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sexta-feira, 23 de junho de 2017

BD E HISTÓRIA DE PORTUGAL (13) - SERPA PINTO

Serpa Pinto
De olhos nos olhos, perguntamos: quem são os autênticos Heróis, exemplarmente marcantes em actos de valentia e sacrifício da nossa História?
Doentiamente, a maioria sabe muito dos futebolistas e pouco mais... Francamente!...
Admiráveis os feitos de alguns grandiosos nomes da nossa História, sobretudo quando realizados a solo, como foi o caso de Serpa Pinto!
Extremamente honrado e incorruptível, temerário e atrevido nos seus empenhos para glória do nosso país, Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto, nasceu no Distrito de Viseu, na zona de Cinfães, a 20 de Abril de 1846, vindo a falecer em Lisboa, a 28 de Dezembro de 1900.
Teve uma educação esmerada e os devidos estudos militares.
Coragem, ante qualquer guerra, nunca lhe faltou. Por exemplo: numa contenda a que assistia na Europa, perante as dificuldades sentidas pelas forças francesas, ofereceu-se para uma “doida” missão... E cumpriu-a com êxito, pelo que foi logo condecorado pelo exército francês.
Serpa Pinto em plena função histórico-científica, algures em África
Mas foi em África que ele sacrificou a sua vida... ousando, sozinho, atravessar esse continente, ligando Angola a Moçambique, apenas com a companhia e ajuda de alguns dedicados africanos. Ainda por cima, pela nossa “fraterna” Europa, esta andava a cobiçar-nos os territórios, com muita inveja e ambição: os ingleses, os alemães, os holandeses, os franceses e sabe-se lá quem mais!
Teoricamente, Serpa Pinto, deveria fazer tal travessia na companhia de dois outros valores, não menos heróis, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens... mas desaguisaram-se ante o itinerário a seguir, apesar dos sábios conselhos do sertanejo Silva Porto.
Serpa Pinto prosseguiu a solo, tendo sofrido muitas agruras: algures, no meio de África, foi alvo de fortes febrões e esteve às portas da morte, tendo-lhe valido os cuidados da família francesa Coillard, missionária no sertão; chorou copiosamente pela morte do seu animal de estimação (que o seguia como um fiel cão), a cabra “Cora”, morta num acidente; assistindo,lamentou com plena amargura, o tráfico de escravos; atreveu-se a medir as cataratas do rio Zambeze, preso à resistência duvidosa de lianas e sob a aflição dos seus fiéis acompanhantes negros...
Foi gloriosamente recebido na África do Sul de então. Mais tarde, foi nomeado governador do nosso (então) território de Cabo Verde.
Selo raro dedicado
a Serpa Pinto
O nome de Serpa Pinto existe na toponímia de muitas urbes do nosso País. Mas ele está também registado na Azulejaria (na Fortaleza de S.Miguel em Luanda, Angola), num busto na Cidade da Praia (República de Cabo Verde) e num selo
raro de 16 escudos na nossa Filatelia.
O nosso Cinema, por miopia ou incapacidade, até hoje, nunca abordou a sua vida e a sua epopeia...
Na Literatura, contam-se exemplos como “A Vida Breve e Ardente de Serpa Pinto” por Carlota Serpa Pinto, “Através do Continente Misterioso” por Adolfo Simões Müller, “Serpa Pinto, o Mistério do Sexto Império” por Pedro Pinto, “Alexandre Serpa Pinto: o Sonhador da África Perdida” por Luís Almeida Martins, “Serpa Pinto na Travessia de África” por Maria Helena Figueiredo Lima, e ainda, pelo punho do
próprio herói, “Como Eu Atravessei África”.

Não o abandonou a nossa atenta Banda Desenhada, pelo que aqui temos os exemplos por Fernando Bento, que publicou, em 1951, na revista "Diabrete", uma biografia, mais tarde reeditada num mini-álbum, pelo Gicav (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), numa edição rara, há muito esgotada...
Gravura 1: Capa de "A Vida Aventurosa de Serpa Pinto", por Fernando Bento, publicada no
"Diabrete" #787 a #842 (1951). Gravuras 2 a 4: capa e pranchas da reedição em álbum pelo Gicav, em 1991

José Garcês e Agostinho Macedo publicaram, a cores e em prancha única, "Serpa Pinto", inserido no álbum colectivo "Grandes Portugueses"...
"Serpa Pinto", por Agostinho Macedo (texto) e José Garcês (texto),
inserido no álbum "Grandes Portugueses", edição da revista "Camarada" (1962)

