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quarta-feira, 3 de julho de 2013

HERÓIS INESQUECÍVEIS (14) - LUC ORIENT

Pela Banda Desenhada, a vertente da Ficção Cientifica tem tido muitos heróis e respectivas séries de alta força, mas há uns e há outros... Salientamos os mais marcantes: Buck Rogers (apareceu pela primeira vez em 1928, por Philip Francis Nowlan e Dick Calkins), Brick Bradford (1933, por William Ritt e Clarence Gray), Flash Gordon (1934, por Alex Raymond) - herói encomendado para rivalizar com a
popularidade de Buck Rogers - e, em 1967, Valerian (por Pierre Christin e Jean-Claude Mezières) e Luc Orient (por Greg, aliás Michel Regnier, e Eddy Paape).
O argumentista Greg (1931-1999) e o desenhista Eddy Paape (1920-2012) tiveram o grande talento de criar a série Luc Orient. É a linha europeia paralela à norte-americana de Flash Gordon. Isto, se bem que, em 1943, Edgar-Pierrre Jacobs tivesse criado o clássico "O Raio U", uma narrativa a "meio da ponte" entre Flash Gordon e Luc Orient.
Somos incondicionais admiradores dos dois heróis ou, se quiserem, das duas séries. Todavia, por gramas, pesa um tanto mais o prato da balança onde consta o lado europeu. Mera questão emotiva?... Talvez... Como explicar? Mas ante o trio "Flash Gordon-Dale Arden-Prof. Hans Zarkov" em concorrência com o trio "Luc Orient-Lora Jordan-Prof. Hugo Kala", sentimos mais humanismo (obviamente necessário) na série europeia.
Desta, surgiram dezassete longas histórias, mais três narrativas curtas ("Os Esporos de Parte Alguma", "La Vengeance" e "Les Rayons de Feu du Soleil") e ainda uma longa "Le Mur", que ficou incompleta, dado ao falecimento de Greg. Todas sempre com criação da mesma parceria, atenta e de aplaudível força construtiva, factor que já não aconteceu com a série de Flash Gordon, que tem tido altos e baixos, consoante os responsáveis criadores em curso. De qualquer modo, este nosso parecer não significa que não tenhamos encontrado, também, algumas fragilidades nas aventuras de Luc Orient...
No entanto, o "ciclo de Terango" (os cinco primeiros tomos), marcou bem o entusiasmo empolgado nos bedéfilos, incluindo os portugueses. Depois, quase tudo se passa no nosso planeta, mas Terango será recuperado mais adiante.

Outro álbum que marcou muito foi "24 Horas para o Planeta Terra", onde, curiosamente e de certo modo, o extraterrestre salvador se aproxima da possível personalidade de Jesus Cristo!...
"24 Horas para o Planeta Terra", aventura de Luc Orient publicada em álbum e, também,  na revista Tintin
Estando a série esgotada, recentemente a belga Éditions du Lombard reeditou-a na "versão integral", incluindo as pranchas da narrativa incompleta "Le Mur". E, pelo menos na Bélgica, também a Filatelia honrou este herói-BD.
  

Quanto aos personagens principais, temos: Hugo Kala, um cientista sóbrio, austero e simpático; Lora Jordan, bela e não apenas uma "boneca" apaixonada por Luc, que terá actuações ousadas em momentos perigosos nas aventuras; Luc Orient (na verdade muito próximo de Flash Gordon), que nunca se deixa sequer salpicar por fantasias de super-heroísmos, sendo mais humano, enquanto Flash Gordon resvala volta não volta, parecendo muito mais ser de "plástico" do que um terrestre de carne-e-osso... Enfim, são meras opiniões nossas... sem pecado.

Em português, infelizmente, cremos que só há quatro álbuns: três pela Bertrand ("O Senhor de Terango", "O Segredo das 7 Luzes" e "24 Horas para o Planeta Terra") e,
pelo Público/Asa, o álbum duplo (2009) com os episódios, "Os Dragões de Fogo" e "Os Sóis de Gelo". É pouco, é muito pouco!...

"O Vale das Águas Turvas", aventura de Luc Orient publicada na revista Tintin...

... tal como "A Cratera dos Sortilégios"
Prancha de "O 6.º Continente"
Luc Orient na Filatelia
Luc Orient na colecção "Clássicos da revista Tintin" (2009, Edições Asa / jornal Público)

