esta obra, bem urdida por mestre José Garcês, teve a sua “odisseia”... Há muito programada por uns e por outros, finalmente... chegou!
Convém conhecê-la, no mínimo pelos silvenses, pois a estes é especialmente dedicada. E vale a pena!
Uma pequena correcção: na página 34, na sexta vinheta, a rainha é D. Maria II e não a sua bisavó, D. Maria I. De acordo?
Outra questão, impossível de se deixar passar em branco: na biografia do autor, há um “estranho lapso”. Não se menciona que José Garcês  também foi homenageado na “Sobreda-BD /1987” e no “Moura BD 1995”. Aqui fica um devido e correcto registo!...
José Garcês, como qualquer outro dos nossos grandes e incontestáveis desenhistas, é tão honrado sob as luzes da admiração e das estima de grandes festas da BD, neste caso, da Amadora, Lisboa ou Viseu e até na italiana Luca, como o é, também, na sincera estima das humildes Sobreda e Moura.
E... estamos conversados!


LA POMME DE DISCORDE - Edição Glénat. Argumento de Clotilde Bruneau, arte de Pierre Taranzano, segundo a ideia de Luc Ferry.
“La Sagesse de Mythes” é uma série de portentosa força cultural (que vai ter vários tomos, consoante os temas), por forte e consciente aposta editorial da famosa Glénat. Pois... parabéns Glénat!
Tomara nós, termos em Portugal, uma editora assim tão apostada na força da Cultura e esquecer de vez em quando o furor pela caixa facturadora!...
“La Pomme de Discorde” é o primeiro tomo da trilogia que, desde já se imagina de qualidade total, “L’Illiade”, segundo Homero. Tem absoluta qualidade pela equipa que a elabora com um aplaudível apoio consciente de toda a engrenagem editorial e inteligente que por aqui se faz funcionar.
Bravo, Glénat!

O TESTAMENTO DE WILLIAM S. - Edição Asa. Argumento de Yves Sente, arte de André Juillard, cores de Madeleine Demille e tradução de Sara Moreira.
Pois, as aventuras de Blake Mortimer, são e serão sempre bem-vindas, sobretudo quando há um belo capricho construtivo de quem elabora e continua a elaborar esta série-BD de honra.
E este belo tomo, “O Testamento de William S.”, com todo o seu misterioso e intrigante título, não nos deixa nem apagados nem indiferentes.
LB

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

UMA OBRA... VÁRIOS ESTILOS (9) - MOBY DICK

O norte-americano Herman Melville nasceu a 1 de Agosto de 1819 em Nova Iorque, onde faleceu a 28 de Setembro de 1891.
Dos onze romances que escreveu, “Moby Dick”, que inicialmente teve apenas o título “A Baleia”, é o mais popular e famoso de todos.
Ironia das ironias, Melville que foi muito aplaudido pelos seus dois primeiros romances, “Typee” (1846) e “Omoo” (1847), com “Moby Dick”, conheceu um tremendo fracasso que originou o seu declínio na carreira de escritor. Morreu quase ignorado!...
Mas há uma bizarra reviravolta no século XX: “Moby Dick" ganha sucessivas projecções no entusiasmo de um público bem diverso.
A obra é adaptada à Rádio, ao Teatro, à Música, ao Cinema, ao Cinema de Animação, à Televisão e, claro, à Banda Desenhada. No Cinema, o filme mais famoso foi realizado em 1956 por John Huston, com guião de Ray Bradbury e com Gregory Peck como “comandante Ahab”.
Pela 9.ª Arte logo se demarca a notável versão pelo nosso Fernando Bento, publicada em 1960, no “Cavaleiro Andante”, do #425 ao #444, que em 2010 conheceu a reedição integral num dos “Cadernos Moura BD”, sob edição da Câmara Municipal de Moura.
À esquerda, a capa do "Cavaleiro Andante" #425 (1960), que serviu de base para
a capa do número especial dos "Cadernos Moura BD", à direita (Ed. C.M. Moura, 2010)
 
Duas pranchas de "Moby Dick", por Fernando Bento.

Claro que há infindáveis adaptações de “Moby Dick”, pelo que aqui se salientam apenas algumas das mais notáveis:

ITÁLIA: Franco Caprioli - que, como sabemos, sempre teve uma admiração intensa pelo mar e pelas aventuras marítimas - trabalhou em três(!) versões diferentes desta obra. Uma delas foi originalmente publicada, em 1966, no semanário inglês "Ranger" (#22 a #27), sendo mais tarde publicada entre nós no "Jornal do Cuto".
"Moby Dick", por Franco Caprioli, in "Jornal do Cuto" #100 (1973)

A seguir, imagens duma outra versão (menos abreviada que a anterior), que Caprioli desenhou usando balões e uma composição mais dinâmica, mas que só seria publicada após a morte inesperada do grande desenhador transalpino, em 1974.