Baptista Mendes publicou no "Jornal do Exército" uma biografia em duas pranchas...
"Serpa Pinto", por Baptista Mendes (texto e desenhos), in "Jornal do Exército"

...e José Pires publicou, em 2012, também no "Jornal do Exército" uma obra de fôlego, "A Portuguesa: História de um Hino", que aguarda publicação em álbum há alguns anos. Numa das páginas desta obra, que abaixo reproduzimos, aparece a figura de Serpa Pinto.
"A Portuguesa: História de um Hino", por José Pires, in "Jornal do Exército" (2012)

Mas ousámos pedir uma colaboração mais específica, amigavelmente elaborada e que aqui se estreia, com a nossa plena gratidão: as pranchas de Santos Costa...
"Como eu Atravessei a África - Serpa Pinto", por Santos Costa
(publicado no blogue: www.bandarra-bandurra.blogspot.pt) (2017)

...e Pedro Massano...
Quatro pranchas, até agora inéditas, desenhadas propositadamente
por Pedro Massano para o nosso blogue (2017)

...e um divertido cartune por Artur Correia.
Cartune inédito de Artur Correia (2016)
Aqui fica a nossa bem sentida evocação a um dos grandes heróis da História lusa. Que a Pátria nunca te esqueça, valoroso Serpa Pinto!
LB
Ilustração de Fernando Bento

domingo, 12 de março de 2017

LITERATURA E BD (10) - OSCAR WILDE

Oscar Wilde (1854-1900)
Há dois gigantes da Literatura da Irlanda que cilindram os mais atentos: Oscar Wilde e George Bernard Shaw. Implacavelmente sarcásticos, foram contemporâneos e viveram em Londres...
Pior ou melhor: detestavam-se pessoal e cordialmente, mas admiravam as obras de cada um. Achincalhavam constantemente, nos textos e nas piadas, os ingleses que, apalermados, até se riam e aplaudiam tais "espadeiradas". Coitadinhos dos ingleses!...
Ambos muito vaidosos, também davam as suas mútuas indirectas. Lembro-me de uma cena memorável de um filme (creio que foi em “O Julgamento de Oscar Wilde”), quando se assiste ao momento da estreia triunfal em Londres da peça de Wilde, “O Leque de Lady Windermere”... No final, Wilde desce uma escadaria, cercadíssimo de meninas tontas, e em baixo, no átrio, está Bernard Shaw. Este, alto e a bom som (e exibicionista), clama:
Senhor Wilde, gostei muito desta sua peça!”.
E Wilde respondeu:
- Também eu!
Oscar Wilde (aliás, Oscar Fingel O’Flahertie Wills Wilde) nasceu em Dublin a 16 de Outubro de 1854 e faleceu em Paris, doente, quase na miséria e abandonado, a 30 de Novembro de 1900.
Sincero, sabia-se talentoso, não fugindo no seu pedantismo peculiar, a aspectos como as fatiotas com que se exibia, quase sempre com um cravo verde na lapela... Classicamente muito culto, era homossexual, mesmo que tenha casado com Constance Lloyd, donde dois descendentes, o filho Cyril e a filha Vyvyan. O seu grande amor terá sido porém, o jovem aristocrata britânico (caprichoso, prepotente e parasita) Alfred Douglas, que o denunciou abertamente quando se sentiu “afastado”...
Mas este tão irónico como sofredor autor irlandês é digno de admiração pela sua obra, através da poesia, teatro, romance, ensaio, pensamentos. Exemplos soltos: “Fedra”, “A Duquesa de Pádua”, “O Príncipe Feliz”, “O Retrato de Dorian Gray”, “O Leque de Lady Windermere”, “Salomé”, “A Importância de Ser Leal”, “Uma Mulher Sem Importância”, “Rosa Mística”, “O Fantasma de Canterville”, “A Alma do Homem Sob o Socialismo”, “Balada do Cárcere de Reading”, “De Profundis”, etc.
Sofreu injúrias, o abandono e a prisão. Enfim libertado, foi viver para Paris (onde escreveu sob o pseudónimo de Sebastian Melmoth), onde faleceu vítima de um ataque violento de meningite.
Cartaz de "Wilde", com
Stephen Fry como protagonista
Até ao fim, sempre teve a seu lado, como fraterno amigo, Robert Ross.
Está sepultado no icónico cemitério parisiense Père Lachaise.
Adaptado ao Cinema por várias vezes, tanto biograficamente como por algumas obras suas, salientam-se dois filmes sobre a sua vida: “O Julgamento de Oscar Wilde” (realizado em 1960 por Ken Hughes e com tão aplaudível interpretação
de Peter Finch) e “Wilde” (realizado em 1997 por Brian Gilbert, com o actor Stephen Fry) .
Quanto à sua obra na Banda Desenhada, há um “universo” imenso, focando valorosos títulos como “O Retrato de Dorian Gray”, “Salomé”, “O Fantasma de Canterville” e o emocionante “O Príncipe Feliz”. Deste, há uma elegante adaptação feita pelo nosso Fernando Bento, que foi publicada no “Diabrete”, em 1949, do #595 ao #604.
 