domingo, 9 de setembro de 2012

HERÓIS INESQUECÍVEIS (3) - MARC DACIER


Marc Dacier é um jovem atrevido e temerário que, empenhadamente, ambiciona ser repórter. A direcção do periódico "L'Éclair", talvez para se ver livre dele, submete-o a uma arrojada prova: em menos de quatro meses e sem o mínimo apoio financeiro, Marc deve elaborar uma série de reportagens à volta do mundo. E ele aceita e parte!...
Jean-Michel Charlier e Eddy Paape
Assim, com a fértil imaginação do argumentista Jean-Michel Charlier (1924-1989) e o belo e nervoso grafismo de Eddy Paape (1920-2012), a série "Marc Dacier" nasceu no n.º 1059 da revista belga "Spirou" (Ed. Dupuis) a 31 de Julho de 1958. Viria a dar azo a treze álbuns.
"Au-delà du Pacifique" (capa e prancha)
Porém, Marc Dacier não sofre apenas os sobressaltos das suas aventurosas peripécias. Sofre também, pela parte da publicação das mesmas, um desnorteio editorial, apesar do êxito popular das suas aventuras... Após a sexta aventura, a Dupuis desinteressa-se da série!...
Mas, ao notar o empenho da concorrente Éditions Deligne em pegar em Marc Dacier, dá uma reviravolta e edita os restantes álbuns.
Marc Dacier pelas Éditions Michel Deligne 
Entretanto, Eddy Paape incompatibilizou-se com a Dupuis e passou para a Lombard onde, com argumentos de Greg, iniciou a notável série Luc Orient.
O argumentista Charlier é que não se conformou e escreveu novo guião em duas partes (resultando em dois álbuns) com traço do catalão Artur Aldoma Puig. O clima das aventuras mantinha-se, mas o grafismo de Puig nada tinha a ver com o de Paape e tão pouco Dacier se justificava agora. Por isso, Marc Dacier é substituído por Brice Bolt. Não resultou e tudo acabou definivamente por aí.
 
As aventuras de Marc Dacier (nunca saberemos se ele cumpriu a sua corajosa volta ao mundo) têm sido seduzidas para reedições, até pela via "integral". Apesar do entusiasmo e da popularidade que cedo alcançou, também em Portugal Dacier não teve melhor sorte (será que houve bruxedo contra o jovem pretendente a repórter?), pois só a primeira aventura foi publicada na revista "Zorro" em 1962.
Mesmo assim, Marc Dacier filia-se na galeria dos belos clássicos da Banda Desenhada que vale a pena conhecer ou reler (em francês,claro!).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

NOVO LUTO NA BANDA DESENHADA: EDDY PAAPE


Com quase 91 anos (pois nasceu a 3 de Julho de 1920) faleceu a 12 de Maio, o grande mestre belga Eddy Paape. Não demos por tal notícia por cá, nem nos periódicos nem na televisão, o que não admira nada, pois o importante é falar-se apenas de futebol e do sinistro ambiente socio-político em que chafurdamos.
Aos 15 anos, Paape, entrou para o famoso Institut Saint-Luc (onde veio depois a ser professor), por pressão encorajadora de Hergé e de André Franquin. 
Conviveu e colaborou também, com Jijé, Morris, Peyo e Hubinon. Durante a ocupação da Bélgica pelas forças nazis, em 1942, trabalhou em animação para a CBA - Compagnie Belge d'Actualités, que era um estúdio (em Liège) com actividades clandestinas com ligações à resistência.
É em 1945, quando a CBA fecha, que se passa para a Banda Desenhada, numa carreira brilhante e imparável.
A revista "dBD" n.º 64 (Junho) publicou a derradeira entrevista com ele. E é na mesma revista, no n.º 65 (Julho/Agosto), que deparámos com a notícia amarga do seu falecimento, com mais indicações que logo procurámos na Internet.
A bibliografia de Paape é vasta e variada, abordando os mais diversos géneros, incluindo o humorístico. 
Na série de histórias curtas (4 pranchas) "Les Belles Histoires de l'Oncle Paul", com guião de Octave Jolly, a revista "Spirou" n.º 1252 (de 12 de Abril de 1962), publicou a sua versão gráfica sobre as aparições em Fátima, com o título "Le Soleil Danse à Fatima". E ainda nas histórias curtas (5 pranchas), para a revista "Tintin" (n.º 21, de Maio/ 1969), desenhou "A Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul", com guião de Yves Duval, publicada no "Mundo de Aventuras" n.º 372, em 1980. Adaptou "Os Miseráveis" de Victor Hugo e fez também uma biografia de Winston Churchill. Colaborou, em destaque, para séries de colegas seus: "Barbe Rouge", de Hubinon, e "Jean Valhardi", de Jijé.
Tem vários heróis, se bem que alguns com carreira efémera: "André Lefort", "Carol Detective", "Tommy Banco", "Val", "Johnny Congo", "Udolfo", "Marc Dacier" (de quem em breve falaremos), "Yorik" e, como seu herói por excelência, "Luc Orient", uma espécie de "Flash Gordon" à europeia. Esta série, com algumas histórias curtas, comporta 18 álbuns, já todos também em versão integral. A 19.ª aventura ficou incompleta, dado o falecimento do argumentista Greg a 29 de Outubro de 1999.
Prancha de "Le Mur", aventura inacabada de Luc Orient

Poucas criações de Paape foram publicadas em português, o que é pena. Em Portugal, a qualidade raras vezes importa...
Em 2008, as Éditions du Lombard publicaram um precioso álbum biográfico, "Eddy Paape, la Passion de la Page d'Après" por Alain De Kuyssche. Na sua derradeira entrevista, na revista atràs citada, ele afirmou: "Não corro atrás de honras. A única coisa que me interessa é poder trabalhar".

Descanse em paz, mestre Eddy Paape!