Por fim, deixamos duas ilustrações (retiradas, com a devida vénia, do excelente blogue www.francocapriolidesenhadordosmaresdesonho.wordpress.com, de Jorge Magalhães e Catherine Labey) da primeira versão que Caprioli realizou desta obra, para um livro publicado em 1951 pela editora Mondadori. Apesar de se tratar de ilustrações - e não BD - achámos que faria todo o sentido a sua inclusão neste post de modo a oferecer aos nossos leitores as três versões realizadas por Caprioli.
"Moby Dick" ilustrado por Caprioli, Ed. Mondadori (1951)

Outros autores italianos que desenharam "Moby Dick" foram Dino Battaglia...
"Moby Dick", por Dino Battaglia, Edição Le Mani-Microart'S


... e Mateo Lolli, este numa adaptação (bastante) livre, com super-heróis à mistura.
Prancha de "Deadpool vs Moby Dick", por Mateo Lolli

SUÍÇA: Patrick Mallet (desenhos) e Laurence Croix (cores) adaptaram esta obra numa série intitulada "Achab", em quatro tomos publicados entre 2007 e 2011.
"Achab", por Patrick Mallet - Ed. Treize Etrange


FRANÇA: Paul Gillon e Jean Ollivier...
"Moby Dick", por Gillon (desenho) e Ollivier (texto), edição "Achette" (1983)

Christophe Chabouté, numa versão também em dois tomos...
"Moby Dick", por Chabouté - Ed. "Vents d'Ouest" (2014)

Olivier Jouvray e Pierre Alary...
"Moby Dick", por Olivier Jouvray e Pierre Alary - Ed. "Soleil Productions" (2014) 

Michel Durand...
"Ambre Gris", por Michel Durand - edição "Glénat"

...e Al Voss (nascido no Brasil e falecido em Portugal).
"Moby Dick", numa versão fantasiosa e livre por Al (ou Alain) Voss


BÉLGICA: Denis Deprez e Jean Rouaud
"Moby Dick", por Denis Deprez e Jean Rouaud, edição "Casterman" (2007)


FILIPINAS: Alex Nino.
"Moby Dick", por Alex Nino, in colecção "Marvel Classic Comics", edição Marvel


SÉRVIA: Zeljko Pahek (em dois tomos)
"Moby Dick", por Zeljko Pahek - edição "Delcourt"

BULGÁRIA: Penko Gelev e Sophie Furse
Capa de "Moby Dick", por Penko Gelev e Sophie Furse,
Colecção "Graphic Classics", Ed. Barron's 

ESPANHA: António Carrillo (desenhos) e Cassarel (texto)...
"Moby Dick", por Antonio Carrillo e Cassarel, in colecção "Joyas Literarias Juveniles" #107,
"Editorial Bruguera" (1974). Capa de Antonio Bernal.

...Sergio (do qual, até ao momento, não temos qualquer informação adicional)...
"Moby Dick, la Ballena Blanca", por Sergio

...Manuel Carregal e Roc...
Capa de "Moby Dick", in "Coleccion Galaor de Literatura y Acción",
por Manuel Carregal e Roc, Edição Galaor (1965)

...e a dupla Carlos Soria/Chiqui de la Fuente, que publicaram em "Maravillas de la Literatura" #5, sob Ediciones Larousse (1982), uma versão humorística, editada no nosso país pela Livraria Editora Civilização.
"Moby Dick", por Chiqui de la Fuente (desenhos) e Carlos Soria (texto),
"Livraria Editora Civilização" (1982)


ARGENTINA: Gillermo Saccomanno e Leopoldo Durañona...
"Moby Dick" por Gillermo Saccomanno (texto) e Leopoldo Durañona (desenhos) 

...Fontanarrosa...
"La Ballena Blanca", por Fontanarrosa

...Ignacio Segesso (desenhos) e David Rodriguez (adaptação).
 
"Moby Dick" por Segesso e Rodriguez, in Colecção "Novela Grafica" ("Ed. Latinbooks")

URUGUAI: Enrique Breccia...
"Moby Dick", adaptação de Enrique Breccia

...ESTADOS UNIDOS: Louis Zansky (de origem russo-judaica)...
"Moby Dick" por Louis Zansky, in "Classic Comics" #5

...Bill Baker...
"Moby Dick", por Bill Baker

Norman Nodel...
"Moby Dick", por Norman Nodel, in revista "Classics Ilustrated" #5 (1956)

Bill Sienkiewicz...
"Moby Dick", por Bill Sienkiewicz, in "Classics Illustrated"

...Will Eisner...

"Moby Dick", por Will Eisner - Ed. "NBM" (1998)

...e, sob edição Marvel, Roy Thomas (texto) e Pascal Alixe (arte).
 
"Moby Dick", por Roy Thomas e Pascal Alixe - Ed. Marvel

A parceria Walt Disney/Panini Comics também explorou este tema, numa série de aventuras, por vários desenhadores e argumentistas.
"Moby Dick", edições "Disney/Panini Comics"

ÍNDIA - Lalit Kumar (desenhos) e Lance Stahlberg (adaptção)
 
"Moby Dick", por Lalit Kumar e Lance Stahlberg, ed. "Campfire"


Por fim, uma versão publicada na revista "O Falcão" #345 (1967), de autor que não conseguimos descortinar. Houve, curiosamente, alguns anos mais tarde, uma reedição desta aventura no #1149 da mesma revista, com capa de José Garcês.
"Moby Dick", in revista "O Falcão" #1149 (1982). Capa de José Garcês
"Moby Dick", in revista "O Falcão" #1149

Estes, os principais talentos que conseguimos detectar, que adaptaram “Moby Dick” em BD. Se de mais versões dermos conta, aqui serão incluídas, como habitualmente fazemos.

Agradecemos os apoios prestados por Juan Espallardo, Manuel Barrero, José Manuel Vilela e Edgar Tendeiro.
LB