"O Príncipe Feliz", por Fernando Bento, in "Diabrete" (1949)

E por este tema, salienta-se também o projecto inacabado por P.J.Holden / Malacky Coney...
"O Príncipe Feliz", uma adaptação livre de P.J. Holden (desenho) e Malacky Coney (texto), nunca terminada

 ...e a deslumbrante versão gráfica de P. Craig Russell.
"O Príncipe Feliz", adaptação e desenhos de Craig Russell,
in Colecção "Contos de Oscar Wilde" (tomo 5), Ed. NBM (2012)

Craig Russell que adaptou várias outras obras de Wilde, como por exemplo "O Gigante Egoísta"...
"O Gigante Egoísta", adaptação e desenhos de Craig Russell,
in Colecção "Contos de Oscar Wilde" (tomo 1), Ed. NBM (1992)

..."O Jovem Rei"...
"O Jovem Rei", adaptação e desenhos de Craig Russell,
in Colecção "Contos de Oscar Wilde" (tomo 2), Ed. NBM (1994)

..."O Aniversário da Infanta"...
"O Aniversário da Infanta", adaptação e desenhos de Craig Russell,
in Colecção "Contos de Oscar Wilde" (tomo 3), Ed. NBM (1998)

...ou "O Amigo Devotado", entre outros.
"O Amigo Devotado", adaptação e desenhos de Craig Russell,
in Colecção "Contos de Oscar Wilde" (tomo 4), Ed. NBM (2004)

O drama teatral “Salomé”, tão fabuloso como controverso, foi adaptado pelo turco Gürcan Gürsel...
Capa de "Salomé", por Gürcan Gürsel

...bem como por Tom Pomplun e Molly Kiely...
"Salomé", por Tom Pomplun (adaptação) e Molly Kielly (desenhos), in "Graphic Classics"

...e, também, por Craig Russell.
"Salomé", por P. Craig Russell, in Micro-Séries, Ed. Eclipse Comics

Quanto a “O Retrato de Dorian Gray”, existe uma versão adaptada por Alex Burrows com desenhos de Lisa K. Weber.
"O Retrato de Dorian Gray", por Alex Burrows (adaptação) e Lisa K. Weber (desenhos),
in "Graphic Classics"


Na revista "Thriller Comics Library" #148, o inglês Robert Forrest realizou uma bela adaptação deste romance.
"O Retrato de Dorian Gray", por Robert Forrest, in "Thriller Comics Library" #148 (1956)

As edições Marvel também dedicaram uma colecção, em seis volumes, a esta obra.
  
"O Retrato de Dorian Gray", por Roy Thomas (texto), Sebastian Fiumara (desenho) e Giulia Brusco (cor),
in Marvel Illustrated

"O Retrato de Dorian Gray" foi uma obra também inserida na colecção de novelas gráficas "Eye Séries", com texto de Edginton e desenho de Culbard.
"O Retrato de Dorian Gray", por Ian Edginton (texto) e Ian Culbard (desenhos),
Ed. SelfMadeHero (2008)

Há, também, uma versão de Stanislas Gros, sob edição Delcourt...
"O Retrato de Dorian Gray", por Stanislas Gros (adaptação e desenhos), Ed. Delcourt (2008)

Mas foram as Edições Diábolo que publicaram uma das melhores adaptações de "O Retrato de Dorian Gray", por Corominas.
"O Retrato de Dorian Gray", por Enrique Corominas (adaptação e desenho), Ed. Diábolo

Cabe aqui realçar, também, uma versão futurista e vagamente inspirada nesta obra, publicada na revista de terror "Creepy".
"Dorian Gray: 2001", por Alan Hewetson (texto) e Bill Barry (desenho),
in "Creepy" Vol. 9 (2011)

Já as Edições "Mosquito" (francesas, nada tendo a ver com o nosso famoso jornal infantil) lançaram uma colecção intitulada "Contos e Lendas", com arte do italiano Dino Battaglia (em parceria com a esposa, Laura, que deu a cor) onde foi incluída uma versão de "O Gigante Egoista".
"O Gigante Egoísta", por Dino Battaglia (adaptação e desenhos) e Laura Battaglia (cor),
1.º tomo da colecção "Contos e Lendas", Ed. "Mosquito" (França), 2006

Com argumento adaptado de Céka e desenhos de Cédric Pérez e Christelle Lardenois temos mais uma versão de "O Gigante Egoísta".
"O Gigante Egoísta", por Céka (adaptação) e Perez e Lardenois (desenhos),
Edições Petit à Petit (2010)

"O Fantasma de Canterville" foi parodiado por Antonella Caputo (texto) e Nick Miller (desenho), no número da colecção "Graphic Classics" dedicado a Oscar Wilde.
"O Fantasma de Canterville", por Antonella Caputo (texto) e Nick Miller (desenho), in Graphic Classics

Nesse mesmo número de "Graphic Classics", outra obra de Wilde foi parodiada por Rich Rainey e Stan Shaw: "Lord Arthur Savile's Crime".
"Lord Arthur Savile's Crime", por Rich Rainey (texto) e Stan Shaw (desenhos), in "Graphic Classics"

As Edições IDW lançaram "Welcome to Undeadwood", cujo argumento coloca Oscar Wilde contracenando com alguns personagens famosos do velho oeste como Calamity Jane e Wild Bill Hickok...
"Welcome to Undeadwood", por Lee, Collins e Kirchoff, in Revista "Doctor Who" #13

"O Aniversário da Infanta" foi também alvo de uma soberba adaptação pelo grande desenhador espanhol Leopoldo Sánchez.
"Un Monstruo en el Espejo", adaptação de "O Aniversário da Infanta", por Leopoldo Sànchez,
in "Comix Internacional" #3 Toutain Editor (1980)

Julian Peters adaptou, com um belo grafismo, o poema de Oscar Wilde, "Impression du Matin".
"Impression du Matin", adaptação e desenho de Julian Peters.

Do nosso colaborador Carlos Gonçalves, recebemos estas vinhetas, publicadas num jornal italiano, cujo autor das mesmas não conseguimos (ainda) descortinar...

Wilde foi, também, personagem de um projecto mangá, ainda que trabalhado por autores ocidentais, como por exemplo em "Oscar Wilde Conquista a América"...
"Oscar Wilde Conquista a América", por Robert Marland (texto) e Danica Brine (desenho)

Em duas pranchas, uma mini-biografia de Oscar Wilde, centrada à volta da publicação de "Salomé", da autoria de "NitrusOxide", pseudónimo de um autor norte-americano do qual desconhecemos mais dados, por agora.
Biografia de Oscar Wilde por "NItrusOxide"

"Bhoemians: a Graphic History" é um álbum colectivo onde Paul Buhle e David Berger se rodearam de um variado leque de banda desenhistas para percorrer o movimento boémio desde a sua origem, em meados do século XIX, até entrar no século XX. Oscar Wilde, como não poderia deixar de ser, também está referenciado...    
"Oscar Wilde in America", por Ellen Lindner, in "Bhoemians: A Graphic History"

Patrick Chambon realizou "Oscar Wilde FabulLeux", numa edição da francesa Hazan.
"Oscar Wilde FabulLeux", por Patrick Chambon, Ed. Hazan (França - 2016)

Para terminar este post que já vai longo, deixamos um cartune de Schulz, que encontrou forma de homenagear Oscar Wilde na sua ultra-famosa série "Peanuts".
Em “fim de festa”, transcrevem-se duas deliciosas alfinetadas de Wilde sobre os ingleses:
1 - “Em Inglaterra, o público dos jornais sente uma insaciável curiosidade em saber tudo, excepto aquilo que vale a pena saber”.
2 - “Londres está cheia de mulheres que confiam nos maridos. Reconhecem-se pelo seu aspecto infeliz”.

Nosso agradecimento ao apoio prestado por Carlos Gonçalves.
LB/CR